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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Erasmus: “Ministério da Educação retira bolsa a milhares de Erasmus em pleno ano letivo”

 

O Ministério da Educação espanhol anunciou, a 29 de outubro, que vai limitar o financiamento das bolsas Erasmus aos estudantes espanhóis que já beneficiam de uma bolsa de estudo por razões financeiras.

Trata-se de "uma desagradável surpresa" para os 40 mil estudantes espanhóis que estudam num outro país da UE com uma bolsa Erasmus, sublinha El País, e numa altura em que "o ano universitário já começou".

O financiamento do Estado, entre 100 e 180 euros, é um dos três pilares do financiamento das bolsas Erasmus em Espanha, em conjunto com as contribuições da UE e das regiões, explica o jornal.

Espanha é o país da UE que mais estudantes Erasmus envia para o estrangeiro e é também o país que mais estudantes Erasmus estrangeiros recebe. O orçamento do Governo para ajudar os estudantes no estrangeiro caiu 71% desde 2011, acrescenta El País.


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Espionagem: “Britânicos têm posto de escuta secreto no coração de Berlim”

 

O Reino Unido poderá estar a operar "um ultra-secreto posto de escuta a partir da sua embaixada em Berlim para espiar a sede do poder alemão", noticia The Independent.

A revelação foi feita na sequência das informações fornecidas pelo ex-funcionário da National Security Agency dos Estados Unidos, Edward Snowden, que sublinhavam o papel britânico como um dos "Cinco Olhos" de uma coligação internacional de espionagem que inclui os Estados Unidos, o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia. Segundo o diário,

fotografias aéreas da embaixada britânica em Berlim mostram uma potencial base de espionagem encerrada numa estrutura branca e cilíndrica, semelhante a uma tenda, que não pode ser facilmente vista da rua. A estrutura existe desde que a embaixada, que foi construída logo a seguir à reunificação alemã, abriu, em 2000.


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França

Francisco Seixas da Costa

 

Não deixa de ser preocupante para a Europa a situação que hoje se vive em França, muito em especial pelas implicações que esse estado de coisas pode ter no futuro do projeto europeu.

 

A França é um país-chave da equação continental. Por muito que alguns não gostem de reconhecer isto, devem-se ao eixo franco-alemão os passos mais significativos do processo integrador. É mesmo muito curioso observar que, sendo a França um país que tem "uma certa ideia da Europa", que passa bastante pela sua muito específica ambição em termos de poder no projeto continental - e que está muito longe de ser aquilo que se chama "europeísta", no sentido bruxelense do termo -, ela soube sempre dar uma contribuição que se revelou imprescindível para os grandes avanços que foram conseguidos. Sem a França não há projeto europeu - as coisas são tão simples como isso!

 

Ora a França atravessa um tempo difícil. É um país que, ao longo dos "trinta gloriosos" anos do pós-guerra, estabeleceu uma sociedade de bem-estar cujo património é hoje defendido em todos os setores do espetro político. Um modelo que obriga a que seja o país da União com a mais elevada percentagem de despesa pública face ao PIB. Esse modelo, com todas as virtualidades e vantagens que lhe estão associadas, torna-a fortemente resistente à mudança que os novos ventos financeiros europeus querem impor-lhe. 

 

A França tem um potencial económico e um tecido financeiro que parece colocá-la ao abrigo de colapsos como os que abalam hoje alguns dos seus parceiros mediterrânicos. Mas os números preocupantes do seu défice, a forte quebra da sua balança comercial, a perda de competitividade de muitas das suas indústrias e o agravamento de alguns outros indicadores (como o próprio desemprego) revelam que alguma coisa tem que mudar rapidamente no país. Acresce que, nos últimos anos, uma mutação significativa está a gerar na sociedade francesa clivagens e derivas preocupantes, nomeadamente pelo sucesso de algum populismo com laivos xenófobos e até racistas.

