sexta-feira, 15 de julho de 2011

De Viena a Bratislava: simbólica viagem de barco no Danúbio.

O evento "Mercado de Trabalho sem Fronteiras – todos juntos agora" celebrou o final das disposições transitórias relativas à livre circulação de trabalhadores dos oito Estados-Membros que aderiram à UE em 2004.
 

As ditaduras e a diplomacia


 
A conversa decorria aí há uns vinte minutos. As relações de Portugal com aquele país, que eu passara em revista com o respetivo embaixador, que viera a Lisboa apresentar as suas cartas credenciais, não justificavam uma audiência muito mais longa.

O país que representava era uma ditadura, daquelas que o mundo não hesita a qualificar como tal, mas que teimam em apresentar-se como modelos das "mais amplas liberdades". Na fase final da conversa, aproveitei para deixar alguns "recados" que a União Europeia sempre enviava às autoridades desse Estado, os quais justificavam as reticências que, sobre o seu regime, mantínhamos e que limitavam a nossa abertura coletiva a uma maior cooperação.

Por um acaso, eu conhecia aquele embaixador, há já alguns anos. Havia sido ministro dos Negócios Estrangeiros do seu país e, à minha frente, ele ouvira em Bruxelas coisas muito mais violentas do que aquelas que eu agora lhe dizia, com alguma serenidade, a qual tinha também algo a ver com a simpatia pessoal que o homem me despertava.

Deixou-me falar até ao final e, quando terminei, pediu: "Importava-se que a nossa conversa continuasse sem a presença da sua colaboradora?". A minha adjunta, que tomava notas, saiu, a um sinal meu.

E foi então que me disse: "Desculpe esta minha atitude, mas eu precisava de falar consigo, a sós. Desde que nos conhecemos, Portugal, tem sido impecável conosco. Vocês dizem-nos o que o vosso governo pensa sobre o nosso regime, mas essas críticas têm sempre um tom construtivo, sem arrogância ou paternalismos. Gostava que soubesse que nós respeitamos muito o modo como Portugal atua".

Achei interessante, mas o que acabava de dizer não justificava o "tête-à-tête" solicitado. O que adiantou, de seguida, deixou tudo mais claro: "Nós conhecemo-nos já há algum tempo. Tenho defendido, da melhor forma que sei e posso, os interesses do meu país. Mas não imagina o que significa representar um Estado que é dirigido por um louco, por um déspota, que nos esmaga e que nos isola do mundo". E foi, por aí adiante, num requisitório em que revelou que vários colegas seus pensavam da mesma maneira, mas viviam aterrorizados e limitados naquilo que podiam fazer.

Já aqui escrevi, um dia, que a última coisa que um diplomata deve fazer, perante estrangeiros, é dizer mal das autoridades do seu país. Como dizem os americanos, "my country, right or wrong". Porém, devo dizer que fui sensível à tragédia daquele homem, um patriota confrontado com um ditador. Na diplomacia, como na vida, todas as regras têm exceções.

Porque é que me lembrei disto, hoje? Porque, há pouco, encontrei um outro diplomata desse país, que, já nem sei bem a propósito de quê, me começou a tercer loas sobre o seu bem-amado líder, uma figura funesta que permanece na cena internacional. Olhei ostensivamente para o meu relógio e achei que eram horas de mudar de ares.

União Europeia olha atónita como o pânico se estende a Itália e Espanha

Com o destino da moeda única cada vez mais incerto, os líderes europeus viram como ontem os mercados abalaram novamente as bolsas, derrubando os principais indicadores. A Itália moveu-se a uma velocidade alarmante colocando-se no epicentro do contágio, com a agravante de que a sua dívida é equivalente ao dobro das dívidas combinadas de Grécia, Irlanda e Portugal. O resgate da terceira economia da Eurozona é algo impossível e poderia provocar o fim da moeda única muito antes de qualquer prognóstico.
 

