quinta-feira, 14 de março de 2013

LEITURA OBRIGATÓRIA

 
 

"Foi assim:

Um dia, decidi sair do trabalho mais cedo e fui jogar golfe! Quando estava a escolher o taco, notei que havia uma rã perto dele.
A rã disse:
- Croc-croc! Taco de ferro, número nove!
Eu achei graça e resolvi provar que a rã estava errada.
Peguei no taco que ela sugeriu e bati na bola.
Para minha surpresa a bola parou a um metro do buraco!
- Uau!!! - gritei eu, virando-me para a rã - Será que você é a minha rã da
sorte?
Então resolvi levá-la comigo até ao buraco.
- O que é que acha, rã da sorte?
- Croc-croc! Taco de madeira, número três!
Peguei no taco 3 e bati. Bum! Directa ao buraco!
Dali em diante, acertei todas as tacadas e acabei por fazer a maior
pontuação da minha vida!
Resolvi levar a rã p'ra casa e, no caminho, ela falou:
- Croc-croc! Las Vegas !
Mudei o caminho e fui directo para o aeroporto!
Nem avisei a minha mulher!
Chegados a Las Vegas a rã disse:
- Croc-croc! Casino, roleta!
Evidentemente, obedeci à rã, que logo sugeriu:
- Croc-croc! 10 mil dólares, preto 21, três vezes seguidas.
Era uma loucura fazer aquela aposta, mas não hesitei.
A rã já tinha credibilidade.
Coloquei todas as minhas fichas no 21! Ganhei milhões!
Peguei naquela massa toda e fui para a recepção do hotel, onde exigi uma
suíte presidencial.
Tirei a rã do bolso, coloquei-a sobre os lençóis de cetim e disse:
- Rãzinha querida!  Não sei como te pagar todos esses favores! Fizeste-me ganhar tanto dinheiro que ser-te-ei grato para sempre!
E a rã replicou:
- Croc-croc! Dê-me um beijo! Mas tem que ser na boca!
Tive um pouco de nojo, mas pensei em tudo que ela me fez e acabei por lhe
dar o beijo na boca!
No momento em que eu beijei a rã, ela transformou-se numa linda ninfa de 17
anos, completamente nua, sentada sobre mim.
Ela foi-me empurrando, devagarinho, para a banheira de espuma...
" Eu juro ", - disse o ex-Presidente do BPN ao Presidente da Comissão de
Ética -"foi assim que consegui a minha fortuna! E que essa menina foi parar ao meu quarto!".
Não só o Presidente da Comissão de Ética acreditou, como também, todos os
Deputados e todos os membros do Supremo Tribunal de Justiça e ainda o Presidente da Republica Cavaco Silva. 

 


 




 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



quarta-feira, 13 de março de 2013

92º aniversário do Partido necessário, indispensável e insubstituível

Intervenção
Jerónimo de Sousa
Secretário-Geral do PCP
Seixal
Almoço comemorativo do 92º Aniversário do PCP

No Pavilhão da Siderurgia no Seixal e perante mais de mil camaradas e amigos, Jerónimo de Sousa apelou ao reforço do partido "a luta precisa de mais militantes dedicados à causa dos trabalhadores e do povo. Muitos têm sido aqueles que têm vindo, tomando partido neste combate sem tréguas que travamos contra a exploração, as injustiças e pela construção de uma sociedade nova".

A propósito da candidatura de Alice Vieira pelo PS

Nota
da Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP

São claros os propósitos do PS para fazer das eleições autárquicas um momento para iludir no tempo a sua recusa de pôr fim a um governo politicamente derrotado e para disfarçar a sua identificação e compromissos com as opções essenciais da política de agressão aos direitos e rendimentos dos trabalhadores e do povo que a Troika.

ler mais

Falklands vote to remain British

BBC News
 

The people of the Falkland Islands vote to remain a British overseas territory, in a referendum held amid pressure from Argentina over its claims on the islands.

Emergentes

"For the record": em 27 de junho, pelas 18.00, na Fundação de Serralves, no Porto, moderarei o colóquio "Um mundo multipolar com novas potências assentes em economias emergentes".
 
