sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Os subsídios europeus vistos à lupa.

Os Estados-membros estão a ver “à lupa” a questão do dinheiro dedicado aos ciganos, escreve o Evenimentul Zilei à margem de uma conferência sobre “a contribuição dos fundos europeus para a integração da população cigana”, organizada em Bucareste e em várias outras cidades romenas pela Comissão Europeia. O comissário para os Assuntos Sociais e a Inclusão, o húngaro László Andor, aproveitou para anunciar que o grupo de trabalho – criado pelo executivo de Bruxelas, há um mês, para verificar como é que os Estados-membros usam os fundos destinados a esta etnia – entregará o seu relatório no próximo mês de dezembro.

“Queremos saber onde é que esses fundos não foram utilizados”, precisou o comissário, que acrescentou que “a primeira estratégia europeia para a integração dos ciganos, obrigatória para todos os Estados membros”, será apresentada na primavera de 2011. Esta conferência e esta reflexão têm lugar no momento em que a França re-enviou para os seus países cerca de mil ciganos de origem romena e búlgara, o que László Andor qualifica como “acontecimento infeliz”. O comissário referiu, também, aquilo a que chamou “o paradoxo da Europa”: “Num continente rico, os jovens ciganos crescem em guetos urbanos ou em aldeias isoladas.”

A Roménia, por exemplo, recebeu mais de 30 milhões de euros para a integração dos ciganos desde a sua adesão à UE, em 2007, escreve o Evenimentul Zilei. Apesar de algumas iniciativas terem dado bons resultados, “a descentralização administrativa colocou esses projetos nas mãos dos autarcas, que não empregaram o dinheiro como deviam”, afirma o diário. Presseurop

A “eurocracia” tira partido da crise.

A crise foi uma oportunidade para a União Europeia assumir certos poderes soberanos de países considerados "fracos", assegura o semanário polaco Przekroj. Uma atitude que relança o debate sobre o "défice democrático" do projeto europeu.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Bontsha, o silencioso.

Judeu polaco que escrevia em iídish, lsaac Leib Peretz deixou uma enorme influência em inúmeros escritores judaicos contemporâneos. Os seus contos constam em várias antologias mundiais, principalmente publicados nos Estados Unidos. Histórias como “As Três Prendas”, “Dois Moribundos” e “Bontsha, o Silencioso” – um retrato de um ser humano que nunca sentiu ódio e que nunca se queixa de Deus ou dos outros homens –, são contos consagrados. De amor pela vida e de um humor (quase) pungente. Esquerda.

Corrupção: “É preciso insistir para a criminalização do enriquecimento sem causa”

No Dia Internacional do Combate contra a Corrupção, a deputada Helena Pinto do Bloco de Esquerda salienta que “é preciso insistir para a criminalização do enriquecimento sem causa”. Segundo uma sondagem, 83% dos portugueses considera que corrupção aumentou e um estudo conclui que a economia não registada representa 24% do PIB. Esquerda

Governo admite reduzir indemnizações pagas pelas empresas em caso de despedimento.

O Governo prepara-se para discutir com os parceiros sociais uma redução das indemnizações pagas aos trabalhadores em caso de despedimento. Assim qualquer empresa não precisa de trabalhadores, pois contrata-os a empresas de trabalho temporário, onde se tem de alimentar mais umas centenas de “gestores”…

