Gazeta Wyborcza, Varsóvia – A Áustria, onde os democratas-cristãos fazem parte da coligação, está a deportar refugiados paquistaneses, condenando-os praticamente à morte. E, no entanto, poucas semanas antes o Papa Francisco tinha falado em defesa deles. As suas palavras moveram muitas pessoas, mas pelos vistos não chegaram aos ouvidos dos políticos austríacos, realça a Gazeta Wyborcza. Ver mais. |
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
IMIGRAÇÃO, UM DESAFIO PARA A EUROPA (4/4): A Áustria aos refugiados: fiquem calados ou arriscam a deportação
Alemanha: “As histórias de Merkel”
Para assinalar o aniversário do início da construção do Muro de Berlim, a 13 de agosto de 1961, Angela Merkel visitou o liceu Heinrich-Schliemann. Este estabelecimento de ensino ganhou um concurso organizado pela revista estudantil Spiesser, que pedia aos alunos que desenhassem uma alternativa ideal para os seus professores. A chanceler deu uma lição de História, ao evocar a queda do Muro, para "sensibilizar os alunos para as tradições de democracia e liberdade na Alemanha", explicou Georg Streiter, porta-voz do Governo. Com o lançamento da campanha eleitoral para as legislativas de 22 de setembro, a chanceler começa a entrar em cena, mesmo que habitualmente se mostre mais renitente em expor a sua vida privada. Die Welt sublinha que
|
Crise da zona euro: “Europa começa a vislumbrar a saída da crise”
"Após uma longa recessão económica, as coisas começam a compor-se para a Europa", escreve o Berlingske, antecipando os números do PIB do segundo trimestre de 2013 na UE e na zona euro, publicados a 14 de agosto pela Comissão Europeia: em ambos os casos, o crescimento foi de 0,3%, contra -0,1% e -0,3%, respetivamente, no primeiro trimestre. É "a primeira vez em seis semestres que há um crescimento no conjunto dos países da zona euro", constata o jornal, segundo o qual esta melhoria se deve essencialmente ao bom desempenho da economia britânica (+0,6%) e alemã (+0,7%) e à desaceleração da crise na Europa do sul. Portugal revela até uns surpreendentes +1,1%. No entanto, acrescenta Berlingske,
|
Telecomunicações: "Apelos a um organismo pan-europeu para as telecomunicações perante divergência de opiniões dos reguladores de Bruxelas"
Um relatório do comissário europeu da Concorrência diz que as propostas para um mercado único de telecomunicações "não são ambiciosas" e propõe a criação de um observador pan-europeu, refere o Financial Times. Relativamente ao que o jornal considera "críticas invulgarmente francas" à proposta apresentada por Neelie Kroes, responsável europeia pelas telecomunicações, para um mercado único, o gabinete do comissário Joaquín Almunia afirma que a substituição de reguladores nacionais dos 20 estados-membros por um organismo único seria "a solução mais eficaz para pôr fim às divergências nacionais".
O jornal refere que um mercado único permitiria aos operadores trabalhar livremente em todo o bloco, obter acesso fácil ao espetro necessário aos serviços móveis e reduzir o preço do roaming. |
Crise da zona euro: “A razão para os bancos europeus estarem melhor”
"Os bancos europeus recuperam em meados de 2013 um pouco de serenidade", anuncia Les Echos. Apesar de um contexto económico ainda frágil, os resultados líquidos do seu exercício começam globalmente a subir no segundo trimestre. Em França, nota o diário,
Mas Les Echos lembra que os bancos europeus têm ainda três grandes desafios pela frente para o próximo ano:
|
Itália: “Perdoo-te, se te portares bem”
Na sua muito aguardada declaração sobre a condenação de Silvio Berlusconi por fraude fiscal, o Presidente Giorgio Napolitano disse que o antigo primeiro-ministro tem de aceitar a decisão do tribunal para não provocar uma crise política e eleições antecipadas, que seriam "fatais" para o país. Giorgio Napolitano disse ainda que não tinha recebido qualquer pedido de indulto presidencial mas, caso isso acontecesse, o pedido seria cuidadosamente analisado, e não seria excluído, como muitos estariam à espera. Contudo, o indulto não iria anular a proibição de desempenho de cargos públicos e, de acordo com Il Fatto, só seria dado a Berlusconi se este abandonasse a liderança do partido Povo da Liberdade (PdL) e a atividade política direta, abrindo assim a corrida ao controlo do centro-direita. A filha de Berlusconi, Marina, fez saber entretanto que não irá suceder ao pai, como muitos vaticinavam. |
Israel-Palestina: Não nos centremos nos colonos
De Volkskrant, Amesterdão – Na Europa, os colonatos israelitas são frequentemente apontados com o maior obstáculo nas conversações sobre a paz no Médio Oriente, que deverão recomeçar em 14 de agosto. Na opinião de um historiador holandês, trata-se de uma perceção errada, resultante de um entendimento claramente simplista do conflito israelo-palestiniano. Ver mais. |
Escândalo PRISM: A Alemanha é vítima ou cúmplice da NSA?
