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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Fernando Santos ganha 100 mil por mês. Ainda assim menos que Paulo Bento.

Quando Fernando Santos foi chamado para treinar o Sporting na temporada 2003-04, encontrou no plantel “leonino” uma jovem promessa de 18 anos, pejada de talento, chamada Cristiano Ronaldo. Mas não iria desfrutar muito do promissor jogador, que rumaria ao Manchester United ainda antes da época arrancar, a troco de 15 milhões de euros. Onze anos depois, o novo seleccionador nacional terá, finalmente, a oportunidade de dirigir a estrela portuguesa, agora com o estatuto de “melhor do mundo”. A poucos dias de completar 60 anos, o técnico português foi o escolhido para suceder a Paulo Bento à frente dos destinos de Portugal até ao Euro 2016.

Fernando Santos será também o primeiro seleccionador contratado por Fernando Gomes à frente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). O dirigente assumiu o cargo já com Paulo Bento no comando da equipa nacional (fora contratado pelo seu antecessor Gilberto Madaíl), apesar do treinador ter merecido a total confiança do novo responsável federativo, que lhe prolongou o vínculo ainda antes do Mundial do Brasil. A apresentação oficial do novo seleccionador será feita nesta quarta-feira na sede do organismo máximo do futebol nacional, em Lisboa.

Consensual em termos internos, com uma vasta experiência no curriculum, que inclui passagens pelos três “grandes” do futebol português e pela selecção grega (ao serviço da qual alcançou os quartos-de-final do Euro 2012), Fernando Santos surgiu como forte candidato ao cargo de seleccionador logo que foi anunciada a saída de Paulo Bento, no dia 11 de Setembro. E nem uma suspensão por oito jogos aplicada pela FIFA (que poderá ainda vir a ser reduzida), na sequência dos incidentes do final da partida entre a Grécia e a Costa Rica, no Mundial do Brasil, travou a decisão da FPF em contar com os serviços deste engenheiro de formação.

Depois de passagens pelos bancos do Estoril Praia e Estrela da Amadora, a carreira de Fernando Santos conheceu um forte impulso na temporada 1998-99, quando foi convidado por Pinto da Costa para orientar o FC Porto, sucedendo a António Oliveira. Nessa mesma época iria conquistar o inédito pentacampeonato pelos “dragões”, mas não teria sucesso nas duas temporadas seguintes. Rumaria então à Grécia para a sua primeira experiência no estrangeiro (AEK e Panathinaikos), antes de regressar, dois anos depois, a Portugal para assumir as rédeas do Sporting.

Na equipa de Alvalade, para além de Cristiano Ronaldo (com quem pouco conviveu), iria encontrar também Paulo Bento. Foi mesmo o último treinador do ex-seleccionador nacional, que encerrou a sua carreira como futebolista no final dessa temporada de 2003-04. Do plantel, faziam ainda parte Rui Jorge, actual seleccionador dos Sub-21, e João Vieira Pinto, actual director da FPF. A época não correria de feição a Fernando Santos, que terminou o campeonato no terceiro lugar, encerrando a sua aventura com os “leões”.

Passou mais dois anos na Grécia antes de um novo regresso a Portugal pela porta grande, desta vez com acesso ao Estádio da Luz. Tornava-se assim no terceiro treinador a orientar os três “grandes” do futebol português, sucedendo-se ao chileno Fernando Riera e ao brasileiro Otto Glória (que também foi seleccionador nacional), juntando-se mais tarde Jesualdo Ferreira a este grupo restrito.

Tal como no Sporting, também a sua passagem pelo Benfica não deixou muitas saudades. Depois do terceiro lugar na época de estreia (2006-07), acabaria demitido no início da temporada seguinte, substituído pelo espanhol José Antonio Camacho.

Com a chegada de Fernando Santos à selecção, poderão também ser sanadas algumas situações ocorridas durante o mandato de Paulo Bento, que acabaram por afastar alguns jogadores das convocatórias. São os casos de Danny, do Zenit, ou mesmo Ricardo Carvalho, do Mónaco. O novo técnico poderá também reabrir as portas da equipa nacional a Quaresma, que não fez parte das opções para o Mundial do Brasil.

Será com alguma expectativa que se aguardam as primeiras escolhas do novo seleccionador para o próximo encontro particular frente à França, no Stade de France, em Paris, no dia 11 de Outubro, um dia depois de Santos festejar o seu 60.º aniversário.

http://www.publico.pt/desporto/noticia/fernando-santos-e-o-novo-seleccionador-nacional-1670565

Banco de Portugal está a calcular o valor da reforma a atribuir a Silveira Godinho como administrador no período de 2004 a 2007

À reforma do BES, entre outras, ( são quatro!) Silveira Godinho vai juntar a pensão de administrador do Banco de Portugal.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Alerta para amianto em 23 escolas

Estado tem mais de 2000 edifícios com amianto

“Desta forma, a Deco defende a "remoção imediata" das placas nestes estabelecimentos de ensino, avançando que nas restantes nove escolas que incluem amianto, os materiais "aparentam bom estado de conservação, sendo preferível não remover e manter a área sob vigilância".

De acordo com a associação de defesa do consumidor, a "má qualidade" de ar nas escolas é "preocupante", mas "não surpreende", porque a lei não impõe o seu controlo no interior dos edifícios públicos ou de uso público.

Os autores do estudo recomendam sistemas de ventilação eficazes e a funcionar em permanência - ou janelas abertas todos os intervalos - e reforço da limpeza para o combate à poluição do ar interior.”

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=4141955&page=-1

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Conheça a história da relação entre Cavaco e Salgado

PR tem sido criticado por ter dito em Julho que o banco estava estável. No domingo justificou que só pode saber do que se passa verdadeiramente no banco quando o governo ou as entidades oficiais lhe comunicam.

O Presidente da República respondeu este fim de semana a quem o acusa de ter induzido em erro os pequenos investidores que compraram acções do BES poucos dias antes da decisão de recapitalização do banco. Cavaco Silva justificou que as suas declarações de Julho, dando conta que o BES estava estável, tinham por base a informação oficial de que dispunha e adiantou mesmo que espera ter sido avisado atempadamente pelo executivo de Passos Coelho e pelas entidades oficiais assim que houve conhecimento dos reais problemas do banco. Os canais de informação, porém, entre Cavaco e o universo Espírito Santo sempre existiram. Nesta última declaração, o chefe de Estado disse não ter “ministérios”, “serviços de execução política”, nem “serviços de fiscalização ou investigação” para conseguir informação além da que o executivo lhe disponibiliza. Mas desde há muitos anos que são conhecidas as ligações com a família Espírito Santo e a amizade com Ricardo Salgado.

O i foi recuperar o início de uma relação entre professor e aluno que começou na década de 60 e os encontros que mais tarde começaram a traçar uma maior proximidade: desde jantares privados a apoios financeiros à corrida a Belém de 2006.

A REUNIÃO DAVOS

O mediático encontro de 1989 num hotel da Suíça foi um marco nas relações entre o banqueiro e o então primeiro ministro, mas não o início. Salgado já havia sido aluno de Cavaco no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (actual ISEG) na década de 60. É, no entanto, naquela reunião que é comunicada por Salgado e Manuel Ricardo Espírito Santo a Cavaco Silva a intenção da família de retomar parte do império perdido. O chefe do executivo encontrava-se naquele país para estar presente no Fórum Mundial de Davos. Nos últimos 20 anos muita coisa tinha mudado e é ali – no bar do pequeno hotel encerrado para aquela reunião – que Cavaco fica a conhecer os planos da família Espírito Santo para o futuro próximo. Queriam regressar a Portugal com o objectivo de ganhar a privatização do Banco Espírito Santo Comercial de Lisboa – nacionalizados em 1975 – no âmbito da política de liberalização económica promovida pelos governos de Cavaco.  

