quinta-feira, 24 de março de 2011

... e, claro, Elizabeth Taylor

Às vezes, no mundo da cinefilia especializada, sinto haver um preconceito contra as mulheres excecionalmente bonitas. Em certas áreas críticas, há como que a noção de que o "valor acrescentado" que essa beleza constitui pode funcionar como um subliminar fator positivo na avaliação das suas "performances" artísticas. Isso conduz a uma exigência crítica maior, como que a procurar descontar sempre esse "atout". Acho essas reticências bastante perversas e injustas, porque elas podem, algumas vezes, voltar-se contra mulheres que, não tendo "culpa" de serem muito bonitas, nem por isso deixam de ser grandes atrizes.

Lembrei-me disto a propósito de Elizabeth Taylor, agora que a sua morte convoca todas as loas, com os seus olhos de cor azul ("azul até demais", como diz a canção brasileira) no centro dessas evocações. Nunca fui um fã muito fervoroso da atriz, embora reconheça que a sua prestação em "Quem tem medo de Virgínia Woolf?" foi magnífica e que, em outros filmes - recordo "Gata em telhado de zinco quente", "Bruscamente, no verão passado" e "Gigante" - ela teve momentos notáveis. Já a "Cleópatra"... Mas é defeito meu, que detesto filmes históricos.

Elizabeth Taylor teve uma vida que foi muito para além do alimentar do "gossip" hollywoodiano, que a imprensa sempre dela recortava. Soube ligar-se a algumas causas nobres e de cidadania, que lhe grangearam admiração.

Deixo o retrato que Andy Warhol dela fez e que, há um ano, esteve aqui exposto no Grand Palais. Hoje, acho que posso cometer a heresia de o colocar a preto-e-branco.

Portugal forçado a corrigir dívida para valor acima dos 90 por cento do PIB.

É só malabarismos, que este governo de Sócrates sabe fazer, como se as instancias europeias fossem os organismos portugueses!

Cumprindo as regras definidas pelo Eurostat, o Instituto Nacional de Estatística vai, quando entregar a Bruxelas a notificação com as contas públicas oficiais, passar a incluir no perímetro das Administrações Públicas algumas empresas públicas com elevados passivos acumulados que antes não entravam nos cálculos do défice e da dívida. Isto significa que, a partir de 2010 e nos anos seguintes, o valor da dívida pública oficial vai dar um salto face aos números até aqui projectados pelo Governo.
Fonte oficial do INE confirma que a lista de entidades que integram as Administrações Públicas vais ser actualizada, mas remete para o dia de entrega da notificação essa informação. Segundo apurou o PÚBLICO, em causa está a inclusão nas contas públicas de mais duas ou três empresas, sendo que a Refer é uma delas.
Por si só, a inclusão da empresa que gere a infra-estrutura ferroviária vai colocar a dívida pública acima dos 90 por cento do PIB já este ano. O passivo da Refer no final de 2010 ascende a 6031,4 milhões de euros, cerca de 3,5 pontos percentuais do PIB. Na proposta de PEC do Governo, que ainda não leva em conta estas alterações, a dívida pública estimada é de 82,4 por cento para 2010 e de 87,9 por cento para 2011. Ou seja, com as contas já corrigidas, o valor da dívida será de pelo menos 91,4 por cento, podendo ser bastante mais alto se, por exemplo, se verificar a inclusão dos metros de Lisboa e Porto, que em conjunto têm passivos de cerca de mais de 6000 milhões de euros.
Os défices de 2010, deste ano e dos próximos, também vão sair afectados. A partir do momento em que estas empresas passam a estar incluídas no perímetro das Administrações Públicas, os seus resultados líquidos passam a contar para o défice público. Ainda não foram divulgadas as contas de 2010 da maior parte das empresas públicas (incluindo a Refer), mas estas entidades apresentam, normalmente, prejuízos. Em 2008 e 2009, a Refer registou resultados negativos de 181,5 e 112,6 milhões de euros, respectivamente. Em 2009, esta empresa, a CP, os metros de Lisboa e Porto e a Carris apresentaram prejuízos de 658,4 milhões de euros.
Não são os aumentos de capital realizados nestas empresas que estão em causa nas alterações negociadas entre o INE e o Eurostat. As dotações de empresas deficitárias já eram contabilizadas no défice e, em 2010, não ocorreu sequer qualquer operação desse tipo.
A afectar de forma muito significativa o défice de 2010 estará também o registo das imparidades do BPN que ascende a 1,1 por cento do PIB. O objectivo de 7,3 por cento definido pelo Governo está assim comprometido.
Ontem, no parlamento, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos criticou as alterações realizadas, dizendo que "a introdução "a posteriori" de algumas empresas de transportes nesse perímetro é o mesmo que mudar o marcador depois do jogo".
No entanto, a inclusão de novas empresas no universo da dívida acontece em cumprimento de regras há muito definidas. No sistema europeu de contas, para que as empresas detidas pelo Estado não contem para o défice é preciso que as suas receitas próprias superem 50 por cento dos custos. Foi esta condição que as empresas visadas terão deixado de cumprir. Já em 2009, o INE tinha passado a inclui a RTP, a EDIA e centenas de empresas públicas locais e regionais no perímetro das Administrações Públicas