A Alemanha e os Estados Unidos estão a sofrer as consequências do caso PRISM e procuram um acordo após a revelação de espionagem de que a República Federal terá sido alvo por parte da agência de segurança americana (NSA), noticia o Süddeutsche Zeitung. O chefe dos serviços secretos alemães (BND), Gerhard Schindler, deverá, assim, iniciar conversações, no final de agosto, com os seus parceiros norte-americanos para, no futuro, banir a espionagem entre os dois países. O antigo agente da NSA Edward Snowden, procurado pelos Estados Unidos, revelou que, todos os meses, eram intercetados 500 milhões de dados pessoais na Alemanha, com a colaboração do BND. O Parlamento alemão procura medir a extensão da ação da NSA e determinar o papel desempenhado pelo BND. E também quer saber se o Governo estava ao corrente. A 12 de agosto, a comissão de controlo dos serviços secretos do Bundestag (Parlamento) o chefe da chancelaria (e responsável pelos serviços secretos), Ronald Pofalla, que "fez um esforço para dar a impressão de que não se tratava de um caso de espionagem", escreve o diário de Munique, afirmando que os alemães não eram espiados de maneira sistemática pelos Estados Unidos e que Washington e Londres garantiram, por escrito, que respeitam os direitos e a lei alemães. A comissão parlamentar não excluiu a possibilidade de ouvir os membros do Governo. "O BND e a NSA deverão iniciar conversações ainda este mês", escreve o jornal Die Tageszeitung. O diário de esquerda, no entanto, pergunta
A cinco semanas das eleições legislativas alemãs, este escândalo tem um enorme impacto na campanha eleitoral. A revista Der Spiegel acusa a chanceler Angela Merkel de estar ao corrente da espionagem da NSA e de estar a atirar a responsabilidade para cima do social-democrata Frank-Walter Steinmeier, que era chefe de gabinete da Chancelaria em 2002. |
Imigração, um desafio para a Europa (3/4): Londres fecha a porta na cara do mundo
Financial Times, Londres – A série de políticas anti-imigração envia uma clara mensagem aos visitantes estrangeiros do Reino Unido – afastem-se. O Reino Unido precisa de uma política de imigração inteligente e eficaz, e não de políticos que apenas se exibem para o setor populista da opinião pública, escreve um colunista do "Financial Times". Ver mais. |
A Espanha está um gaspacho azedo
Domingos Amaral
A Espanha parece um gaspacho que não pára de azedar. O tomate usado é velho: a monarquia não tem crédito, com um rei idoso, adúltero e sem tino, que esbanja dinheiro a caçar elefantes. A cebola é demasiado verde: os príncipes não encantam e choramingam em público, e os maridos das princesas foram apanhados em crimes de vários tipos. O azeite vem sempre ao de cima: a Catalunha rosna, quase todos os meses, exigindo a independência. O pepino sabe mal: os bancos, até há cinco anos imperiais e globais, estão a ser resgatados pela Europa, falidos e sem reputação. A salsa está curta: as autonomias, fórmula mágica para manter o reino unido, endividaram-se até acima das orelhas, e nem piam. Para mais, o cozinheiro Rajoy não tem habilidade. No poder para cumprir as diretizes austeritárias da Europa, afundou a economia na recessão. E, pior do que isso, já o chamam de mentiroso, por causa de um tesoureiro corrupto do PP. É um "chef" sem brilho, limita-se a manter o restaurante aberto. Para ajudar à festa, renasce o problema de Gibraltar, a pedra de gelo que faltava na sopa, e que só agudiza o mau sabor. Por causa do rochedo, eternamente mal resolvido, há chispas sérias com o Reino Unido. E o desemprego, a pimenta amarga da economia, embora tenha descido um pouco no Verão, está como nunca se tinha visto, principalmente entre os jovens e os imigrantes vindos do sul. Mas nós, portugueses, temos de provar esta sopa. Espanha é e será sempre o principal parceiro de Portugal, e qualquer salmonela que lá assente arraiais pode contaminar-nos. Se este gaspacho se estraga mesmo, a Europa bem que pode começar a rezar. |
O Porto e o poder
Francisco Seixas da Costa