PRESSÃO PARA CANDIDATURA A BELÉM

O retorno em força dos Espírito Santo ao país acontece dois anos depois da reunião no hotel da Suíça, ainda durante o executivo liderado por Cavaco Silva. Mas se até então as conversações poderiam não passar de meras formalidades, as dúvidas ficam desfeitas quando anos mais tarde, em 2004, Salgado convida Cavaco para um jantar na casa do Estoril, onde em Julho deste ano foi detido no âmbito da Operação Monte Branco.

Aníbal Cavaco Silva chegou com a sua mulher ao jantar onde além de Ricardo Salgado estava Durão Barroso – então primeiro-ministro –, Margarida Sousa Uva, Marcelo Rebelo de Sousa e Rita Amaral Cabral.

Na altura o semanário “Expresso” adiantou que o convite tinha como objectivo “pressionar Cavaco a candidatar-se às eleições presidenciais [de 2006]”. O banqueiro terá referido nesse encontro que a presença de Cavaco em Belém seria importante para o país, uma vez que se encontrava numa situação económico-financeira cada vez mais complicada.

A conversa privada rapidamente se tornara pública, uma vez que dentro do PSD havia movimentações para a corrida a Belém e alguns sectores do partido estavam preocupados com a possibilidade de Pedro Santana Lopes avançar.

Contactado então pelo “Expresso”, Ricardo Salgado confirmou o encontro e admitiu a existência de uma relação de amizade: “[Tratou-se] de um jantar privado de casais que têm laços de amizade.”

MAIS QUE AMIZADE

Mas o apoio à candidatura não se ficou pelas palavras dessa noite. Ricardo Salgado fez questão de, no ano seguinte, doar o máximo permitido por lei à candidatura de Cavaco – que entretanto já havia anunciado que estava na corrida a Belém. De acordo com o “Diário de Notícias”, que consultou as contas das campanhas de 2006, a família Espírito Santo foi uma das grandes financiadoras do actual Presidente da República, tendo doado 104 928 euros – o que representa mais  de 5% do total. Só Salgado doou 22 482 euros, o máximo então permitido por lei. O banqueiro foi mais longe que Oliveira Costa, então presidente do BPN, que apenas doou 15 mil euros.

Os apoios da banca a Cavaco não foram exclusivos da família de Ricardo Salgado, mas os dos Espírito Santo foram exclusivamente para Cavaco. Segundo o mesmo jornal, por exemplo, a candidatura de Mário Soares – ainda que tenha tido financiamento da banca – não recebeu qualquer donativo proveniente do universo Espírito Santo.

Ainda assim, no livro “O Último Banqueiro” é referido que Ricardo Salgado também terá incentivado Soares a concorrer contra o social-democrata. Apesar de haver mais apoios para uns que para outros, a obra refere que o objectivo do banqueiro era que o BES fosse “o banco de todos os regimes”.  

UMA RELAÇÃO QUE SE MANTEVE

Apesar de  dizer várias vezes que o banco agradava a todas as cores políticas, a verdade é que Salgado volta a dar a mão a Cavaco em 2010. Num evento organizado pelo “Económico” o banqueiro defendeu a recandidatura: “O presidente Cavaco Silva é uma referência nacional. Acho que se deve recandidatar.” As contas das presidenciais de 2011 ainda aguardam publicação de acórdão, pelo que não são conhecidos os valores das doações.

Outros factos comprovam a proximidade entre o Presidente da República e os Espírito Santo. Um deles foi a compra do Pavilhão Atlântico pelo consórcio liderado por Luís Montez, o empresário de comunicação genro de Cavaco Silva, numa operação financiada pelo BESInvestimento.

Cronologia

1989 Cavaco Silva, então primeiro-ministro, e Ricardo Salgado encontram-se na Suíça, juntamente com Manuel Ricardo Espírito Santo. Os membros da família Espírito Santo revelam que têm vontade de regressar ao país e assumir novamente a Tranquilidade e o Banco Espírito Santo.

2004 Um jantar na casa do Estoril de Ricardo Salgado juntava o primeiro ministro Durão Barroso, Marcelo Rebelo de Sousa e Cavaco Silva. O “Expresso” noticiou que o encontro tinha a finalidade de mostrar apoio à candidatura de Cavaco nas eleições presidenciais de 2006.

2004 Cinco membros da família Espírito Santo doaram mais de 104 mil euros à Campanha de Cavaco. Segundo o “Diário de Notícias”, a família Espírito Santo foi mesmo uma das grandes financiadoras, representando mais de 5% do total doado a Cavaco Silva. Salgado doou o máximo permitido, na altura, por lei: 22 482 euros.

2010 Ricardo Salgado pressiona Cavaco a recandidatar-se à presidência da República. E chega a dar a sua posição em público, num evento organizado pelo “Negócios”: “O Presidente Cavaco é uma referência nacional. Acho que se deve recandidatar”. Cavaco respondeu, numa entrevista à RTP a partir de Luanda, dizendo que ira pensar em família nesse cenário.

2014
21 Julho - Durante uma viagem à Coreia do Sul, Cavaco acalma os ânimos e diz que o BES está estável. Adianta que a entidade bancária não é permeável aos problemas do Grupo Espírito Santo.
03 Agosto - É anunciada a recapitalização do Banco Espírito Santo e a sua divisão em dois bancos: um bom e um mau.  
07 Setembro - Após criticas de que terá induzido investidores em erro ao dizer que o banco estava estável, Cavaco reage dizendo que as suas declarações tinham em conta as informações que lhe foram prestadas pelo executivo de Passo Coelho, bem como pelas entidades oficiais. Disse esperar que o Governo lhe tenha dado as informações assim que teve acesso .

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Noiva do Cordeiro, a cidade brasileira onde só vivem mulheres.

No estado de Minas Gerais há uma pacata cidade rural abandonada pelos homens. As mulheres, organizaram-se em comunidade e dão no duro para ganhar a vida com uma agricultura próspera. A imprensa internacional fez circular a notícia de que andavam à procura de noivos e o sossego acabou.

Há menos de duas semanas poucos estrangeiros teriam ouvido falar de Noiva do Cordeiro. E brasileiros também não seriam muitos os que sabiam da existência desta pequena e pacata cidade de Minas Gerais, onde praticamente só vivem mulheres.

Os homens partiram em busca de trabalho, embora alguns regressem ao fim-de-semana para descansar e ver a família.

A vidinha era simples e o sossego grande até 27 de agosto último, dia em que o jornal britânico "The Telegraph" publicou um artigo assinado por Donna Bowater e Matt Roper, intitulado "Residentes de Noiva do Cordeiro, quase todas mulheres, procuram solteiros". A frase mulheres procuram homens solteiros teve um efeito viral e muitos títulos da imprensa internacional, do "Huffington Post" ao "Daily Mail", passando por jornais turcos, replicaram a notícia do "The Telegraph.

De acordo com o jornal britânico, trata-se de uma "pequena cidade rural escondida nas colinas, povoada por belas mulheres que estão à procura de amor". Há 600 mulheres que foram "deixadas a arcar com os encargos da cidade sozinhas. A situação tem levado algumas destas mulheres, conhecidas em todo o Brasil pela sua beleza, a fazer um apelo para encontrar homens solteiros". 

Os repórteres do "The Telegraph" escrevem que algumas das mulheres lhes disseram que não beijaram "um homem por longo tempo" e que têm o "sonho de se apaixonar e casar. Mas gostamos de viver aqui e não queremos sair da cidade para encontrar um marido", que esteja disposto a "concordar em fazer o que dizemos e viver de acordo com as nossas regras".