BE : as origens da actual situação

Gostaria de contribuir à reorientação do debate actual que parece esbaforir-se (e de aproveitar o momento de franqueza da direcção do partido, porque essa liberdade concedida aos não-iniciados de escrever nas páginas do Esquerda não dura eternamente) e avançar alguns elementos de reflexão que me parecem pertinentes para o momento actual da vida política do partido e que alguns dos textos dos diferentes camaradas apenas suscitaram de forma sibilina.
 

Olá, amigo!

Estou contigo. Entendo que merecias ser tratado, em Portugal, de outra forma. O modo, ainda que simpático, como o polícia te interpelou, há dias, naquela esquina do Terreiro do Paço, soou a estranho. Que diabo! Chamar-te a atenção pelo fumo! Como se isso fosse um grande crime, no meio da rua, com a tua idade...

Faz agora precisamente 21 anos que nos encontrámos pela primeira vez, em Londres, estavas tu recém-chegado da tua Alemanha natal. Durante mais de quatro anos, tivémos um convívio muito agradável, quase quotidiano. Deste mostras de te adaptares bem aos costumes britânicos. Sentias-te verdadeiramente em casa.

Mudaste-te depois para Portugal, onde cuidámos em encontrar lugar para te acolheres e encontrares ocupação, embora nem sempre contínua. Em certos períodos, convivemos pouco, andávamos mais com outros amigos. É que tu havias-te habituado, desde muito cedo, a ir, de forma muito radical, pelos caminhos da esquerda. Cada um é como é, mas essa tua idiosincrasia teimosa, devo dizer-te, chegou a preocupar-nos, temendo que pudesse ter consequências nefastas, que te levasse a inconvenientes choques, que não te adaptasses ao novo ambiente. Gostes tu ou não, as coisas, aí por Portugal, são o que são...

Passaste muitas férias conosco, fizémos imensas viagens em conjunto. Com a minha vida saltitante, tempos houve em que nos separámos, por longos meses. Mas sempre nos reencontrávamos, pelas nossas idas a Lisboa. E foste nossa companhia regular por esse país fora. Foste testemunha de alegrias, estiveste presente em alguns momentos menos bons. Portastes-te, quase sempre, como um amigo seguro e fiel. Às vezes, encontravamos-te um pouco em baixo, sem energia, a tua saúde preocupava-nos, pregaste-nos alguns sustos, mas sempre te recompuseste. Não vale a pena esconder que tens alguns vícios - para além do fumo! -, porque pertences a uma geração marcada pelo excesso do consumismo. Infelizmente - sei que não vais gostar que diga isto, mas aqui vai! -, bebias (e bebes!) um pouco demais. Nunca vimos remédio para isso mas, reconhecerás, sempre tentámos conduzir-te da melhor forma que sabíamos. Gastámos contigo tudo quanto foi necessário para que nada te faltasse, para o teu pleno bem-estar. E sempre te perdoámos todos os teus excessos, porque gostamos de ti.

Mas a vida é o que é. Agora, tudo assim o indica, vais deixar-nos de vez. Podes crer que, quando esse momento chegar, vamos ter muitas saudades tuas. Mas ainda não é tempo para falar dessas coisas tristes. Hoje à noite, em Lisboa, vamo-nos encontrar de novo. Iremos ao Procópio e, depois, partiremos juntos para férias, no norte do país. Até logo, carro amigo!

(Carta aberta ao meu BMW, de 1990, com britânico volante à direita, o único carro que possuo em Portugal e que agora vai deixar de ser autorizado a passar pela Baixa lisboeta e, dentro de um ano, de circular por toda a cidade, por exceder os níveis de poluição determinados por lei).

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Os dez mandamentos de Villas Boas no Chelsea.