 

O drama francês é também o nosso drama. O apagamento, embora talvez conjuntural, do papel que a França desempenhava no centro do projeto europeu parece estar a conduzir a Alemanha a uma inédita "solidão", que Berlim pode ser tentada a atenuar através de novas alianças, cuja resultante está longe de corresponder aos interesses de um país como Portugal. Além disso, a França é a segunda pátria de muitas centenas de milhares de portugueses, sendo hoje uma das importantes fontes de remessas financeiras que compensam a nossa debilidade interna. Os portugueses em França, ou os luso-descendentes, não incorrem no menor risco por essa sua condição específica. Mas uma crise na sociedade francesa atingi-los-ia em pleno.

 

Por tudo isto, e também pelo que a França representa para a nossa maneira de estar no mundo, o seu futuro imediato não nos deve ser alheio.


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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Noticias ao Minuto - Saiba o que têm e onde investem os ministros

Noticias ao Minuto - Saiba o que têm e onde investem os ministros

Do liberalismo semântico

Francisco Seixas da Costa

 

Há uns meses, num blogue de "neocons" caseiros, vi surgir uma proclamação enfática: "nunca mais escrevemos Estado com "E" maiúsculo!".

 

Essa subliminar consigna deve estar a fazer escola. Há dias, publiquei um artigo numa revista. E lá notei que, no meu texto, sempre que eu falava de Estado, foi feito o "downgrading" da maiúscula inicial. Devem pensar: "quanto mais não seja, vencêmo-los pela gramática!" 

 

Estejamos muito atentos a estes "copydesks" ideológicos! Um destes dias, se os deixarmos grimpar, República e Constituição passam a minúscula.


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Os Santos

Francisco Seixas da Costa

 

Foto de Fernando Ribeiro

 

Esta é a altura dos "Santos", lá por Chaves. É uma das grandes festas transmontanas, famosa desde sempre como grande feira rural, hoje, dizem-me, está muito urbanizada nos usos mas, nem por isso, menos movimentada e atraente.

 

Na minha infância, em alguns anos, fui de Vila Real "aos Santos". Almoçávamos quase a meio da viagem, em Bornes, junto às Pedras Salgadas, em casa dos meus avós maternos. Atravessava-se a ponte de Trajano já ao entardecer. Recordo-me de ter criado a ideia de que era uma festa algo estranha, porque quase sempre tinha lugar em tempo frio, quando, em Portugal, a generalidade deste tipo de feiras ocorre numa altura quente do ano. Mais tarde, vim a apreciar frígidas feiras em período natalício, no norte da Europa, com adequadas bebidas quentes para atenuar esses efeitos.

 

Nesse tempo e nessa idade, a minha grande curiosidade era ouvir falar espanhol pelas ruas, coisa que nunca acontecia no nosso quotidiano de Vila Real, algumas escassas dezenas de quilómetros a sul. É que, tal como sucedia aos flavienses que se deslocavam anualmente "aos Lázaros", a Verín, no mês de março, nesse dia a fronteira era relativamente franqueada para os galegos virem a Chaves, com dispensa de passaporte. Essa minha sedução pelo que soava a "estrangeiro" era, em Chaves, sublinhada pela ideia mítica do contrabando que lhe ia associada, da comercialização do que não havia do lado de cá, de que era expoente a famosa loja da Aninhas Vitorino, que então muito se frequentava e que sobrevivia por complacentes e dizia-se que poderosas cumplicidades.

 

Nessa "romaria", recordo-me que se ia sempre visitar a nossa família flaviense e, invariavelmente, passava-se no "Aurora", o café do sr. Avelino, um galego simpático que tinha vivido, por alguns meses, refugiado num armário da casa das minhas tias, nas Pedras Salgadas, durante a guerra civil espanhola. Um mundo de aventuras juntava-se, na minha cabeça de miúdo, à figura do sr. Avelino e às suas andanças políticas. E, com naturalidade, passei a ter simpatia pelas causas que tinham motivado aquele amigo da família.

 

Guardo ainda a imagem das barracas noturnas no jardim do Bacalhau - ou seria na praça General Silveira? -, do bulício da gente, para cima e para baixo, na rua de Santo António. Depois, era o longo regresso noturno a Vila Real, por Vidago, pelo Reigaz acima, pelas longas retas de Sabroso e Vila Pouca, com a subida da Samardã como último obstáculo.

Outros tempos. Agora, com a A24, tudo é mais fácil. Já prometi a mim mesmo: para o ano, vou "aos Santos"!