Contas dos partidos criticadas na Europa

Dos partidos, diz que se atrasam a entregar as contas e escondem os valores do financiamento eleitoral. Do Tribunal Constitucional e da Entidade das Contas escreve que lhes faltam meios. O Grupo de Estados contra a Corrupção (Greco) revelou ontem o seu terceiro relatório de avaliação sobre Portugal. E, desta vez, analisou as contas partidárias.
A conclusão que a instituição tira é de que os partidos portugueses escondem as suas contas. E recomenda a Portugal que "tome medidas para? garantir que se torne público de forma expediente as informações apropriadas contidas nas contas partidárias anuais e das contas eleitorais". A equipa de avaliadores explica porquê num capítulo dedicado à transparência: "Os partidos não estão obrigados a tornar públicas as suas contas e [a equipa] percebeu que, normalmente, é difícil obter esse tipo de informação", assinala o grupo de avaliação. E sublinha ainda o facto de as contas eleitorais chegarem ao Tribunal Constitucional "na prática, habitualmente, muito atrasadas". Por isso, os redactores do relatório sentiram a necessidade de escrever que "acreditavam firmemente" que "a transparência das contas partidárias e eleitorais precisa ser consideravelmente reforçada, por forma a permitir o escrutínio da opinião pública, para lá da monitorização institucional".Mas os avaliadores não se ficam por aqui. Depois de constatar que "não há obrigação de divulgação [das contas de campanha] durante o período da campanha eleitoral", o relatório defen- de que a "transparência no financiamento eleitoral ganharia significativamente se fossem elaborados relatórios em intervalos regulares sobre financiamento, em particular durante a campanha."
Outra das recomendações redigidas relacionava-se com a contabilidade ao nível regional e local. Matéria que geralmente resulta na aplicação de coimas aos partidos por não estarem devidamente documentadas. "É por norma menos desenvolvida", conclui o relatório, antes de lembrar que os "partidos políticos já foram condenados pelo Tribunal Constitucional por não terem as contas consolidadas". Mas não são só os partidos os criticados na avaliação. O Tribunal Constitucional (TC) é alvo de uma das recomendações do relatório, que sugere aos juízes que tenham mais cuidado com a proporcionalidade das sanções aplicadas. "Vários interlocutores se queixaram que as sanções são aplicadas de forma muito rígida", antes de explicar que "sanções para certo tipo de irregularidades podem ser insignificantes para um grande partido e extremamente pesadas para um partido mais pequeno". Por isso recomenda ao TC que se assegure que as penas sejam decretadas tendo em conta a "eficácia, proporcionalidade e dissuasão".
Os recursos disponibilizados aos órgãos de fiscalização são também criticados. Em relação ao TC, por lhe terem sido conferidas mais responsabilidades para depois "apenas escassos recursos adicionais lhe terem sido providenciado". Assinala mesmo o facto de a Entidade das Contas ser "apenas composta por três pessoas (um dos quais um contabilista em part-time)". Nuno Sá Lourenço

O relatório diz que ao TC foi conferida mais responsabilidade mas que os recursos adicionais foram escassos. Público

New York

Em Londres

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Estado perde todos os anos dezenas de milhões de euros na compra de software.

O Estado tem perdido todos os anos dezenas de milhões de euros com a utilização de software de proprietário (de uma só empresa) e não open source (normas abertas), uma situação que vai ser discutida na quinta-feira no Parlamento. PUBLICO.PT

Cantona vai ter sucesso com o seu apelo aos cidadãos?

“Cantona vai dar cabo dos bancos?”, pergunta La Tribune na primeira página, a propósito do apelo lançado pelo ex-futebolista, que incitou os europeus a retirarem o seu dinheiro dos bancos a 7 de dezembro. Num vídeo filmado no início de outubro pelo diário local Presse Océan, Eric Cantona explica que esta é “na sua opinião, a única maneira de expressarmos o nosso descontentamento, as greves e as manifestações não servem para nada”.  “O risco de vermos formarem-se filas à porta das agências bancárias parece diminuta”, escreve o diário económico, “mas o sucesso deste apelo volta a trazer à luz do dia a degradação da imagem dos bancos e a necessidade que estes têm de a restaurar”. Por seu lado, El País acrescenta que a iniciativa de Cantona está ligada à associação StopBanque mas defende que dificilmente atingirá a massa crítica necessária para por os bancos de joelhos e lembra os mecanismos de segurança criados pelos Estados Unidos e pela UE para evitarem a derrocada do sistema bancário no caso de os depositantes decidirem retirar o seu dinheiro – uma hipótese considerada “remota”.

Outros tempos

 

Outros tempos e outros governantes...

Era oriundo de famílias aristocráticas e descendente de flamengos.
O pai deixou de lhe pagar os estudos e deserdou-o.
Trabalhou, dando lições de inglês para poder continuar o curso.
Formou-se em Direito.
Foi advogado, professor, escritor, político e deputado.
Foi também vereador da Câmara Municipal de Lisboa.
Foi reitor da Universidade de Coimbra.
Foi Procurador-Geral da República.
Passou cinquenta anos da sua vida a defender de uma sociedade mais justa.
Com 71 anos foi eleito Presidente da República.
Disse na tomada de posse: "Estou aqui para servir o país. Seria incapaz de alguma vez me servir dele..."
Recusou viver no Palácio de Belém, tendo escolhido uma modesta casa anexa a este.
Pagou a renda da residência oficial e todo mobiliário do seu bolso.
Recusou ajudas de custo, prescindiu do dinheiro para transportes, não quis secretário, nem protocolo e nem sequer Conselho de Estado.
Foi aconselhado a comprar um automóvel para as deslocações, mas fez questão de o pagar também do seu bolso.
Este SENHOR era Manuel de Arriaga e foi o primeiro Presidente da República Portuguesa.