População não gostou do retrato que circulou pelo mundo

O Expresso tentou contactar duas mulheres de Noiva do Cordeiro, uma delas Rosalee Fernandes, 49 anos, que conversou conversou com a BBC Brasil. Esta "moradora no local desde a infância, é uma das "entrevistadas" que aparecem em jornais como os britânicos Daily Mail e o Metro, e em websites como o Huffington Post", escreve o correspondente da BBC em São Paulo, Ricardo Senra

"Não dei entrevista" nenhuma diz Rosalee citada pela BBC: "Colocar a gente nessa situação é um absurdo." Outros três moradores do "povoado garantiram que as reportagens publicadas no exterior não têm fundamento. A população de Noiva do Cordeiro, segundo eles, não é composta por 600 solteiras, mas por aproximadamente 300 pessoas, homens e mulheres, em proporção similar".

Nenhuma das reportagens falou da "criação de gado ou da produção artesanal de roupas pela cooperativa local", mas proliferaram as notícias em jornais britânicos,  além de veículos turcos, tailandeses, americanos, italianos e indianos, de que as mulheres locais tinham criado uma campanha para "atrair homens e reverter a escassez masculina na região".

"Um dos jornalistas internacionais por trás das reportagens insistiu no Twitter que seu texto foi baseado em uma entrevista feita por ele em pessoa", escreve a BBC Brasil.

Internet "aqui é do governo e caiu"

O "Globo.com" também relata os desabafos de Rosalee Fernandes: "a internet aqui é do governo e caiu há uns dias. A gente está sem acesso a nada e não faz ideia do que está saindo sobre nós", disse a representante de Noiva do Cordeiro, acrescentando que em pelo menos uma das reportagens publicadas na imprensa estrangeira "foram usadas fotos que mostram as mulheres em poses e trajes provocantes. As fotos foram tiradas numa festa de fantasia e publicadas na página da associação local no Facebook".

Na terra vivem "pessoas de origem humilde, na maioria sem ensino médio completo, que se organizam na cooperativa,onde tudo é decidido coletivamente", escreve o "Globo.com": "diariamente, trabalham na lavoura ou na produção de peças de artesanato, como tapetes, colchas e lingeries, e produtos rurais, derivados do leite e da pecuária. Na ausência de homens nos dias úteis, a associação local foi o caminho encontrado pelas mulheres para se ajudarem mutuamente e enfrentar o preconceito dos vilarejos do entorno.  que, no passado, moradores das cidades vizinhas chegaram a taxar as moradoras como prostitutas - pelo simples fato de estarem desacompanhadas".

A verdade é que página do facebook da comunidade de Noiva do Cordeiro não mostra mulheres desesperadas à procura de um homem, mesmo que este esteja disposto a ser um marido de sonhos que satisfaça as vontades e capricho da sua esposa.  E ao que parece, "elas dizem ter conseguido complementar a renda familiar por meio do trabalho coletivo", acrescenta o "Gobo.com".

De futuro, talvez tenham de prestar mais atenção às fotos tiradas nas festas de "fantasia" que publicam no Facebook...

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/noiva-do-cordeiro-a-cidade-brasileira-onde-so-vivem-mulheres=f888141#ixzz3CLyYzYSJ

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Autarca do Ano: António Costa

 

Têm-se sucedido os exemplos de falta de transparência na Câmara Municipal de Lisboa. Os contratos dos  assessores políticos demoraram três anos a serem publicados, os gastos em iluminações de Natalduplicaram de um dia para o outro e informações simples como as ordens de trabalhos das reuniões do executivo municipal, resumos das actas, propostas, deliberações ou moções deixaram de ser disponibilizados no site da CML. Em nome do rigor.

http://madespesapublica.blogspot.pt/2012/12/premios-ma-despesa-publica-de-2012.html

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A queda de um Santo, por Pedro Santos Guerreiro.

Ricardo Salgado acaba mal e acaba só. O grande banqueiro era afinal péssimo gestor, arruinou um grupo familiar de 145 anos e saiu expulso do BES. Mas não há vazios de poder: quem dominará agora? Quem vai ser o Dono Disto Tudo? Este texto propõe uma resposta.

Talvez seja apenas um mito e Mayer Amschel Rothschild não tenha mesmo dito aquela frase no século XIX: "Deem-me o controlo do dinheiro de uma nação e pouco me importarei com quem faz as suas leis." Ficou a frase infame e a família famosa, os Rothschild, que já não são os banqueiros mais importantes da Europa mas cuja descendência prevalece.

No mesmo século XIX, uma família portuguesa de banqueiros era fundada por um órfão, a quem por isso mesmo chamaram de Espírito Santo, e que atingiu o ponto mais alto da sua influência já no século XXI. Depois - agora - os negócios faliram, num escândalo internacional de desonra. A família perde tudo. O movimento é tão poderoso que pode significar uma mudança de regime na economia portuguesa. Há uma rede de poder que desaba. Outra emergirá. 

Como foi possível que um império tamanho se perdesse entre dois verões, sem invernos que anunciassem a ruína ou primaveras que a redimissem? Talvez a resposta esteja noutra pergunta: como foi possível sequer construir este império tamanho? A resposta é, agora, fácil: não foi possível. Não era um império. Era um conglomerado descapitalizado, opaco e mal gerido. A plácida cascata de ativos, que criou um sistema de minorias acionistas encadeadas que garantia o controlo familiar com pouco capital, tornou-se uma torrencial cascata de passivos. 

É impressionante tudo ter acontecido debaixo dos olhos da comunidade, incluindo poderes políticos, reguladores, auditores, concorrentes. Ao contrário do BPN, que "sempre se soube", no BES nunca se soube de nada. Escrevia-se sobre a opacidade e a complexidade do grupo, mas não havia denúncias nem sequer suspeitas conhecidas. O poder do BES era imenso. E era um poder de um homem, Ricardo Salgado, 70 anos acabados de fazer. Sintomaticamente, o líder da família desde o final dos anos 80 não tinha número dois. Era costume dizer-se que o BES era como um comité central do Partido Comunista, não havia "vices", havia o líder e o resto. Era um poder total, bajulado e quase incontestado. 

O poder hegemónico

A primeira vez que falei sobre o assunto foi em julho de 2009, há cinco anos, num encontro à porta fechada do Projeto Farol, que decorreu no Pavilhão de Portugal. O Farol, um think tank liberal, convidara-me para fazer uma apresentação sobre fatores de bloqueio da economia portuguesa e eu escolhi o BES. Na minha tese, o problema não era o BES ser poderoso, era ser hegemónico.

O jornalista José Manuel Fernandes estava no encontro e, mais tarde, convidou-me para escrever essa análise para o Anuário da Fundação Francisco Manuel dos Santos, onde está publicada. Dos três eixos de poder da década anterior, restava um: o BCP, muito ligado à Teixeira Duarte, Cimpor, EDP e depois à Caixa, Berardo, Fino, estava prostrado; o BPI, muito ligado a grandes empresas do Norte, incluindo o Grupo Sonae, tinha-se virado para Angola; restava o BES e a sua linha de poder com a Portugal Telecom, Ongoing, Mota-Engil, mais tarde a EDP e José Sócrates.

A falta de oposição entre eixos financeiros permitira uma afirmação do BES que, juntamente com o BCP e a Caixa, lucraram muitos milhões concedendo crédito no imobiliário e nas obras públicas, onde estariam a maior parte dos grandes problemas da economia, com malparados gigantes, obras paradas a meio, transferências para fundos de reestruturação.

Nessa minha tese, estes bancos haviam "fabricado" lucros, dividendos e prémios de gestão. Os créditos, que constituíam lucro nos primeiros anos, virariam graves prejuízos no futuro. Os bancos foram sendo esventrados. No ano 2000, BES, BCP, BPI e Banif valiam em Bolsa um total de 18 mil milhões de euros. Os mesmos bancos valem hoje menos de sete mil milhões. Apesar de muitos dividendos entretanto pagos, a destruição de valor é evidente. Houve aumentos de capital em catadupa.

