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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Inexplicável? É o fungágá da bicharada

Aurora Teixeira

Sexta feira, 8 de agosto de 2014

Para o ministro da Economia, Pires de Lima, o acontecimento do BES é  'inexplicável '. Segundo o governante, parece inevitável que os investidores, sobretudo os estrangeiros (?!), reajam negativamente tendo de fazer a 'digestão' de tudo aquilo que se passou. Adianta, para nosso desassossego, que está a seguir "com muita atenção o que se está a passar nos mercados"...

As reações internas ao caso BES, sobretudo centradas na  actuação do Banco de Portugal  e do seu Governador, deixam um actor (a meu ver, chave) neste processo, o Goldman Sachs, 'passar pelos pingos da chuva'.

O que parece estar por explicar é a " meteórica passagem " do Goldman Sachs pelo capital qualificado do BES. É de estranhar que o banco norte-americano após ter entrado, em 15 de julho do corrente ano, no capital accionista e ter incentivado outros a investir no BES, contribuindo para uma momentânea valorização das acções deste último, em 23 de julho, ou seja poucos dias antes da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) ter decidido a suspensão da negociação dos títulos em bolsa, tenha vendido mais de 4 milhões de ações do BES.

Tal situação levanta desde logo a suspeição de "insider trading", isto é, negociação de valores mobiliários baseada no conhecimento de informações relevantes que ainda não são de conhecimento público, com o objetivo de auferir lucro ou vantagem no mercado. Apesar da CMVM ter aberto, no dia 1 de agosto, um processo de " investigação aprofundada da negociação dos títulos do BES... para apurar a eventual existência de indícios de violação do dever de defesa do mercado e/ou de crime de utilização de informação privilegiada ", é pouco provável que daqui se retirem algumas consequências relevantes.

Esta atuação do Goldman Sachs no caso BES não representa um evento excepcional. Pelo contrário, a história deste banco norte-americano é pautada de inúmeros 'casos' e passagens por 'portas giratórias' (entre política e finanças) que favorecem o 'insider trading' e o 'inside job'.

Abutres

O Goldman Sachs tem surgido, direta ou indiretamente, relacionado com as mais polémicas operações desde que eclodiu a crise financeira: entre outras, o swap grego ou o caso Abacus.

A troco de uma elevada comissão, a partir de 2002, o Goldman Sachs 'ajudou' a Grécia a encobrir os reais números do défice, através de 'swaps' cambiais com taxas de câmbio fictícias, o que na prática permitiu a este país aumentar a sua dívida sem reportar esses valores a Bruxelas. Em 2005 vendeu os 'swaps' a um banco grego protegendo-se assim de um eventual incumprimento por parte de Atenas. No início de 2010, e ao mesmo tempo que desempenhavam a função de consultores dos Governos, os analistas do Goldman recomendaram aos seus clientes a aposta em 'credit-default swaps' (CDS) sobre dívida de bancos gregos, portugueses e espanhóis. Estes CDS são instrumentos que permitem ganhar dinheiro com o agravamento das condições financeiras de determinado país.

O Abacus foi o nome que o Goldman Sachs deu a um produto financeiro composto por hipotecas subprime de muito má qualidade que supostamente colocou à disposição de um dos seus melhores clientes, o hedge fund de John Paulson, que entretanto apostou contra o produto enquanto os clientes que investiam de verdade no produto sofreram avultadas perdas. Para evitar uma investigação sobre o caso o Goldman Sachs aceitou pagar, em julho de 2010, 550 milhões de dólares (coisa pouca se se tiver em consideração que o hedge fund arrecadou cerca de mil milhões de dólares numa única aposta).

De acordo com o  Wall Street Journal , o Goldman Sachs era, em 2013, o único banco no top 10 (era o 3º) dos designados 'fundos abutre' (vulture funds). Um 'fundo abutre' é um hedge fund que investe em títulos (dívida) considerados muito fracos ou de entidades em iminente default/incumprimento. Mesmo entidades com um elevado nível de alavancagem podem ser alvo de um 'fundo abutre' se existir alguma possibilidade dos seus proprietários não cumprirem a totalidade dos pagamentos. Como o nome indica, estes fundos são como abutres que sobrevoam pacientemente o cadáver, esperando se apoderar do respectivo remanescente. O objectivo é a obtenção de elevados retornos a preços de saldo.

Tartarugas e polvos

O carácter metódico e prudente do Goldman Sachs, complementado por um dos seus lemas - 'apressar-se lentamente' -, valeram-lhe, em tempos, a alcunha de ' tartaruga '. A onda de desregulamentação financeira dos anos 1980 transformou a 'tartaruga' em 'polvo', com diversos ex-proprietários do banco a ocuparem importantes postos políticos em diferentes áreas do governo e em diversos países.

Robert Rubin, ex-diretor do Goldman Sachs, e acérrimo defensor da desregulamentação, foi ministro das Finanças (1995-1999) de Bill Clinton. Henry Paulson, ex-proprietário do Goldman Sachs, principal arquitecto do resgate do sistema bancário, foi ministro das Finanças (2006-2009) de George W. Bush.

Romano Prodi, ex-primeiro ministro italiano, e Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu BCE), tinham sido, respetivamente, conselheiro e vice-presidente do Goldman Sachs para a Europa.

Os tentáculos do Goldman Sachs chegaram também a Portugal.

Carlos Moedas, conhecido como o 'ministro da troika', recentemente escolhido por Passos Coelho para ser o próximo comissário português em Bruxelas, passou pelo Goldman Sachs onde conheceu António Borges que, entre 2000 e 2008, foi Vice-Presidente do Conselho de Administração do Goldman Sachs International e que, em 2012, foi convidado por Passos Coelho a liderar uma equipa que acompanhou, junto da troika, os processos de privatizações, as renegociações das parcerias público-privadas, a reestruturação do sector empresarial do Estado e a situação da banca.

O BES também não escapou. João Moreira Rato, ex-Presidente do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP), que conta no currículo com uma passagem pelo Goldman Sachs, foi recentemente 'promovido' a administrador financeiro do 'banco bom'/Novo Banco.

Fica-se assim daqui com a ideia de que os que provocaram o incêndio são os mesmos que são chamados para o apagar...

Uma verdadeira tragicomédia. Ironizando, com recurso às palavras do filósofo-cantor português, José Barata Moura, é o fungágá da bicharada!

"Vamos também descobrir uns amigos bestiais
Bem diferentes dos habituais
E vamos rir até não poder mais
Com as palhaçadas dos amigos animais
É o fungágá, fungágá da bicharada
É o fungágá, fungágá da bicharada
la la la la la la la la ra la la"

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/inexplicavel-e-o-fungaga-da-bicharada=f885253#ixzz39nLWAhH3

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Oi com prejuízo de 73,35 milhões de euros

A brasileira Oi, empresa que controla a Portugal Telecom, apresentou um prejuízo de 73,35 milhões de euros (221, milhões de reais) no segundo trimestre de 2014. Há um ano, no final de junho, apresentava um lucro de 45,8 milhões de euros.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/oi-com-prejuizo-de-7335-milhoes-de-euros=f885006#ixzz39c6DXEix

A queda de um Santo, por Pedro Santos Guerreiro.

Ricardo Salgado acaba mal e acaba só. O grande banqueiro era afinal péssimo gestor, arruinou um grupo familiar de 145 anos e saiu expulso do BES. Mas não há vazios de poder: quem dominará agora? Quem vai ser o Dono Disto Tudo? Este texto propõe uma resposta.

Talvez seja apenas um mito e Mayer Amschel Rothschild não tenha mesmo dito aquela frase no século XIX: "Deem-me o controlo do dinheiro de uma nação e pouco me importarei com quem faz as suas leis." Ficou a frase infame e a família famosa, os Rothschild, que já não são os banqueiros mais importantes da Europa mas cuja descendência prevalece.

No mesmo século XIX, uma família portuguesa de banqueiros era fundada por um órfão, a quem por isso mesmo chamaram de Espírito Santo, e que atingiu o ponto mais alto da sua influência já no século XXI. Depois - agora - os negócios faliram, num escândalo internacional de desonra. A família perde tudo. O movimento é tão poderoso que pode significar uma mudança de regime na economia portuguesa. Há uma rede de poder que desaba. Outra emergirá. 

Como foi possível que um império tamanho se perdesse entre dois verões, sem invernos que anunciassem a ruína ou primaveras que a redimissem? Talvez a resposta esteja noutra pergunta: como foi possível sequer construir este império tamanho? A resposta é, agora, fácil: não foi possível. Não era um império. Era um conglomerado descapitalizado, opaco e mal gerido. A plácida cascata de ativos, que criou um sistema de minorias acionistas encadeadas que garantia o controlo familiar com pouco capital, tornou-se uma torrencial cascata de passivos. 

É impressionante tudo ter acontecido debaixo dos olhos da comunidade, incluindo poderes políticos, reguladores, auditores, concorrentes. Ao contrário do BPN, que "sempre se soube", no BES nunca se soube de nada. Escrevia-se sobre a opacidade e a complexidade do grupo, mas não havia denúncias nem sequer suspeitas conhecidas. O poder do BES era imenso. E era um poder de um homem, Ricardo Salgado, 70 anos acabados de fazer. Sintomaticamente, o líder da família desde o final dos anos 80 não tinha número dois. Era costume dizer-se que o BES era como um comité central do Partido Comunista, não havia "vices", havia o líder e o resto. Era um poder total, bajulado e quase incontestado. 

