terça-feira, 25 de junho de 2013

União bancária: O Eurogrupo aprova um “resgate descafeinado” dos bancos

Nos dias 20 e 21 de junho, o Eurogrupo reuniu-se no Luxemburgo para estabelecer as bases de uma união bancária, mencionada desde o verão passado para fazer face a uma nova crise da dívida. Na noite de sexta-feira, chegaram a um acordo de princípio relativamente ao uso dos fundos do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) para recapitalizar os bancos com problemas de liquidez, escreve o Volksrant.

No total, o MEE colocará à disposição €60 mil milhões que poderão ser investidos em ações bancárias a partir de 2014. Para o diário holandês,

um financiamento direto através do MEE pode acabar com a situação em que os governos nacionais são obrigados a ajudar os seus bancos e a ficar, por consequência, com problemas financeiros.

Mas, ao contrário do projeto inicial, que visava quebrar totalmente o círculo vicioso entre a dívida privada e a dívida pública, o projeto adotado pelo Eurogrupo prevê a implicação dos Estados onde se situam os bancos em dificuldade.

Certos aspetos permanecem no entanto obscuros, realça por sua vez, em Amesterdão, o NRC Handelsblad, segundo o qual os países da zona euro estão muito divididos em relação ao funcionamento de uma união bancária:

Quem pagará caso seja necessário reestruturar ou encerrar um banco? Distinguem-se aqui dois campos: por um lado o da Holanda, que considera que os contribuintes já não devem pagar mais a crise, sendo agora a vez do setor financeiro. É o princípio do "bail-in", aplicado no Chipre, na Holanda e em Espanha. Países como a França desconfiam deste método e preferem analisar com alguma flexibilidade cada caso.

O que leva El Periódico a dizer que o Eurogrupo optou por um "resgate direto descafeinado" dos bancos em dificuldade: uma eventual aplicação retroativa do acordo deverá ser decidida "caso a caso" e por unanimidade, realça o diário, que acrescenta que o acordo

reduz completamente a solidariedade entre os países da zona euro. A conceção final está muito longe do plano ambicioso inicial, quando essa medida foi aprovada no Conselho Europeu realizado no mês de junho de 2012 como sendo um dos eixos da união bancária da zona euro.


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O casamento

Francisco Seixas da Costa

 

 

Ficou a olhar para a folha de papel. Invadiu-o um sentimento de alguma tristeza. A lista dos convidados que o seu futuro genro indicara para a festa de casamento estava recheada de nomes sonantes, figuras gradas da indústria nortenha, dois presidentes de Câmara e até um deputado. Do seu lado, do lado da filha que agora ia casar, os convivas eram, em geral, gente modesta, alguns familiares, amigos chegados e colegas da noiva. Nenhum nome conhecido. O "máximo" que tinha para apresentar era um velho padre, figura de há longa data ligada à família, que se tinha voluntariado para celebrar o ato. 



Notara no olhar da filha - ou fora impressão sua, levado pelo seu próprio sentimento? - um certo desapontamento, quando ambos haviam percorrido a lista de convidados da família, para preparar os convites. Mas que podia ele fazer? Velho engenheiro, com uma carreira limpa mas escassos contactos, tivera uma vida simples, dedicada à família, sem grandes rasgos sociais. Nunca cultivara amizades com gente que conhecera na faculdade, alguma hoje até com certa projeção. Entre todos esses colegas, um deles chegara mesmo a ministro, com um lugar cimeiro no governo. Havia-lhe mandado uma carta a felicitá-lo, por ocasião da tomada de posse e recebera dele, a agradecer, um cartão bem simpático, onde o agora político recordara, com surpreendente memória e detalhe, um episódio do tempo comum passado na escola da rua dos Bragas, lá no Porto. Orgulhava-se de o ter como amigo.