Portugal forçado a corrigir dívida para valor acima dos 90 por cento do PIB - Economia - PUBLICO.PT

PEC XXII - JAN 2014

 

PEC XXII - JANEIRO 2014

 

cid:FDC3FAE1-D020-4414-BBC8-5078D788838B

Joaquim Letria: FUGIR? PARA ONDE?

cid:4443E64615074DD49D6C4C40755A3E40@Lus

Por Joaquim Letria

FUGIR ? PARA ONDE ?

 

Contra-mão

 

SÓCRATES parece daqueles velhinhos que se metem pelas auto-estradas em contra-mão, com o Teixeira dos Santos no lugar do morto, a gritarem que os outros é que vêm ao contrário.

 

De rabo entre as pernas, fartinhos de saberem que estavam errados, não conseguem agora disfarçar o mal que nos fizeram. Ainda estão a despedir-se, agradecidos, do Constâncio, e já dão a mão a Passos Coelho, que lhes jura que conhece uma saída perto e sem portagem.

Estamos bem entregues!

Vão-nos servindo a sopa do Sidónio, à custa dos milhões que ainda recebem da Europa, andam pelo mundo fora sem vergonha, de mão estendida, a mendigar e a rapar tachos, tratados pelos credores como caloteiros perigosos e mentirosos de má-fé.

Quando Guterres chegou ao Governo, a dívida pouco passava dos 10% do PIB. 15 anos de Guterres, Barroso, Sócrates e de muitos negócios duvidosos puseram-nos a dever 120% do PIB.

Esta tropa fandanga deu com os burrinhos na água, não serve para nada e o estado do próprio regime se encarrega de o demonstrar.

 

Falharam todas as apostas essenciais. Todos os dias se mostram incapazes.


Mas com o Guterres nos refugiados, o Sampaio nos tuberculosos e na Fundação Figo, o Constâncio no Banco Central e o Barroso em Bruxelas, a gente foge para onde? 

Mulher do ministro da Justiça foi mudada de tribunal pelo procurador distrital do Porto.

E como está o assunto da devolução do dinheiro indevidamente recebido? Como é possível que não exista uma penalização bem significativa, para esta gente que tem conhecimento, da arbitrariedade, e aceita, ou pede quem sabe, para que seja privilegiada, cem que tenha direito? Com esta mudança o problema de seriedade e condição para o desempenho fica revogado?

Procuradora adjunta Conceição Fernandes foi transferida das Varas Cíveis para o Tribunal de Família do Porto, deixando assim de acumular funções…

quarta-feira, 23 de março de 2011

"Um taxi para Tobruk"

Hoje, ao ver na televisão a coluna de viaturas que procuram sair do cerco de Benghazi para a cidade de Tobruk, a importante cidade líbia próxima da fronteira com o Egito, não pude deixar de lembrar-me de um filme de guerra que vi na minha adolescência: "Um taxi para Tobruk". Charles Aznavour e Lino Ventura eram atores desse filme.
Ainda haverá táxis para Tobruk, em Benghazi? Francisco Seixas da Costa

Eurostat pede esclarecimentos ao INE sobre défice de 2010.