O poder hegemónico

A primeira vez que falei sobre o assunto foi em julho de 2009, há cinco anos, num encontro à porta fechada do Projeto Farol, que decorreu no Pavilhão de Portugal. O Farol, um think tank liberal, convidara-me para fazer uma apresentação sobre fatores de bloqueio da economia portuguesa e eu escolhi o BES. Na minha tese, o problema não era o BES ser poderoso, era ser hegemónico.

O jornalista José Manuel Fernandes estava no encontro e, mais tarde, convidou-me para escrever essa análise para o Anuário da Fundação Francisco Manuel dos Santos, onde está publicada. Dos três eixos de poder da década anterior, restava um: o BCP, muito ligado à Teixeira Duarte, Cimpor, EDP e depois à Caixa, Berardo, Fino, estava prostrado; o BPI, muito ligado a grandes empresas do Norte, incluindo o Grupo Sonae, tinha-se virado para Angola; restava o BES e a sua linha de poder com a Portugal Telecom, Ongoing, Mota-Engil, mais tarde a EDP e José Sócrates.

A falta de oposição entre eixos financeiros permitira uma afirmação do BES que, juntamente com o BCP e a Caixa, lucraram muitos milhões concedendo crédito no imobiliário e nas obras públicas, onde estariam a maior parte dos grandes problemas da economia, com malparados gigantes, obras paradas a meio, transferências para fundos de reestruturação.

Nessa minha tese, estes bancos haviam "fabricado" lucros, dividendos e prémios de gestão. Os créditos, que constituíam lucro nos primeiros anos, virariam graves prejuízos no futuro. Os bancos foram sendo esventrados. No ano 2000, BES, BCP, BPI e Banif valiam em Bolsa um total de 18 mil milhões de euros. Os mesmos bancos valem hoje menos de sete mil milhões. Apesar de muitos dividendos entretanto pagos, a destruição de valor é evidente. Houve aumentos de capital em catadupa.

É hoje possível argumentar que, apesar de a intervenção externa de 2011 se ter feito por causa das contas do Estado, ela acabou por permitir uma gestão controlada e até disfarçada dos problemas enormes que estavam nos balanços dos bancos. Já foram reconhecidas nas suas contas mais de 24 mil milhões de euros de perdas reais e potenciais. E é essencial perceber isto para compreender o que se passou no Grupo Espírito Santo. 

Paradoxalmente, a devastação na economia portuguesa que foi acelerada com a intervenção externa de 2011 não havia produzido até aqui nenhuma grande falência. Houve algumas construtoras de média dimensão, empresas de turismo e de imobiliário a caírem ou a serem resgatadas, mas não houve nenhuma queda abrupta de um grande grupo. Na verdade, tal foi sendo possível precisamente pela gestão controlada da banca. Muitas empresas zombie foram sendo transferidas para fundos de reestruturação, outras tiveram as suas dívidas reestruturadas, sempre com perdões indiretos da banca. Na maior parte dos casos, porque os próprios bancos não queriam (ou não podiam) assumir todas as perdas, sobretudo numa altura em que a pressão regulatória europeia obrigava a sucessivos aumentos de capital para garantir rácios de solvabilidade. Em muitos outros casos, porque o "sistema" funciona assim: preserva-se. 

Assim foi com aquele que teria sido o maior estoiro na economia portuguesa: o Grupo José de Mello. O caso foi então noticiado mas estranhamente teve pouco impacto na sociedade. Por causa do corte do rating do Estado para nível lixo, em 2011, os bancos estrangeiros exigiram o pagamento imediato de empréstimos a muitas empresas portuguesas. Ao Grupo Mello foram exigidos mil milhões de euros, o que tendo em conta a quebra das receitas da empresa e o desequilíbrio entre ativos e passivos a colocou num estado crítico, sendo necessário "entrar" com o próprio património da família e, mais tarde, retirar a Brisa de Bolsa para a revalorizar e aceder a mais dividendos.

O problema ainda hoje não está ultrapassado, embora esteja controlado. Mas nada disso teria sido possível se, em 2011, o Grupo José de Mello não tivesse tido o apoio dos bancos portugueses, que então substituíram os bancos estrangeiros como seus financiadores. O trio do costume, Caixa, BCP e BES injetaram mil milhões no grupo, que assim pôde pagar aos bancos estrangeiros Santander, Deutsche Bank e Société Générale. 

A grande falência aparece agora e é muito maior: o Grupo Espírito Santo. Inteiro. Uma derrocada, de cima para baixo. Mas como? Assim: anos e anos de prejuízos não assumidos, operações que não geravam cash flow, investimentos nunca recuperados à custa de dívida sobre dívida nas próprias participadas, que ficavam pendurados nas contas como se estivessem bem. Pura má gestão e algumas ligações perigosas, com Angola à cabeça. Mas as holdings de topo, com contas opacas e triangulando várias praças financeiras, escondiam uma montanha de passivo, para mais agravada com dívidas que não estavam registadas nas contas, num total de 1,3 mil milhões de euros, o que pode constituir prática criminal.

A situação tornou-se insuportável quando a dívida, além de ser grande, passou a ser em grande parte de curto prazo. O famoso papel comercial tornou a pressão sobre a tesouraria intolerável e sujeita a enorme risco. Pior do que isso: contaminou o BES. 

Como a família perdeu o BES

Foi assim que a família perdeu o controlo do banco, primeiro na gestão, depois na própria posse das ações. Se os problemas de dívida no Grupo Espírito Santo eram já enormes, o contágio ao banco foi um passo deliberado e aconteceu no último ano. Talvez fosse uma última tentativa de evitar a rutura, mas transmitiu o problema das holdings de topo pela cascata abaixo até ao banco, o que constitui um pecado mortal e dificilmente compreensível. 

A falência poderia ter sido apenas da holding ES International, o que seria um escândalo que arrastaria a família Espírito Santo, mas não contaminaria as empresas nas holdings inferiores. 

Mas, no início deste ano, Ricardo Salgado começou a transferir os passivos da ES International para a RioForte, contaminando-a irremediavelmente. A Espírito Santo Financial Group e o BES concederam crédito às holdings de cima, ficando também desse modo contaminadas. E o BES expôs os seus próprios clientes ao risco, quando os pôs a financiar o GES, primeiro através de fundos de investimento como o ES Liquidez, depois através do papel comercial. Era difícil ter sido mais destrutivo.

Se o Banco de Portugal não tivesse forçado a constituição de provisões para pagar aos clientes de retalho do papel comercial, a hecatombe dos clientes teria sido devastadora. Um BPP multiplicado muitas vezes. 

O que levou o GES à crise revela no mínimo incompetência, mas a própria gestão da crise desde o fim do verão do ano passado foi desastrosa, revelando uma equipa bloqueada, em negação e obcecada por uma guerra interna de sucessão. Como criticou Fernando Ulrich recentemente, a informação financeira foi sendo relevada aos poucos, cada comunicado trazia um novo número, nunca houve transparência total e tudo isso gerou uma desconfiança insanável dos mercados, sobretudo depois de os investidores terem acreditado no BES para um derradeiro aumento de capital de mil milhões de euros há cerca de dois meses. Esses investidores sentem-se enganados. Têm boas razões para isso. Mas houve mais: foram sendo anunciados aumentos de capital na RioForte que nunca aconteceram, vendas em Bolsa que não ocorreram, reestruturações que não existiram. Tudo colapsou, estrondosamente. 

A melhor definição que ouvi até hoje sobre o sistema de poder económico em Portugal foi dada por Paulo Morgado, líder da filial portuguesa da Cap Gemini. Mais do que uma estrutura hierárquica piramidal, ou de que um polvo com tentáculos, o poder em Portugal assenta num sistema em rede. É, descreveu Paulo Morgado, como um jogo de micado: vários paus cruzam-se e é quase impossível mexer num sem tocar noutros.

Essa interdependência serviu ao mesmo tempo de rede de sustentação e de força de resistência passiva. Ninguém ousava dar um murro na mesa e atirar as peças de micado todas pelos ares, o efeito sistémico seria imprevisível. A falência do Grupo Espírito Santo e o afastamento da família é esse murro na mesa e sim, tem efeito sistémico, porque arrasta centenas de empresas com milhares de trabalhadores. Alexandre Soares dos Santos já disse que o efeito é "brutal, brutal, brutal..." 

Hoje, Ricardo Salgado é um homem só. Poucos dos seus aliados ainda o são, muitos dos seus mais próximos já deixaram de o ser. Começou por aqueles que eram enfeitiçados pelo dinheiro ou mesmo pagos pelo Grupo: esfumaram-se. Passou depois para os amigos, para a família, para os clientes, para dentro do banco.

É preciso perceber a mitificação que existia à volta de Ricardo Salgado, em muitos membros da comunidade mas sobretudo dentro do Banco Espírito Santo. Os quadros falavam de Salgado como de um banqueiro predestinado, um líder de que se orgulhavam, um homem que estaria sempre acima dos desafios e dos seus pares. Foi assim pelo menos até novembro do ano passado, quando começou a guerra na família. Mas mesmo no princípio da fase mais aguda da crise, muitos quadros do banco recusavam-se a aceitar a informação que ia sendo divulgada, como se o grupo estivesse a ser alvo de conspirações.

