sexta-feira, 9 de julho de 2010
"Há dias assim"
Kohl
Helmut Kohl foi um amigo de Portugal. Soube estar ao nosso lado em muitas das decisões europeias que nos eram importantes.
UEO
quinta-feira, 8 de julho de 2010
A Frase
“O povo, longe das estratégias partidárias, paga a crise, resmungando, protestando e obedecendo. E deixando-se invadir cada vez mais pelo medo". José Gil, "Visão", 08-07-2010
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Se Isto é um Homem.
Sobre o Se Isto é Um Homem de Primo Levi:
- Pode alguém ter sido Homem em Auschwitz?
Podemos dizer que é esta a interrogação fundamental do impressionante Se Isto é Um Homem, de Primo Levi.
Figura essencial da literatura italiana do pós-guerra, ao lado de outros como Italo Calvino ou Cesare Pavese, Levi é um judeu que sobreviveu "por sorte" aos campos de extermínio nazis, e que dedicou o resto da sua vida a tentar responder à "pergunta essencial" de Auschwitz: "O que é um homem?"
Mais do que uma descrição dos horrores do quotidiano num campo de extermínio, Se Isto é Um Homem, é um impressionante estudo daquilo em que os homens podem transformar outros homens, e da luta constante destes últimos para não deixarem de o ser: «...exactamente porque o Lager (campo de concentração) é uma grande máquina de nos reduzir a animais, nós não devemos tornar-nos animais.»
Para Levi, em Auschwitz, tal não foi possível.
Aqui, (como em outros campos de extermínio) a grande máquina ideológica alemã, deu estrutura e corpo a todas aquelas crenças e dogmas, que todos os homens têm em relação a outros homens, mas geralmente de forma escondida, vaga e difusa, e organizou-as de forma a levá-las até às suas últimas consequências.
O Nazismo é, por isso mesmo, a soma de todas aquelas características, presentes em todos nós, que juntas formam o Mal, tal como o podemos conceber. Auschwitz, foi o resultado dessa soma. Levi analisou esse resultado e questionou-se sobre: «o que resta de um homem quando todas as condições de existência humana lhe são subtraídas?»
Ao ler Se Isto é Um Homem chegamos à conclusão que não resta nada. Em Auschwitz, Levi era Häftlengue, a posição mais baixa na hierarquia do campo, composta por Kapos, criminosos, políticos, especialistas... Curiosamente, os SS´s raramente são referidos. A sua presença é constante, mas distante. Encimam as torres de vigia, assistem às execuções e participam nas selecções dos prisioneiros que vão para as câmaras de gás, mas a vida no campo é gerida totalmente entre os prisioneiros, e é a luta diária para subir na hierarquia do campo que vemos aqui relatada.
O Lager pode ser visto como um laboratório sinistro da vida real, e os prisioneiros pequenas cobaias insignificantes, sob o jugo nazi.
O Homem, como indivíduo, morreu em Aushwitz e, em seu lugar, nasceu uma massa informe, cinzenta e macerada, de milhares de imundos sacos vazios que se arrastavam: «Tem 30 anos mas, como todos nós, poderia dar-se-lhe entre 17 e 50.»
Apesar de morto, o Häftlengue 174 517, conseguia por vezes vislumbrar algo de uma humanidade que persistia para lá do arame farpado. Graças à bondade desinteressada de Lorenzo, um trabalhador civil de fora do campo que, arriscando a sua própria vida, fez com que Levi enviasse uma carta para casa, trazendo-lhe depois a resposta: «aconteceu-me não esquecer que também eu era um homem.»
Durante o dia, o Häftlengue 174 517, não sofria, não amava, não esperava, não sentia, não reagia, não vivia.
Nos raríssimos intervalos desta "existência negativa", (segundo Levi, os homens livres não conseguem definir, e muito menos compreender, a "não existência" de um Häftlengue) quando sentia "a dor de recordar o antigo e feroz sofrimento de me sentir homem, que me assalta como um cão no instante em que a consciência sai da escuridão", Levi o Homem, renascia penosamente, agarrava o caderno e o lápis (roubados da enfermaria) e escrevia «o que não seria capaz de dizer a ninguém».