Foi então que, de súbito, a ideia lhe ocorreu: e se o convidasse? Caramba! Se ele aceitasse, era uma "bomba"! O casamento passava a ter outro "sainete" e a filha, estava certo, ficaria orgulhosa das amizades do pai. Mas, por outro lado, acanhava-se de estar a incomodar o amigo, que os anos tinham tornado um tanto distante. Ficou a matutar na ideia durante algumas horas mas, ao final do dia, decidiu-se. No dia seguinte tentaria falar com o ministro. Se não desse resultado, paciência! Mas, pelo menos, ficava de bem com a sua consciência e havia feito o possível para proporcionar à filha uma cerimónia de casamento de que se podia orgulhar.



O acesso ao ministro foi, para sua surpresa, bastante mais fácil do que supunha possível. Horas após o contacto com o gabinete, o próprio governante ligou-lhe diretamente, com um tom de grande simpatia. Foi então, perante essa atitude amiga e aberta, que decidiu ser totalmente franco com o antigo colega, ao formular-lhe o convite para o casamento da filha:



- Eu não sei se deveria estar a dizer-te isto, mas julgo que a nossa relação me pemite que o faça. Para além do grande gosto e honra que teria em rever-te e ter-te na cerimónia, a tua presença no casamento representaria muito para a nossa família, porque, da parte da minha filha, a generalidade dos convidados são gente comum e, do lado do futuro marido dela, vêm figuras relativamente destacadas e conhecidas. Não posso esconder-te que a tua vinda seria para nós um fator de grande prestígio.



A reação do ministro ficou acima das expetativas:



- Ó homem! Percebo muito bem! Eu e a minha mulher vamos ao casamento, com imenso gosto. E diz-me uma coisa: se eu for num "carrão" oficial, isso ajudará?



- Claro que sim! Mas nem te pedia tanto! Basta-nos a tua presença...



- Não, não! Vamos fazer as coisas como devem ser feitas. Olha, lembrei-me agora: vou levar batedores!



E assim aconteceu. A presença daquele simpático ministro nortenho na boda foi um momento alto da cerimónia. E o pai da noiva sentiu que nunca poderia agradecer suficientemente àquele seu colega de curso, cuja chegada, antecedida por dois espampanantes GNR em motos, ficou para sempre a marcar a memória desse dia feliz.


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Turquia: Abrandamento da UE nas negociações de adesão

"A aproximação da Turquia à União Europeia poderá registar um forte retrocesso", porque vários países da UE desejam que, devido à repressão brutal das manifestações na Turquia, se ponha travão às negociações de adesão, relata o Spiegel-Online. Segundo várias fontes diplomáticas contactadas por este site alemão, é provável que a UE congele as conversações.

Se tudo corresse normalmente, a União deveria abrir um novo capítulo das negociações, a 26 de junho – o primeiro nos últimos três anos –, mas os diplomatas da UE não conseguiram chegar a acordo sobre a realização desse encontro. Com efeito, na sequência das violentas intervenções da polícia contra os manifestantes, em Istambul e Ancara, que até agora causaram a morte de quatro pessoas e 7500 feridos, a Holanda e a Alemanha rejeitam o recomeço das negociações.

Numa entrevista ao canal de televisão privado RTL, Angela Merkel criticou abertamente a ação do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan. O Spiegel-Online salienta que, em resposta, o ministro dos Assuntos Europeus turco, Egemen Bagis, replicou:

O Governo alemão não devia brincar com a adesão da Turquia à UE. Se a Sra. Merkel anda à procura de temas de política interna para a sua campanha eleitoral, não deveria fazê-lo à custa da Turquia.


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Letónia: Riga dita a moda

Die Welt, Berlim – Esqueça Barcelona, Londres ou Berlim: a cidade báltica é o novo destino da moda na Europa. Ver mais.


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Reino Unido: “Farage cria fundo ‘offshore’ para fugir aos impostos”

O líder do Partido da Independência do Reino Unido Nigel Farage pagou a um consultor fiscal para lançar um fundo educacional num paraíso fiscal, que pretendia utilizar como veículo para canalizar fundos e reduzir a sua fatura fiscal, revelou o Daily Mirror na primeira página.