 

Teixeira dos Santos relegado quase para o final do "ranking" do "Financial Times".

Não era necessário o FT dizer-nos o que todos sabemos. Mas sempre é bom uma voz de fora explicar a muitos, que por aqui andam..

A lista dos ministros das Finanças da UE
1. Wolfgang Schäuble, Alemanha
2. Jacek Rostowski, Polónia
3. Christine Lagarde, França
4. Anders Borg, Suécia
5. Jyrk Katainen, Finlândia
6. George Osborne, Reino Unido
7. Didier Reynders, Bélgica
8. George Papaconstantinou, Grécia
9. Jean-Claude Juncker, Luxemburgo
9. Ivan Miklos, Eslováquia
11. Jan Kees de Jager, Países Baixos
12. Miroslav Kalousek, República Checa
13. Josef Pröll, Áustria
14. Giulio Tremonti, Itália
15. Claus Hjort Frederiksen, Dinamarca
16. Fernando Teixeira dos Santos, Portugal
17. György Matolcsy, Hungria
18. Elena Salgado, Espanha
19. Brian Lenihan, Irlanda

PUBLICO.PT

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Europeus vítimas do futebol-negócio.

"‘Rússia-Qatar': um único objectivo, o dinheiro!", lê-se na amarga manchete do diário Le Soir, após a atribuição dos Mundiais de Futebol de 2018 e 2022 à Rússia e a Qatar em detrimento das candidaturas belga-holandesa, inglesa e luso-espanhola. Esta decisão "inscreve-se na perfeição na tendência do ‘dinheiro e excessos’", comenta este jornal de Bruxelas. "Há cerca de 20 anos que os negócios do futebol nasceram com o impulso de personalidades como Berlusconi e Bernard Tapie [antigo presidente do Olymplique de Marselha] e desenvolveu-se depois, nomeadamente em Inglaterra, com os magnatas russos e os príncipes do Golfo Pérsico (que símbolo!)."

Le Soir Bruxelas

Bola de Ouro: José Mourinho entre os três melhores do mundo

Já se sabe quem irão ser os agraciados!

Kadhafi repete a sua chantagem à imigração.

"Kadhafi: parem a imigração ou a Europa torna-se negra”: é assim que o Times of Malta resume a advertência feita pelo líder líbio aos dirigentes europeus durante a abertura da terceira cimeira África-UE, a 29 de novembro, em Tripoli. Retomando as palavras proferidas em Roma, em agosto passado, “Muammar Kadhafi avisou que o seu país não continuará a ser o guarda costeiro da Europa” e “reiterou o seu pedido à UE de cinco mil milhões de euros por ano para impedir os imigrantes ‘negros’ de invadirem a Europa”, explica o diário maltês. O jornal lembra, sobre este assunto, que “a UE rejeitou a ideia de pagar aquilo que poderá parecer um contrato sobre imigração”, reconhecendo, no entanto, que “o discurso de Kadhafi vai ao cerne da questão que os líderes convidados deverão enfrentar”.

A UE e o mundo.

Pequim está a construir uma ponte na Europa ao comprar barato dívida pública e activos estratégicos chave em países como a Grécia, a Irlanda e Espanha, que estão enfraquecidos com a crise. Mas a sua ambição, a longo prazo, não é apenas ganhar dinheiro – quer ter, também, uma palavra a dizer em Bruxelas. 02 Nov 2010 The New York Times

Pequim compra o silêncio da Europa.

Duramente flagelado pela crise económica, Portugal – como a Grécia e a França – acolheu com entusiasmo os investimentos chineses. A inevitável parceria com Pequim tem um preço: o fim do sonho ocidental de dar lições de democracia à China. Foi uma manhã de domingo muito especial. O pequeno mundo dos gestores das grandes empresas portuguesas – EDP, BCP, PT – acorreu em peso ao Palácio das Necessidades, onde o Presidente da China, Hu Jintao, e o primeiro-ministro português, José Sócrates, não escondiam a sua satisfação pelos acordos assinados entre empresas dos dois países [ver abaixo]. Ninguém falou publicamente em compra de dívida soberana, mas a diplomacia económica portuguesa podia sorrir. A China é uma potência emergente incontornável e um país pequeno como Portugal tem tudo a ganhar em tê-la como parceira. Mas há, evidentemente, um outro lado para os negócios da China.