O governo de mentirosos e incompetentes, que só envergonha os portugueses honestos! O buraco só será devidamente descoberto durante o 1º ano de um novo governo que não meta o PS! Aí vamos ficar esclarecidos que nada é daquilo que este PS e este governo sistematicamente nos mentem e nos roubam!

“O Eurostat está em conversações com o INE devido a dúvidas sobre os gastos com as empresas públicas de transporte e o impacto financeiro da nacionalização do BPN. O gabinete de estatística europeu tem algumas dúvidas, conta o Diário Económico e o jornal Público, em relação aos gastos com as empresas públicas de transporte, que não tem contracto de gestão com o Estado, mas também com a contabilização do impacto financeiro da nacionalização do Bando Português de Negócios. O deputado do PSD, Miguel Frasquilho, em declarações à TSF, disse que são necessários esclarecimentos sobre esta questão, se possível ainda esta quarta-feira. Pelo CDS-PP, a deputada Cecília Meireles considerou à TSF que esta notícia é preocupante, recordando que nestas duas matérias, o CDS lançou vários alertas. Agora, sublinhou Cecília Meireles, o importante é que o Governo seja transparente sobre a verdadeira situação do país. A TSF já pediu o comentário dos outros partidos a estas dúvidas do Eurostat” TSF

terça-feira, 22 de março de 2011

José Sócrates e os frangos...

O que José Sócrates está a fazer ao país com o PEC4 e isto!
José Sócrates  vai a uma churrasqueira e pede ao empregado que embrulhe dois frangos.
Enquanto o empregado embrulha os frangos, repara numas belas codornizes e pergunta ao empregado se pode trocar os 2 frangos por 4 codornizes, ao que o empregado responde:
- Claro que sim.
Depois de embrulhadas as codornizes e entregues ao cliente, este vai-se embora, quando o empregado irrompe:   
- Desculpe, mas o Sr. esqueceu-se de pagar as codornizes.
- Mas eu não as comprei, troquei-as pelos frangos! - disse José Sócrates , "indignado" com a petulância do empregado.
- Mas também não pagou os frangos!
- Correcto, mas também não os levo...pois não ?

Bernard-Henry Lévy


 
Ainda a Líbia. O filósofo Bernard-Henri Lévy é uma conhecida figura do panorama intelectual francês, onde a sua postura e tomadas de posição não deixam, às vezes, de suscitar alguma polémica.

Na crise recente da Líbia, BHL (com DSK - Dominique Strauss-Kahn -, Lévy está entre as escassas personalidades francesas que podem ser identificadas apenas pela sigla do seu nome) acabou por ter um papel marcante, ao ter sido a pessoa que convenceu o presidente Nicolas Sarkozy a receber e aceitar a legitimidade do "Conselho Nacional de Transição", representativo da oposição ao coronel Mouammar Kadhafi .

Porque este golpe de "diplomacia paralela" tem algumas curiosidades a notar, sugiro que leiam isto.

Novas manobras nos Açores...

Decreto Legislativo Regional n.º 7/2011/A
Região Autónoma dos Açores - Assembleia Legislativa
Segunda alteração ao Decreto Legislativo Regional n.º 7/2008/A, de 24 de Março, alterado e republicado pelo Decreto Legislativo Regional n.º 17/2009/A, de 14 de Outubro (regime jurídico do sector público empresarial da Região Autónoma dos Açores)

Alteração aos contratos públicos a celebrar pelo Estado.

Atenção a estas manobras de fim de ciclo!!!
 