Farage admitiu que o conselheiro tinha criado o Fundo Educacional Família Farage 1654 na Ilha de Man, mas insistiu que, pessoalmente, não foi beneficiado com esse fundo, acrescentando: "Foi um erro".

O controverso eurodeputado, que há uns meses classificou as pessoas que fogem aos impostos como "o inimigo comum", disse que tencionava usar o fundo "para fins de herança", explicando que o dinheiro poderia ser usado, no futuro, para pagar os colégios privados dos seus netos.


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Cair na real

Francisco Seixas da Costa

 

Ontem, fui convidado para ir à RTP 1 comentar, no âmbito do Telejornal da noite, a atual situação no Brasil.

 

Muito já se disse e dirá sobre as razões desta significativa erupção popular. Ela é, aparentemente, o resultado de uma bola-de-neve reivindicativa espoletada pela rejeição do aumento dos preços nos transportes urbanos. Outras tensões já lá estavam e, aparentemente, ninguém as tinha detetado. O governo brasileiro terá "lido" mal o início desta crise e só ontem deu notas de um maior realismo.

 

Dizia António Carlos Jobim dizia que "o Brasil não é para principiantes". Com efeito, trata-se de uma sociedade muito complexa, com diferentes realidades, com desigualdades muito profundas, não obstante o fantástico progresso sócio-económico conseguido na última década, que fez crescer fortemente a classe média e contribuiu para mostrar aos brasileiros que era possível escaparem ao estigma de serem eternamente "um país do futuro". Talvez esse crescimento, que parecia imparável, sujeito agora a um abrandamento da economia, esteja a induzir uma frustração a uma juventude a quem foram criadas expetativas que o presente torna difícil de realizar.

 

Naquilo que disse na RTP, entendi dever destacar o que considero poder ser um relativo esgotamento do atual sistema político-partidário brasileiro, em que o Partido dos Trabalhadores (PT) parece já não conseguir assumir-se, perante largos setores do país, como o instrumento da mudança e da esperança que tinha sido, sendo já visto por muitos apenas como parte de um "sistema" que o conquistou e enquistou. Curiosamente, o presidente Lula havia conseguido apresentar, durante muito tempo, um discurso "reivindicativo" face ao seu próprio governo (!), colocando-se como o garante de que este não se contentaria com uma via quase imobilista. Nesse tempo, em que o brasileiro pôde constatar uma melhoria qualitativa e quantitativa do seu nível de vida, Lula era visto como um presidente sempre "insatisfeito" com os níveis de sucesso do país. Essa credibilidade e genuinidade contribuíram, aliás, para que o presidente, por muito tempo, tivesse saído incólume da crise "ética" que abalou e ainda abala o PT. Mas Lula, com o estimular dessa atitude, que ia bem com o espírito otimista brasileiro, colocou a fasquia da ambição popular em níveis muito elevados.

 

Os tempos são diferentes, hoje. A Dilma Russeff, que tem em credibilidade técnica o que não possui no carisma que era a imagem de marca do seu antecessor, cabe agora gerir um ciclo económico que já se percebeu que está longe de permitir os ritmos anteriores de crescimento. O Brasil tinha vindo a iludir a inevitabilidade de ter de pagar também um custo pela crise global, assumindo mesmo, por muito tempo, um discurso algo eufórico, para uso político interno e externo, que ia bem com a matriz ambiciosa do país mas que conduz a "ressacas", quando as coisas "caem na real" - como por lá se diz.

 

Uma última nota sobre algumas comparações sem sentido. O Brasil não vive nenhuma "primavera árabe" ou uma qualquer "revolução de veludo". Com as muitas insuficiências que o seu sistema político-partidário tem, somadas a um modelo federal atípico e que dá mostras de potenciar egoísmos e estimular agendas de interesses contraditórias, o Brasil é hoje uma grande democracia, com um sistema eleitoral imaculado, com uma liberdade de imprensa e de expressão que pede meças a qualquer outro Estado.