É hoje possível argumentar que, apesar de a intervenção externa de 2011 se ter feito por causa das contas do Estado, ela acabou por permitir uma gestão controlada e até disfarçada dos problemas enormes que estavam nos balanços dos bancos. Já foram reconhecidas nas suas contas mais de 24 mil milhões de euros de perdas reais e potenciais. E é essencial perceber isto para compreender o que se passou no Grupo Espírito Santo. 

Paradoxalmente, a devastação na economia portuguesa que foi acelerada com a intervenção externa de 2011 não havia produzido até aqui nenhuma grande falência. Houve algumas construtoras de média dimensão, empresas de turismo e de imobiliário a caírem ou a serem resgatadas, mas não houve nenhuma queda abrupta de um grande grupo. Na verdade, tal foi sendo possível precisamente pela gestão controlada da banca. Muitas empresas zombie foram sendo transferidas para fundos de reestruturação, outras tiveram as suas dívidas reestruturadas, sempre com perdões indiretos da banca. Na maior parte dos casos, porque os próprios bancos não queriam (ou não podiam) assumir todas as perdas, sobretudo numa altura em que a pressão regulatória europeia obrigava a sucessivos aumentos de capital para garantir rácios de solvabilidade. Em muitos outros casos, porque o "sistema" funciona assim: preserva-se. 

Assim foi com aquele que teria sido o maior estoiro na economia portuguesa: o Grupo José de Mello. O caso foi então noticiado mas estranhamente teve pouco impacto na sociedade. Por causa do corte do rating do Estado para nível lixo, em 2011, os bancos estrangeiros exigiram o pagamento imediato de empréstimos a muitas empresas portuguesas. Ao Grupo Mello foram exigidos mil milhões de euros, o que tendo em conta a quebra das receitas da empresa e o desequilíbrio entre ativos e passivos a colocou num estado crítico, sendo necessário "entrar" com o próprio património da família e, mais tarde, retirar a Brisa de Bolsa para a revalorizar e aceder a mais dividendos.

O problema ainda hoje não está ultrapassado, embora esteja controlado. Mas nada disso teria sido possível se, em 2011, o Grupo José de Mello não tivesse tido o apoio dos bancos portugueses, que então substituíram os bancos estrangeiros como seus financiadores. O trio do costume, Caixa, BCP e BES injetaram mil milhões no grupo, que assim pôde pagar aos bancos estrangeiros Santander, Deutsche Bank e Société Générale. 

A grande falência aparece agora e é muito maior: o Grupo Espírito Santo. Inteiro. Uma derrocada, de cima para baixo. Mas como? Assim: anos e anos de prejuízos não assumidos, operações que não geravam cash flow, investimentos nunca recuperados à custa de dívida sobre dívida nas próprias participadas, que ficavam pendurados nas contas como se estivessem bem. Pura má gestão e algumas ligações perigosas, com Angola à cabeça. Mas as holdings de topo, com contas opacas e triangulando várias praças financeiras, escondiam uma montanha de passivo, para mais agravada com dívidas que não estavam registadas nas contas, num total de 1,3 mil milhões de euros, o que pode constituir prática criminal.

A situação tornou-se insuportável quando a dívida, além de ser grande, passou a ser em grande parte de curto prazo. O famoso papel comercial tornou a pressão sobre a tesouraria intolerável e sujeita a enorme risco. Pior do que isso: contaminou o BES. 

Como a família perdeu o BES

Foi assim que a família perdeu o controlo do banco, primeiro na gestão, depois na própria posse das ações. Se os problemas de dívida no Grupo Espírito Santo eram já enormes, o contágio ao banco foi um passo deliberado e aconteceu no último ano. Talvez fosse uma última tentativa de evitar a rutura, mas transmitiu o problema das holdings de topo pela cascata abaixo até ao banco, o que constitui um pecado mortal e dificilmente compreensível. 

A falência poderia ter sido apenas da holding ES International, o que seria um escândalo que arrastaria a família Espírito Santo, mas não contaminaria as empresas nas holdings inferiores. 

Mas, no início deste ano, Ricardo Salgado começou a transferir os passivos da ES International para a RioForte, contaminando-a irremediavelmente. A Espírito Santo Financial Group e o BES concederam crédito às holdings de cima, ficando também desse modo contaminadas. E o BES expôs os seus próprios clientes ao risco, quando os pôs a financiar o GES, primeiro através de fundos de investimento como o ES Liquidez, depois através do papel comercial. Era difícil ter sido mais destrutivo.

Se o Banco de Portugal não tivesse forçado a constituição de provisões para pagar aos clientes de retalho do papel comercial, a hecatombe dos clientes teria sido devastadora. Um BPP multiplicado muitas vezes. 

O que levou o GES à crise revela no mínimo incompetência, mas a própria gestão da crise desde o fim do verão do ano passado foi desastrosa, revelando uma equipa bloqueada, em negação e obcecada por uma guerra interna de sucessão. Como criticou Fernando Ulrich recentemente, a informação financeira foi sendo relevada aos poucos, cada comunicado trazia um novo número, nunca houve transparência total e tudo isso gerou uma desconfiança insanável dos mercados, sobretudo depois de os investidores terem acreditado no BES para um derradeiro aumento de capital de mil milhões de euros há cerca de dois meses. Esses investidores sentem-se enganados. Têm boas razões para isso. Mas houve mais: foram sendo anunciados aumentos de capital na RioForte que nunca aconteceram, vendas em Bolsa que não ocorreram, reestruturações que não existiram. Tudo colapsou, estrondosamente. 

A melhor definição que ouvi até hoje sobre o sistema de poder económico em Portugal foi dada por Paulo Morgado, líder da filial portuguesa da Cap Gemini. Mais do que uma estrutura hierárquica piramidal, ou de que um polvo com tentáculos, o poder em Portugal assenta num sistema em rede. É, descreveu Paulo Morgado, como um jogo de micado: vários paus cruzam-se e é quase impossível mexer num sem tocar noutros.

Essa interdependência serviu ao mesmo tempo de rede de sustentação e de força de resistência passiva. Ninguém ousava dar um murro na mesa e atirar as peças de micado todas pelos ares, o efeito sistémico seria imprevisível. A falência do Grupo Espírito Santo e o afastamento da família é esse murro na mesa e sim, tem efeito sistémico, porque arrasta centenas de empresas com milhares de trabalhadores. Alexandre Soares dos Santos já disse que o efeito é "brutal, brutal, brutal..." 

Hoje, Ricardo Salgado é um homem só. Poucos dos seus aliados ainda o são, muitos dos seus mais próximos já deixaram de o ser. Começou por aqueles que eram enfeitiçados pelo dinheiro ou mesmo pagos pelo Grupo: esfumaram-se. Passou depois para os amigos, para a família, para os clientes, para dentro do banco.

É preciso perceber a mitificação que existia à volta de Ricardo Salgado, em muitos membros da comunidade mas sobretudo dentro do Banco Espírito Santo. Os quadros falavam de Salgado como de um banqueiro predestinado, um líder de que se orgulhavam, um homem que estaria sempre acima dos desafios e dos seus pares. Foi assim pelo menos até novembro do ano passado, quando começou a guerra na família. Mas mesmo no princípio da fase mais aguda da crise, muitos quadros do banco recusavam-se a aceitar a informação que ia sendo divulgada, como se o grupo estivesse a ser alvo de conspirações.

De alguma maneira, a situação foi semelhante no BCP aquando da crise de Jardim Gonçalves: era venerado pelos seus quadros, a incredulidade foi semelhante. Acresce que, no caso de Ricardo Salgado, muitos se sentiram mais do que dececionados: sentiram-se traídos. Esse terá sido o caso de Amílcar Morais Pires e de outros altos quadros do BES: indefetíveis até ao fim, foram deixados cair.