 
Decreto-Lei n.º 40/2011
Ministério das Finanças e da Administração Pública
Estabelece o regime da autorização da despesa inerente aos contratos públicos a celebrar pelo Estado, institutos públicos, autarquias locais, fundações públicas, associações públicas e empresas públicas
Resumo em linguagem clara | Summary in plain english

segunda-feira, 21 de março de 2011

"Off"

Dois jornalistas franceses, ligados à revista "Marianne", decidiram publicar em livro algumas revelações, fruto da sua proximidade pessoal com o presidente Nicolas Sarkozy, ao longo de vários anos. Chama-se "Off - o que Nicolas Sarkozy nunca nos deveria ter dito".

Interessa aqui pouco o conteúdo do livro, aliás bastante menos importante do que se poderia supor, escrito por profissionais que, manifestamente, nunca estiveram próximos da linha política do presidente francês, como este, aliás, sempre soube. O mais relevante, a meu ver, é a circunstância desses jornalistas se terem sentido agora tentados a revelar factos e opiniões que, no entendimento do presidente e naquele que até agora era o deles próprios, eram considerados "off" - isto é, como fazendo parte daquilo que ambas as partes haviam convencionado, explícita ou implicitamente, não tornar público.

No ano passado, li vários livros, aqui em França, que se baseavam nesse mesmo procedimento, de que o mais sugestivo, a começar pelo título, era o "Si vous répetez, je démentirai...". A diferença é que nenhum desses livros afirmava, de forma clara, a legitimidade de ser quebrado o "off", procedendo apenas a algumas indiscrições, parte das quais desculpabilizadas pelo tempo.

Ora este novo livro coloca em debate, de forma declarada, o problema das relações entre a imprensa e as pessoas que com ela lidam, a preservação no tempo de códigos de honra e de respeito mútuo, que hajam sido estabelecidos no passado. O trabalho fá-lo logo na sua introdução, ao propor-se "quebrar, de uma vez por todas, esta regra de bronze que, desde há tantos anos, desde que os jornalistas modelam parcialmente a opinião pública, governa a relação entre os jornalistas e os responsáveis políticos: a conivência, a cumplicidade, a compreensão mútua".

Todos os que passaram pela vida pública - políticos, diplomatas ou outros - tiveram, seguramente, experiências de relacionamento com profissionais da comunicação social, aos quais, algumas vezes, confidenciaram factos ou ideias, na certeza (ou na convicção) de que esses jornalistas as não utilizariam ou, outras vezes, que utilizariam sem os citar.

No que me toca, tive e tenho na comunicação social pessoas em cuja discrição confio, embora sempre de forma razoável. E digo "de forma razoável" porque há tentações a que a maioria dos jornalistas não consegue resistir, se a notícia revelada fôr demasiado apelativa, se configurar uma "caixa" irresistível. Noutras funções, consegui sempre fazer uma gestão muito prudente do que pode ou não ser dito; mas também já cometi alguns erros de avaliação. No essencial, essa é apenas uma questão de bom-senso, que depende mais do "informador" do que do próprio jornalista.

Devo confessar que, para além da curiosidade de consumidor da "coisa política", que me fez mergulhar no livro, bastante pelo ineditismo do procedimento dos seus autores, não deixo de ficar preocupado por esta quebra de códigos comportamentais revelar - vamos chamar as coisas pelos seus nomes - um triste abandalhamento das regras de convivência no cenário público. Francisco Seixas da Costa

sexta-feira, 18 de março de 2011

Telefonema

Foi há mais de três décadas. Eu estava sozinho na minha sala de trabalho, no MNE. Os restantes colegas já haviam saído para o almoço.

O telefone tocou. A voz masculina era de alguém jovem. O tom era algo agreste, sem vontade de expressar um mínimo de cortesia. O pedido feito era relativamente simples de satisfazer: fornecer o número de telefone de casa de um determinado embaixador português, no estrangeiro.

Estranhei o facto de a pessoa ter ligado exatamente para o serviço onde eu estava colocado, embora nós nos ocupássemos das relações económicas com a área regional onde a embaixada se situava. As telefonistas ou o serviço de pessoal do MNE seriam as entidades mais indicadas para dar a informação. Referi isso ao meu interlocutor, até porque não estava a apreciar a forma pouco delicada como ele se me dirigia e, também porque, por várias razões, os números de telefone das residências dos embaixadores não são públicos e não devem ser dados, indiscriminadamente, a toda a gente.