Trata-se de um dos debates inseridos na série "O imaterial 2 - cidadãos, instituições, fronteiras e capitais", de que é comissário Artur Castro Neves. Neste colóquio intervirão duas personalidades brasileiras bem contrastantes: Rubens Ricupero, diplomata e antigo ministro, e Márcio Pochmann, reputado economista.

Interpol deal to combat fake drugs

The International Police Agency, Interpol, announces a deal with the pharmaceutical industry to crack down on fake drugs.

O bispo e as Felicianas

 
Ao ouvir, há pouco, na rádio, notícias sobre o conclave para a eleição papal, recordei-me dos tempos do concílio Vaticano II, realizado em Roma, entre 1962 e 1965. Dentre os 29 membros portugueses contava-se o bispo de Vila Real, dom António Valente da Fonseca. Como administrador apostólico ficou, pela diocese, monsenhor Libânio, uma figura esguia que ainda hoje justifica o nome dado a um cadeirão comprido, herdado do meu avô, a que sempre chamamos a "cadeira do padre Libânio", não obstante o próprio nunca a ter experimentado.
 
Nas ociosas noites do Verão vilarealense, havia muito pouco que fazer, quando eu andava pelos meus 15 anos. Por isso, num grupo de amigos, alguém se lembrou de inventar uma chamada telefónica "feita" pelo bispo, que, desde há samanas, estava em Roma para o concílio, destinada ao monsenhor Libânio, que então vivia no seminário de Vila Real.
 
O local do "crime" foi a casa do celebrado fotógrafo da cidade, Mário Silva, "Marius" de nome artístico, pela mão do seu filho, António Manuel. O autor material da chamada telefónica foi um primo deste, Dionísio Rodrigues da Silva, o "Nizo", um amigo já desaparecido, talvez o elemento mais velho desse pequeno grupo que se juntou para a organização da "partida".
 
Desconhecedores do que era uma chamada internacional, ao tempo obrigatoriamente feita através de telefonista, inventámos um conjunto de ruídos que supostamente credibilizariam a comunicação. Ligámos para o número do seminário, pouco depois da hora de jantar. Atendeu-nos uma voz a quem, num italiano de má opereta, deixámos a indicação de que "don António voglio parlare con il signor don Libânio". A chamada era entrecruzada por arbitrários silvos e apitos, sons secos e uma profusão de sinais que, no nosso entender, poderiam fazer parte de uma ligação telefónica internacional. A nossa preocupação era escusada: no seminário, o porteiro sabia bem menos do que nós...
 
Após alguns minutos, ouviram-se passos apressados no lagedo de mármore da sala de entrada do seminário, onde se situava então o único aparelho telefónico da casa: Um ofegante dom Libânio surge então ao auscultador. Do outro lado, "de Roma", o senhor "dom António" interpela-o:
 
- Então, Libânio, como vai você? E a diocese?
 
Extasiado com a oportunidade proporcionada pela maravilha das comunicações, dom Libânio respondeu:
 
- Muito obrigado, senhor bispo. Vai tudo muito bem, graças a Deus. E como passa vossa excelência reverendíssima?
 
- Estou bem, Libânio, estou bem, Libânio, estou bem. Mas diga-me uma coisa, Libânio, com que estou preocupado: como é que vão as nossas Felicianas*?
 
Dom Libânio presumiu ter ouvido mal, tanto mais que as comunicações, à época, eram más e o lenço que utilizávamos para tentar tapar a voz criava uma distância que afetava a audibilidade das mensagens.
 
- Como? Não estou a ouvir bem... Como disse, excelência reverendíssima?
 
- As Felicianas, Libânio, as pequenas da Vila Velha que sempre alegram as nossas noites por aí...
 
O pobre do administrador apostólico deve ter ficado à beira de uma apoplexia. As Felicianas era um plural pouco magestático para designar umas raparigas, da mesma família, que facilitavam alguns prazeres físicos tarifados, bem conhecidas de toda a cidade.
 