Há uma segunda pergunta que poderia ser feita a Primo Levi:
- Poderá um homem sobreviver ao facto de ter sobrevivido a Auschwitz?
A esta pergunta Levi respondeu igualmente que não. Primo Levi suicidou-se no dia 11 de Abril de 1987, com o número 174 517 ainda tatuado no pulso. citador
terça-feira, 6 de julho de 2010
Falha na fiscalização lesa milhares de clientes da Marsans em Portugal.
e agora quem é o responsável? “acreditou” ?
O Turismo de Portugal, entidade que tem de assegurar que as empresas depositam garantias financeiras para precaver estas situações, aceitou como válida uma declaração da empresa que alegou não ter vendido pacotes turísticos em 2009. A associação do sector desmente esta informação…
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Subida de juros até 2011 “não terá um grande significado”
Em tempos de crise, há que fazer escolhas e, para o presidente da APB, os bancos não poderiam continuar a financiar grandes projectos, como o TGV, e emprestar dinheiro às famílias e às empresas. António de Sousa afirma que, ao nível dos particulares, não há um aumento do crédito malparado como seria de esperar face à actual conjuntura negativa. Sobre a crise de liquidez, diz que o BCE pouco mais pode fazer, e que o problema só será resolvido quando terminar a desconfiança face às dívidas soberanas.
Verifica-se uma tendência para dar a cada país margem para definir o calendário da implementação das novas regras de aumento dos fundos próprios dos bancos, decorrentes de Basileia 3. Como vê esta situação?
Acho que seria benéfico, porque uma das nossas questões [na reunião que decorreu em Bruxelas] tinha precisamente a ver com o faseamento das várias medidas para os diversos países e para as diversas regiões, ou seja, em termos da União Europeia e de outros blocos económicos.
No caso de Portugal, quais seria as etapas ideais e o calendário?
Uma das questões que foi mais criticada tem a ver com a pró-ciclicidade das medidas. Ou seja, as medidas, quando são tomadas, acentuam o ciclo. Se a situação está má, as medidas tornam-na rapidamente ainda pior. E uma boa parte destas medidas vão obrigar a aumentos de capital, a situações de diminuição do endividamento dos bancos -- embora isso não afecte muito os bancos portugueses -- e a mudanças nos rácios de liquidez. Aqui já poderá haver algum impacto. Porque um rácio pode ser muito bem concebido, conceptualmente estamos todos de acordo, mas depois o número que é posto no rácio pode ser altamente difícil de atingir.
Concretamente em relação ao timing, o problema é que estamos neste momento na parte baixa do ciclo. Assim, ao fazer novas imposições, novos acrescentos em termos de capital, obviamente que torna a situação ainda mais difícil. Mais uma vez temos uma situação de pró-ciclicidade. Aquilo que quisemos evitar com Basileia II poderia estar a acontecer com Basileia III.
Acha que não deve ser imposto neste momento um aumento de capitais próprios?
O reforço de capitais é necessário, a prazo. O que aconteceu foi que, nesta crise financeira, houve um conjunto de produtos, que acabaram por ser chamados de activos tóxicos que estiveram muito relacionados com o subprime, ligado a empréstimos concedidos sem as garantias necessárias. Eu acho que a regulamentação sobre os produtos e sobre essas situações extremas de concessão de crédito pode e deve prosseguir. Aliás, tudo o que tem a ver com regulação de produtos, como os Credit Default Swap (CDS) ou o short-selling, é urgente e necessário e pode começar já porque não afecta os bancos comerciais normais, relacionados com a economia real e têm o problema da pró-ciclicidade.
Se é verdade que o sistema financeiro português não teve a ver com a origem da crise, parece ter havido no passado uma concessão desenfreada de crédito, com facilitismo, e isso terá contribuído para uma má imagem do sector.