A democracia é, sempre, o espaço para a descoberta das soluções de futuro. Devo dizer que, como amigo do Brasil, não estou inquieto quanto ao seu futuro. Mas compreendo o cartaz daquele manifestante: "Não disparem contra os meus sonhos". O poder político brasileiro tem de conseguir encontrar, com rapidez, uma forma de provar que se mantém ao lado da esperança. 


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Internet

Francisco Seixas da Costa

Lisboa foi um vez mais o cenário do EuroDIG, o espaço europeu de debate sobre a governança na internet. Mais de trezentos participantes, na sua maior parte estrangeiros, animaram nestes dois dias um debate muito participado sobre o modo como se poderá ou deverá intervir na regulação do espaço informático. Esta conferência foi seguida, em simultâneo, um pouco por todo o mundo, com participação em tempo real de cidadãos de vários países, num ambiente que, sem surpresas, se expressou exclusivamente em inglês.

 

Na manhã de hoje, coube-me participar na moderação de um painel onde se falou da utilização da internet para a propagação do "discurso de ódio" e como meio de "difamação". O ambiente da discussão procurou aprofundar o difícil equilíbrio entre a plena liberdade de expressão e o melhor modo de regular o abusos que o espaço da internet pode proporcionar. Em especial, trabalhou-se a forma de superar, na ausência de um normativo aceite à escala global, a contradição entre uma mensagem que praticamente não conhece fronteiras e a existência de jurisdições nacionais, únicas entidades que podem exercer uma função reguladora. O risco de alguns Estados poderem sentir-se tentados a uma ação autónoma, de matriz censória ou bloqueante, no caso de não ser possível garantir alguns mecanismos regulatórios que, de forma razoável, possam obviar a flagrantes abusos foi um tema bastante discutido.

           

Foi um debate muito interessante, em que tive o ensejo de pôr em evidência o trabalho do Centro Norte-Sul, do Conselho da Europa, que, de há muito, desenvolve uma ação muito interessante no sentido da promoção do diálogo, nomeadamente através da internet, entre cultores de diferentes visões do mundo, em particular na área religiosa, num esforço de promoção de um cidadania ativa e esclarecida. O Centro alimenta cursos "on-line" que já envolveram milhares de participantes, oriundos de diferentes zonas do mundo, sendo hoje uma muito original plataforma de diálogo, em especial entre a juventude europeia e do mundo magrebino.


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segunda-feira, 24 de junho de 2013

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Portugal e brando com a corrupcao

De que estão à espera as autoridades? Este fenómeno não é só de agora.
A OCDE diz que Portugal está a fazer pouco para combater a corrupção transnacional e lança um alerta para as ligações perigosas a países onde este fenómeno atinge níveis alarmantes, como é o caso de Angola. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico revela que desde 2001 foram feitas apenas 15 investigações a casos de corrupção transnacional, um terço das quais envolvendo Angola, e nenhuma chegou aos tribunais.
A justificação das autoridades portuguesas em não prosseguir com investigações "politicamente sensíveis" e que "podem pôr em causa relações diplomáticas" não é aceite pela OCDE.
O relatório da organização sobre a luta de Portugal a este fenómeno foi ontem revelado, e a posição dos peritos é clara: "A aplicação da legislação sobre corrupção transnacional tem sido muito baixa. Dos 249 arguidos condenados por corrupção no País entre 2007 e 2011, apenas 14 cumpriram penas de prisão.
O relatório pede à Procuradoria-Geral da República (PGR) que reforce a cooperação com entidades estrangeiras, de modo a ser mais eficaz no combate à corrupção, e dá exemplos de casos que Portugal recusou investigar; por exemplo, o administrador de uma empresa nacional que usou 8 milhões de euros para subornar políticos brasileiros. Ou pagamentos de empresários de 2,5 milhões de euros a oficiais angolanos. Para Paulo Morais, da Associação Transparência e Integridade, é "verdadeiramente vergonhoso" para o Estado as conclusões da OCDE.