- Não consigo ouvir, senhor bispo! Não ouço quase nada! Vou ter de desligar...
 
E assim fez. Nós já estávamos no limite da gargalhada coletiva. Mas tínhamos ganho uma excelente noite.

* o nome talvez não fosse bem este...

10 things about the conclave

BBC News - Home
 

Robe sizing, smoke colouring and other papal conclave quirks

Motorista

 
Para o exercício das funções de diretor executivo do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa, considerei importante, desde o inicio, poder ter o apoio pontual de um motorista, com vista a facilitar a execução de certas tarefas laborais em Lisboa. Estando eu a prestar tais funções pro bono, isto é, sem por elas receber qualquer salário, achei que ser essa uma compensação mínima.
 
O MNE também assim entendeu e acaba de proporcionar-me esse apoio. E, talvez porque me conhece bem, foi gentil ao ponto de caprichar na escolha do motorista que me dispensou. Chama-se Américo Tomás.

O PEREGRINO

 
 
 


Muitos portugueses identificam-se como católicos, muitos são mesmo crentes, e parte desses crentes é praticante. Uma minoria pertence a várias instituições da Igreja, no plano social, cultural e assistencial. Sem eles desabaria a frágil rede que protege os mais pobres e fracos na sociedade portuguesa, e a que o Estado dá cada vez menos e pior. Uma mais pequena minoria é militante católica apostólica romana, em vários grupos "progressistas" e outros em vários grupos "integristas". Estas classificações são muito grosseiras, mas servem para o efeito.
 
 
Mas cada vez mais portugueses são agnósticos ou, melhor ainda, indiferentes à experiência religiosa na sua vida quotidiana, mesmo que ocasionalmente entrem numa igreja em funerais, baptizados e casamentos. Um cada vez maior número de portugueses faz a sua vida com considerável indiferença face à Igreja e organiza-a em muitos aspectos em que a Igreja e religião tinham papel no passado e hoje têm cada vez menos. Não baptiza os seus filhos, não se casa pela Igreja, é hostil à moral sexual cristã, e vive como quer e lhe apetece, sem ser afectado em nada pela instituição, a não ser quando esta aparece associada a qualquer escândalo, como a pedofilia, e então julga-a com ainda maior severidade, reconhecendo-se nessa reacção mais próximo da Igreja do que desejaria e admite. Contradições, de que o mundo é feito.
 
 
Nos últimos dias, foi impossível a todos não observar os vários episódios do "espectáculo" papal, em parte involuntário, noutra parte desejado. Uso aqui o termo sem especial sentido pejorativo, que também o tem. Desde o momento da declaração de renúncia, que o Papa fez em latim e que só uma jornalista e os dignitários da Igreja que o acompanhavam perceberam porque conheciam a velha língua morta da Igreja, até à sucessão de aparições, discursos e mensagens, todos os passos e palavras daquele homem vestido de forma única, de branco e vermelho, na janela do Vaticano, no carro branco de nome ridículo, no helicóptero, a cuja passagem tocavam os sinos, uma coisa moderna chamando uma coisa antiga, um mundo fortemente simbólico que se tornou actual no ecrã por onde se vê o mundo, a televisão.
 
 
A sua figura é a de um homem cansado e velho, "sem forças" para dirigir a "barca petrina", e por isso o seu acto de renúncia foi visto como contraditório com o sofrimento público, a revelação da doença e por último da morte quase em directo, diante dos fiéis reunidos na Praça de S. Pedro, de João Paulo II. Já o escrevi e repito, os dois Papas sucessivos, cuja colaboração e estima foi intensa, não quiseram dizer nada de contraditório entre si, mas apenas coisas diferentes: um, que a velhice e a morte fazem parte da condição humana; outro, que não há razões para o Papa não se retirar se entender que a Igreja precisa de força e vitalidade para defrontar as suas dificuldades. Cada um testemunha, a seu modo, a humanidade do papado, e por isso ambos serviram a sua causa e a sua igreja.
 