Acabo de ver na SIC Notícias um debate sobre as eleições autárquicas, dedicado ao Porto. Por uma vez, sem políticos e apenas com comentadores sem "agenda", o que tornou o debate mais interessante e neutral. É pena que as televisões não percebam que ganham muito mais em convidar jornalistas e politólogos, deixando-se de "tempos de antena" com catrefadas de deputados e aparelhistas partidários, que já se não podem ouvir. Seguindo o tema do debate, e por preguiça estival, aqui deixo o que há dias disse numa intervenção pública, onde também falei do Porto e do seu poder à escala nacional: "Curiosamente, sendo embora a segunda cidade do país, o Porto só com a democracia consegue obter uma expressão significativa a nível do poder central. Se olharmos para a história da ditadura – e mesmo da primeira República - verificaremos que a influência política do Porto, como cidade, junto do poder central, foi sempre muito escassa durante o século XX. E, curiosamente, é uma evidência que o Porto tinha, em particular nesse tempo, um forte tecido de instituições, formais e informais, desde logo na área empresarial, mas igualmente no domínio cultural e no terreno social. Tudo indica que Salazar nunca gostou do Porto, talvez porque a cidade projetasse uma sofisticação, quiçá algo snobe e elitista, que se contrapunha ao ruralismo esclarecido que ele próprio representava e que Coimbra, com Lisboa, aqui também através da universidade, era suficiente na sua tarefa de cooptar o pessoal político. Graças à sua força económica – recordo que então se dizia: "o Porto trabalha, Lisboa diverte-se" -, o Porto como que se isolou um pouco no processo político à escala nacional, mantendo uma dinâmica própria, uma burguesia longe do cosmopolitismo do dinheiro "novo" de Lisboa, mais Clube Portuense e muito pouco Linha do Estoril. Porém, o Porto burguês não era maioritariamente anti-regime, muito longe disso. O peso da igreja e a proteção dos negócios encontraram sempre no Porto um terreno sólido de apoio ao salazarismo. Mas o Porto da ditadura foi também aquele que deu o maior banho de multidão a Humberto Delgado, em 1958, como já tinha proporcionado o maior comício a Norton de Matos, nove anos antes, na Fonte da Moura. E é o Porto que gera um bispo que atazanou o ditador e, verdadeiramente, abriu caminho às vias católicas dissidentes à escala nacional. Esse é, alias, o mesmo Porto que produziu Sá Carneiro, esse inesperado incómodo que veio a revelar a fraude da abertura marcelista. Foi o 25 de Abril que levou o Porto a perder esse seu isolamento. Com Sá Carneiro e as suas adjacências, o Porto entrou para a partilha do poder político central. E por lá tem ficado, no passado de forma bastante mais influente, nos tempos que correm apenas através de alguns "tokens", destinados a garantir uma presença simbólica. Quando se forma um novo governo, à esquerda ou à direita, a pergunta deve surgir: "E do Porto, quem é que se põe?". Eu sei que pode soar um tanto cruel estar a dizer isto, mas esta parece ser a realidade. Não obstante a inegável excelência de muito do pessoal político que os governos foram buscar ao Porto, nas últimas décadas, isso só marginalmente quis significar o peso real da cidade no jogo político nacional. O Porto desenha um modelo curioso, sendo quase um "case-study". A cidade do Porto assume um discurso reivindicativo, uma mostra de mal-estar permanente, uma queixa de quem se sente mal tratado. Até as distritais portuenses dos dois partidos do novo rotativismo sofrem desta obsessiva necessidade de terem uma idiossincrasia própria, um discurso façanhudo e de cara dura frente aos aparelhos de Lisboa. Com regularidade, como recentemente se viu, o Porto convoca os poderes económicos e os nomes sonantes para a retoma dos vários episódios dessa espécie de batalha virtual com Lisboa. Mas, com o tempo, mas sempre com o sobrolho cerrado, nas entrevistas e proclamações, o Porto lá vai conseguindo o seu novo aeroporto, as suas novas pontes, o seu metro, as vias que o seu jogo de cintura interna consegue arrancar. Mas convém que fique muito claro: essa guerrilha política, nas formas curiosas, típicas e mediáticas que por vezes assume, não deixa de ter uma indiscutível legitimidade. Porque é verdade que, neste país, continua a haver uma macrocefalia muito evidente em torno e em favor de Lisboa. Só que o Porto, por muitas queixas que tenha, consegue, apesar de tudo, ter uma capacidade reivindicativa, e uma capacidade de imposição, muito maior do que todas as outras urbes de província." |