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Surpresa

Francisco Seixas da Costa

 

O meu prezado amigo e antigo colega de governo, Daniel Bessa, diz hoje no "Expresso" que o "guião para a reforma do Estado" é uma "boa surpresa", um "documento com princípio, meio e fim". 

 

Tendo lido o texto com um cuidado quase masoquista, só posso concluir que, das duas uma: ou Daniel Bessa aguardava um texto indigente e "tudo o que vier à rede é peixe" ou, lá para o Norte, foi distribuída uma versão diferente. Mas numa coisa concordo plenamente com Daniel Bessa. O documento tem um "fim". Foi ontem.


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Guerra no Mali: “Jornalistas assassinados”

Dois jornalistas da Radio France Internationale (RFI) foram raptados e mortos, a 2 de novembro, em Kidal, no norte do Mali.

Claude Verlon e Ghislaine Dupont regressavam de uma entrevista a um representante tuaregue quando foram raptados; os seus corpos, crivados de balas, foram encontrados duas horas mais tarde nos arredores da cidade.

Para além da homenagem que presta aos dois jornalistas, o diário sublinha que a operação militar levada a cabo no Mali, no início do ano, está longe de ter estabilizado o país:

François Hollande teve razão em querer erradicar o terrorismo que ameaça toda a região e que põe em perigo um poder eleito. Mas o que aconteceu este fim de semana mostra, também, que a pacificação está longe de ser adquirida. Apesar da presença de soldados franceses, de tropas da ONU e de militares do Mali, Kidal continua a ser uma zona fora da lei, berço da rebelião separatista tuaregue e casa de todas as tensões islamitas.


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Moldávia: “100 000 votos para a Europa”

 

A 3 de novembro, 100 mil pessoas, segundo os organizadores, 60 mil segundo outras fontes, encheram a praça da grande Assembleia Nacional de Chisinau para "mostrarem o seu apoio ao avanço do país em direção à integração europeia", escreve o jornal Adevărul Moldova.

Respondendo ao apelo dos partidos que compõem a coligação pró-europeia, os manifestantes empunharam bandeiras da Europa e levaram cartazes com mensagens escritas em inglês, como "We fight for Europe".

Depois de termos vivido "em Itália, na França, na Áustria e na Polónia, queremos estar ao mesmo nível", disseram, algumas semanas antes da cimeira de Vílnius, durante a qual a Moldávia deverá assinar o Acordo de Associação com a UE.


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Grécia: “Entre a troika e o terrorismo”

 

Os representantes dos credores internacionais da Grécia (UE,BCE,FMI) são esperados a 5 de novembro para uma nova missão de avaliação antes de decidirem o desbloqueamento de uma nova tranche de ajuda financeira. A visita acontece num momento de clima político conturbado, após o assassinato de dois membros do Alvorada Dourada, a 1 de novembro.

Manos Kapelonis e Giorgos Fountoulis, de 22 e 27 anos, foram mortos a tiro, em frente a sedes do partido neonazi, de que eram membros há cerca de um ano, por assassinos que circulavam de mota, escreve o jornal Ta Nea. A investigação foi entregue à polícia antiterrorista.

"A violência política não pode ser tolerada", escreve o diário:

Por um lado, é preciso impedir o Alvorada Dourada de explorar estas mortes para desativar o inquérito sobre as suas atividades criminosas. Por outro, a sociedade tem de ter todas as informações sobre os assassinos, como quando [o grupúsculo de extrema-esquerda] 17 de Novembro foi desmantelado e tal como o Alvorada Dourada foi desmascarado depois do assassínio de Pavlos Fyssas. Os provocadores têm de ser desmascarados!


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Eleições europeias 2014: Politizar a Comissão, uma ideia arriscada

Le Monde, Paris – O presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz gostaria de suceder a José Manuel Durão Barroso na presidência da Comissão Europeia. A sua campanha assenta na politização de um cargo que, em seu entender, deverá pertencer ao líder do partido vencedor. Uma estratégia relativamente à qual não existe consenso. Ver mais.