A disciplina e a coesão de um grupo é fundamental, seja em que sector de actividade seja. “Ainda os jogadores do Chelsea andavam na praia e já André Villas-Boas começava a mudar o quotidiano do centro de estágios de Cobham. O treinador português já terá imposto dez regras que terão de ser seguidas à risca por todos os jogadores dos "blues", de acordo com o "News of the World" - jornal que acabou ontem. O "group one", como o próprio se intitulou quando chegou a Londres, quer mudar a fraca união do balneário e ter todos os jogadores a remar para o mesmo. Por isso, instaurou um horário rígido de trabalho e proibiu a entrada de estranhos (leia-se família e amigos) no centro de estágios de Cobham, entre outras regras.

Os dez mandamentos de André Villas-Boas no Chelsea

1. É obrigatório estar pronto para treinar às 9h.

2. As refeições serão feitas na cantina de Cobham.

3. A equipa só comunicará em inglês.

4. Descanso entre treinos no hotel do centro de estágios. 

5. Restrições para ver televisão, ler jornais e usar telemóveis.

6. Cortar o cabelo fora do centro de estágios.

7. Famílias e amigos não podem entrar em Cobham.

8. Proibido recordar glórias passadas.

9. Não há titulares pré-definidos.

10. Ninguém entra na equipa com base na reputação” Expresso.

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS E RONALDINHO GAUCHO

é inacreditável, vindo de uma academia fundada por Machado de Assis, que até
deve revolver-se no tumulo!

Luiz Fernando Veríssimo - Muito bom

  

Descrição: cid:1.3083956998@web65304.mail.ac2.yahoo.com
Um homem inteligente falando das mulheres (Muito bom!)


Tenho apenas um exemplar em casa, que mantenho com muito zelo e dedicação, mas na verdade acredito que é ela quem me mantém.
Mulher vive de carinho. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem sim, e se ela não receber de você vai pegar de outro.
Beijos matinais e um 'eu te amo' no café da manhã as mantém viçosas e perfumadas durante todo o dia. Flores também fazem parte de seu cardápio – mulher que não recebe flores murcha rapidamente e adquire traços masculinos como rispidez e brutalidade.
Respeite a natureza. Você não suporta TPM? Case-se com um homem. Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia.
Não faça sombra sobre ela. Se você quiser ser um grande homem tenha uma mulher ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ela brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.
Aceite: mulheres também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar.
O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios. Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará salvando a si mesmo.
É, meu amigo, se você acha que mulher é caro demais, vire gay. Só tem mulher quem pode!
Luiz Fernando Veríssimo.

Salazar e a poupança


Salazar...
NOS TEMPOS EM QUE SE ENSINAVA A "POUPAR"

"Senhor Presidente, hoje não apanhei o eléctrico; vim a correr atrás dele e poupei oito tostões"
- disse o funcionário público, um contínuo, a querer agradar a Oliveira Salazar.
Respondeu Salazar de imediato: "Fez bem, mas se viesse atrás de um táxi teria feito melhor, porque poupava vinte escudos e chegava mais cedo".

O drama Angélico Vieira / Salvador Caetano.

JUNHO 29, 2011

por A Ovelha Perdida

Angélico Vieira não resistiu ao brutal acidente de viação que sofreu e acabou de falecer. A geração "Morangos com Açúcar" já tem o seu mártir.

Para o caso não interessa nada que o carro circulasse na via pública sem seguro, ou que a maioria dos ocupantes não tivesse colocado o cinto de segurança.
Também parece não interessar a ninguém saber a que velocidade ia a viatura ou se condutor apresentava excesso de álcool ou drogas no sangue. Ninguém falou disso. A comunicação social em peso preferiu a exploração do efeito emocional e ficou por aí.

Mais ou menos na mesma altura morreu o empresário Salvador Caetano. É verdade que o senhor tinha 85 anos e estava doente, mas a histeria mediática à volta do desaparecimento do jovem artista Angélico Vieira, por contraste com a discrição da notícia da morte do empresário nos órgãos de informação dá-nos um excelente retrato da ordem de valores da sociedade actual.

Por aqui se vê que um jovem cantor e actor é muito mais importante do que um homem que subiu na vida a pulso, construiu um império industrial, contribuiu para a produção da riqueza nacional e deu emprego a milhares de pessoas.