Alerta Total
Alerta Total |
Mercado interpreta que proposta de subir gasolina é jogo de cena para esconder briga interna na Petrobrás Posted: 13 Aug 2013 06:01 AM PDT Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net Leia também o site Fique Alerta – www.fiquealerta.net O velho e repetitivo papo furado sobre aumento dos combustíveis (sempre com preços supostamente defasados, porém caríssimos para o consumidor) atende ao objetivo tático de desviar a atenção sobre uma guerra política interna na Petrobrás. Foi o poderoso diretor financeiro da empresa, Almir Barbassa, e não a "presidente" Graça Foster (amiga da Presidenta Dilma) quem veio a público defender que a empresa precisa de reajustes de preços da gasolina e do diesel, até o final do ano, para financiar seus investimentos. Eis a interpretação de investidores minoritários da Petrobrás. A retórica de Barbassa tem o objetivo imediato de tentar acalmar os investidores da empresa. Não por causa de possíveis perdas ou por atraso em investimentos (que o mercado já prevê há muito tempo). Na verdade, Barbassa tenta dar uma demonstração pública de força no momento em que a empresa é alvo de acusações de que tem esquemas internos para beneficiar a cúpula do PMDB. O temor interno na Petrobrás é que venha à tona denúncia semelhante em relação ao PT – atingindo diretamente Barbassa – que seria um homem de confiança de Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli. Nos bastidores do poder na Petrobrás, comenta-se, abertamente, que a Presidenta Dilma Rousseff e sua amiga Graça Foster são obrigadas a engolir Barbassa – considerado, pela maioria dos investidores internacionais, como o verdadeiro "presidentro" da petrolífera controlada majoritariamente pela União, mas que sempre obedece às determinações da Oligarquia Financeira transnacional. Barbassa também é homem de confiança de Guido Mantega, o ministro da Fazenda que também preside o Conselho de Administração da Petrobrás. Quando assumiu a presidência da Petrobrás, Maria das Graças Foster quis substituir o diretor financeiro. Mas não teve sucesso por motivos óbvios. Barbassa é o elo da Petrobrás com bancos que fazem a rolagem da crescente dívida da empresa. A chamada alavancagem (endividamento crescente em relação ao patrimônio) é uma das maiores dores de cabeça para os gestores da petroleira. Desastre de trem O trem-bala, ferrorama faraônico da Dilma, praticamente descarrilou de vez, com o novo adiamento da concorrência de sua construção. Por ironia do destino, Dilma foi vítima da petralhice – que promoveu uma onda denuncista contra o PSDB, questionando negócios do Metrô de São Paulo com as empresas Alston e Siemens. Embora a francesa tenha manifestado interesse em participar do edital de licitação, a empresa alemã e a espanhola Renfe pediram o adiamento do negócio que teria um absurdo custo inicial de R$ 38 bilhões. Frente necessária Para dar voz aos fabricantes regionais de bebidas frias do Brasil, será lançada, hoje, 13 de agosto, às 17 horas, a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Indústria Brasileira de Bebidas. O presidente da entidade que reúne os fabricantes (a Afrebras), Fernando Rodrigues de Bairros, destaca que as principais reivindicações para o setor de bebidas são um sistema tributário proporcional e moderno; concorrência justa; e incentivo à produção nacional e à geração de empregos e renda: "O acúmulo de capital e a consequente formação dos grandes oligopólios fazem com que a concorrência entre as pequenas e grandes empresas de bebidas seja extremamente desleal. Dessa forma, os fabricantes regionais são obrigados a se deparar com o abuso de poder econômico das multinacionais