Curiosamente, Salgado foi negociando com quem o traíra a ele. Como Pedro Queiroz Pereira, com quem acabou por fechar um negócio que separou os dois grupos familiares. Com Carlos Costa, que lhe foi tirando o tapete aos poucos. E com José Maria Ricciardi, o seu primo que liderou uma tentativa de "golpe de Estado" em novembro que falhou. Ricciardi falara então com diversos membros da família, isoladamente, para retirar a confiança a Salgado, mas quem acabou isolado foi ele próprio. Teria o desfecho sido diferente se Ricciardi tivesse conseguido afastar Salgado? 

Os últimos meses revelaram que, na geração em causa, a família Espírito Santo só tinha dois potenciais líderes, Salgado e Ricciardi, que são tão parecidos um com o outro como o sal é do açúcar. José Maria Ricciardi foi o único a estar frontalmente contra Salgado e o tempo mostrou que tinha razão. Mais: ele podia ter sido o líder que salvaria o grupo. Mas não teve apoio da família. E, sobretudo, nunca teve um plano alternativo a não ser propor-se a si próprio como líder. Teve uma oportunidade história, não esteve à altura dela.

Hoje, o resto da família já estará com ele. Ou, pelo menos, está contra Ricardo Salgado. Há uma revolta surda entre os vários membros da família dos demais ramos, sobretudo os que estiveram com ele até ao fim, mas já não estão. Hoje, há membros de uma nova geração a despontar, como André Amaral ou Caetano Barão da Veiga, mas não há muito por que lutar. Dos mais velhos, já mais nenhum se solidariza com Salgado. Lealdade não é o mesmo que fidelidade. 

O próximo poder

Voltemos à frase atribuída a Rothschild: os banqueiros sabem que o poder maior numa economia está em criar moeda, o que Portugal aliás já não pode fazer. Em Portugal, o poder maior reside no Estado, através da despesa pública e dos impostos, e nos bancos, pela concessão de crédito. Mesmo nos últimos anos, com menos crédito concedido, o poder dos bancos foi suficiente para decidir a vida ou a morte de muitas empresas, pela renovação ou não renovação de créditos e linhas de tesouraria. Fale com qualquer gestor de uma PME, ele explica. 

A queda da família no BES está consumada, mas essa não é a única alteração acionista em perspetiva. É hoje difícil perceber como ficará o poder no banco, que está tomado por muitos acionistas especulativos de curto prazo. Além disso, uma entrada do Estado, ainda que com títulos híbridos, significa uma diluição enorme dos acionistas, incluindo dos investidores que entraram no último aumento de capital e que podem acionar legalmente o banco. Mas é óbvio que o BES acabará comprado, porque acabará vendido, mesmo que seja aos poucos, em mercado. 

A queda do BES enquanto eixo de poder poderia ter o efeito reverso que teve a queda do BCP em 2007: abrir caminho para que outro banco assomasse. Contudo, nenhum dos bancos portugueses parece ter a força ou sequer a dinâmica para se catapultar neste momento, até porque o mercado português continua a ser um mau "negócio". Assumindo que não há vazios de poder - sempre que há rei morto, há rei posto -, quem, então, pode assumir as rédeas do poder?

A resposta depende menos dos acontecimentos e mais das circunstâncias (Vítor Gaspar vai gostar desta): é o credor estrangeiro. Às vezes chamam-lhe "mercados". O credor torna-se acionista à força e vira investidor. É a força mais poderosa que se abateu sobre a economia portuguesa desde 2010, precisamente por sermos devedores. É o credor estrangeiro que está a reconfigurar a economia portuguesa (e a sua política, que depois de perder as ferramentas cambial e monetária, perdeu agora na prática a liberdade orçamental). É ele que escolhe gestão profissional em vez de familiar, e que prefere sempre fluxos de caixa a qualquer outro tipo de retorno, que pode sempre pressionar o pagamento de dividendos em vez de reinvestimento. É isso que está a acontecer dramaticamente no BES. É isso que vai reconfigurar a economia portuguesa: uma mudança de fora para dentro.

O discurso dos centros de decisão nacional sempre foi essencialmente um discurso de poder, e de manutenção desse poder pelo regime vigente. Hoje é um anacronismo ridículo. O investidor estrangeiro já tomou conta. A EDP e a Ren são hoje chinesas, a Ana é francesa, o BCP, BIC, Zon e Optimus são angolanos, o BPI é hispano-angolano, o BES há de ser de quem o quiser, a Cimpor é brasileira, a PT quer sê-lo, a Galp é apátrida e há dezenas de grandes empresas à venda, incluindo hotéis, seguros, saúde e imobiliário do Grupo Espírito Santo, a TAP ou os resíduos do Estado.

O sistema mudou porque estava falido. O novo regime fala estrangeiro. Precisa de reguladores fortes, para que produza em vez de extrair riqueza de Portugal. Mas essa é a maior mudança a que assistimos. Não foi a troika que a trouxe, foi a dívida. O triste fim do Grupo Espírito Santo não é senão uma forma dramática e espetacular de o percebermos. Como diria José Sócrates, o mundo mudou.

Texto publicado na Revista do Expresso, a 19 de julho de 2014

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/a-queda-de-um-santo-por-pedro-santos-guerreiro=f882869#ixzz39c5vDDDO

terça-feira, 29 de julho de 2014

“Bilderberg: As minhas perguntas a Balsemão e a sua resposta”

Por Marisa Moura

“Ontem enviei perguntas, por e-mail, aFrancisco Pinto Balsemão, presidente do grupo Impresa (canais televisivos SIC, semanário Expresso, revistas Visão, Exame, Caras, etc.), fundador do Partido PPD – Popular Democrático (actual PSD – Partido Social Democrata), ex primeiro-ministro dePortugal, e um membro da comissão de direcção das reuniões Bilderberg, encabeçada pelo presidente do grupo financeiro dos seguros Axa e cujo chairman é o quase centenário David Rockefeller.

Copio abaixo o e-mail que enviei a Balsemão e a nota sobre a resposta que recebi:

Dr.  Balsemão,

Sou freelancer desde que saí do Grupo Impresa em 2010 e é nessa qualidade que lhe dirijo as questões que seguem abaixo, sobre a crise política do momento, o grupo Impresa e o clube de Bilderberg, às quais agradeço que responda logo que lhe seja possível, nas próximas semanas.

Antes, ainda uma obrigatória palavra sobre a minha saída do grupo Impresa. Demiti-me por razões que creio serem do seu conhecimento. Lamento ter saído por tais razões, lamento a forma como tive de sair e lamento ter-me visto obrigada a tornar pública a situação, bem como lamento a forma pela qual a tornei pública. Pauto-me exclusivamente pelos mais nobres valores de cidadania e ética profissional, pelo que a esses, e apenas esses, jurei lealdade. É sob esse mesmo compromisso que, por mais insólito que pareça, lhe dirijo hoje estas questões. Espero que compreenda e reaja em conformidade com essa compreensão enviando de volta respostas.

Com os meus sinceros cumprimentos e agradecimentos, aqui seguem então.

As questões:

1 – Duas semanas após a reunião do clube de Bilderberg de Junho, em que o Dr. Balsemão levouPaulo Portas (CDS-PP, no governo) e António José Seguro (PS), a revista Exame entrevistou Paulo Portas, que é a capa neste momento em banca. Duas semanas após a entrevista Paulo Portas demite-se do governo e desencadeia eleições antecipadas nas quais Portas e Seguro são precisamente os melhor posicionados para ganhar. Quando Durão Barroso esteve consigo na reunião de 2003 o governo, por outras razões, também mudou. A revista Exame não costuma fazer capa com políticos, mas recentemente já fez duas. Compreende-se que seja a nova linha editorial resultante da nova direcção, mas ambas as capas são com membros centristas do governo (Assunção Cristas, primeiro, Portas agora). Destes factos se infere que neste momento arevista Exame (grupo Impresa) está a fazer campanha por Paulo Portas para as legislativas.