Por aqui se vê que para muita gente é mais importante uma novela de duvidosa qualidade, com adolescentes, do que construir fábricas, criar empregos no país e dar pão a inúmeras famílias.

Apesar de tudo entendo muito bem a reacção dos adolescentes neste caso. A culpa desta inversão de valores nem sequer é deles. É da geração anterior, dos pais, que os educaram assim. Para a diversão e não para o trabalho.

Burocracia e fiscalizações

Obrigado, sr. ministro!

por JOÃO CÉSAR DAS NEVES

DN 2011.07.07

Há dias um pobre pediu-me esmola. Depois, encorajado pela minha generosidade e esperançoso na minha gravata, perguntou se eu fazia o favor de entregar uma carta ao senhor ministro. Perguntei-lhe qual ministro e ele, depois de pensar um pouco, acabou por dizer que era ao ministro que o andava a ajudar. O texto é este:

"Senhor ministro, queria pedir-lhe uma grande ajuda: veja lá se deixa de me ajudar. Não me conhece, mas tenho 72 anos, fui pobre e trabalhei toda a vida. Vivia até há uns meses num lar com a minha magra reforma. Tudo ia quase bem, até o senhor me querer ajudar.

Há dois anos vierem uns inspectores ao lar. Disseram que eram de uma coisa chamada Azai. Não sei o que seja. O que sei é que destruíram a marmelada oferecida pelos vizinhos e levaram frangos e doces dados como esmola. Até os pastelinhos da senhora Francisca, de que eu gostava tanto, foram deitados fora. Falei com um deles, e ele disse-me que tudo era para nosso bem, porque aqueles produtos, que não estavam devidamente embalados, etiquetados e refrigerados, podiam criar graves problemas sanitários e alimentares. Não percebi nada e perguntei-lhe se achava bem roubar a comida dos pobres. Ele ficou calado e acabou por dizer que seguia ordens. Fiquei então a saber que a culpa era sua e decidi escrever-lhe. Nessa noite todos nós ali passámos fome, felizmente sem problemas sanitários e alimentares graves.

Ah! É verdade. Os tais fiscais exigiram obras caras na cozinha e noutros locais. O senhor director falou em fechar tudo e pôr-nos na rua, mas lá conseguiu uns dinheiritos e tudo voltou ao normal. Como os inspectores não regressaram e os vizinhos continuaram a dar-nos marmelada, frangos e até, de vez em quando, os belos pastéis da tia Francisca, esqueci-me de lhe escrever. Até há seis meses, quando destruíram tudo.

Estes não eram da Azai. Como lhe queria escrever, procurei saber tudo certinho. Disseram-me que vinham do Instituto da Segurança Social. Descobriram que estava tudo mal no lar. O gabinete da direcção tinha menos de 12 m2 e na instalação sanitária do refeitório faltava a bancada com dois lavatórios apoiados sobre poleias e sanita com apoios laterais. Os homens andaram com fitas métricas em todas as janelas e portas e abanaram a cabeça muitas vezes. Havia também um problema qualquer com o sabonete, que devia ser líquido.

Enfureceram-se por existirem quartos com três camas, várias casas de banho sem bidé e na área destinada ao duche de pavimento (ligeiramente inferior a 1,5 m x 1,5 m) não estivesse um sistema que permita tanto o posicionamento como o rebatimento de banco para banho de ajuda (uma coisa que nem sei o que seja). Em resumo, o lar era uma desgraça e tinha de fechar.

Ultimamente pensei pedir aos senhores fiscais para virem à barraca onde vivo desde então, medir as janelas e ver as instalações sanitárias (que não há!). Mas tenho medo que ma fechem, e então é que fico mesmo a dormir na rua.