como, por exemplo, os contratos de exclusividade com os pontos de venda, em que o consumidor também é fortemente lesado com preços elevados e baixa diversificação de produtos". Mais detalhes no site da entidade: http://frentebebidasbrasil.org.br/ Não tem remédio O Show tem que continuar... Perguntinha idiota O Supremo Tribunal Federal não encontra clima para discutir, imediatamente, a revisão sobre as condenações impostas aos réus na Ação Penal 470. Por isso, diante do alto risco de os mensaleiros acabarem beneficiados com penas mais brandas, e das graves denúncias contra o vice-Presidente da corte suprema, apontado por um auditor do Tribunal Superior Eleitoral como o líder de manobras internas para proteger os interesses do PT, cabe a pergunta ainda sem resposta: Quem vaiapurar denúncia de que Lewandowski manipulou parecer técnico por interessepolítico?Vida que segue... Ave atqueVale! Fiquem com Deus. O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento. | |
Posted: 13 Aug 2013 05:55 AM PDT Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net Por José Carlos Leite Filho O exercício da cidadania, fundamento dos Estados democráticos, não permite aos seus agentes a passividade ou a mera contemplação dos acontecimentos, exigindo participação de todos em benefício do bem comum. A existência de instituições nacionais específicas não impõe a inação ao povo em benefício do qual elas são criadas. Assim pensando, por considerar o acesso à informação um direito fundamental, fiquei assombrado e indignado ao ler na revista Veja desta semana (edição 2334, de 14/8) a reportagem que denuncia "a suspeita de que a Justiça Eleitoral manipula pareceres técnicos para atender interesses políticos" e, o que é pior, afirma que "a manipulação que permitiu a aprovação das contas do PT na época do mensalão e da campanha de Dilma Rousseff teria sido conduzida pessoalmente pelo então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandowski". Dirão alguns que isso deve ser obra da oposição com vistas à campanha eleitoral do próximo ano, o que não me parece suficiente haja vista que está em jogo também um dos requisitos para levar alguém ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, qual seja o de reputação ilibada! A reportagem em causa apresenta cópias de documentos tidos como comprobatórios de irregularidades na campanha para a eleição da atual presidente da República no tocante à respectiva prestação de contas submetida ao TSE, assim como à "interferência indevida" do então presidente dessa corte e atual membro do Supremo Tribunal Federal (STF)! A matéria publicada está fundamentada em depoimento do auditor Rodrigo Aranha Lacombe o qual "contou que seus pareceres pela rejeição das contas eleitorais do PT sumiram do processo por ordem do então presidente Lewandowski". São denúncias gravíssimas que preocupam não só pelo fato em si, mas também quando se tem em conta a continuidade do julgamento pelo STF do famoso processo do mensalão cuja publicidade despertou a curiosidade e o interesse da população brasileira, a qual certamente há de se lembrar da constância dos votos do ministro Lewandowski contrários às conclusões condenatórias do relator do processo. Por tudo isso, como cidadão amante da Justiça, clamo pelo indispensável esclarecimento dos fatos denunciados a fim de poder continuar reverenciando os dois elevados órgãos do Poder Judiciário envolvidos e os seus integrantes. José Carlos Leite Filho é General de Exército na reserva – linsleite@supercabo.com.br – 11/08/13. Originalmente publicado em "O JORNAL DE HOJE", de 12/8/13-Natal/RN. | |