 
Nos seus últimos dias de Papa, Bento XVI apresentou-se diante de audiências globais como algo de muito diferente do comum, como uma "estranheza", ou um "mistério" que nos interpela. Desse ponto de vista, foi um sucesso "mediático" porque é único: um homem alquebrado, mas com um sorriso poderoso, falando várias línguas de um modo geral bastante bem, lendo textos simples mas densos, cheios de história, onde os dois mil anos da Igreja se reflectem num fio condutor que apela a muitas memórias da cultura ocidental e da religiosidade. Mas, mais do que isso, um homem que sabemos ser um grande intelectual, um produto da exigente cultura universitária alemã, mas que se percebe ter fé, acreditar, e que, numa timidez evidente mas segura, fala com Deus tratando-o por Tu.
 
 
O "espectáculo" papal dos dias de hoje não converte os incréus, porque a sua incredulidade é mais forte e mais funda, por boas e más razões, mas abre-os a uma certa perplexidade, nalguns casos mesmo sedução, da e pela fé. Ver alguém que acredita, como o Papa Bento XVI, agora Papa Emérito, de uma forma tão gentil, sem aí ser frágil e "sem forças", faz muito para restaurar um respeito pela espiritualidade, uma atenção ao "mistério" ao sentimento do outro, mesmo que não restaure a fé, que é um "dom" e não depende dele.

É por isso que este Papa fez muito mais pela Igreja do que muitos cristãos pensam que fez, resultado de terem ficado órfãos em Bento XVI da religiosidade afectiva de João Paulo II, daquela bondade de pater que beijava a terra e peregrinava pelo mundo todo. Bento XVI é uma outra espécie diferente de "peregrino", autoclassificação que deu a si próprio na sua última declaração ainda Papa no seu belo italiano de adopção: "Voi sapete che io non sono più Pontefice, sono semplicemente un pellegrino che inizia l"ultima tappa del suo pellegrinaggio in questa terra."
 
 
Para João Paulo II, cuja acção é muito intimamente complementar da de Bento XVI e vice-versa, a preocupação foi sempre reforçar a Igreja nas suas mais seguras fontes de continuidade e influência: o cristianismo popular, mariano, orgânico, "comunitário", como o era na sua Polónia natal, assegurando-lhe a liberdade de culto, e a autonomia das suas instituições, em particular as ligadas ao ensino. O seu olhar dirigia-se aos sítios onde o cristianismo estava a crescer e a consolidar-se, em África, na América Latina, na Ásia, a partir do povo comum, da religiosidade popular e simples. Daí também o seu papel no combate ao comunismo onde participou como inspirador e conspirador. O "Papa polaco", anticomunista, foi sempre visto pelo Kremlin como um dos grandes problemas na fase final da crise do sistema comunista, e um actor decisivo nessa queda.
 
 
Bento XVI era diferente, pela sua carreira, pela sua acção intelectual, como teólogo, pela sua acção como jovem consultor dos bispos alemães que organizaram no Vaticano II a resistência ao poder da Cúria Romana, assim como, mais tarde, como alto responsável na hierarquia da Igreja na defesa da ortodoxia da doutrina. Este último papel colocou-o na mira dos "progressistas" que o tinham como adversário capaz e duro, elevando o debate intelectual, teológico, a níveis que apenas poucos, como era o caso de Hans Kung, eram capazes de aceder. Mas Bento XVI, quer como Joseph Ratzinger, quer como Papa, sabia muito bem que para defrontar a competição com a descrença no mundo contemporâneo, era preciso resistir ao "progressismo" que descaracterizava a Igreja, a tornava numa variante profética do marxismo na "teologia da libertação", abrindo-a de forma perversa a um mundo que se tinha feito contra ela e sem ela, e que acabaria por a dissolver no "século" sem diferença. A resistência à "modernidade", e foi o próprio Ratzinger que o lembrou, é mais moderna e interpela mais a descrença, do que a contínua cedência ao "mundo" secular, aos seus hábitos e costumes. E foi também por isso que, ao associar o seu acto prosaico de renúncia ao papado a uma "peregrinação" mística e de intensa religiosidade, apelou aos incréus, seus pares na mesma tradição greco-latina da cultura ocidental que tanto prezava, e fez muito mais pela "propaganda da fé" do que alguns dos seus pares mais modernizadores reconhecem.
 