De alguma maneira, a situação foi semelhante no BCP aquando da crise de Jardim Gonçalves: era venerado pelos seus quadros, a incredulidade foi semelhante. Acresce que, no caso de Ricardo Salgado, muitos se sentiram mais do que dececionados: sentiram-se traídos. Esse terá sido o caso de Amílcar Morais Pires e de outros altos quadros do BES: indefetíveis até ao fim, foram deixados cair.

Curiosamente, Salgado foi negociando com quem o traíra a ele. Como Pedro Queiroz Pereira, com quem acabou por fechar um negócio que separou os dois grupos familiares. Com Carlos Costa, que lhe foi tirando o tapete aos poucos. E com José Maria Ricciardi, o seu primo que liderou uma tentativa de "golpe de Estado" em novembro que falhou. Ricciardi falara então com diversos membros da família, isoladamente, para retirar a confiança a Salgado, mas quem acabou isolado foi ele próprio. Teria o desfecho sido diferente se Ricciardi tivesse conseguido afastar Salgado? 

Os últimos meses revelaram que, na geração em causa, a família Espírito Santo só tinha dois potenciais líderes, Salgado e Ricciardi, que são tão parecidos um com o outro como o sal é do açúcar. José Maria Ricciardi foi o único a estar frontalmente contra Salgado e o tempo mostrou que tinha razão. Mais: ele podia ter sido o líder que salvaria o grupo. Mas não teve apoio da família. E, sobretudo, nunca teve um plano alternativo a não ser propor-se a si próprio como líder. Teve uma oportunidade história, não esteve à altura dela.

Hoje, o resto da família já estará com ele. Ou, pelo menos, está contra Ricardo Salgado. Há uma revolta surda entre os vários membros da família dos demais ramos, sobretudo os que estiveram com ele até ao fim, mas já não estão. Hoje, há membros de uma nova geração a despontar, como André Amaral ou Caetano Barão da Veiga, mas não há muito por que lutar. Dos mais velhos, já mais nenhum se solidariza com Salgado. Lealdade não é o mesmo que fidelidade. 

O próximo poder

Voltemos à frase atribuída a Rothschild: os banqueiros sabem que o poder maior numa economia está em criar moeda, o que Portugal aliás já não pode fazer. Em Portugal, o poder maior reside no Estado, através da despesa pública e dos impostos, e nos bancos, pela concessão de crédito. Mesmo nos últimos anos, com menos crédito concedido, o poder dos bancos foi suficiente para decidir a vida ou a morte de muitas empresas, pela renovação ou não renovação de créditos e linhas de tesouraria. Fale com qualquer gestor de uma PME, ele explica. 

A queda da família no BES está consumada, mas essa não é a única alteração acionista em perspetiva. É hoje difícil perceber como ficará o poder no banco, que está tomado por muitos acionistas especulativos de curto prazo. Além disso, uma entrada do Estado, ainda que com títulos híbridos, significa uma diluição enorme dos acionistas, incluindo dos investidores que entraram no último aumento de capital e que podem acionar legalmente o banco. Mas é óbvio que o BES acabará comprado, porque acabará vendido, mesmo que seja aos poucos, em mercado. 

A queda do BES enquanto eixo de poder poderia ter o efeito reverso que teve a queda do BCP em 2007: abrir caminho para que outro banco assomasse. Contudo, nenhum dos bancos portugueses parece ter a força ou sequer a dinâmica para se catapultar neste momento, até porque o mercado português continua a ser um mau "negócio". Assumindo que não há vazios de poder - sempre que há rei morto, há rei posto -, quem, então, pode assumir as rédeas do poder?

A resposta depende menos dos acontecimentos e mais das circunstâncias (Vítor Gaspar vai gostar desta): é o credor estrangeiro. Às vezes chamam-lhe "mercados". O credor torna-se acionista à força e vira investidor. É a força mais poderosa que se abateu sobre a economia portuguesa desde 2010, precisamente por sermos devedores. É o credor estrangeiro que está a reconfigurar a economia portuguesa (e a sua política, que depois de perder as ferramentas cambial e monetária, perdeu agora na prática a liberdade orçamental). É ele que escolhe gestão profissional em vez de familiar, e que prefere sempre fluxos de caixa a qualquer outro tipo de retorno, que pode sempre pressionar o pagamento de dividendos em vez de reinvestimento. É isso que está a acontecer dramaticamente no BES. É isso que vai reconfigurar a economia portuguesa: uma mudança de fora para dentro.

O discurso dos centros de decisão nacional sempre foi essencialmente um discurso de poder, e de manutenção desse poder pelo regime vigente. Hoje é um anacronismo ridículo. O investidor estrangeiro já tomou conta. A EDP e a Ren são hoje chinesas, a Ana é francesa, o BCP, BIC, Zon e Optimus são angolanos, o BPI é hispano-angolano, o BES há de ser de quem o quiser, a Cimpor é brasileira, a PT quer sê-lo, a Galp é apátrida e há dezenas de grandes empresas à venda, incluindo hotéis, seguros, saúde e imobiliário do Grupo Espírito Santo, a TAP ou os resíduos do Estado.

O sistema mudou porque estava falido. O novo regime fala estrangeiro. Precisa de reguladores fortes, para que produza em vez de extrair riqueza de Portugal. Mas essa é a maior mudança a que assistimos. Não foi a troika que a trouxe, foi a dívida. O triste fim do Grupo Espírito Santo não é senão uma forma dramática e espetacular de o percebermos. Como diria José Sócrates, o mundo mudou.

Texto publicado na Revista do Expresso, a 19 de julho de 2014

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/a-queda-de-um-santo-por-pedro-santos-guerreiro=f882869#ixzz39c5vDDDO

O discurso dos centros de decisão nacional

O discurso dos centros de decisão nacional sempre foi essencialmente um discurso de poder, e de manutenção desse poder pelo regime vigente. Hoje é um anacronismo ridículo. O investidor estrangeiro já tomou conta. A EDP e a Ren são hoje chinesas, a Ana é francesa, o BCP, BIC, Zon e Optimus são angolanos, o BPI é hispano-angolano, o BES há de ser de quem o quiser, a Cimpor é brasileira, a PT quer sê-lo, a Galp é apátrida e há dezenas de grandes empresas à venda, incluindo hotéis, seguros, saúde e imobiliário do Grupo Espírito Santo, a TAP ou os resíduos do Estado.
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/a-queda-de-um-santo-por-pedro-santos-guerreiro=f882869#ixzz39c45vfQr

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Quem tirou o poder a Ricardo Salgado?

Guia onomástico para perceber como uma conjugação de inimigos derrubou o número um da economia.

Pedro Santos Guerreiro | Quinta, 24 de Julho de 2014

Os líderes dos ramos da família Espírito Santo em julho de 1990. De fato escuro, José Manuel Espírito Santo, Mário Mosqueira do Amaral, António Ricciardi, Manuel Ricardo Espírito Santo e, na ponta direita, Ricardo Salgado

Os líderes dos ramos da família Espírito Santo em julho de 1990. De fato escuro, José Manuel Espírito Santo, Mário Mosqueira do Amaral, António Ricciardi, Manuel Ricardo Espírito Santo e, na ponta direita, Ricardo Salgado / Luiz Carvalho

Ricardo Salgado caiu em desgraça mesmo antes de o Grupo Espírito Santo falhar um só pagamento. Assim foi por causa de uma coincidência de inimigos e de adversários de Ricardo Salgado. Uns aliaram-se, outros encorajaram-se, todos conseguiram romper a barreira dos amigos e aliados de Salgado. Vejamos os seus nomes.

Como no caso BCP, a informação veio de dentro. De fora, não havia informação sobre as contas das holdings de topo, que além disso constituíam um organograma incompreensível de relações entre empresas sediadas no Luxemburgo, na Suíça, nas Bahamas ou no Panamá. Na estrutura, havia acesso a contas, de baixo para cima, do BES, da ESFG (ambas cotadas) e da Rioforte (auditada), mas acima disso já não havia visibilidade. A ES International, que aloja uma dívida superior sete mil milhões de euros, incluindo 1,3 mil milhões que não estavam nas contas, era como se não existisse. Não tinha contas, não tinha equipa, tinha 17 administradores e um contabilista. Parecia uma caixa negra. Foi uma caixa de Pandora.

Só alguém de dentro poderia ter tido acesso a tanta informação. Esse alguém foi o hoje inimigo número um de Ricardo Salgado, o empresário Pedro Queiroz Pereira, provavelmente o único que saiu a rir desta história. Venceu Salgado, deixou-lhe o caminho minado, ficou a controlar o seu grupo familiar (ainda que permaneçam conflitos judiciais com a irmã Maude Queiroz Pereira) e livrou-se do Grupo Espírito Santo, de que era acionista de topo.

Na guerra entre ambos, em que esteve em causa o controlo da Semapa, Pedro Queiroz Pereira criou uma equipa de 16 pessoas, que não fizeram outra coisa se não esgravatar as contas que nem aos acionistas eram mostradas, aceder a escrituras, cruzar informações. Assim constituiu um dossiê que revelava todo o "buraco". Esse dossiê foi parar às mãos do Banco de Portugal. Entretanto, outro inimigo, Álvaro Sobrinho, estava já em guerra aberta com Salgado, tendo como principal arma o conhecimento de casos complexos no BES Angola. E assim chegou o terceiro inimigo, José Maria Ricciardi, que quis virar a mesa quando percebeu a dimensão dos estragos.