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Zona euro: “O medo da palavra que começa por um D”

 

"D de deflação" é a palavra mete medo ao BCE, escreve o Handelsblatt. Muitos especialistas preveem o seu regresso, provocada por uma inflação muito baixa na zona euro, que com os seus 0,7% atingiu o valor mais baixo desde há quatro anos. Assim "a taxa está claramente abaixo dos objetivos de estabilidade do BCE", que tenta manter a taxa de inflação em cerca de 2%, escreve o diário.

A ameaça de deflação põe o BCE sob pressão. Os mercados financeiros esperam que tome medidas mais enérgicas como a baixa da taxa de referência mantida em 0,5% desde maio de 2013 para garantir mais liquidez e para contrariar a deflação.

Em Espanha, Portugal e Chipre a inflação ronda apenas os 0,5% e a Grécia já entrou em deflação. As consequências desta situação são fatais, avisa o diário:

No caso da pressão sobre os preços continuar a baixar, corremos o risco de entrar numa espiral que nos puxa para baixo e que poderá pôr em causa o restabelecimento da zona euro.


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Crise da zona euro: “Polónia é um dos líderes europeus”

 

Em 2013, o PIB da Polónia será, em termos reais, 19,7% mais alto comparado com o de 2007 – o ano anterior ao início da crise financeira.

"Pelo facto de nunca termos entrado em recessão, estamos entre os líderes da UE", escreve o Dziennik Gazeta Prawna, sublinhando que, este ano, 15 dos 28 países membros da UE terão um PIB mais baixo do que em 2007.

Segundo o diário, a União Europeia está a recuperar da recessão mas "refazer-se das perdas" levará anos:

É surpreendente que a Dinamarca, a Finlândia e a Holanda ainda estejam entre os países que estão no vermelho, apesar do impacto da crise ter sido relativamente suave e de os mercados financeiros olharem [para essas economias] como credíveis.


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A eficácia alemã

Francisco Seixas da Costa

 

Durante meses, a Europa e o mundo esperou pelas eleições alemãs. Nada se decidia antes dos "masters" de Berlim resolverem as suas questões política internas. 

 

As eleições na Alemanha tiveram lugar. A partir dessa data, as conversações para a constituição do futuro governo têm-se arrastado, por muitas e longas semanas.

 

Se tivesse havido eleições em Portugal e os nossos partidos políticos demorassem o mesmo tempo a decidir o formato de um novo governo posso imaginar as graçolas que que já não teriam surgido na imprensa alemã.


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Grécia: Pavlos Fyssas, os bastidores de um assassínio político (2/2)

Libération, Paris – Na noite de 17 para 18 de setembro, o "rapper" grego Pavlos Fyssas foi assassinado por um militante do Alvorada Dourada. Este assassínio assinou a queda do partido neonazi, cujas conivências implícitas com o poder e as ligações aos poderosos armadores gregos estão hoje patentes. Ver mais.


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União Europeia: Merkel-Lagarde, uma equipa vencedora

Financial Times, Londres – O render da guarda nas principais instituições da UE, no próximo ano, oferece a Bruxelas a oportunidade de nomear líderes fortes para restaurar a fé no projeto europeu. Deveríamos colocar a diretora do FMI e a chanceler alemã na liderança, defende o colunista Tony Barber. Ver mais.


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O NAVIO FANTASMA (47): SE HÁ DOIS ANOS HOUVE UM 1580 E PARA O ANO VAI HAVER UM 1640, QUEM É QUE ESTÁ NO PAPEL DE MIGUEL DE VASCONCELOS?

JPP

As habilidades de Portas com os soundbites não me impressionam, destinam-se a épater le bourgeois, neste caso os jornalistas. Mas habituado a estas flores de retórica, nem sequer pára para pensar no que diz. Para ele, a assinatura do memorando foi um 1580. Falta saber se ele entende que os amigos da troika, como o PSD e o CDS, que saudaram a sua vinda para Portugal fariam parte do "partido espanhol". Mas o mais interessante é quando ele considera que a saída da troika é um 1640. Então se é assim, ele que faz parte do governo da troika em Portugal, está bem posicionado para, junto com Passos Coelho, ser o Miguel de Vasconcelos. O Duque de Bragança é que não é certamente.