Mas há esperança. Fui ontem, depois da missa, visitar o lar novo que o senhor prior aqui da freguesia está a inaugurar, e onde talvez tenha lugar. Fiquei espantado com as instalações. Não sei o que é um hotel de luxo, porque nunca vi nenhum, mas é assim que o imagino. Perguntei ao padre por que razão era tudo tão grande e tão caro. Afinal, se fosse um bocadinho mais apertado, podia ajudar mais gente. Ele respondeu que tinha apenas cumprido as exigências da lei (mais uma vez tem a ver consigo, senhor ministro). Aliás o prior confessou que não tinha conseguido fazer mesmo tudo, porque não havia dinheiro, e contava com a distracção ou benevolência dos inspectores para lhe aprovarem o lar. Se não, lá ficamos nós mais uns tempos nas barracas.

Senhor ministro, acredito que tenha excelentes intenções e faça isto por bem. Como não sabe o que é a pobreza, julga que as exigências melhoram as coisas. Mas a única coisa que estas leis e fiscalizações conseguem é criar desigualdades dentro da miséria. Porque não se preocupam com as casas dos pobres, só com as que ajudam os pobres."

mailto:naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

terça-feira, 12 de julho de 2011

Cortiça

3,3 biliões de rolhas de cortiça - isto é, uma para cada seis garrafas de vinho em todo o planeta - são vendidos anualmente pelo grupo Amorim, que tem em França, perto de Bordéus, uma filial, que tive oportunidade de visitar, em 2009.
O administrador do grupo, António Rios Amorim - que, por coincidência, é meu colega no Conselho Geral da Universidade de Trás-os-Montes -, deu uma entrevista ao importante diário Sudoeste onde também revela que, depois de um crescimento de concorrentes plásticos, "a rolha de cortiça está de volta". Boas notícias.

UE quer impedir agências de avaliar países sob intervenção

"É minha intenção pedir à presidência polaca da União Europeia (UE) para colocar este assunto na agenda do próximo Ecofin", revelou Michel Barnier num discurso em Paris, transmitido pelo seu gabinete em Bruxelas, notando porém que "ainda falta estudar a viabilidade da proibição e de que forma se processaria".

Banca pagou menos 63% de IRC em 2010.

O IRC pago corresponde a uma queda de 63% face aos 328 milhões pagos em 2009, quando a queda nos lucros antes de impostos em 2010 foi de 38%. O total de IRC pago pela banca no ano passado corresponde a menos de 3% do total de receitas deste imposto, segundo os dados provisórios da Direcção Geral de Orçamento.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Bloco apresenta projecto para criminalizar enriquecimento ilícito.

“O Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia da República dois projectos de lei com os objectivos de criminalizar o enriquecimento ilícito e de estabelecer um maior controlo público da riqueza dos titulares de cargos públicos.Bloco quer criminalizar o enriquecimento ilícito e um maior controlo público da riqueza dos titulares de cargos públicos.Bloco quer criminalizar o enriquecimento ilícito e um maior controlo público da riqueza dos titulares de cargos públicos. O Bloco de Esquerda volta a propor a criminalização do enriquecimento ilícito e maior controlo público da riqueza dos titulares de cargos públicos. Na exposição de motivos do projecto que cria o tipo de crime de enriquecimento ilícito (aceda ao texto do projecto), o partido dá conta da reformulação de projecto anterior em função do debate havido na sociedade e de importantes contributos de vários especialistas, no que respeita nomeadamente às acusações feitas de eventual colisão com o ónus da prova e de pretensa inconstitucionalidade. Assim, o Bloco propõe que “a declaração de rendimentos e património, de actualização periódica, vincule titulares de cargos políticos e altos cargos públicos durante todo o tempo de funções e até cinco anos depois de estas cessarem”. É igualmente proposto que “a posse de bens em desconformidade acentuada com essas declarações é, por si só, a prova exigível a este tipo de crime” e punível com pena de prisão de um a cinco anos. Segundo o projecto, “o património ou rendimentos” cuja posse ou origem não sejam justificados serão apreendidos e declarados perdidos a favor do Estado. No segundo projecto de lei (aceda ao texto do projecto), o Bloco propõe a alteração da lei do controlo público da riqueza dos titulares de cargos públicos, para facilitar a obtenção de meios de prova. Esquerda

Maior multa por abuso de concorrência vai prescrever. PT e ZON.