Ausência de uma resposta comum à ascensão da China

Há a questão da crescente influência chinesa no mundo e há a questão da democracia e dos direitos humanos. Como lidar com essas duas vertentes da ascensão do gigante chinês é o problema. Mas não existe uma resposta comum. A visita de Hu Jintao a Lisboa mostrou que Portugal está na rota dos planos de expansão global da China, porque Portugal está na União Europeia. É absurdo ter medo de ter Pequim como um parceiro económico – afinal de contas, parecem tratar-nos melhor do que os mercados dos países democráticos.

Europa arrisca-se a não ser vista com um espaço de liberdade

Mas é preciso ter presente quais as consequências da aproximação crescente entre a Europa e a China. E essa aproximação acontece ao mesmo tempo que a Europa e os Estados Unidos se afastam. É o equilíbrio geoestratégico do planeta que está a mudar, numa guerra travada com euros, yuans e dólares. Nessa guerra afogaram-se os sonhos ocidentais de dar lições de democracia a Pequim. O maior de todos os riscos dos negócios da China é esse. E os nossos esquecimentos de conveniência ameaçam o mais intangível e importante capital da Europa, que é ser vista no mundo como um espaço de liberdade. Público

Caça ao acelera além-fronteiras.

Bem-vindos à comunidade das multas europeias por excesso de velocidade”, titula a Dziennik Gazeta Prawna. Refere-se à nova directiva da Comissão Europeia destinada a identificar e punir os condutores que cometam infracções no estrangeiro. De acordo com esta nova lei, os Estados-membros vão ficar obrigados a partilhar informação sobre infracções na estrada, através de um sistema que facilita a transferência de dados sobre viaturas e respectivos proprietários. O diário de Varsóvia nota que, se a proposta de Bruxelas for aprovada, os aceleras polacos na Bélgica irão ter uma desagradável surpresa quando chegarem a casa e virem na caixa de correio uma multa de 2750 euros. O projecto de directiva já recebeu o apoio dos ministros dos Transportes da UE, acrescenta a DGP.