Além destes três inimigos, outras figuras foram essenciais para a queda. O juiz Carlos Alexandre e o procurador Rosário Teixeira, que nunca largaram a família Espírito Santo nas suas investigações. E Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque, não pelo que fizeram mas pelo que não fizeram: não ajudaram o banco com empréstimos da Caixa, quando Salgado lhes pediu.

Carlos Tavares interveio decisivamente nos produtos de investimento que estavam a drenar dinheiro dos clientes do BES para o Grupo Espírito Santo, e depois exigiu informação detalhada sobre a real situação no Grupo e no banco. Mas o último inimigo decisivo, o único que Salgado colocará ao mesmo nível de Queiroz Pereira, Ricciardi e Sobrinho, será Carlos Costa. O governador do Banco de Portugal liderou todo o processo que forçou a ES International a escancarar as suas contas. E foi ele que forçou Salgado a fazer o impensável: primeiro, afastou-o da gestão do "seu" banco, depois afastou-o do próprio Conselho Geral. Sem Carlos Costa, e a proteção política que Passos Coelho lhe deu, o desfecho teria sido outro. Incluindo o desfecho na administração, para onde entraram Vítor Bento, João Moreira Rato e José Honório, todos apadrinhados pelo Banco de Portugal.

Muitos outros estarão hoje satisfeitos com a queda de Ricardo Salgado. Não porque fossem seus inimigos, mas porque estavam na galeria dos ódios de estimação. Começando por banqueiros com quem houve afrontamentos, como Jardim Gonçalves e Filipe Pinhal no BCP, Fernando Ulrich que na negociação falhada de uma fusão entre BPI e BES encontrou práticas inconciliáveis, e João Rendeiro, que se vê agora parcialmente redimido, por não ser o único e por ser pequeno. António Horta Osório passou para os "ódios" quando patrocinou a OPA à PT pela Sonae, onde Belmiro Azevedo ou António Lobo Xavier estavam (e ficaram) do lado dos adversários de Salgado. Américo Amorim foi outro que tal: sempre desalinhado com Ricardo Salgado.

Mas depois havia os aliados, começando nos próprios banqueiros, que hoje já não dirão o mesmo. É o caso de José Marie Sander (aliado do Crédit Agricole) e Lázaro Brandão (do Bradesco) ou dos colegas de administração Amílcar Morais Pires ou Joaquim Goes: já não são indefetíveis. António de Sousa era outro aliado histórico, assim como Faria de Oliveira, que fazia a ligação entre bancos e política. E na política, tirando os ódios da esquerda (Francisco Louçã à cabeça), houve uma aliança fortíssima e depois desfeita com José Sócrates, que aliás teve como ministro da Economia Manuel Pinho, um homem BES. As alianças estavam sobretudo na direita. Neste Governo, Passos não visitava a Avenida da Liberdade (Vítor Gaspar então, nem pensar), mas Paulo Portas era muito próximo (assim como António Pires de Lima). Durão Barroso, Marcelo Rebelo de Sousa, Eduardo Catroga, Aníbal Cavaco Silva ou Francisco Pinto Balsemão fazem parte do círculo de amigos ou de aliados. Fora de Portugal, as relações iam do rei Juan Carlos de Espanha ao Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos. Mas nenhum outro terá sido mais influente nesta crise do que o seu amigo, aliado e advogado pessoal: Daniel Proença de Carvalho.

Além da política, outro círculo de poder está dentro da rede de empresas, quer aquelas com as quais há relações acionistas, quer aquelas com que há relações de crédito. Henrique Granadeiro é um caso muito claro, até pela amizade e relação antiga de conselheiro. Granadeiro, que agora é acusado de ter contagiado a Portugal Telecom com dívida do Grupo Espírito Santo, já disse que foi aconselhado no seu investimento pelo BES. O banco tem uma força decisiva dentro da PT, incluindo com Zeinal Bava e com o administrador financeiro Pacheco de Melo. E incluindo com a Ongoing de Rafael Mora e Nuno Vasconcellos, que sempre foram vistos como emanações de Salgado e que prosperaram com dívida do BES e do BCP.

Na EDP, a relação é hoje menos forte, nomeadamente com António Mexia, outro homem BES, mas mais próximo de José Maria Ricciardi. Dentro do GES, há inúmeros gestores que sempre apoiaram Salgado, como Isabel Vaz ou Isabel Ferreira.

Nas grandes empresas há grandes aliados, como António Mota, ou Vasco Pereira Coutinho, além do general Helder Dias Vieira (Kopelipa), em Angola. As relações com gente do futebol alargam-se a Joaquim Oliveira, mas também aos negócios particulares de Luís Filipe Vieira e José Guilherme, que segundo o livro "O Último Banqueiro", agora editado, deu um presente de 14 milhões de euros a Salgado. Maude Queiroz Pereira ou João Lagos são outros aliados antigos do Grupo. Vasco de Mello nunca o foi, mas acabou por ser ajudado pelo BES no processo de reestruturação do seu grupo.

Do outro lado das empresas estão ainda os sindicalistas, como Carlos Silva (da UGT, um dos únicos que defendeu Salgado publicamente nos últimos meses) e Afonso Diz (do Sindicato dos Bancários).

Toda esta rede de poder foi sendo esboroada nos últimos meses. Ricardo Salgado está cada vez mais só. Até que ficou isolado no círculo primeiro e último do seu poder: o da família. José Manuel Espírito Santo, que nos anos 80 defendeu Salgado no processo de sucessão contra o seu próprio irmão, quis ficar de fora do conselho estratégico do banco, demarcando-se. Outro líder da família, o comandante António Ricciardi, alinhou com o filho José Maria contra Salgado. Dos herdeiros de Mário Mosqueira do Amaral e de Maria do Carmo Moniz Galvão Espírito Santo Silva, e dos seus filhos, não se ouviu ainda palavra.

Mas o sentimento de revolta é generalizado. O verão não vai ser fácil este ano na praia da Comporta. E o inverno será longo para muitos daqueles que sempre viveram com salários, lucros ou créditos do BES.

Texto publicado na Revista do Expresso, a 19 de julho de 2014

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/quem-tirou-o-poder-a-ricardo-salgado=f882888#ixzz39AOrLD26

segunda-feira, 28 de julho de 2014

El Gobierno elevará a 180.000 euros el mínimo exento de tributar en la indemnización por despido

  • 'Así eliminaremos debate innecesarios', asegura el ministro Cristóbal Montoro

El ministro de Hacienda y Administraciones Públicas, Cristóbal Montoro, ha señalado que el proyecto de ley de reforma fiscal elevará el mínimo exento en la tributación de indemnizaciones por despido hasta los 180.000 euros, siguiendo el modelo foral navarro.

El Ejecutivo aprobará los distintos proyectos que constituyen la reforma fiscal en el Consejo de Ministros del próximo viernes, el último antes de las vacaciones estivales, reforma que ha centrado parte del discurso ofrecido por Montoro durante la presentación del consorcio de la Zona Franca de Sevilla.

En el anteproyecto de ley el Gobierno estableció un mínimo exento de 2.000 euros por año trabajado, medida que ha sido muy criticada tanto por los agentes sociales como por la práctica totalidad del arco parlamentario, por lo que Hacienda ha decidido finalmente elevar dicho mínimo.

"Integraremos esa propuesta en lo que será el contenido de la propuesta de la ley y así eliminaremos debate innecesarios y nos dedicaremos a resolver lo que realmente importa a los ciudadanos", ha precisado.

Impuesto de Sociedades

Respecto al Impuesto de Sociedades, Montoro avanzó cambios para "mejorarlo" a través de dos figuras. Por una parte "se baja el tipo de gravamen" de forma que "se gana capacidad de competir y la completamos con la reserva de capitalización".

Montoro ha comentado también que se crea para las pymes la reserva de capitalización, una figura -ha añadido- que viene a reforzarlas para que cuenten con la capacidad y los recursos propios.

De la reforma fiscal en su conjunto, ha sostenido que supondrá la rebaja de impuestos a más de 20 millones de contribuyentes, bajada -ha concretado- que ya se está aplicando a los autónomos con las nuevas retenciones aprobadas recientemente por el Consejo de Ministros.

"En el ámbito del impuesto del IRPF se refiere a un tratamiento fiscal más favorable a aquellas personas que conforman las familias numerosas y con personas a su cargo con discapacidad", ha precisado el ministro.

Elevar los mínimos exentos o los impuestos negativos sobre la renta serán otras medidas que contemple la reforma, cuyo texto inicial prevé una rebaja media en el IRPF del 12,5 % a partir de enero de 2015.