A pergunta é: Que garantias dá aos leitores da Exame, e audiências dos demais órgãos do grupo Impresa, de que esta inferência estará incorrecta? Que garantias dá aos cidadãos portugueses de que os conteúdos que consomem, veiculados pelas revistas Exame e Visão, pelo jornal Expresso e pelos canais da SIC, cumprem estritamente os deveres constitucionais de Informar desta Democracia?

2 – Por que razão inscreve a sua “filiação” no clube de Bilderberg no seu curriculum quando grande parte dos membros nega integrá-lo? Recordo-me, por exemplo, que optou por inscrever essa filiação na pequena bio que o descrevia como orador numa das conferências anuais Portugal em Exame…

3 – Tal como a Maçonaria, o clube de Bilderberg é conotado com secretas conspirações maliciosas ao bem-estar das sociedades, ou no mínimo, poderosas redes de nepotismo. No caso da Maçonaria, em Portugal, têm surgido maçons, como António Arnaut e João Cravinho, a defenderem a transparência relativamente aos seus membros, nomeadamente aos que exerçam cargos públicos. Defende semelhante linha de transparência para o clube de Bilderberg?

4 – Que motivações o levaram a juntar-se ao clube de Bilderberg? Do contributo do Clube para a consolidação da Democracia em Portugal que decisão/decisões destacaria? Porquê?

Mais uma vez agradeço a atenção e compreensão.

Sinceros cumprimentos,

Marisa

http://ergoressunt.wordpress.com/2013/07/04/bilderberg-as-minhas-perguntas-a-balsemao-e-a-sua-resposta/

Miguel Sousa Tavares "Atacar Ricardo Salgado é uma espécie de desporto nacional"

Lamenta-se que só agora assuma, depois de toda agente saber, pelos outros, e não pelo próprio. Não tem necessariamente que o dizer,mas assim evidencia a sua parcialidade em temas que “não lhe dão jeito” ora a credibilidade constroi-se e assim só a destroi. Foi preciso MRS e JMT, referirem o assunto pela TV e pelos jornais, para que MST viesse a publico referir o assunto. Eu próprio já o tinha referido.

“Assumindo a relação que tem com a família Espírito Santo, ao ser casado com uma prima de Ricardo Salgado, Miguel Sousa Tavares salientou, no seu comentário semanal à antena da SIC, que a história construída em torno do ex-presidente do BES “tem duas versões” e que “até agora só vimos uma”.

“Não entendo como é que, no dia seguinte à detenção, todos os jornais coincidiram com as acusações. Dá ideia de que o sigilo só se aplica à parte que é acusada e não se aplica ao outro lado”, disse o escritor.

Optando por uma atitude de prudência e pouco crítica em relação ao banqueiro, o ex-jornalista lamentou: “atacar Ricardo Salgado é uma espécie de desporto nacional. Há mesmo disputas para ver quem o atacou mais cedo”.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Caso Libor pode levar Lloyds a pagar até 378 milhões

 

Os portugueses aguardam…

“O Financial Times avança que o banco liderado por António Horta Osório pode enfrentar uma multa entre 200 e 300 milhões de libras, ou seja, entre 252,4 e cerca de 378,5 milhões de euros.

O Lloyds Banking Group, actualmente detido em 24% pelo Tesouro britânico, deverá ser o último a ter de pagar uma coima por conta do caso da manipulação das taxas Libor, em que estavam envolvidos bancos como o Barclays, o Royal Bank of Scotland e o UBS.

Segundo avança o Financial Times, a instituição liderada por António Horta Osório deverá ter de suportar uma multa entre 200 e 300 milhões de libras, ou seja, cerca de 252,4 a 378,5 milhões de euros.

Este deverá ser o montante a pagar aos reguladores do mercado de capitais do Reino Unido e EUA. O caso Libor foi descoberto há já dois anos.

Para além do Barclays, Royal Bank of Scotland, UBS e Lloyds, também o holandês Rabobank e os correctores Icap e RP Martin foram alvo de multas.

O Financial Times avança ainda que o anúncio de pagamento de uma coima no caso Libor poderá sair até à próxima semana.”

http://economico.sapo.pt/noticias/caso-libor-pode-levar-lloyds-a-pagar-ate-378-milhoes_198450.html

BES: le principal actionnaire en redressement

LeFigaro

Par Le Figaro.fr avec AFP

  • Mis à jour le 24/07/2014

La holding Espirito Santo Financial Group (ESFG), premier actionnaire de la banque portugaise BES, a annoncé jeudi ne pas être en mesure d'honorer ses dettes et a demandé à être placée en redressement judiciaire auprès des autorités luxembourgeoises.
ESFG emboîte ainsi le pas à deux autres holdings de l'empire familial, Espirito Santo International (ESI) et Rioforte, qui avaient déjà fait la même démarche auprès du tribunal de commerce de Luxembourg où ils ont leur siège.
La holding financière du groupe Espirito Santo "n'est pas en mesure de remplir ses obligations en matière de dette", a-t-elle reconnu dans un communiqué transmis aux autorités boursières portugaises.
Le régime de gestion contrôlée "facilitera la vente par étapes des actifs, pour servir au mieux les intérêts de tous les créanciers", fait valoir la holding qui détient 20,1% du capital de la première banque cotée portugaise, aux côtés du groupe français Crédit Agricole (14,6%).

 

http://recherche.lefigaro.fr/recherche/recherche.php?ecrivez=BES+espirito+santo&go=Rechercher&charset=iso

El patriarca de la familia Espírito Santo, acusado de blanqueo de capital.

  • EL PAÍS

JAVIER MARTÍN Lisboa 24 JUL 2014 - 21:47

Ricardo Salgado, el patriarca de la familia Espírito Santo y expresidente del banco del mismo nombre durante 22 años —el Banco de Portugal forzó su relevo este mes—, fue detenido en su casa de Cascais-Estoril a las 8.30 y se pasó el día declarando en los juzgados. Si entró como imputado, después de cinco horas de interrogatorio, salió como acusado.

Salgado quedó en libertad bajo una fianza de tres millones de euros, con la prohibición de abandonar el país (tiene pasaportes de Suiza y de Brasil). Fue acusado de los delitos de fraude, abuso de confianza, falsificación y blanqueo de capitales.

La detención está relacionada con la operación Monte Branco, que investiga la mayor red de blanqueo de capitales de Portugal. Y llega un día después de que los inspectores fiscales registraran el Consejo Superior, la sede del holding de la familia.

En Monte Branco se investigan transferencias de 27,3 millones de euros efectuadas a través de diferentes cuentas opacas y paraísos fiscales. No era la primera vez que Salgado iba a declarar a los tribunales sobre este caso, aunque sí la primera en que salió acusado.

El caso colea desde diciembre de 2012, cuando el Departamento Central de Investigación y Acción Penal investigaba el origen de movimientos fiscales, en los que figuraba el nombre del banquero como cliente de Akoya, una gestora suiza de fortunas que estaba en el epicentro de la red de fraude fiscal conocida como Monte Branco.

De resultas de la investigación, Salgado se ofreció a ir a declarar días después de regularizar su declaración fiscal. El movimiento le salió bien (temporalmente), pues tras oír su declaración, el fiscal Jorge Rosario Teixeira le exoneró de toda sospecha. Eso ocurría en enero, cuando aún era presidente del banco familiar. Ahora se le acusa de fraude y abuso de confianza.

En septiembre, la prensa angoleña reveló que el constructor José Guilherme había regalado 8,5 millones de euros a Salgado. Guilherme transfirió ese dinero —que fueron 14 millones según Maria Joao Babo y Maria Joao Gago, autoras del libro O ultimo banqueiro— a una sociedad, localizada en un paraíso fiscal, donde constaba Salgado.