Itália: “Tribunal Constitucional diz não a Berlusconi”

A 19 de junho, o Tribunal Constitucional rejeitou o recurso de Silvio Berlusconi sobre a decisão do Tribunal de Milão de não remarcar uma audição num julgamento por fraude, em março de 2010, a que o antigo primeiro-ministro faltou, alegando que estava ocupado com uma reunião governamental, escreve o Corriere.

O Tribunal Constitucional recusou a justificação de Berlusconi para não estar presente, porque antecipou uma reunião que não precisava de ter sido feita naquele momento. Em maio, um tribunal de recurso manteve as penas de um ano de prisão e de cinco anos de proibição de ocupar cargos públicos por causa de fraude.

Il Cavaliere, cujo apoio é vital para o Governo liderado por Enrico Letta (PD), afirmou que esta sentença "política" não põe a coligação em perigo, mas alguns ministros do seu partido já ameaçaram demitir-se se a sentença for confirmada.


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Steinbroken arrependido?

Francisco Seixas da Costa

 

A propósito da necessidade de financiamento das "pequenas e médias empresas", os primeiros ministros de Portugal e da Finlândia assinaram um artigo conjunto no "The Wall Street Journal".

 

Longe parecem assim idos os tempos em que, do lado finlandês, nos chegavam ventos de aberta rejeição à ajuda europeia a Portugal, em momentos muito complexos da crise da dívida soberana. Agora, pelos vistos, a Finlândia está, pelo menos nesta área, do mesmo lado que nós na barricada. Nada como fazer parte das pequenas e médias "potências" para poder encontrar, ao virar da esquina europeia, algumas conjunturais afinidades eletivas. Até quando, vá lá saber-se!

 

Posso estar enganado, mas admito que o nosso velho amigo Steinbroken, figura maior da diplomacia nórdica, seja bem capaz de estar por detrás deste inesperado volte-face. Nunca é demasiado tarde para uma contrição, mesmo com a frieza ártica.


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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Reino Unido: “O relatório que ataca os bancos”

Os banqueiros cujas ações constituem uma conduta imprudente devem ser presos, segundo um relatório da comissão parlamentar que está a estudar o setor bancário britânico escreve o jornal Financial Times.

O relatório de 571 páginas aponta a falta de prestação de contas por parte dos banqueiros e sugere que alguns bónus devem ser suspensos por um período que pode ir até dez anos, enquanto estiverem a ser avaliadas as decisões dos executivos.

O relatório recomenda ao Governo que estude alternativas para vender a sua participação no Royal Bank of Scotland, que foi nacionalizado em 2008, incluindo a possibilidade de o levar à falência.


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Obama na Alemanha: Um americano em Berlim

Pela primeira vez desde a sua eleição em 2008, o Presidente norte-americano visita hoje, dia 19 de junho, Berlim. Deverá primeiro reunir-se com o Presidente alemão Joachim Gauck e, mais tarde, com a chanceler Angela Merkel. Tal como os seus predecessores Kennedy, Reagan ou Clinton, deverá pronunciar um discurso muito aguardado em frente à Porta de Brandemburgo, uma honra que lhe foi recusada na sua última visita, quando ainda era candidato à Casa Branca.

"O que é que Obama tem para dizer aos alemães de hoje em dia?", interroga-se em primeira página o Bild. "Mr. Wowereit, open this airport" [Sr. Wowereit, abra este aeroporto], em referência à frase lançada por Ronald Reagan contra Mikhail Gorbatchev ("Mr. Gorbatchev, tear down this wall" [Sr. Gorbatchev, derrube este muro]) e ao escândalo em torno do aeroporto Willy-Brand de Berlim-Brandemburgo cuja abertura está atrasada? Ou, porque não, "Sei o que fizeste ontem no Facebook", para recordar o escândalo envolvendo o programa de espionagem PRISM.