Por otra parte, el tipo general del impuesto de sociedades se situará el 1 de enero de 2015 en el 28% y será del 2 % a partir de 2016, con lo que se igualará el gravamen para todas las empresas, sean grandes o pymes.

elmundo

http://www.elmundo.es/economia/2014/07/28/53d64d93e2704e9b158b458f.html

La secreta familia millonaria de los supermercados Aldi

  • Karl Albrecht fue un empresario de éxito en Alemania hasta su muerte, este miércoles

  • Fundó la cadena de supermercados Aldi junto a su hermano Theo

  • Los supermercados generan más de 50.000 millones de euros en el mundo

  • Muertos los hermanos, la herencia puede ser para Peter Max Hesiter, hijo de Theo

Karl Albrecht podría ser un cualquiera. Casi nadie acertaría a decir quién es en una pregunta de Trivial, pocos lo reconocerían por la calle en Alemania y apenas dos periodistas y un fotógrafo pueden afirmar que compartieron algunas palabras con él. Sin embargo, millones de personas conocen la cadena de supermercados Aldi. Pues bien, el hombre desconocido ha sido uno de los propietarios de parte del negocio -se encargaba de la división sur y su hermano Theo, de la norte- hasta hace pocos días, cuando falleció a sus 94 años. Tras de sí deja una fortuna de 25 billones de dólares -aparece en el número 23 de la lista 'Forbes'-, una empresa que genera más de 50.000 millones de euros al año y tiene repartidos por el mundo cerca de 5.000 establecimientos, 1.300 de ellos en Estados Unidos. Ahora, su legado lo tendrán que gestionar sus familiares y el Consejo de Administración de la empresa, aunque todo apunta a que el heredero de Karl será su sobrino: Peter Max Heister, de 36 años.

El hombre más rico de Alemania se despidió en el anonimato.Falleció el miércoles 16 de junio, pero no se hizo pública su muerte hasta el pasado domingo. Sus hijos quisieron celebrar un funeral íntimo, en el que sólo estuvieran presentes sus amigos más cercanos. La carrera de Karl terminó envuelta en un halo de misterio, como lo había sido la vida privada de su familia desde siempre. Él nunca quiso ser un personaje público; huyó de los focos, renegó de las cámaras y evitó fotografiarse al lado de políticos. Tan sólo dio una entrevista, pocas semanas antes de morir, al 'Frankfurter Allgemeine' -su periódico de cabecera-, en la que se prestó a hablar del desarrollo de Aldi, pero no de su esposa o sus hijos.

Los padres de Karl y Theo fundaron la primera tienda antes de la Primera Guerra Mundial

El día que se anunció su fallecimiento, los diarios sólo mostraron instantáneas carcomidas por el tiempo, en sepia y en blanco y negro. Sus escasas apariciones en actos públicos generaron inmensidad de rumores en torno a su figura. Pero ninguno de ellos fundamentado. Su familia vivía en una espaciosa villa en el distrito de Bredeney, en la ciudad de Essen. Y Karl jamás presumía de nada. Nunca tuvo un yate ni fue en jet privado. Sus únicos vicios eran jugar al golf en el campo de Donaueschingen -todos los martes por la mañana-, pasar las

vacaciones en Tenerife, ir a la piscina diariamente y, por supuesto, comer -no mucho- pero casi siempre productos de Aldi -actualmente ofrece cerca de 2.000 marcas, muchas de ellas blancas-. Preguntar del resto estaba prohibido. Incluido el nombre de su mujer -fallecida a los 67 años- de la que es imposible encontrar referencias.

El único que es igual de 'famoso' que Karl en la familia es su hermanoTheo, junto al que levantó el negocio heredado de sus progenitores.Su padre, minero de profesión, tuvo que dejar el trabajo por un enfisema pulmonar; y su madre decidió abrir una tienda de comida para sobrevivir en Essen, ciudad sobre la que cayeron más de 200 bombas durante la Segunda Guerra Mundial. Y ellos, tanto Karl como Theo, fueron reclutados para luchar en la contienda. El primero fue capturado por los rusos y el segundo, miembro de los África Korps, por los americanos. Sin embargo, ambos fueron liberados y volvieron sanos y salvos para ayudar a su madre y levantar el negocio familiar.

Theo Albrecht fue secuestrado en 1971 y rescatado por siete millones de marcos

En 1940, los hermanos empezaron a abrir tiendas alrededor de Essen con una estrategia clara: vender productos básicos muy baratos. La idea funcionó en una población castigada, con mucha hambre y que buscaba alimentarse por unas cuantas monedas. Así, en 1960, ya habían inaugurado más de 300 establecimientos. Posteriormente, decidieron dividir la compañía durante una de las muchas discusiones que tenían los domingos, justo después de ir a misa, cuando se reunían para hablar del negocio. El debate en torno a la venta de tabaco acabó con Karl tomando el control de Aldi sur y Theo de Aldi norte.

elmundo

http://www.elmundo.es/loc/2014/07/28/53d26ea7268e3ef4648b4587.html

sexta-feira, 25 de julho de 2014

BES: le principal actionnaire en redressement

LeFigaro

Par Le Figaro.fr avec AFP

  • Mis à jour le 24/07/2014

La holding Espirito Santo Financial Group (ESFG), premier actionnaire de la banque portugaise BES, a annoncé jeudi ne pas être en mesure d'honorer ses dettes et a demandé à être placée en redressement judiciaire auprès des autorités luxembourgeoises.
ESFG emboîte ainsi le pas à deux autres holdings de l'empire familial, Espirito Santo International (ESI) et Rioforte, qui avaient déjà fait la même démarche auprès du tribunal de commerce de Luxembourg où ils ont leur siège.
La holding financière du groupe Espirito Santo "n'est pas en mesure de remplir ses obligations en matière de dette", a-t-elle reconnu dans un communiqué transmis aux autorités boursières portugaises.
Le régime de gestion contrôlée "facilitera la vente par étapes des actifs, pour servir au mieux les intérêts de tous les créanciers", fait valoir la holding qui détient 20,1% du capital de la première banque cotée portugaise, aux côtés du groupe français Crédit Agricole (14,6%).

 

http://recherche.lefigaro.fr/recherche/recherche.php?ecrivez=BES+espirito+santo&go=Rechercher&charset=iso

Detenido el ex presidente del Banco Espírito Santo

 

elmundo.es

  • Deberá declarar ante un juez en el Tribunal de Instrucción Criminal de Lisboa.

EUROPA PRESS Lisboa

Actualizado: 24/07/2014 12:07 horas

Ricardo Espírito Santo Silva Salgado, expresidente de Banco Espirito Santo (BES) ha sido detenido esta mañana por agentes de la Policía portuguesa en su casa de Estoril en el marco de una operación contra laevasión fiscal y el lavado de dinero, según informa la prensa lusa.

Salgado, de 70 años y que ocupó la presidencia de la entidad fundada por su familia hasta la semana pasada, deberá prestar declaración ente el juez en el marco de la 'Operación Mont Blanc', relacionada con una trama para presuntamente facilitar la evasión impuestos y el lavado de capitales a través de la sociedad Akoya, compañía domiciliada en Suiza, adelantó el periódico 'Correio da Manhã'.

Esta gestora de patrimonios es propiedad de Michel y Nicolás Canales Figueiredo, antiguos empleados del banco UBS, y de Alvaro Sobrinho, presidente no ejecutivo de BES Angola, detenidos en el marco de esta operación, según informa 'Jornal de Negocios'.

Según el rotativo, Ricardo Salgado ya prestó declaración de forma voluntaria en diciembre de 2012 ante la Oficina Central de Investigación y Persecución (DCIAP) después de que su nombre emergiera en el transcurso de la citada operación.

De hecho, en enero de 2013, la Procuraduría General de la República (PGR) emitió un comunicado en el que informaba de que Ricardo Salgado no era un sospechoso en el caso Mont Blanc y no había evidencias de delitos fiscales.

http://www.elmundo.es/economia/2014/07/24/53d0d9efca4741a9608b457f.html

El patriarca de la familia Espírito Santo, acusado de blanqueo de capital.

  • EL PAÍS

JAVIER MARTÍN Lisboa 24 JUL 2014 - 21:47

Ricardo Salgado, el patriarca de la familia Espírito Santo y expresidente del banco del mismo nombre durante 22 años —el Banco de Portugal forzó su relevo este mes—, fue detenido en su casa de Cascais-Estoril a las 8.30 y se pasó el día declarando en los juzgados. Si entró como imputado, después de cinco horas de interrogatorio, salió como acusado.

Salgado quedó en libertad bajo una fianza de tres millones de euros, con la prohibición de abandonar el país (tiene pasaportes de Suiza y de Brasil). Fue acusado de los delitos de fraude, abuso de confianza, falsificación y blanqueo de capitales.

La detención está relacionada con la operación Monte Branco, que investiga la mayor red de blanqueo de capitales de Portugal. Y llega un día después de que los inspectores fiscales registraran el Consejo Superior, la sede del holding de la familia.

En Monte Branco se investigan transferencias de 27,3 millones de euros efectuadas a través de diferentes cuentas opacas y paraísos fiscales. No era la primera vez que Salgado iba a declarar a los tribunales sobre este caso, aunque sí la primera en que salió acusado.

El caso colea desde diciembre de 2012, cuando el Departamento Central de Investigación y Acción Penal investigaba el origen de movimientos fiscales, en los que figuraba el nombre del banquero como cliente de Akoya, una gestora suiza de fortunas que estaba en el epicentro de la red de fraude fiscal conocida como Monte Branco.

De resultas de la investigación, Salgado se ofreció a ir a declarar días después de regularizar su declaración fiscal. El movimiento le salió bien (temporalmente), pues tras oír su declaración, el fiscal Jorge Rosario Teixeira le exoneró de toda sospecha. Eso ocurría en enero, cuando aún era presidente del banco familiar. Ahora se le acusa de fraude y abuso de confianza.

En septiembre, la prensa angoleña reveló que el constructor José Guilherme había regalado 8,5 millones de euros a Salgado. Guilherme transfirió ese dinero —que fueron 14 millones según Maria Joao Babo y Maria Joao Gago, autoras del libro O ultimo banqueiro— a una sociedad, localizada en un paraíso fiscal, donde constaba Salgado.