 
Usou o "espectáculo" para sair dele para uma dimensão muito alheia ao nosso quotidiano vulgar, retomando o sentido do seu nome de Papa, como o disse na sua última audiência do dia 27 de Fevereiro:
 
"O "sempre" é também um "para sempre": não haverá mais um regresso à vida privada. E a minha decisão de renunciar ao exercício activo do ministério não revoga isto; não volto à vida privada, a uma vida de viagens, encontros, recepções, conferências, etc. Não abandono a cruz, mas permaneço de forma nova junto do Senhor Crucificado. Deixo de trazer a potestade do ofício em prol do governo da Igreja, mas no serviço da oração permaneço, por assim dizer, no recinto de São Pedro. Nisto, ser-me-á de grande exemplo São Bento, cujo nome adoptei como Papa. Ele mostrou-nos o caminho para uma vida, que, activa ou passiva, está votada totalmente à obra de Deus."
 
 
Boa viagem, peregrino.

Bornes de Aguiar

MEUS AMIGOS, O TEMPO NÃO ESTICA...

 JPP
 
 
...pelo que vos peço paciência para as respostas atrasadas, pouco atempadas e, às vezes, ultrapassadas na oportunidade, a muitas solicitações, pedidos de intervenções, conferências, debates, apresentações, etc. que merceriam certamente aceitação e resposta rápida. O mesmo se passa com o correio, um mal histórico por estes lados, que deixa muitas vezes por responder as mensagens que mais exigiam resposta. De facto, o tempo não estica...

Atitude

 
Há dias, ao ver falar na televisão uma determinada figura, dei comigo a lembrar-me de um velho embaixador que tinha um hábito que sempre me irritou. Num dia, afirmava, com uma inabalável segurança, uma determinada ideia ou orientação, derrotando qualquer proposta em contrário que se lhe pudesse contrapor. Alguns dias passados, porque a realidade entretanto mudara, afirmava posições que eram em tudo divergentes das anteriores, talvez pensando que eramos esquecidos ou parvos. Se acaso lhe lembrávamos que a sua opinião mudara, arranjava argumentos, por mais bizarros que fossem, para tentar explicar que não havia a mínima dissonância entre uma posição e a outra e que, antes pelo contrário, a segunda decorria "logicamente" da primeira. Uma única coisa nunca lhe ocorria: dizer que se tinha enganado.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Labirinto

Nunca tinha tido um contacto com aquele assunto. Mas, perante a instrução que me era dada, em face da ausência do colega que normalmente tratava da questão, não tive qualquer reticência em receber aquele empresário português que nos pretendia transmitir o resultado de uma sua deslocação a um determinado país de expressão portuguesa, onde a situação político-militar era muito confusa. Ao que me haviam dito, tratava-se de uma pessoa com muito bons contactos e que nos poderia ajudar a contribuir, de forma positiva, para a estabilização e para o diálogo interno, por forma a superar os dissídios fratricidas em curso.
 
O nome do empresário era-me familiar. Tratava-se de um homem já de uma certa idade, muito simpático, profundamente religioso, claramente sem "agendas escondidas", que apenas pretendia ser útil a um país de que gostava muito. A sua ligação à rede da igreja e a muitos responsáveis políticos e económicos tornavam-no precioso, tanto mais que, na recente viagem que agora nos ia reportar, uma das muitas que profissionalmente fazia ao território, tivera novos e muito interessantes contactos.
 