A distância demonstrada pelo Presidente norte-americano relativamente à Europa também deixa perplexo o Spiegel-Online, que apresenta as suas propostas sob a forma de uma carta dirigida ao Presidente americano:

Senhor Presidente, querido Barack Obama, […] não há qualquer motivo para pensar que se interessa pelos problemas atuais desta cidade e deste país em específico. A catástrofe do aeroporto local não lhe deve dizer muito e, no que diz respeito à crise do euro, são os europeus que a devem resolver […]. Como deve ter reparado, afastámo-nos um pouco uns dos outros nestes últimos anos […]. Por isso pedimos-lhe para que não diga coisas banais como "Adoro Berlim", seria ridículo. Não, diga apenas a frase mais pertinente que o senhor enquanto Presidente dos Estados Unidos pode dizer relativamente à sua relação com Berlim, a Alemanha, a Europa e o resto do mundo: "Sou americano".


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Bulgária: Os cidadãos voltam às ruas

Dnevnik, Sófia – Há quase uma semana que as ruas búlgaras estão novamente em ebulição. Foi a controversa nomeação de um deputado para a chefia dos serviços secretos que incendiou a pradaria: depois das manifestações de fevereiro, que levaram a eleições antecipadas, o descontentamento mantém-se. Ver mais.


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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Evasão fiscal: G8 confirma tímidos avanços

"G8: progresso na luta contra a evasão fiscal", resume Les Echos, um dia depois da cimeira de 17 e 18 de junho, na qual os dirigentes mundiais chegaram a um consenso bastante alargado sobre esta matéria.

Para o diário económico francês,

David Cameron, o primeiro-ministro do Reino Unido, que presidiu a esta cimeira [...], está prestes a ganhar a sua aposta. [Mesmo] não havendo reformas concretas.

No comunicado final, os países do G8 assumiram diversos compromissos, que o jornal refere: "estabelecer a troca automática de dados entre jurisdições fiscais", ou "divulgar os planos de ação existentes para determinar a identidade dos verdadeiros beneficiários das empresas de fachada". A respeito deste último ponto, Les Echos nota que determinados países — Alemanha, EUA e Canadá — "não estão preparados para ir tão longe como o Reino Unido, que propôs um registo público".

Um outro assunto sobre o qual as referidas potências foram vagas foi a otimização fiscal abusiva que inclui, entre outras, as multinacionais Apple e Starbucks.

Em suma, para Les Echos,

algumas desilusões resultantes do G8 revelam que a pressão não pode abrandar.


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República Checa: “Acusações contra ex-deputados por causa de ‘empregos confortáveis’ são duvidosas”

Os tribunais vão, muito provavelmente, pedir ao parlamento que levante a imunidade ao primeiro-ministro demissionário Petr Nečas, acusado de corrupção.

As investigações da polícia parecem indicar que foi Nečas quem, em 2012, pagou um suborno ao grupo de três deputados dissidentes do seu próprio partido que ameaçavam derrubar o Governo.

Em troca da sua resignação aos lugares no parlamento, foram nomeados para conselhos de administração de empresas públicas. O diário questiona as hipóteses de tais acusações "porque não há precedente legal de uma decisão que considere uma oferta de emprego como um suborno". E acrescenta:

Enquanto a investigação sobre as tarefas ilegais dos serviços secretos conduziu a acusações convincentes, o mesmo não se pode dizer sobre as alegações de suborno. [...] O trabalho da polícia e dos procuradores dá a impressão que eles estão a seguir o seguinte axioma: "Todos eles [políticos] roubam, por isso, temos de os apanhar a todos". [...] Muitos cidadãos estão satisfeitos por, finalmente, verem chegar a altura "dos de cima", mas, acima de tudo, devíamos perguntar se não será uma espécie de tentativa para satisfazer as exigências da sociedade.