O Jornal de Negócios diz na sua edição de quarta-feira que o primeiro juízo do Tribunal do Comércio de Lisboa já tem na sua posse alguns requerimentos que vão no sentido de ser declarada a prescrição desta acção que diz respeito a factos ocorridos em 2003, mas cuja decisão judicial da AdC só foi emitida em Agosto de 2009. A Autoridade da Concorrência considerou que houve abuso de posição dominante no mercado de banda larga até 2003, quando PT e Zon estavam inseridas no mesmo grupo. A multa da AdC foi a maior de sempre e dividida entre as duas partes: 45 milhões para a PT e 8 milhões para a Zon. As duas empresas recorreram, suspendendo assim a aplicação da coima, e preparam-se agora para se livrarem definitivamente do seu pagamento. Esta é a segunda grande multa decidida pela AdC a que a PT escapa no último ano. No fim de 2010, a empresa foi condenada a pagar 38 milhões de euros por recusado o acesso da TvTel e da Cabovisão a alguns troços das duas condutas. Mas ganhou no recurso para o Tribunal da Relação, evitando assim o pagamento. Ao todo, são 83 milhões que a empresa liderada por Zeinal Bava já não vai pagar por ter distorcido o mercado da rede por cabo em Portugal durante vários anos. Esquerda

O Contrato Único.

Proposto pelo PSD e pelo grupo "Mais sociedade" do economista neoliberal Pedro Portugal, durante a campanha para as legislativas, o contrato único é para ser aplicado aos novos contratos de trabalho e aparece com o objectivo de pôr fim aos contratos a prazo e aos recibos verdes, alargando o período experimental para 6 meses e tornando mais fácil o despedimento individual.

O cerne da entrevista de Miguel Portas ao "i".

Para lá da tinta que já fez correr a opinião de Miguel Portas de que a renovação do Bloco de Esquerda só é possível com o afastamento de cargos directivos dos dirigentes fundadores e que a direcção do Bloco deve ser entregue a jovens com menos de 30 anos... enfim, tem a importância que tem, pela minha parte concordo com a primeira premissa apenas por uma questão de desgaste a que esses dirigentes terão sofrido, quanto à segunda, não considero relevante a questão da idade, nem é por se ser jovem que se tem ideias novas, uma pessoa de setenta anos pode estar perfeitamente lúcida enquanto um jovem de vinte e cinco anos completamente alienado. Esquerda

Número de aposentações na função pública aumenta 12,9%.

Até Agosto de 2011, 13.887 funcionários públicos vão entrar para a reforma. Nos primeiros oito meses já se reformaram mais médicos do que durante todo o ano de 2010. Este ano, uma média de 210 professores por mês abandona as escolas. Cortes salariais e acréscimo de trabalho justificam parte das saídas. Esquerda

Otão de Habsburgo

Só hoje falo do desaparecimento de Otão de Habsburgo, que teve lugar há já uns dias. Mas este atraso não tem a menor importância, porque também ele fez esperar a morte por muitos anos.

Sai de cena um descendente de outra Europa, o herdeiro virtual do império austro-húngaro. Acabou por ser protagonista ativo da Europa contemporânea ao manter-se, durante 20 anos, deputado ao Parlamento Europeu e um ardente defensor da unidade europeia. Politicamente cultivava opções ideológicas muito conservadoras.

Otão de Habsburgo viveu uma parte da sua vida em Portugal. Foi um dos beneficiados com os vistos dados por Aristides Sousa Mendes, o que permitiu à sua família atravessar a fronteira franco-espanhola e seguir para o exílio nos Estados Unidos, através de Portugal.

Conta-se que, um dia, ao ouvir dizer que havia um jogo de futebol Áustria-Hungria, terá perguntado: "contra quem?".