- Sou filho do embaixador. Ou você me quer dar o número do telefone ou não quer!

Voltei a não apreciar o tom mas, até porque conhecia o pai, homem amável e muito cordial, fui procurar o número. Ditei-o, o filho do embaixador repetiu-o e desligou o telefone, sem agradecer. Imagino que terei ficado furioso, mas logo esqueci o assunto.

No dia seguinte, ia a sair do ministério, encontrei uns colegas à conversa, no pátio:

- Já sabes do filho do embaixador "fulano"? Suicidou-se, ontem.

- A que horas? - perguntei, para legítimo espanto de todos, intrigados com a minha especiosa curiosidade.

- Parece que foi ao fim da manhã.

Desde esse dia, procuro recordar a voz desse rapaz, que vivia sozinho em Portugal. Devo ter sido das últimas pessoas com quem ele falou. Terá chegado a contactar o pai? Nunca tive coragem de lhe perguntar e agora é tarde. porque também já desapareceu, aliás de uma forma com o seu quê de trágico.

A condição diplomática introduz, às vezes, fortes tensões nas pessoas e nas famílias, fruto das inevitáveis separações a que obriga, dos isolamentos que provoca e dos desequilíbrios que potencia.

Berlim: tesoureira e polícia.

Com o "pacto para o euro" terminado a 11 de março em Bruxelas, os 17 países que partilham a moeda única tentam uma coordenação mais estreita das suas políticas económicas. O acordo foi imposto pela Alemanha como requisito do seu apoio financeiro aos países em dificuldades e sanciona, segundo a imprensa alemã, o papel proeminente de Berlim para a sobrevivência do euro.
Para o Berliner Zeitung, o "pacto alemão para o euro" constitui finalmente "o meio para reforçar a moeda única da forma menos exigente possível" para os parceiros da Alemanha. Para Angela Merkel, inclusivamente, estima o Tageszeitung, o resultado da cimeira foi "um fracasso, pois a chanceler não conseguiu qualquer contrapartida para o alargamento do mecanismo de salvação e a política de austeridade continua a ser uma simples obrigação que os Estados impõem a si próprios. O interesse do pacto, acrescenta o jornal berlinense, "é sobretudo mostrar ao povo alemão que Berlim tem poder para impor condições aos Estados mais fracos antes de pagar por eles".
É por este motivo que, de acordo com o Handelsblatt, Angela Merkel se tornou não apenas "tesoureira, mas também disciplinadora da união monetária – um papel político delicado. Por um lado", refere o diário de Düsseldorf, "tem de justificar os esforços em prol do euro a um público alemão muito cético. […] Por outro, não se pode esquecer que os povos europeus não gostam de ser dominados pela grande Alemanha. Este novo papel irá ser determinante para a Alemanha durante muitos anos. [Ela] vai ter de servir de modelo".
Um desafio que não está ganho, segundo o Frankfurter Allgemeine Zeitung, que vê no "novo universo do euro" a transposição à escala europeia do modelo federal alemão de compensação financeira entre os Länder. "Pouco importa que se chame comunidade de responsabilidade, ou união de transferência. Não vai funcionar na zona euro", assegura o FAZ, segundo o qual, "se o orçamento de Estado alemão tiver de dar garantias à zona euro de centenas de milhões, isso irá ser, para lá de todas as críticas económicas, uma verdadeira bomba política. A lealdade, até à data, incondicional dos alemães à Europa fica sujeita a uma rude prova".
O FAZ adianta que é possível perguntar se "estas importantes garantias não são simplesmente o preço a pagar pelas vantagens que a Europa oferece à Alemanha". Mas para haver um debate, é preciso que as decisões sobre o euro sejam tomadas sobre sólidas bases económicas. Conclui o jornal que "não é isso que acontece: persistem diferenças de competitividade, o Banco Central Europeu está alicerçado sobre um monte de obrigações de Estado apodrecidas e isto é apenas o começo de todos os problemas".

quinta-feira, 17 de março de 2011

A espuma e a substância.