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Suíça-EUA: “Lex USA, ato II e quase epílogo”

A "Lex USA" está praticamente morta", escreve Le Temps, um dia depois do Conselho Nacional suíço – a câmara baixa do parlamento – ter rejeitado o exame de urgência do acordo fiscal com os Estados Unidos por 126 votos contra 67 a favor.

Esse acordo, proposto por Berna e chamado "Lex USA", foi concebido para permitir aos bancos fornecerem informações exigidas pelo fisco norte-americano sem violarem a lei suíça. Para o editorialista do diário suíço, o Conselho Nacional, com o seu voto,

disse não a uma imposição do estrangeiro às exigências de uma grande potência segura da sua força, mostrando bem aos seus vizinhos que um Estado, por mais pequeno que seja, pode resistir. De facto, é uma mensagem indireta enviada a Bruxelas, que quer levantar o veto helvético em matéria de troca de informações fiscais.

A 19 de junho, o texto volta ao Conselho dos Estados – a câmara alta do parlamento –, que o tinha já aprovado. Se os senadores seguirem a opinião dos deputados e votarem "não", a lei estará enterrada. Mas, se mantiverem o seu voto, o texto passará, então, à fase de conciliação antes da votação final, a 21 de junho.

Cerca de 15 bancos suíços estão na mira da justiça norte-americana por terem aceite nos seus cofres capitais norte-americanos não declarados. E arriscam-se a pesadas multas.


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Brasil.

http://videos.sapo.pt/fLoBuWubFIvlIegAP9EO

Acordo de comércio transatlântico: Um bom acordo para Cameron e Obama

Para The Wall Street Journal, o anúncio das negociações sobre comércio é o resultado de meses de conversações de bastidores de diplomatas britânicos, tanto para garantir o apoio ao acordo de comércio como para assegurar uma vitória diplomática para o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, anfitrião da cimeira de líderes do G8, na Irlanda do Norte. O diário económico escreve:

Para Die Welt, o acordo sobre a zona de comércio livre entre a UE e os Estados Unidos "beneficia sobretudo os norte-americanos". Segundo um estudo do instituto de sondagens Ifo, realizado a pedido da Fundação Bertelsmann, que analisa as consequências de uma tal zona para 126 Estados, a sua entrada em vigor permitiria

O Frankfurter Allgemeine Zeitung sublinha que um dos resultados do acordo, no futuro, seria a diminuição do comércio dentro da UE:

Por seu lado, o Tageszeitung partilha as preocupações expressas por uma associação de 22 ONG, que afirma que as garantias dos consumidores europeus ficarão prejudicadas quando os mercados europeus se abrirem aos Estados Unidos.


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Reino Unido: City ganha concessão na regulamentação financeira da UE

"Reino Unido aceita a acordo com a UE sobre regulamentação da City", titula o jornal Financial Times na primeira página, afirmando que o acordo sobre regulamentação financeira, a que se chegou de forma não oficial na passada semana, é "um significativo passo em frente".

O acordo vai regular as transações nos mercados financeiros de Londres e foi alcançado após mais de dois anos de duras negociações entre bancos, bolsas e Governos do Reino Unido, de França e da Alemanha. Será formalmente aprovado na próxima sexta-feira pelos ministros das Finanças da UE.

O acordo "limita potencialmente a influência de Bruxelas sobre a maneira como a City de Londres regulamenta as transações", escreve o diário económico, uma vez que inclui uma cláusula que estabelece que as propostas do regulador não poderão ser discriminatórias em relação a nenhum dos Estados-membros. O jornal continua:

Esta cláusula é semelhante a uma outra que o Reino Unido propôs para o acordo sobre a união bancária europeia, em dezembro passado, e surgiu por causa da tensão sobre a influência de Bruxelas sobre a City. Provisoriamente acordadas na semana passada, as propostas também incluem uma cláusula que pode tornar mais difícil ao Banco Central Europeu e a outros reguladores regionais aprovarem regulamentação que tenha influência sobre a City.


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