Começou por me agradecer a minho a disponibilidade e relatou:
 
- Como sabe, tenho muito bons amigos locais. No Norte, falei com o bispo, que me deu conta da tensão que se adensa. O vosso Ministério já sabe, bem melhor do que eu, o que aconteceu por lá no passado. Algumas coisas não vieram a público, e ainda bem!, mas vocês conhecem-nas bem. O governador, como já antes disse a um seu colega, é um homem inábil e conflitual. Aquelas confusões em setembro eram perfeitamente escusadas, mas o homem, que, como sabe, tem aquele irmão mais velho nos negócios (eu não sei se o tipo de Vila do Conde ainda é sócio dele) e aquela prima que anda aí por Lisboa (casada com o "grandalhão" dos portos), teima em criar dificuldades. Eu, numa reunião passada com o seu colega, já deixei claro que as coisas têm tudo a ver com o trafico daquilo que sabemos. E o homem da Marinha, como vocês suspeitavam, está "enterrado" até à cabeça na tramóia. Nesta viagem, um amigo ligado a empresa do homem disse-me que o presidente da República estava furioso com o assunto. E até o nosso amigo brigadeiro, que você aqui receberam há meses, foi da mesma opinião.
 
A conversa prosseguiu, sempre neste tom. As informações jorravam... mas eu não sabia de quem é que ele estava a falar. Não surgia no relato um único nome, seguramente por uma delicada "precaução" de segurança. No que me tocava, havia cometido um erro de palmo. Deixara passar largos minutos sem inquirir de quem é que ele estava a falar. E, a certo ponto, já era tarde para inquirir "o bispo é de onde?", "quem é o general?", o "irmão nos negócios é quem?". Eu cometera o lapso de pensar que, com o decurso da conversa, acabaria por apanhar o fio à meada e "agarrar" a história. Mas era tarde! O meu embaraço era total. Não perante o homem, que prosseguia, sem cessar, as referência "àquela empresa portuguesa que o governo português bem tem apoiado", ou "aos nossos interlocutores habituais mais lá em baixo" ou mesmo "aos bons amigos que o senhor ministro, como sabe, tem por lá". E foi assim, até ao fim.
 
No termo do encontro, agradeci todas as "utilíssimas" informações que nos tinha passado e quase tive vontade de me rir, às gargalhadas, de mim mesmo. Que iria eu dizer a quem me encarregara da tarefa? Já não me recordo muito bem do que aconteceu. Apenas registei que falei com o meu colega que habitualmente tratava da questão, a quem relatei o sucedido. Muito nos rimos. Estou certo que, nos dias que correm, estando ele como embaixador português junto da OCDE, já não se confronta com situações tão crípticas.

quinta-feira, 7 de março de 2013

UK politicians in Chavez tributes

Foreign Secretary William Hague leads UK tributes to Venezuelan President Hugo Chavez, saying he left a "lasting impression" on his country.

Questão de substância

 
Era e é um homem simpático, sempre sorridente, com graça e uma boa cabeça. Aquele embaixador, porém, tinha - e imagino que ainda tenha - como vício irritante responder às questões com outra pergunta. Se se inquiria, a propósito de uma determinada atitude do governo do país onde estava acreditado, "o que é que você acha que eles querem?", era muito possível que a resposta fosse "mas a posição deles foi vista como ofensiva?" ou uma coisa do género.
 
Trata-se, nem mais nem menos, do que mais um cultor da velha "escola" de abstenção opinativa que sempre existiu nas Necessidades. Há colegas que fizeram toda a sua carreira furtando-se habilmente a dizer o que pensavam. Alguns procuram ouvir os interlocutores para, de forma mais ou menos subtil, se colarem ao que acham ser a posição deles, num mimetismo seguidista, para logo caírem nas respetivas boas graças. Outros limitam-se a questionar e vão conseguindo, por elaboradas artes de dissimulação, nem concordar abertamente com o parceiro mas também nunca o afrontar. Não é fácil! É uma elaborada escola do "nunca me comprometo". Outras vezes, por detrás dessa atitude, não há sequer quaisquer razões de fundo: a fuga para a reação interrogativa está-lhe no sangue, é superior à suas forças. Era o caso do embaixador de quem vou contar uma historieta passada comigo.
 
Um dia, estava eu então no governo, recebeu-me, de passagem, na sua residência, numa determinada embaixada europeia. Eu tinha andado de um lado para o outro, durante todo o dia, envolvido em reuniões. Com a pressa, e porque o programa era muito intenso, fui adiando a necessidade, que se ia tornando cada vez mais premente, de ir a uma casa de banho. Assim, chegado à embaixada, logo que encontrei o embaixador, ainda no hall de entrada, perguntei-lhe, algo ansioso:
 
- Posso ir a uma casa de banho?
 