Por muito que seja 'patriótico' e politicamente correcto acusar a Sr.ª Merkel de egoísmo, eu não consigo enxergar o que esteja tão errado nas suas ideias. José Sócrates sobreviveu aos primeiros rounds da sua luta de vida ou morte contra os famigerados 'mercados': o peso da taxa de juro no serviço da dívida soberana vem baixando ligeiramente e cada vez escuta mais vozes internas concordantes com a sua firme resistência ao FMI. Cada semana que sobrevive nestas condições periclitantes é mais tempo que Sócrates ganha para conseguir chegar ao objectivo final: a flexibilização e reforço substancial do financiamento por parte do Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Isso permitir-nos-ia, dentro de alguns meses, recorrer ao Fundo Europeu, em lugar do FMI, com melhores condições de crédito e a salvaguarda do orgulho nacional. É uma alternativa inteligente, mas que está dependente de um factor crucial: a capacidade de o Governo de ir mantendo, mês a mês, a execução orçamental sob controlo, dentro dos limites anunciados. Em última análise, porém, quem manda nisto e quem decide é quem paga: a Sr.ª Merkel, mais os escassos países europeus integrantes do chamado 'Clube Triple A' - os que gozam da cotação máxima dos mercados (AAA), ou seja, os que não têm problemas de défice crónico nem dívida pública acumulada a um nível preocupante ou assustador. E, para viabilizar o sonho do seu outrora amigo José Sócrates, a Sr.ª Merkel tem três condições: a uniformização da idade da reforma em todos os 27, de acordo com o que vigora na Alemanha (67 anos de idade) - uma ideia a pensar sobretudo nas pornográficas regras em vigor na Grécia e que contribuíram decisivamente para a falência do país; a uniformização tendencial da carga fiscal, em especial do IRC, para evitar situações de autêntico 'dumping fiscal' em países como a Holanda ou a Irlanda; e, por fim, a obrigatoriedade de todos inscreveram nas suas Constituições, tal como a Alemanha já faz, limites constitucionais ao défice público e à dívida soberana. Sócrates navega pela espuma da borrasca - e é tudo o que agora pode fazer. Merkel dirige-se à substância da tempestade. E, por muito que seja 'patriótico' e politicamente correcto acusar a Sr.ª Merkel de egoísmo, de antieuropeísmo ou de só pensar nas suas próximas eleições regionais de 27 de Março, eu não consigo enxergar o que esteja errado nas suas ideias. Vejamos.O princípio da uniformização fiscal parece-me tão evidente que o que se estranha é que isso, mais um ataque concertado às offshores, não seja de há muito um princípio consensual da UE. É claro que a uniformização não pode ignorar situações específicas de cada país e necessidades próprias decorrentes de diferentes patamares de desenvolvimento (não é mesma coisa descontar 40% de IRS sobre um ordenado sueco ou sobre um ordenado português; não é a mesma coisa cobrar 25% de IRC à BMW de Munique ou cobrar os mesmos 25% a uma pequena-média empresa que se queira estabelecer no interior despovoado de Portugal). Mas evitar que haja, por exemplo, países que cobram, a todas as empresas, 12, 5% ou 0% de IRS, quando os restantes países da União cobram entre 20 a 25%, seria uma forma de combater concorrência desleal e prevenir uma forma de esbulho fiscal aos outros países, que vêem empresas suas localizarem artificialmente as suas sedes onde menos impostos pagam. Quanto à uniformização da idade da reforma em todo o espaço da União, aquilo que se pode dizer é que nenhum alemão consegue compreender como é que tem de trabalhar até aos 67 anos e ao mesmo tempo contribuir com os seus impostos para acudir a países onde se trabalha até aos 62, 60 ou até 50. Em Espanha, Zapatero acaba de impor os 67 anos às centrais sindicais e aos patrões. Mas, na França, a tentativa de subir devagarinho a idade da reforma até aos 65, trouxe para a rua milhões de indignados cidadãos, e na Grécia (onde há mais de cem profissões de "desgaste rápido", conferindo o direito de reforma aos 50 anos), as mudanças impostas pelo Governo socialista têm colocado o país a ferro e fogo. De Portugal, nem vale a pena falar: basta escutar a 'rua' ou esses fóruns de debates matinais da rádio, onde eu me chego a convencer que não há mesmo saída para este país e onde o cidadão comum manifesta o seu mais profundo pensamento político: não interessam os números, nem a situação financeira do país, nem as questões demográficas, nem sequer a proveniência do dinheiro que reclamam, só interessa que 'eles' paguem o que é 'nosso'. Enfim, a inesperada ideia de fixar limites constitucionais às derrapagens orçamentais e ao endividamento do país. À primeira vista, dir-se-ia uma daquelas bizarras propostas demagógicas que a nossa querida Constituição já contém q.b. Até faz lembrar a Constituição brasileira que, no auge do Plano Real e após décadas de traumatismo nacional com taxas de inflação que chegaram a ultrapassar os 100% ao mês, estabeleceu uma norma fixando um limite para a taxa de inflação (20%, se não estou em erro). Mas imaginem que, em vez de haver uma norma constitucional que fixasse um limite concreto ao défice e ao endividamento, haveria uma que estabeleceria o princípio de que nenhuma geração poderia gastar em seu exclusivo benefício aquilo que outras seriam depois chamadas a pagar: o princípio constitucional da solidariedade geracional. E imaginem que, confrontado com a contestação popular contra o alargamento da idade da reforma, haveria um primeiro-ministro que poderia invocar uma legitimidade política e constitucional para responder: "vocês reformam-se aos 67 para que os vossos filhos não tenham de se reformar aos 80 e os vossos netos aos 100". Agora imaginem também ao que isto obrigaria o Estado: a desmantelar e sepultar larga fatia do universo de organismos públicos, fundações públicas e falsas fundações privadas, empresas públicas e autárquicas inúteis ou sumptuárias, comissões de tudo e mais alguma coisa, museus do paleolítico e capitais europeias da cultura, milhares de jobs para boys e girls. Imaginem que o dr. Jardim, do Funchal, era finalmente posto na ordem e que os serviços públicos de que o Estado não se pode demitir eram geridos de forma responsável e responsabilizada, cível e criminalmente. Que os abutres da indústria farmacêutica eram combatidos como inimigo público, que haveria penas exemplares para os cidadãos que roubam ou abusam do Estado, com falsas baixas médicas por razões 'psicológicas', que beneficiam do subsídio de desemprego e fazem batota para não ter de aceitar outros empregos, que aviam sem cessar receitas médicas comparticipadas a 100% e que não vão usar, ou que exigem uma ressonância magnética porque acordaram com uma dor nas costas.