Parte del largo interrogatorio fue sobre la transferencia de ese dinero, pero también se extendió a actividades del grupo, que dirige Salgado, como Escom y su participación en la compra de dos submarinos.

Monte Branco es solamente uno de los problemas con que va a enfrentarse Salgado en los próximos días. El presidente de la Comisión del Mercado de Valores (CMVM), Carlos Tavares, declaró ante el Parlamento que el Banco Espírito Santo vendía deuda de empresas del grupo familiar con información falsa. Esas ventas se hacían a menos de 150 clientes para así evitar el control de la CMVM.

Además, el grupo familiar no deja de desmoronarse. Si el holding, Espírito Santo Internacional, suspendió pagos hace apenas una semana, este jueves fue Espírito Santo Financial Group, la firma que posee el 20% del Banco Espírito Santo (BES), la que solicitó concurso de acreedores, también en los juzgados de Luxemburgo. El BES asegura que tiene un colchón de capital de 2.100 millones de euros para afrontar las pérdidas que se deriven de su exposición a las empresas del grupo, en préstamos o títulos de deuda, que estima en 1.200 millones.

http://economia.elpais.com/economia/2014/07/24/actualidad/1406191125_521920.html

CDS salva touradas e circo da lei que criminaliza maus-tratos a animais.

Para o CDS-PP, pode-se introduzir em Portugal os “toiros de morte”, pois isso não constituirá uma situação de mau trato aos toiros. Chicotear, bater, etc.,  em animais selvagens para actuação num circo também não é infligir maus tratos em animais. Ficamos a entender o conceito do CDP-PP, sobre maus tratos e abandono.  Cães, gatos periquitos e peixes de aquário, não se pode tratar mal nem abandonar, mas bois, tigres. leões, macacos, etc., pode-se tudo tratar mal e abandonar.

O CDS-PP introduziu, esta quinta-feira, um artigo ao diploma que criminaliza os maus-tratos a animais de companhia. A alteração salvaguarda as suas preocupações de que a lei pudesse de alguma forma aplicar-se a explorações agropecuárias, touradas ou circos. Foi este o motivo que levou o partido presidido por Paulo Portas a travar, a 9 de julho, a votação na especialidade, que reunia consensos entre PS e PSD.

De acordo com um texto de substituição que deu entrada na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, é acrescentado um artigo que estabelece que a criminalização dos maus-tratos “não abrange os animais utilizados em exploração agrícola, pecuária ou agroindustrial, assim como os utilizados para fins de espetáculo comercial ou outros fins legalmente previstos”, noticiou a Lusa.

Nos outros “fins legalmente previstos” inclui-se sobretudo a investigação médica, explicou à Lusa fonte da maioria PSD/CDS-PP.

A criminalização dos maus tratos a animais de companhia já tinha sido aprovada na especialidade na comissão, na semana passada, numa votação artigo a artigo na qual a deputada do CDS-PP Teresa Anjinho tinha votado a favor da criminalização de maus-tratos a animais de companhia, mas tinha votado contra o artigo de alargamento dos direitos das associações zoófilas.

Alargamento dos direitos das associações zoófilas em causa

Este artigo equipara as associações zoófilas a organizações não-governamentais ambientais, dando-lhes o direito a constituírem-se assistentes em processos e dispensadas do pagamento de custas judiciais.

Fonte do grupo parlamentar do CDS-PP disse na altura à Lusa que, como aquela parte do articulado se referia à proteção animal, em geral, e não apenas aos animais de companhia, tinha dúvidas quanto a uma eventual futura “apresentação de queixas, designadamente a explorações agropecuárias, com isenção de custas” por parte das associações zoófilas.

Os artigos da criminalização dos maus tratos a animais de companhia foram aprovados com os votos favoráveis do PSD, PS, CDS-PP e BE e os votos contra do PCP.

O projeto de lei estabelece que “quem, sem motivo legítimo, infligir dor, sofrimento ou quaisquer outros maus tratos físicos a um animal de companhia é punido com pena de prisão até um ano ou com pena de multa até 120 dias”.

Em caso de abandono, está prevista uma “pena de prisão até seis meses de prisão ou com pena de multa até 120 dias”.

Se dos maus tratos resultar a morte do animal de companhia, “a privação de importante órgão ou membro ou a afetação grave e permanente da sua capacidade de locomoção, o agente é punido com a pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias”.

A 9 de julho, o CDS travou a votação na especialidade do diploma. A deputada Teresa Anjinho explicou ao Observador que estava em causa um artigo relacionado com o alargamento dos poderes das uniões zoófilas.

PS e PSD estavam de acordo quanto às propostas. Para surpresa do PS, o CDS preferiu que não houvesse votação, para poder introduzir algumas alterações. “Para nós, o texto estava consensualizado”, disse ao Observador uma fonte da bancada parlamentar do PS. Para o deputado do PSD, Cristóvão Norte, este contratempo não deverá atrasar o processo legislativo. “Como há outro plenário a 25 de julho, o diploma será aprovado nesse dia”, disse. Com esperança de que em setembro já esteja em vigor.”

 

http://observador.pt/2014/07/25/cds-salva-touradas-e-circo-da-lei-que-criminaliza-maus-tratos-animais/

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Crónicas na Corda Bamba: O Pingo Doce anda a brincar com os meus sentimentos

Há dois anos, com uma pequena criatura que gastava fraldas a uma velocidade impressionante e outro ser bastante maior e ávido consumidor de bolachas e cereais, na condição de desempregada e gestora de um orçamento limitado, contrariei todos os meus valores de esquerda e enfiei-me no Pingo Doce no Dia do Trabalhador.

Confesso que foi inesquecível. Isto só me foi permitido, porque depois das compras fui à manifestação e depois disso já pedi várias vezes desculpa à minha querida mãe, porque não foi assim que ela me criou. 

Além de ainda existirem pastas de dentes em stock desde esse dia, quando paguei 149 euros por 398 euros de compras, e do sorriso com que abri cada pacote de fraldas durante quase um ano, foi nesse feriado que escrevi a minha primeira crónica para o Dinheiro Vivo. 

Desse 1º de Maio guardo também um disco vertebral quebrado com fragmento, na zona do pescoço, por todo o peso que carreguei para casa, mas consegui que as consultas que me salvaram não ultrapassassem os 149 euros que poupei. Se não era um desperdício.

Desde há dois anos que, em cada dia 30 de abril, correm rumores sobre a possibilidade de existir uma segunda edição da mítica promoção de Soares dos Santos. Os descontos voltam sempre com o 50% lá no meio para entusiasmar o pessoal trabalhador, mas nada que se possa comparar. Carne a metade do preço, bacalhau em promoção, iogurtes quase dados, mas pagar metade da conta nunca mais.

Este ano já estava preparada para chegar antes das 8 da manhã à porta do supermercado e várias estratégias delineadas para carregar os pesos, mas percebi, a tempo, que os 50% eram apenas em alguns artigos, daqueles que são tão mais caros que a marca branca que mesmo a metade do preço não me compensa comprar. Ainda assim, os Pingo Doce aqui do bairro tinham filas de horas.

Eu acho mal, porque andam há dois anos a brincar com os meus sentimentos e a frustrar-me as expectativas. É aquilo que eu espero não fazer a quem me vem ler todas as semanas. Eu esforço-me para escrever com o coração, sem perder o ângulo da gestão do orçamento, felizmente menos apertado.

Digamos que, eu e o Pingo Doce, andamos a fazer render o Primeiro de Maio há dois anos.

Jornalista e autora do blog Dias de uma Princesa

catarinabeato

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A genial medida que acabou com a crise.