Cultura e Política – Os Indivíduos Mínimos Posted: 13 Aug 2013 05:54 AM PDT Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net Eu não conheço, em toda história da Filosofia Política, pensador que não escrevesse, direta ou indiretamente, sobre a questão do "tamanho do Estado". Entenda-se disso que o que se discute fervorosamente até hoje é o grau de intervenção dele, o Estado, na vida das pessoas. Busca-se saber qual o melhor modelo para garantir determinados direitos, para melhor aplicar impostos ou gerenciar serviços...enfim..a coisa segue por esse lado. Modelos prontos fazem grande sucesso – o Estado "liberal"..o Estado de "bem estar social"...o Estado "Mínimo"..não tem fim o número de adjetivos que se coloca ao lado da palavra. Hoje, o objetivo do artigo vai ser o seguinte: discutir que tamanho deve ter o "indivíduo" dentro desse ou desses Estados sobre os quais tanto se escreve. A base da discussão é muito simples – sustento que tanto usando de métodos de coerção próprios do Totalitarismo quanto garantindo o bem estar social, o efeito final sobre o indivíduo foi sempre o mesmo – a sua atomização, a sua abdicação da capacidade de pensar e sua confiança cega na garantia da democracia fornecida pela velocidade das comunicações e pela apologia da sociedade tecnológica. Nada disso, meus amigos, poderia ser mais falso! Integrado por uma grande rede mundial de computadores, compartilhando informações nas redes sociais ou trocando e-mails, homem algum dispõem hoje do pré-requisito básico para atividade a filosófica – tempo para o recolhimento.. Não se consegue mais "processar sozinho" informação alguma. Necessita-se desesperadamente de informações "prontas"...de notícias "mastigadas" e classificadas em algum modelo prévio devidamente ajustado para provocar um determinado tipo de resposta emocional que vai pautar todas as nossas conclusões. Fazer, na prática, oposição política aos governos das democracias ocidentais torna-se cada vez mais difícil por que estes mesmos regimes apresentam-se como um caleidoscópio em que a velocidade e a contradição das suas medidas administrativas dão a impressão de serem eles mesmos governo e oposição ao mesmo tempo! Nessas linhas, quero sustentar que essa crise da capacidade de fazer política, que essa perda da noção de uma cidadania que não dependa de militância partidária é reflexo de um gigantesco declínio da cultura. A ideia não tem absolutamente nada de original. Muita gente escreveu mais, e melhor do que eu, sobre isso. Aqui o recado é muito mais simples – desafio alguém a me provar que existe independência entre política e cultura. Quero que alguém me mostre que, terminadas todas as diferenças culturais, ainda possa existir oposição política seja lá ao que for. Posso eu, realmente, descer com um i-phone na mão e falando inglês no aeroporto internacional de Shanghai fazer oposição ao governo chinês? A China, o Oriente Médio, a África, são realmente "outro mundo" para um ocidental como eu nos dias de hoje? Faz sentido falar em cultura ocidental ainda? Percebam vocês que se tenho dúvidas com relação aos exemplos que dei acima, e que não envolvem aquilo que chamo de "Ocidente", com relação ao Brasil já não tenho mais esse problema – aqui vivemos numa ditadura. A oposição acabou há "séculos" por que a cultura é uma só! Ou constrói-se a partir da classe média brasileira uma nova maneira de ver o país que não se fundamente no relativismo e naquilo que chamei de "obsessão pelo consenso" ou não há, absolutamente, nenhuma chance de opor-se à coisa alguma. Vejam bem o que escrevi – não vai haver mais oposição à NADA! Não estou escrevendo sobre o PT, sobre o Mensalão, luta de classes ou seja lá o que for que essa gente vem fazendo com o Brasil desde 2003. Digo que: ou o país passa a acreditar que existem pessoas que são "diferentes" e "melhor preparadas" para governá-lo (seja lá quem forem); ou nós vamos passar a viver uma Ditadura Eterna – a Ditadura dos Medíocres. O próprio fim do conceito de "mediocridade" é que vai permitir que isso seja possível. Não interessa se alguém tem pós-doutorado e ganha 20 mil reais por mês ou se só tem o primeiro grau e recebe 700 reais para limpar a rua. Os dois vão encher o cabelo de gel, colocar correntes douradas no pescoço e escutar Valesca Popozuda no i-phone! É isso que, ao meu ver, está se aproximando e ninguém, ou quase ninguém, percebe! O fim da cultura representa muito claramente o fim da atividade política. E, independentemente do tamanho do Estado, anuncia o nascimento de um Indivíduo Mínimo.