Parte del largo interrogatorio fue sobre la transferencia de ese dinero, pero también se extendió a actividades del grupo, que dirige Salgado, como Escom y su participación en la compra de dos submarinos.

Monte Branco es solamente uno de los problemas con que va a enfrentarse Salgado en los próximos días. El presidente de la Comisión del Mercado de Valores (CMVM), Carlos Tavares, declaró ante el Parlamento que el Banco Espírito Santo vendía deuda de empresas del grupo familiar con información falsa. Esas ventas se hacían a menos de 150 clientes para así evitar el control de la CMVM.

Además, el grupo familiar no deja de desmoronarse. Si el holding, Espírito Santo Internacional, suspendió pagos hace apenas una semana, este jueves fue Espírito Santo Financial Group, la firma que posee el 20% del Banco Espírito Santo (BES), la que solicitó concurso de acreedores, también en los juzgados de Luxemburgo. El BES asegura que tiene un colchón de capital de 2.100 millones de euros para afrontar las pérdidas que se deriven de su exposición a las empresas del grupo, en préstamos o títulos de deuda, que estima en 1.200 millones.

http://economia.elpais.com/economia/2014/07/24/actualidad/1406191125_521920.html

Fraud investigators quiz top Portuguese banker.

 

The Washington Post

By Associated Press July 24

LISBON, Portugal — Portugal’s attorney general’s office says prosecutors investigating a suspected tax fraud and money-laundering conspiracy have detained the former head of the country’s largest bank.

The office said in a statement Thursday that Ricardo Salgado, who stood down earlier this month as chief executive of troubled Banco Espirito Santo, would appear before an investigating magistrate. It gave no further details.

Salgado is a prominent member of the wealthy and influential Espirito Santo family, which has run a Portuguese banking dynasty since the 19th century. He led Banco Espirito Santo, which stands at the center of the family’s tourism-to-health care business empire, for more than 20 years.

Salgado left the job after accounting irregularities emerged at a key Espirito Santo holding company and amid accusations of lack of transparency.

Copyright 2014 

http://www.washingtonpost.com/business/fraud-investigators-quiz-top-portuguese-banker/2014/07/24/a3dc50b0-131c-11e4-ac56-773e54a65906_story.html

quinta-feira, 24 de julho de 2014

BES no Brasil

http://exame.abril.com.br/topicos/bes

Le siège de la banque Espirito Santo, à Lisbonne, le 10 juillet.

Krisenbank: Ex-Espirito-Santo-Chef Salgado in Haftmanager

Portugals Krisenbank: Ex-Espirito-Santo-Chef Salgado in Haftmanager-magazin.de - Unternehmen - 24.07.2014

Die Turbulenzen um Portugals wichtigste Privatbank gehen weiter: Die portugiesische Staatsanwaltschaft hat Ricardo Salgado, den Ex-Chef der Banco Espirito Santo, am Donnerstag festgenommen. Es geht um Geldwäsche. mehr...

BES-Miteigentümer: Espírito Santo ist pleite - Insolvenz beantragtmanager-magazin.de - Unternehmen - 21.07.2014

Die portugiesische Unternehmensgruppe Espírito Santo International (ESI) hat Insolvenz beantragt. Damit mehren sich die Zweifel an der Zahlungsfähigkeit der Großbank BES, an der ESI beteiligt ist. mehr...

Turbulenzen um Großbank: Keine Staatshilfe für Espírito-Santo-Imperiummanager-magazin.de - Unternehmen - 18.07.2014

Schon seit Ende Mai steht Portugals führende Privatbank Banco Espírito Santo im Fokus der Staatsanwälte. Sie gehen den Turbulenzen in dem ganzen Firmen-Imperium nach. Klar ist schon jetzt: Auf Staatshilfe kann die Bank nicht zählen. mehr...

Dynasty losing grip over Portugal’s Banco Espírito Santo…

..Santos’s stake in BES is that ESFG could...debt repayment to PortugalTelecom. Bankers...chain of 14 hotels in Portugal and Brazil, the...minutes walk from BES’s headquarters...after 22 years as BES’s executive chairman...And what was once Portugal’s most resilient…

http://search.ft.com/search?q=BES&t=all&fa=people%2Corganisations%2Cregions%2Csections%2Ctopics%2Ccategory%2Cbrand&s=-initialPublishDateTime&f=regions%5B%22Portugal%22%5D%5B%22Portugal%22%5D&curations=ARTICLES%2CBLOGS%2CVIDEOS%2CPODCASTS&highlight=true

Clientes admitem processar Banco de Portugal

Clientes admitem processar Banco de Portugal, por não ter imposto provisão para acautelar o ‘default’ do ESI, como fez no BES. Rio Forte pede protecção contra credores.

Com as insolvências das holdings ESI e da Rio Forte formalizadas (ver caixas), o terramoto no Grupo Espírito Santo (GES) está prestes a passar para outro nível, o dos processos judiciais. Ao que o Diário Económico apurou, vários clientes do banco suíço do grupo estão a ponderar processar o Banco de Portugal (BdP) e o supervisor suíço, por não terem obrigado à constituição de uma provisão especial que acautelasse o incumprimento no reembolso do papel comercial do GES, como foi feito no Banco Espírito Santo (BES).

"O Banco de Portugal agiu bem ao obrigar o BES a acautelar essa possibilidade, mas deixou de fora os clientes do Privée, que investiram nessa dívida através da sucursal do banco suíço em Portugal e em muitos casos foram encaminhados pelos funcionários do BES", disse ao Diário Económico um dos advogados que representam clientes do banco suíço.

O BdP tem-se defendido dizendo que o Privée está fora da sua supervisão, por ser suíço.

http://economico.sapo.pt/noticias/carlos-costa-esta-na-mira-dos-clientes-do-banque-privee_198233.html

Nos últimos anos, o GES vendeu centenas de milhões de euros em papel comercial a clientes do Privée, a sua unidade de gestão de fortunas, detido em 100% pelo Espírito Santo Financial Group (ESFG). Com a insolvência da ESI e da Rioforte, estes clientes deverão perder grande parte dos montantes investidos, já que a dívida do grupo - superior a sete mil milhões de euros - será reestruturada. Entre os lesados estão o magnata Américo Amorim e outros empresários portugueses, bem como clientes afluentes dos EUA, Europa e Brasil, no que constitui um rude golpe na imagem internacional da família Espírito Santo.

A mesma fonte adiantou que vários investidores estão a estudar processos contra os supervisores, mas frisou que a "prioridade é salvaguardar ao máximo o património dos clientes".

No final de Março, o Banco de Portugal obrigou o ESFG, casa-mãe do BES, a constituir uma provisão especial de 700 milhões de euros, para fazer face a um eventual incumprimento na dívida da Espírito Santo International (ESI), a holding de topo do GES.

Este incumprimento acabaria por verificar-se em Julho, tendo a ESI e a sua subsidiária Rioforte pedido protecção contra credores. Os clientes de retalho do BES serão reembolsados pelo banco, ao abrigo da referida provisão, mas os do Privée não são abrangidos. "Para os clientes do Privée, não havia diferença entre o BES e o banco na Suíça, que identificavam como o ‘private banking' do BES", realçou, recordando que o ESFG detém o Privée em 100%.

Suíços ‘salvam' Privée

Entretanto, o Privée anunciou ontem que vendeu parte do seu negócio à Compagnie Bancaire Helvétique, sem referir montantes. Tanto a Rioforte como a ESI estão insolventes e o ESFG pode seguir pelo mesmo caminho, pelo que o negócio na Suíça terá sido uma forma de proteger o Privée.

http://economico.sapo.pt/

Minoritários da PT querem saber se existe um prémio de 30 milhões para a gestão na fusão com Oi

Os accionistas minoritários da Portugal Telecom (PT) querem saber se está previsto que a equipa de gestão da operadora receba um prémio de performance no valor de 30 milhões euros em caso de sucesso da fusão com a brasileira Oi.