Esqueçam o Orçamento do Estado para 2014, o programa cautelar, o segundo resgate! Tudo indica que essas já são preocupações do passado porque o Governo concentra agora atenções noutras áreas.
A boa nova foi conhecida hoje: vai sair legislação que define que, a partir da sua publicação, os portugueses só podem ter em casa dois cães e quatro gatos.
A situação é grave e por isso o Governo mostra-se firme. Não são possíveis outras combinações. Três cães e três gatos. Um cão e quatro gatos ou o contrário. Seis cães. Seis gatos. Esqueçam! O Governo determinou, está determinado.
De uma assentada, o Governo envia várias mensagens. A primeira é que o pior, do ponto de vista económico, já passou. Um Governo que se pode ocupar do número de cães e gatos na nossa casa atribui à situação económica a preocupação do tamanho de um periquito.
A segunda é que o Governo quer resolver o problema do desemprego. E que ideia mais genial essa de limitar o número de cães e gatos numa habitação! Ora para fiscalizar esta decisão serão necessário milhares, se não milhões de pessoas para o fazer. É emprego que se cria, mesmo que na esfera pública. Mas é emprego, c'os diabos!
E a terceira mensagem é de desprezo para com os nossos credores. Estão muito preocupados em receber o dinheiro que nos emprestaram? Pois nós já estamos preocupados com outras coisas, bem mais importantes do ponto de vista civilizacional, cultural, humanístico - o número de animais por habitação! Isto sim é progresso, modernidade, visão de futuro! Pagar o que devemos deixou de ser um problema para nós, o desemprego está em vias de ser resolvido, a crise acabou e a Pátria está salva!   
Nicolau Santos
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/keynesiano-gracas-a-deus=s25615#ixzz2jxpzvtYr

Carrilho e Bárbara Guimarães o que é público e o que é privado.

A definição da fronteira entre espaço público e espaço privado é talvez a regra fundamental da sociedade civilizada. Os bárbaros não a definem, porque acham que tudo é privado. Os totalitários também não traçam o risco na areia, porque consideram que tudo é público. Algures no meio está a nossa civilização. Mas como é que descobrimos as coordenadas desta linha omnipresente mas invisível? O caso Bárbara Guimarães/Carrilho é mais do que útil no achamento da latitude moral em questão. 
Vamos supor que o adultério era o centro do episódio. Com uma dose beatífica de imaginação, vamos lá supor que Carrilho tinha traído Bárbara Guimarães com três ou quatro autocarros de matronas milficadas ou de princesas impubescentes. Nesta hipótese, o assunto seria inteiramente privado. Adultério não é crime, é uma pedra no sapato da consciência, aliás, é um calhau que fica a esmagar o dedão, mas não é um crime público. Na ordem das coisas, um político adúltero é um detalhe. É por isso que os americanos são tão bárbaros na forma como queimam VIPs adúlteros. Neste ponto, nós, portugueses, somos mais civilizados na forma como protegemos a vida privada e sexual das figuras públicas. Esta virtude porém pode transformar-se num vício. 
A partir do momento em que Carrilho é acusado de violência doméstica, o caso sai da esfera privada e entra como um míssil na esfera pública. Portanto, há que recusar a posição confortável e muito portuguesa que diz "ah, isso é privado, são adultos, que se entendam, a justiça que funcione". O sexo é um detalhe, a violência não. As preferências sexuais e os casos dos famosos são pormenores privados, mas a violência sexual e doméstica é um crime. Decorar com nódoas negras a face da cônjuge não é o mesmo que aplicar as palmadinhas recomendadas pelo Sombras de Grey. Partir os dentes à querida esposa não é "uma questão do foro privado". Além disso, uma sociedade realmente livre não confia apenas na justiça para fazer os seus julgamentos. Uma coisa é o julgamento legal, outra coisa é o julgamento moral. Ambos são necessários. Antes da frieza da lei, a sociedade necessita de uma moralidade, um código moral que, naturalmente, reage a abusos imorais. A violência dos Carrilhos é um assunto nosso antes de ser um assunto dos tribunais. Afinal de contas, já não estamos em 1960. O Estado Novo é que tratava deste assunto apenas no silêncio do tribunal, porque "não se pode falar de certas coisas". 
Henrique Raposo
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/carrilho-e-barbara-guimaraes-o-que-e-publico-e-o-que-e-privado=f839441#ixzz2jxjyExN3

A Alemanha anda a lixar o euro?

Domingos Amaral

 

Nas últimas semanas, a Alemanha tem sido muito criticada, seja pelos americanos, seja pelo FMI, seja até subtilmente pela Comissão Europeia.

A causa das críticas é simples: a Alemanha tem um enorme excedente comercial, exporta muito mais do que importa, e isso tem desequilibrado muito a situação na zona euro.

Os outros países, sobretudo os países do Sul, têm grandes déficits comerciais e de capitais com a Alemanha, e apesar de os estarem a tentar corrigir, com tremendos esforços e profundas recessões, o equilíbrio não volta, pois a Alemanha não faz nenhum esforço para corrigir o seu excedente.

A economia é assim, cada moeda tem sempre duas faces.

Se nós temos um déficit na balança comercial ou de transações correntes, alguém tem de ter um excedente. Para que este desequilíbrio se consiga corrigir, ambas as partes têm de alterar as suas políticas.

Contudo, os alemães não aceitam este princípio.

Eles acham que os déficits dos países do Sul existem porque eles são pouco produtivos, pouco competitivos, e consomem demais, importanto mais do que deviam.

Mas, acham que o seu excedente é virtuoso, sinónimo de competitividade alemã e de vitalidade económica, e não querem deixar de o ter.

Portanto, não querem saber nem de conselhos nem de críticas.

Não querem subir salários na Alemanha, não querem mais inflação, nem querem ter de importar mais.

Ou seja, querem continuar como são, porque se julgam melhores que os outros.

Porém, assim não há equilíbrio.

Por mais que os países do Sul tentem corrigir, gastando e importando menos, se a Alemanha não puxar pela sua economia, os países do Sul não conseguem exportar para lá, e por isso não conseguem crescer.

É pois, ou devia ser, evidente para todos que o euro não está a funcionar bem.

Não é possível aceitar que só a Alemanha ganhe com o euro, como tem ganho.

Foram 10 anos de grandes excedentes para a Alemanha, e grandes déficits para os países do Sul!

Para muitos países, começa a não fazer sentido estar numa união monetária em que só a Alemanha ganha, e quase todos os outros perdem.

Se os alemães não perceberem isto depressa, e continuarem cegos, o que é o mais provável porque eles se acham superiores a todos os outros, em breve será impossível sustentar um euro que provoca estes graves desequilíbrios.

Antes do euro, a única forma que os outros países tinham de impedir esta supremacia da Alemanha, era desvalorizarem as suas moedas.

Agora, não têm essa arma, e por isso estão reféns da Alemanha, que os despreza e humilha constantemente.

Ou isto muda depressa e a Europa se transforma nuns Estados Unidos da Europa, ou a coisa, mais cedo ou mais tarde, fica insustentável.

Que sentido faz termos uma moeda que nos prejudica e empobrece?

 


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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Ministro quer Constituição contra "Estado Social absorvente" | Económico

Ministro quer Constituição contra "Estado Social absorvente" | Económico

Chipre: A ilha dos espiões

 

Süddeutsche Zeitung, Munique – Por causa da sua situação estratégica, Chipre é desde há muito tempo um importante local de espionagem. É a partir dali que, atualmente, agentes britânicos e americanos, disfarçados de turistas, intercetam as comunicações entre o Médio Oriente e a Europa. Uma investigação baseada nos documentos de Edward Snowden. Ver mais.


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Holanda: Baratos e sempre disponíveis

Trouw, Amesterdão – A exploração dos trabalhadores da Europa central e oriental não diz apenas respeito aos campos de tulipas: também é possível encontrar, nos serviços, checos e polacos mal pagos, alojados em condições precárias e que trabalham até 20 horas por dia com contratos duvidosos. Mas as agências de trabalho temporário que os empregam afirmam agir de boa-fé. Ver mais.


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