Peço desculpa: a srª Merkel tem razão.

P.S. - Vi uma manifestação de pais, alunos e professores de uma escola pública, onde, dizem eles, chove em alguns locais e faz frio porque não há aquecimento na escola. Eu entrei para o ensino numa escola pública de uma aldeia da Serra do Marão. Todos chegávamos a pé, por montes e vales, sob um frio indescritível, e alguns chegavam descalços. Não havia, obviamente, qualquer aquecedor na única sala de aulas, em granito, onde se amontoavam todos os alunos, da 1ª à 4ª classe, com uma única professora - que não faltou um dia do ano. Não havia cadernos nem canetas, havia giz e lousa. O 'recreio' era um pequeno descampado de terra, onde jogávamos futebol com uma bola de trapos. Mais tarde, frequentei um liceu público, em Lisboa, onde também não havia aquecimento algum, o único recinto desportivo era um desmantelado campo de basquete em cimento, onde tentávamos jogar futebol de sete, e no barracão que fazia de ginásio, tínhamos de começar por limpar com esfregonas a água da chuva que caía do tecto. Que eu saiba, não morreu ninguém e, quem quis, estudou. Nos últimos anos, os governos têm investido fortunas nas escolas públicas e nas suas condições de funcionamento. Todas as escolas que visito hoje são um verdadeiro luxo, comparadas com as que conheci nos meus tempos de estudante - e isto para não falar já nos computadores, nas três refeições por dia, etc. Os pais, os alunos e os professores que hoje estão no sistema de ensino deveriam agradecer o esforço incrível feito pelos contribuintes para que eles disponham das condições que têm. Há uma escola onde falta o aquecimento e chove em alguns lugares? Ó meninos, agasalhem-se e levem guarda-chuvas! Miguel Sousa Tavares (www.expresso.pt)

Portugal.