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O 1640 do Dr. Portas é um divertido delírio!

Domingos Amaral

 

Na semana passada, Paulo Portas teve um dos seus momentos de delírio, e comparou a saída da "troika" à libertação de Portugal do jugo dos Felipes de Espanha.

2014 seria assim um 1640 financeiro, um momento épico da história do país, onde voltaríamos a ser gloriosamente independentes! 

Estas comparações históricas não deixam de ser divertidas, mas são normalmente um bocado superficiais, e não resistem a um confronto mais pormenorizado com a realidade.

Convém lembrar ao Dr. Portas que, em 1640, Portugal era um reino cujo rei era espanhol.

Depois de umas escaramuças, e de um vazio de liderança por cá, os reis espanhóis tomaram conta disto, e mandavam em nós.

A "ocupação" durou 60 longos anos, e só quando se encontrou um candidato à altura de ser rei de Portugal, é a que a coisa se resolveu, com mais uma guerra pelo caminho.

1640 foi pois um momento de libertação de uma ocupação política, militar e económica.

Ora, que eu saiba, não é isso que se passa em 2013.

Que eu saiba, Portugal não foi invadido pela "troika", contra a sua vontade.

Pelo contrário, foi o país que pediu ajuda, candidatando-se a uma resgate internacional.

E quem é que nos ajudou? 

Bem, que eu saiba, foram países que, como Portugal, fazem parte de uma entidade política comum, a União Europeia.

Que eu saiba, ninguém nos obrigou, pelas armas, a pertencer à União Europeia e ao euro.

Foi uma coisa voluntária, e bastante consensual, por cá.

Não fomos invadidos, nem ocupados, cedemos a soberania porque quisemos, e porque achámos que isso era bom para nós.

Portanto, que eu saiba, a "troika" não representa potências ocupantes, pelo contrário, representa-nos a nós mesmos, e aos nossos aliados e amigos, que responderam ao nosso pedido de ajuda.

É claro que podemos dizer que esses nossos amigos não são muito generosos, e nos obrigam a fazer coisas que nós não gostamos.

Mas dizer que isso é uma "ocupação" semelhante à dos espanhóis, é capaz de ser um pouco exagerado, não é verdade?

Acrescente-se ainda que não tenho notado que este Governo seja contra a "troika".

Bem pelo contrário, desde o primeiro dia disse que queria ir além da "troika"!

O que nos deixa um pouco perplexos, pois se a troika é uma potência ocupante, e queremos libertar-nos dela, talvez seja um pouco complicado de perceber porque é o Governo cumpre rigoramente o que a "troika" manda, e até faz mais do que o mandam.

O estranho é que, se admitirmos o raciocínio de Portas, de que estamos ocupados, então a conclusão lógica é de que Passos e Portas não passam dos meros executores da política de ocupação, e portanto são umas "marionetas espanholas", como foram muitos durante os 80 anos da ocupação dos Felipes...

Mas, a coisa é ainda mais estranha, se pensarmos que, depois de 2014, da famosa "hora da libertação", do Dia da Independência do Dr. Portas, nós vamos continuar exactamente na mesma, a pertencer à União Europeia, no euro, e a ter de fazer tudo o que eles nos mandam!

Não se consegue perceber bem onde é que estará a independência nesse dia, mas se calhar o burro sou eu!

Portanto, o 1640 do Dr. Portas vai ser o dia em que vamos...continuar exactamente na mesma, a receber ordens de Bruxelas!

Os Filipes, caro Dr. Portas, foram-se embora, corridos daqui numa guerra.

Os europeus vão continuar por cá, e a mandar cada vez mais.

Não se iluda, Dr. Portas, o dia da Independência é uma fantasia da sua cabeça.

Os senhores da "troika" podem deixar de cá vir ter reuniões, mas o senhor continuará a andar às ordens da Sra Merkel...  


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Judeus

Francisco Seixas da Costa

 

As conversações com aquela delegação de Israel tinham tido uma pausa. Passou-se a uma sala ao lado, onde havia cafés e bebidas. O jovem diplomata quis ser atencioso e perguntou: "juice?". O israelita fez uma cara séria e respondeu: "Of course!". Tinha percebido "jews"...


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