| |
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Polónia: “Cavar, cavar, cavar o bolchevique”
Ativistas locais de Ossów (perto de Varsóvia), apoiados pelo partido Lei e Justiça (PiS, direita populista)e pelo arcebispo local, estão a construir um memorial, o chamado "Vale de Smoleńsk", para prestar tributo conjunto às vítimas da Batalha de Varsóvia em 1920 e do acidente com o avião presidencial, em Smoleńsk, em 2010. O santuário é feito com 96 carvalhos plantados em homenagem a cada uma das vítimas do acidente, bem como bustos de bronze dos mais proeminentes passageiros do avião. Ao mesmo tempo, alguns dos ativistas querem transferir um monumento que fica perto dali e que desde 2010 tem sido vandalizado várias vezes, bem como um cemitério de soldados soviéticos mortos na guerra polaco-soviética de 1920. Como avisou um autarca local, isso "pode magoar os sentimentos de quem visita o Panteão [nacional]". A iniciativa, no entanto, não é apoiada pelo líder distrital do PiS. |
Irlanda do Norte: “Oferece-se emprego: Homem (ou mulher) de Estado”
Na sequência dos motins sectários que estalaram no centro da cidade de Belfast, na noite de 10 para 11 de agosto e a manifesta falta de resposta política, o jornal The Belfast Telegraph faz a primeira página com um anúncio de emprego fictício para contratar um líder responsável que possa representar as pessoas. O diário pergunta o que aconteceria que rebentassem motins semelhantes em Londres:
|
Palhaçada
Francisco Seixas da Costa
A comédia das impugnações e contra-impugnações das candidaturas autárquicas ameaça transformar-se num fator para uma ainda maior descredibilização das instituições portuguesas. (Desde já digo que não tenho a menor opinião sobre se um autarca que cumpriu três mandatos numa determinada autarquia tem ou não o direito de se candidatar noutra autarquia diferente. Reconheço bons argumentos a favor da possibilidade dessa recandidatura, como também me parecem válidas as objeções à facilitação dessa prática. Mas não é isso que está aqui em causa.) De um lado, temos a cobardia - porque é disso que se trata, deixemo-nos de histórias! - das direções políticas do PSD, do PS e do PCP (ainda não percebi o que pensa o CDS), as quais, em lugar de terem uma atitude aberta face à necessidade de anular a aparente ambiguidade da lei que deixaram criar, parece estarem agora conluiadas na não promoção mútua de recursos, para evitar criar dificuldades ao seu respetivo pessoal político. O que é que impedia esses partidos de, desde há meses, terem aprovado uma nova legislação, clarificadora e sem equívocos, que permitisse essa quarta candidatura, ou que, ao invés, a impedisse em definitivo? Nada, apenas uma coisa: o medo da tomada de decisão. E o que é que impedia o presidente da República, ao testemunhar esta caricata situação, que afeta a credibilidade do sistema democrático de representação autárquica, de alertar a Assembleia da República e os partidos para a necessidade de porem fim a esta ambiguidade? Nada. Por outro lado, a justiça dá mostras da sua coerência e da qualidade das suas decisões, ao ir ajuizando alegremente em sentidos opostos, sobre casos que são rigorosamente idênticos, tudo protegido por esse manto diáfano de infalibidade que protege (embora cada vez menos, perante uma opinião pública que começa a acordar para que "o rei vai nu") a justiça a que temos direito. O cúmulo desta irresponsabilidade é o facto de todos - mas todos! - ficarem agora à espera da decisão do Tribunal Constitucional, que assim é empurrado para "responsável" final, o que ajuda os outros atores a safarem-se de cena, politizando cada vez mais essa instância, que colherá o odioso de uma posição que, seja ela qual for, será sempre contestada no final. Como é que se pretende que os cidadãos respeitem as instituições e os seus titulares quando são colocados perante este tipo de comportamento? Ou será que ninguém entende que assim se está a "trabalhar" para o desprestígio do sistema democrático? Quem detesta a democracia não faria melhor. |
Holanda: “Príncipe Friso (1968-2013)”