Novas concessões nas renováveis penalizam consumidores domésticos

As contrapartidas financeiras que o Estado cobrou às energias renováveis à cabeça, nos últimos dois anos, para financiar despesa pública, permitiam reduzir em 55 por cento o défice tarifário que sobrecarrega especialmente os consumidores domésticos. Se isso tivesse acontecido, os consumidores receberiam uma notícia a que já não estão habituados: veriam a sua factura actual de energia descer entre quatro e 18 por cento.  Com a extensão da concessão das barragens à EDP, os concursos para as novas grandes barragens, para as centrais mini-hídricas e fotovoltaicas, o Governo arrecadou ou vai arrecadar nas próximas semanas um total de 964 milhões de euros, dinheiro com o qual acode à despesa do Orçamento do Estado. Isto faz do negócio eléctrico e das energias renováveis uma fonte de financiamento apetecível. Mas esta coexiste com uma dívida acumulada nos anos de tarifas artificialmente mais baixas, que chegará a 1758 milhões de euros no fim do ano, e que está a ser paga com juros pelos consumidores - é o défice tarifário. Não há contas oficiais para o cálculo da redução da factura eléctrica, mas contas apresentadas pelo presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) em Outubro passado aos deputados ajudam a lá chegar. No Parlamento, Vítor Santos disse que o novo subsídio de 60 milhões de euros anuais às eléctricas, a chamada garantia de potência, representa um por cento da subida no preço da electricidade em 2011. Este novo custo é pago por todos os consumidores. Metade (quase cinco milhões) são domésticos e são estes que pagam os custos com a produção especial a partir de fontes renováveis. Os concursos para as centrais mini-hídricas e fotovoltaicas incluem-se especificamente nesta produção. Caso revertessem para o sistema eléctrico apenas as contrapartidas financeiras destes dois concursos (110 milhões de euros), o défice tarifário caía seis por cento, o que permitia uma descida de quatro por cento da tarifa para os domésticos. Se a intenção fosse pôr também as receitas das grandes barragens, a grande hídrica, a contribuir, o défice tarifário global descia 55 por cento. Como esta não entra na produção especial e é paga por todos os consumidores, metade do benefício seria para os domésticos, que veriam a sua conta da luz descer, assim, 18 por cento, enquanto os médios e grandes consumidores da indústria e serviços tinham uma diminuição equivalente a 14 por cento.
A ideia de Manuel Pinho
A ideia de pôr as receitas da grande hídrica a pagar os custos do sistema eléctrico chegou a ser defendida pelo ex-ministro da Economia Manuel Pinho. Em 2008, quando a EDP pagou 759 milhões de euros pela extensão da concessão das barragens, o então ministro anunciou que o valor reverteria na sua totalidade para o sistema eléctrico, parte para abater ao défice tarifário e parte para um fundo para amortecer as subidas das tarifas eléctricas em anos de seca. No entanto, não foi isso que aconteceu: 528,7 milhões de euros foram para ajudar a baixar os custos em dívida incluídos no referido défice, 55 milhões serviram para pagar as taxas de recursos hídricos dos empreendimentos que ficaram no Estado, constituindo receita do Instituto Nacional da Água, 7,7 milhões de euros foram para a Companhia Logística de Combustíveis da Madeira, e ainda estão por aplicar 167 milhões de euros, sem destino certo. O Ministério da Economia e Inovação admite que "uma parte substancial" poderá ser usada para saldar custos de convergência tarifária das regiões autónomas ainda não pagos, mas ainda não há contas definidas. O Estado encontrou uma nova fonte de receita na concessão das novas grandes barragens. As licenças para Iberdrola, Endesa e EDP totalizaram 624 milhões de euros de encaixe financeiro e foram utilizados para despesa pública geral. Com os concursos para as centrais mini-hídricas e solares fotovoltaicas, que têm de estar fechados até final do ano, o Estado assumiu que procurava a "mais alta contrapartida financeira", como explicita no anúncio do concurso, e espera arrecadar mais 110 milhões de euros ou um pouco mais, sendo verbas que vão servir, de novo, para fins fora do sistema eléctrico. Teixeira dos Santos assumiu, por exemplo, que 80 milhões dos 550 milhões de euros de défice adicional resultante do acordo PS/PSD para o Orçamento do Estado para 2011 seriam pagos com as receitas de novas concessões nas energias renováveis. O apetite do Estado por estes pagamentos à cabeça antecipa, por um lado, o recebimento de proveitos da actividade do operador, que seriam distribuídos no tempo e beneficiariam, em princípio, o próprio sistema eléctrico. Por outro, o mesmo apetite cresceu à medida que as contas públicas se deterioraram, mas esta prática tem uma consequência pouco visível de penalização dos consumidores domésticos, que são os pagadores das tarifas da produção renovável em regime especial. Estas rendas à cabeça, que se transformam em custos do sistema eléctrico, indicam que as empresas do sector andam a pagar cerca de um milhão de euros por megawatt de potência concedida. O concurso para as centrais solares fotovoltaicas é um exemplo de como as contrapartidas financeiras contribuem para não só não baixar as tarifas, como para as agravar. O Governo pediu um pagamento à cabeça às empresas, o qual compensou com um aumento da tarifa de 75 para 93 euros o megawatt/hora que as empresas receberão quando os empreendimentos estiverem a funcionar. Este sobrecusto será pago pelos consumidores, constatando-se que as rendas pagas antecipadamente são tratadas, do ponto de vista contabilístico, como um royalty, um custo imputado à actividade das empresas, a par das instalações e dos equipamentos. "O Estado está a usar os promotores de energias renováveis como financiadores e fixa-lhes tarifas garantidas ao longo de anos para se ressarcirem do dinheiro", diz o secretário-geral da APREN, António Sá da Costa. Este responsável refere que no concurso para as centrais fotovoltaicas, o sector "ia propor uma descida da tarifa de 320 euros MWh para 230 e o Estado fixou-a em 269 euros", ou seja, acima do valor que a própria indústria estava disposta a aceitar.
Para além de dar valores mais atractivos para a tarifa garantida, como compensação futura, o Governo, em alguns casos, tem alargado o prazo dessa garantia bem como o das concessões. No concurso das mini-hídricas, o prazo da tarifa chega a 25 anos, mais cinco do que a legislação anterior previa, e o tempo de concessão sobe de 35 para 45 anos. A tarifa sobe e a factura eléctrica também. As empresas reclamam que, de cada vez que o Governo usa este método, a pressão financeira sobre elas sobe. A equação entre o esforço financeiro e o retorno futuro é avançada para explicar a desmotivação no recente concurso das mini-hídricas em que alguns lotes ficaram vazios. A discussão interessa especialmente ao sector das renováveis, na contra-argumentação quanto ao nível real de benefícios de que usufrui e os custos incorporados nas tarifas. O presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, está entre os mais críticos desta prática governativa, comparando a situação à desventura de uma herança, recebida antes de tempo e por herdeiros fora da família. Público

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