- Para quê?, perguntou-me o embaixador.
 
Devo ter feito um ar de grande surpresa. Então o homem pretendia saber a razão pela qual eu queria ir a uma casa de banho? Isso era coisa que se perguntasse? Fiquei sem palavras. O mesmo não aconteceu com o embaixador, que logo esclareceu:
 
- Se é para uma coisa "simples", pode ir aqui a esta pequena casa de banho, junto ao hall. Mas se é para uma coisa mais "substancial", é melhor ir a uma das casas de banho do primeiro andar.
 
Nunca mais esqueci o requintado qualificativo, que não deixa de ter algo de quantificativo, que, na peculiar organização espacial do homem, fazia toda a diferença.

DEVO QUEIXAR-ME AOS CHINESES, DEVO MUDAR PARA A IBERDROLA, DEVO SEI LÁ FAZER O QUÊ, QUEIXAR-ME À TROIKA, ESCONJURAR O DR. CATROGA, PEDIR UMA INDEMNIZAÇÃO À EDP POR PERDAS E DANOS, TALVEZ ASSIM PERCEBAM...

DEVO QUEIXAR-ME AOS CHINESES, DEVO MUDAR PARA A IBERDROLA, DEVO SEI LÁ FAZER O QUÊ, QUEIXAR-ME À TROIKA, ESCONJURAR O DR. CATROGA, PEDIR UMA INDEMNIZAÇÃO À EDP POR PERDAS E DANOS, TALVEZ ASSIM PERCEBAM...

...o que é estar a trabalhar na Rede, a enviar e receber ficheiros, e a electricidade faltar sete ou oito vezes por 15-30 segundos, numa manhã. Vai tudo abaixo, recomeça tudo outra vez, com tudo perdido. E o mesmo acontece agora todos os fins de semana, a menos de 100 quilómetros de Lisboa, nos confins da terra. E está a piorar.

PS. Alguns amigos sugerem que comprem uma UPS, Agradeço a sugestão, mas já tenho. O problema é que com a luz falha a Internet, e lá se vai o trabalho em trânsito. Acresce que vale a pena experimentarem viver numa casa grande e a luz estar sempre a ir e a vir, com toda a parafernália eléctrica ligada a ir abaixo e a reiniciar... A ver se não rogavam pragas à EDP. Eu sei que um gerador minimizava o problema, mas não é um pouco de mais?


Sem comentários

Filho de Fernando Negrão!...
o pai um dos moralistas contra os boys. 

 

 
 
 
 

terça-feira, 5 de março de 2013

PONTO / CONTRAPONTO: HORÁRIOS CONVULSOS DEVIDO AO FUTEBOL

 
 
Devido a uma qualquer convulsão futebolística, parece que o Ponto Contraponto passa hoje às 20.30, em vez das 21.30 do costume.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Protesto

 
Olhei para a cara das pessoas que hoje estavam na manifestação que, em Vila Real, se associou ao protesto nacional - contra a "troika", o governo e algumas entidades mais. Pareceu-me haver algum desânimo pelo facto do cansaço, e talvez do sentimento da eventual inutilidade do gesto - porque ninguém de bom-senso pensará que há hoje mais conquistados para as políticas praticadas -, ter afastado muita gente e transformado este evento numa sombra do protesto de setembro de 2012. Parece-me que laboram num equívoco. Esse protesto foi único, porque esse foi o primeiro momento em que o Portugal que não era parte do setor público (jornalistas e comentadores incluídos) sentiu que lhe estavam a "ir ao bolso".
O humor faz também parte destes exercícios e, pelo menos em Vila Real, ainda persistiu nalguns cartazes. Um deles rezava, de forma muito transmontana e numa bela transcrição fonética, dirigido ao poder: "num baleides um tchabelho". Sorrir, mesmo de forma amarela, ainda não paga imposto.