Ao Económico, Octávio Viana, presidente da ATM - Associação dos investidores e analistas técnicos do mercado de capitais, explica que foi "enviado à CMVM um pedido para que fosse prestada informação relevante por parte da PT, se ela existir, relativamente a um prémio de performance no valor de 30 mil euros para a gestão com o sucesso da fusão com a Oi".
A existir este prémio de performance é possível que influencie o juízo dos investidores, "tendo em conta que tal prémio poderá colocar em causa o dever da gestão em agir livre de qualquer interesse pessoal e segundo critérios de racionalidade empresarial", segundo a carta enviada pela ATM à CMVM no pedido de informação.
"Para que as partes interessadas possam conhecer devidamente a situação da Portugal Telecom relativamente à fusão em curso é necessário serem informados sobre quaisquer factos que sejam susceptíveis de provocar alterações no juízo sobre a mesma."
"Por essas razões, solicitamos que a CMVM tome as medidas que considerar necessárias tendo em vista a informação ao mercado sobre a existência de um prémio de performance no valor de 30 milhões de euros a ser atribuído à gestão da Portugal Telecom pelo sucesso da fusão", segundo o documento consultado pelo Económico.
"Um prémio de performance nesse montante, a existir, é susceptível de influenciar o juízo dos investidores relativamente à avaliação dos valores mobiliários emitidos pela Portugal Telecom, tendo em conta que tal prémio poderá colocar em causa o dever da gestão em agir livre de qualquer interesse pessoal e segundo critérios de racionalidade empresarial.
Ou seja, um eventual prémio de gestão nesse montante, a existir, pode tornar a gestão permeável à vontade de realizar a referida fusão a qualquer custo, mesmo que aceitando condições que não serão as melhores ao interesse da sociedade e seus accionistas", conclui a ATM na missiva ao regulador.
O pedido foi enviado hoje e a associação aguarda resposta do regulador de mercado, cujo presidente foi hoje ouvido no parlamento a propósito do caso GES. Carlos Tavares referiu, aliás, que a CMVM ia investigar transacções suspeitas com as acções do BES e da PT e que os "auditores e órgãos de fiscalização da PT devem ser responsabilizados".
Os minoritários estão a preparar uma acção em tribunal contra a equipa de gestão da PT, que incluirá ainda, segundo Octávio Viana, a seguradora da equipa de gestão.
O processo em tribunal era inicialmente um processo cível mas a ATM está a preparar uma acção popular, para incluir todos os accionistas que já mostraram interesse em participar.
Para já são 22 os investidores que já entregaram a documentação necessária para avançar com o processo.
A base da acção contra a gestão prende-se com o investimento de 900 milhões de euros feito em papel comercial da Rioforte, que entrou em 'default'. A PT e a Oi tiveram de alterar os termos da fusão por causa deste incumprimento. A PT ficará inicialmente com 25,6% do capital da CorpCo e poderá recomprar acções, ao longo de seis anos, até aos 37,3% do capital inicialmente previsto no acordo.

http://economico.sapo.pt/noticias/poderosos-conseguem-atrasar-a-justica-em-portugal_198357.html

sábado, 12 de julho de 2014

Ascenso y caída del Espirito Santo

 

el país

Se les conoce como los Rockefeller portugueses. Peleas entre primos y escándalos financieros del grupo de empresas han llevado a que el Banco de Portugal intervenga para que la familia salga de su propio banco

JAVIER MARTÍN Lisboa 12 JUL 2014 - 00:00 CEST

Hasta hace unas semanas le llamaban DDT, Dono Disto Tudo (posee todo). Ricardo Espírito Santo Salgado era el dueño de todo, el dueño de Portugal y más allá. Era la mano que movía los hilos de un negocio familiar con sucursales de Angola a Brasil y de Luxemburgo a Nueva York. Pero en cuestión de semanas, su banco ha perdido la mitad del valor, y su grupo de empresas, el 70%.
La imagen de confianza del Espírito Santo, publicitada por el futbolista Cristiano Ronaldo, ha caído por los suelos. Y él, Dono Disto Tudo, ha sido recriminado y despedido por el gobernador del Banco de Portugal debido a los escándalos financieros en los que está envuelto y para evitar que contagien al banco.
La expulsión de la familia no ha evitado el huracán que ha vivido la entidad esta semana; sus acciones fueron suspendidas en Bolsa y volvieron a cotizar después de que el supervisor precisara que la exposición de la entidad al Grupo Espírito Santo es de 1.180 millones, pero que gracias a los aumentos de capital, cuenta con un colchón financiero de 2.100 millones.
Ricardo no habla ni se deja ver en público. Al último banquero de la saga Espírito Santo se le conocen pocas apariciones multitudinarias, y menos entre la beautiful people. Huye de las playas de Comporta donde sestea lo más de Europa, entre ellos los Grimaldi. Si en algún momento no trabaja, prefiere instalarse en su exclusiva residencia brasileña de Xaí, en Bahía.
Allí las malas noticias llegan con sordina. Y ahora las hay y muchas... Escándalos fiscales, acusaciones de uso de información privilegiada en procesos de privatizaciones, hundimiento de la cotización del banco, deudas de miles de millones en el grupo. Cuando no es en Angola es en Luxemburgo, cuando no en Suiza o en Brasil. De repente, la rueda ha girado en sentido contrario y la contaminación del banco por culpa de la financiación a empresas del grupo ha derivado en una pesadilla. Y, como si la historia volviera a repetirse, esta semana el Partido Comunista Portugués ha pedido la nacionalización del Espírito Santo, que hoy vale casi la mitad que el pasado sábado.~
Salgado ha cumplido ya los 70 años, 22 de ellos los ha pasado al frente del banco. Con la excepción del fundador, es el que más tiempo ha permanecido en el banco en la historia de esta saga familiar que comenzó en 1869.
Las cinco grandes ramas de la familia le fueron otorgando su voto de confianza a lo largo de las últimas décadas puesto que los negocios eran boyantes en los cuatro continentes donde operaban. Salgado tenía el respaldo de los Mosqueira do Amaral, con el 15,57% de la sociedad familiar; de los Salgado, con el 17%; de José Manuel Espírito Santo, con el 18,53%; del comandante Antonio Ricciardi, con el 17,84%, y, por encima de todos, con el apoyo de Maria do Carmo, Ninita, Moniz Galvão, con el 19,37%, la única mujer en este grupo de poder financiero y empresarial.
Ninita es la mujer más rica de Portugal y odia la fama. Huye si ve un fotógrafo. No acude a fiestas. La única pasión que se le conoce es conducir automóviles de alta gama, preferentemente Alfa Romeo, y, por supuesto, acudir al consejo superior, el santasanctórum de las decisiones económicas de la familia.
Pero hace unos meses, ese grupo de poder familiar se partió en dos. El primo José María Ricciardi, al frente del BESI, banco de inversiones, osó disputarle el puesto a Salgado. José María recibió entonces la bofetada de su propio padre, Antonio Ricciardi, que votó en contra de las pretensiones de su hijo. A sus 94 años, el patriarca de esta rama de la familia sigue acudiendo al despacho.
Los dos primos, que crecieron en la misma calle, la que lleva su glorioso apellido en la ciudad costera de Cascais —que desemboca en la Boca del Inferno—; que jugaron en las mismas casas, con sus madres reunidas cada tarde para la partida de bridge, ni se hablan ni se sientan ya alrededor de la misma mesa. Todo porque Salgado ha sido destituido por el Banco de Portugal y porque Ricciardi no puede aspirar a nada. Los dos tienen prohibido tomar decisión alguna en el banco y en el grupo financiero de la familia.
Su rivalidad va más allá de los negocios. Ahora ya los primos no coinciden ni en las aficiones ni en el carácter. Salgado, siempre fiel a su perfil bajo; Ricciardi, más intempestivo. Salgado, más elegante; Riccardi, más esnob. Además, Salgado ni caza, ni juega al golf, ni le da al backgammon, y eso sí que es raro en la saga. “Tampoco fuma ni bebe. No tiene vicios”, dice un compañero de universidad. “Bueno”, añade, “sí tiene uno, el masaje, a poder ser diario”. También otro: el trabajo de sol a sol, el santo y seña de una dinastía creada a partir de un hijo bastardo.
El Espírito Santo se hizo carne en el cuerpo de un bebé sin padre ni madre conocidos que vino al mundo en una calle lisboeta. Corría 1850 y en la Rúa Fieles de Dios, con aquel niño al que pusieron el nombre de José María Espírito Santo Silva, se iniciaba la historia de una de las grandes familias financieras del mundo.
A los 19 años, Espírito Santo Silva abrió una casa de lotería, casi toda española, ya que tenía más premio y gozaba de más popularidad que la local. Loteros de Madrid, Badajoz, Pamplona y Galicia le daban un 3% de comisión, y él a los revendedores locales, un 2%. El riesgo era alto en una época de mucha picaresca y pocas comunicaciones, pero Espírito Santo se las apañaba solo: tardó 18 años en contratar un empleado. “Trabajo hasta las dos de la madrugada y me levanto a las cinco o a las seis de la mañana”, escribió en una carta recogida por el historiador Carlos Alberto Damas en el libro El Banco Espírito Santo, una dinastía financiera portuguesa. Cuando murió, a los 65 años, dejó cinco hijos; de ellos, tres varones que dirigieron el banco hasta 1973.
El 25 de abril de 1974, el golpe de Estado de los militares llevó a varios familiares del consejo de administración a la cárcel. El banco, la aseguradora, la celulosa, sus intereses petroleros y alimentarios pasaron a poder del Estado.
Mary, la hermana de Ricardo Salgado, el aún presidente del banco, recordó hace dos años a la publicación Sábado sus penurias: “A veces llegaba a fin de mes sin dinero, no tenía con qué alimentar a mis hijos y tuve que vender muebles y cuadros”. Quizá por ello, su hermano es un gran comprador de arte contemporáneo.
Los Rothschild, Rockefeller, Agnelli... la aristocracia del dinero mundial acogió a esta familia portuguesa, a la que ayudaron con créditos que facilitaron su recomposición económica. Las nacionalizaciones son “conquistas irreversibles de las clases trabajadoras”, aprobó el Parlamento portugués. Pero en 1989 se aprobó todo lo contrario. La familia recuperó el banco, regresaron del exilio y tres años después Ricardo se hizo con todo el grupo familiar.
Han pasado 22 años de aquello. Salgado ha dejado de bailar. Uno de últimos valses fue en la boda de su hija Catarina, en un palacio de Sintra, con más de 800 personas. El banquero casó a Catarina y logró el eslabón que faltaba. Su yerno, Philippe Amon, 21 años mayor que la novia, posee el Santo Grial de la economía: la empresa de tinta con la que se imprime todo el dinero del mundo.
En dos semanas, Salgado abandonará el banco por la puerta de atrás, acosado por todas partes y destituido por el gobernador del Banco de Portugal. Le quedará una pensión anual de 900.000 euros, una pequeñez para un hombre que recibía comisiones de 18,5 millones, según relatan Maria João Babo y Maria João Gago en el libro O último banqueiro, o sea, Ricardo, ex Dono Disto Tudo.
http://elpais.com/elpais/2014/07/11/gente/1405098189_949103.html

















quinta-feira, 10 de julho de 2014

European banking scare sends stocks lower

 