O príncipe Friso de Orange-Nassau, irmão do rei Guilherme-Alexandre da Holanda, morreu em Haia, a 12 de agosto, em consequência de complicações após um acidente de esqui de que foi vítima em Lech (Áustria) em fevereiro de 2012. Estava em coma desde então. Friso, 44 anos, casado e pai de duas crianças, "não estava agarrado ao seu estatuto de príncipe ou de 'rei de reserva'", escreve o jornal De Volkskrant, segundo o qual, no entanto, Friso era mais importante para a monarquia do que o seu perfil discreto poderia fazer pensar. Era o génio silencioso em segundo plano, o engenheiro e o economista que subiu sozinho os degraus das empresas e que, em tempos, aconselhou a sua mãe, a rainha, e o irmão, o futuro rei. |
Reino Unido: “Veto do príncipe às leis vai ser discutido no Parlamento”
O Parlamento vai discutir, no próximo mês, o "controverso" mas "pouco conhecido" veto da monarquia às leis, escreve o jornal The Guardian, um dia depois de a imprensa britânica ter revelado que o príncipe Carlos se encontrou 36 vezes com o Governo desde as eleições de maio de 2010. O gesto pode "aumentar a pressão sobre Whitehall [sede do Governo britânico] para que reduza o secretismo em torno do alegado lóbi real", escreve o jornal, lembrando a sua própria investigação, em 2011 "que revelou como os ministros tinham sido obrigados a pedir a autorização do príncipe para aprovarem, pelo menos, uma dúzia de leis". A comissão parlamentar vai investigar
|
Gibraltar: ‘Cameron ameaça a Espanha’
Enquanto as tensões continuam em torno de Gibraltar, o Governo britânico declarou, a 12 de agosto, que estava disposto a tomar ações legais "sem precedentes" a nível europeu, em resposta ao reforço do controlo das fronteiras pelas autoridades aduaneiras espanholas. Fabian Picardo, o ministro responsável pela gestão de Gibraltar, apelou à Espanha num comunicado de imprensa que recorra aos tribunais internacionais competentes para resolver o problema envolvendo os limites das águas territoriais britânicas de Gibraltar, assim como a questão da aplicação do direito à autodeterminação do povo, realça o ABC. O principal diário conservador espanhol afirma claramente, num editorial, que é "melhor tribunais do que navios-patrulha", porque Londres converteu o cinismo no paradigma da sua atitude perante o conflito do rochedo e apela agora a ações legais, quando toda a gestão do rochedo é completamente ilegal. |
Emprego: A descida dos salários não é a solução
El País, Madrid – Para relançar o crescimento, basta que o Governo de Madrid faça o mesmo que a Irlanda e a Letónia: reduzir os salários. Uma proposta que desencadeou uma vaga de protestos em Espanha e que não teve efeitos positivos, nos países onde foi posta em prática. Ver mais. |
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Crise da zona euro: Bancos da Europa “ainda demasiado grandes para falhar”
"Cinco anos depois da crise financeira e os bancos da Europa continuam 'demasiado grandes para falhar'", refere o Financial Times num artigo sobre uma análise aos bancos da região pelo Royal Bank of Scotland (RBS). O RBS afirma que os maiores bancos europeus têm de investir 3,2 biliões de euros em ativos financeiros até 2018 para poderem honrar os termos do acordo Basileia III, estabelecido por um painel internacional sedeado na Suíça de autoridades e supervisores bancários, em 2010, para evitar mais financiamentos de estados falidos pagos pelos contribuintes. De acordo com esta análise, os maiores bancos da zona euro "vão ter de cortar 661 mil milhões de euros em ativos e gerar 47 mil milhões de euros em capital vivo nos próximos cinco anos". O diário financeiro nota que, no entanto,
O diário questiona James Chappell, analista do banco Berenberg, que afirma que "os bancos continuam sem capital suficiente" para reduzir a sua exorbitante dívida, mesmo que, como revelam os dados do Banco Central Europeu (BCE), já tenham começado em maio de 2012 a reduzir o montante dos seus títulos de dívida em 2,9 biliões de euros. Neste contexto, refere Le Monde, o próximo ano vai ser difícil para o setor financeiro":
|