Se gastamos sempre mais do que temos e não damos sinal algum de querer mudar de vida, como é que esperamos que nos emprestem dinheiro barato? Você emprestava dinheiro a Portugal?

TAP: o último voo…

Eis uma empresa pública que presta um serviço inestimável ao país, que o prestigia, que é bem gerida, rentável, que paga impostos e dá trabalho a 8000 pessoas. E o Governo quer-se desfazer dela em saldo, apenas porque precisa de dinheiro e só não vende o pai e a mãe porque não os tem.

Deolinda

 
Para ver que vale a pena
 

Industria do calçado, em Portugal.

Foi notícia no fim-de-semana passado, que o sector calçado português não só não estava em crise, como estava a aumentar o volume de exportações de forma significativa. Foi o próprio presidente da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado (APICCAPS), Fortunato Frederico, segundo relatos da imprensa, que se mostrou muito satisfeito pelo facto de o sector do calçado estar a escapar à crise que tem assolado o país, afirmando “vai ser um ano muito bom para a indústria portuguesa”.

BE questiona Ministro sobre irregularidades no centro de formação de calçado em S. João da Madeira

O Bloco de Esquerda receia pelo futuro do Centro de Formação Profissional da Indústria de Calçado de S. João da Madeira. Este Centro de Formação tem vindo a perder algumas funções, como a venda de calçado ao público, por exemplo, mas tem-se mostrado fundamental na formação e inovação na indústria de calçado, bem como na qualificação e ministração de formação modular a milhares de pessoas por ano. Há muito que se percebeu que o caminho da sobrevivência da indústria de calçado é o caminho da modernização e inovação, não só tecnológica, mas também a nível de design, produto e acabamento. Assim, não se percebe a razão para o desinvestimento notório no CFPIC, do qual daremos alguns exemplos:

a) Ano após ano, o actual director tem reduzido pessoal neste Centro de Formação, o que implica, como é óbvio, perda de funcionalidades e valências;

b) A própria qualidade de equipamentos de apoio têm vindo a deteriorar-se inexplicavelmente. Pelos formandos do CFPIC já chegou, inclusivamente, a correr um abaixo-assinado para melhorar a qualidade das refeições servidas na cantina. O serviço está concessionado a um privado que tem cortado na qualidade da comida, ainda que mantenha o preço da refeição diária;

c) Os trabalhadores são obrigados a almoçar nesta cantina, pois o CFPIC resolveu deixar de pagar subsídio de alimentação aos formandos, substituindo-o pela refeição diária na cantina. Caso os formandos decidam almoçar noutro local que não seja a cantina do CFPIC, os formandos não só perdem o subsídio de alimentação, como ainda têm que pagar uma outra refeição. Lembremo-nos que muitos dos formandos que frequentam o CFPIC são formandos que chegam aqui através do IEFP, que se encontram em situações muito difíceis e que estão a ser explorados financeiramente por esta empresa que lhes cobra caro e serve mal.

d) Sabemos também que no CFPIC as bolsas de formação atribuídas aos formandos são bastante baixas, comparativamente com outros centros de formação. Para além disso, o CFPIC não tem pago o subsídio de material e o subsídio de alimentação, ao contrário de outros centros de formação.

Para além do desinvestimento notório, chegou ao conhecimento do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda que existiram pressões do director do centro sobre alguns dos funcionários, para que estes saiam e seja continuado o caminho da redução do pessoal. A situação relatada assume-se como insustentável aos nossos olhos, pelo que são necessárias respostas claras por parte da tutela.