The Washington Post


By Ken Sweet July 10

NEW YORK — Stocks fell Thursday as worries about the soundness of a European bank spooked U.S. investors, prompting them to sell stocks and snap up less risky assets, such as gold and governments bonds.
Fears emerged overnight about the financial stability of Espirito Santo International, a holding company that is the largest shareholder in a group of firms, including the parent of Portugal’s largest bank, Banco Espirito Santo.
Espirito Santo International reportedly missed a debt payment this week and was cited for accounting irregularities — similar to issues that sparked Europe’s debt crisis four years ago. The bank troubles had traders and investors talking about a new European debt crisis.
The stock sell-off started Thursday in Europe and spread to the United States, where the Dow Jones industrial average plunged as much as 180 points within the first half-hour of trading.
But anxiety subsided, and the U.S. market clawed back in afternoon trading. While the Dow never fully bounced back, its decline at the close was roughly half of what it was at the beginning of the session.
“Today’s news did reignite some of those contagion fears,” said Ryan Larson, head of equity trading for RBC Global Asset Management.
Portugal is one of the smaller euro-zone economies and, like Greece and Ireland, needed an international rescue in 2011 during the continent’s debt crisis. A three-year economic recovery program was supposed to have straightened out its finances.
That debt crisis in Europe was largely responsible for the U.S. stock market’s last decline of 10 percent or more, known as a “correction” in Wall Street parlance. Investors feared that Europe’s crisis would spread to the United States, which was starting to recover from its own financial trauma.
The Dow fell 70.54 points Thursday, or 0.4 percent, to 16,915.07, erasing most of Wednesday’s advance.
The Standard & Poor’s 500-stock index fell 8.15 points, or 0.4 percent, to 1,964.88, and the Nasdaq composite fell 22.83 points, or 0.5 percent, to 4,396.20.
Traders and market strategists pointed to a couple of reasons why stocks didn’t continue falling in the United States.
First, because it has been a relatively quiet week for Wall Street, with little economic data and only a couple of companies reporting quarterly results, any negative news was likely “met with overreaction,” Larson said.
“After participants had time to step back and assess, many realized the U.S. is in a relatively good spot compared with [Europe],” he said.
Second, even with the U.S. market trading near all-time highs, many investors are sitting on large amounts of cash. Any noticeable fall in stock prices could draw some of that money in.
“Generally, people are willing to put money into this market when the opportunity presents itself,” said Erik Davidson, deputy chief investment officer of Wells Fargo Private Bank, which manages $170 billion in assets.
Investors did seek out some protection Thursday. Bond prices and gold rose as investors moved money into those traditional havens. The yield on the 10-year Treasury note fell from 2.55 percent late Wednesday to 2.54 percent. Gold rose $14.90, or 1.1 percent, to $1,339.20 an ounce.
— Associated Press
http://www.washingtonpost.com/business/economy/european-banking-scare-sends-stocks-lower/2014/07/10/6c165596-0894-11e4-a0dd-f2b22a257353_story.html

















What to Do About Banco Espirito Santo of Portugal

By GEORGE HAY and NEIL UNMACK JULY 10, 2014 1:34 PM

New York Times

Lisbon needs to sort out Banco  Espírito Santo – fast. Despite a recent successful rights issue, Portugal’s second-largest bank by value has a troubled major shareholder and a large exposure to shaky Angolan loans. With Portuguese bond yields up 40 basis points since July 7 and domestic bank shares tanking, a speedy restructuring is needed.
Banco  Espírito Santo’s market value has almost halved since May, when details emerged of “material irregularities” at its ultimate parent company, Espírito Santo International. This is the bank’s first big problem. E.S.I. and the chain of intermediate companies in the Espírito Santo group are funded with short-term debt, some of which was sold through the bank’s retail network.
E.S.I. and another group company, Rioforte, appear to be struggling to roll over their debt. Yet another entity, Espírito Santo Financial Group – the bank’s immediate parent – has been plugging the gap. It told the market on July 3 that its exposure to Rioforte and E.S.I. had nearly doubled in just six months to 2.4 billion euros “to support the reimbursement of (E.S.I. and Rioforte) commercial paper.” That caused Moody’s to downgrade E.S.F.G.’s debt by three notches on July 9. Its senior bonds are trading at just 60 percent of par.
That leaves Banco  Espírito Santo with a problem: it has lent over 1 billion euros to E.S.F.G. and Rioforte combined. With roughly 6 billion euros of core Tier 1 capital, default would hit its 9.8 percent Basel III core Tier 1 ratio just as the European Central Bank is stress testing euro zone banks. A  restructuring of Banco  Espírito Santo, as described in Portuguese media on July 9, would help – particularly if it can shield E.S.F.G., the bank’s largest direct exposure.
The snag is that the reported terms don’t sound that great for the holders of commercial paper. They would mean losses of up to 70 percent, according to Breakingviews calculations. A restructuring might create other problems. Holders of group commercial paper might sue Banco  Espírito Santo for selling them the debt.
Then there’s the bank’s Angola business.
The bank’s operations in the former Portuguese colony grew sharply after 2005, even during the Portuguese sovereign crisis in 2011-12. It relied on its parent for funding: the loan-to-deposit ratio hit 220 percent by 2013. That rapid growth is now backfiring. Bad loans in Angola soared 84 percent between 2010 and 2013, according to the accounting firm KPMG.
The Angolan government has given Banco Espírito Santo a fuzzy-sounding “personal guarantee,” but that covers only 70 percent of the 6 billion euro loan book, and expires in mid-2015. If B.E.S. Angola were to fail, Banco  Espírito Santo could have to write down the value of its stake – or even face losses on $2.7 billion of intra-group loans.
The Bank of Portugal, which regulates the bank, has started to do the right thing. It forced Banco Espírito Santo to appoint an outsider when family patriarch Ricardo Espírito Santo Salgado stepped down as executive chairman last month. It also has 6.5 billion euros remaining in its bank solvency support facility if the bank needs propping up.
Portuguese authorities need to do more. The problem is understanding how bad the losses really are. Citigroup reckons Banco Espírito Santo’s capital common equity Tier 1 ratio could fall to 3.1 percent in a worst-case scenario, but it may never come to that. B.E.S. should provide far better disclosure on the potential exposures it has to its parent companies; how much debt is secured; and what it is secured on. And it should disclose what its potential losses in Angola could be, and how much of the intra-group debt is secured. Once the bank’s position is clear, it will be able to raise more capital if needed, or seek support from the government.
Second, the government needs to manage as best it can the fallout from the Espírito Santo group companies, pushing through an orderly restructuring, and making sure it is equitable for creditors. It will be traumatic for lenders, particularly those who thought they owned safe commercial paper. One creditor, Portugal Telecom, has lost a third of its market value in the last month. Yet however painful, the restructuring should be manageable.
The Espírito Santo group has managed to create a national crisis out of a family drama. Dawdling could make an already big mess even bigger.
George Hay and Neil Unmack are columnists for Reuters Breakingviews. For more independent commentary and analysis, visit breakingviews.com.
http://dealbook.nytimes.com/2014/07/10/what-to-do-about-banco-espirito-santo-of-portugal/?_php=true&_type=blogs&module=Search&mabReward=relbias%3Ar%2C%7B%222%22%3A%22RI%3A17%22%7D&_r=0












terça-feira, 1 de outubro de 2013

Crédito habitação. Bancos cobram pelo simples facto de cobrarem a prestação mensal.

A banca cobra uma prestação mensal, entre 1,50 a 1,75 euros, pelo pagamento da prestação mensal, avança o “Correio da Manhã”

O valor varia consoante a instituição financeira e é actualizado anualmente.

Posto isto, a Associação para a Defesa dos Consumidores (DECO) já alertou o Banco de Portugal (BdP), que não compreende esta prática.

Além da cobrança referida, ainda é acrescentado 4% desse valor em imposto de selo, o que significa que até o Estado está a beneficiar com os empréstimos dos contribuintes.

Fazendo as contas em termos anuais, o Banco Comercial Português (BCP) cobra 18 euros pelo processamento da prestação, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) pede 19,80 euros, o Santander Totta 20,40 euros e o Banco Espírito Santo (BES) 21 euros.

O BPI não faz uma menção directa a esta comissão, mas cobra 1,25 euros por cada entrega de documentação, sem falar do respectivo imposto de selo.

Estas práticas comuns a todos os bancos, mas disfarçadas por terminologias diferentes, levaram a que a Autoridade da Concorrência (AdC) realizasse buscas em vários bancos por suspeitarem das suas práticas de concertação de preços.

http://www.ionline.pt/artigos/dinheiro/credito-habitacao-bancos-cobram-pelo-simples-facto-cobrarem-prestacao-mensal