Os bancos são sempre mal vistos. Se hoje se diz que emprestaram demais, durante anos afirmou-se que deviam emprestar mais, quando realmente, em certos casos, já estavam a conceder demasiados empréstimos. E a maior parte do crédito ao consumo não é emprestado pelos bancos.
A promoção, a publicidade, era em larga escala...
Sim, mas o crédito em consumo em Portugal é muito pequeno, quando comparado com outros países. E isso é um dos aspectos positivos da nossa banca. Cerca de 80 por cento do crédito concedido está ligado a empréstimo para compra de habitação. Depois há um tipo de crédito ao consumo, mas com um activo, que é o que é utilizado para compra de automóveis, que vale entre cinco a sete por cento do total. Isso faz com que o crédito ao consumo puro ronde os dez por cento. E a maior parte do crédito ao consumo veio das sociedades financeiras de aquisição a crédito, não dos bancos. Por isso, quando se diz que o crédito malparado das famílias não tem aumentado muito substancialmente, isso tem precisamente a ver com o facto do crédito ao consumo ser bastante pequeno e, no caso da habitação, das taxas de juro terem descido de tal maneira que a taxa de esforço diminuiu. Não se nota um aumento do crédito malparado como seria de esperar com este ciclo tão negativo e taxa de desemprego tão grande.
A banca portuguesa resistiu bem até agora. Mas acha que está em condições de resistir em 2011 se a crise liquidez persistir?
Em termos de capitais sim, mas o problema é de liquidez. Não é possível um sistema financeiro aguentar anos a fio sem haver um mercado interbancário, que é essencial para o financiamento dos bancos. Nomeadamente porque, e isso é particularmente verdade em Portugal, continuamos a ter um défice de transacções correntes muito elevado. Esse défice tem de ser financiado e quem o faz é o exterior, através dos bancos. Ora, se os bancos não conseguem financiamento, obviamente que se cria um problema substancial. E são poucas as empresas que conseguem ir financiar-se directamente ao mercado internacional, além de que mesmo essas estão a sentir dificuldades. Isto para dizer que não há sequer uma experiência histórica, nem em Portugal nem no estrangeiro, de o mercado interbancário estar fechado durante mais de um ano. A situação começou a tornar-se complicada em Portugal a partir de Fevereiro, quando começou a grande discussão sobre a dívida soberana. E quando a dívida soberana tem problemas, automaticamente, se não se empresta ao Estado, ainda menos se empresta às empresas desse mesmo Estado, a menos que tenham uma grande parcela da sua actividade no estrangeiro.
Quando é que acha que este problema se irá resolver?
Não faço a mínima ideia.
Como é que o BCE pode melhorar ainda mais o fornecimento de liquidez?
Por agora, não há que melhorar ainda mais. O sistema está a funcionar bem, e pode continuar a funcionar assim. Na prática, o que o BCE está a fazer é financiar os bancos com base no colateral que eles têm, ligado aos activos de boa qualidade. Obviamente que, como já aconteceu em 2008, e que se tem falado ao nível do BCE, há a eventualidade de voltar aos empréstimos mais longos, além dos três meses, que é mais seguro para os bancos, dando mais estabilidade. De resto não há muito mais que possa fazer, excepto medidas como as que foram utilizadas nos EUA e Inglaterra e que implicam uma alteração substancial da política monetária, com a concessão directa de empréstimos a empresas. Isso nunca foi feito na zona euro.
Como é que vê então as diferenças estratégias de regulação a nível mundial?
Posso dizer-lhe o que é que eu gostaria que acontecesse, e que não é o que está a acontecer na realidade. Obviamente que era muito melhor se fossem sistemas idênticos para os vários agentes financeiros mais importantes: EUA, Europa e a parte asiática, que hoje em dia não é despiciente. Muito provavelmente não se irá conseguir uma igualdade entre as todas as reformas de regulação, mas pelo menos convém que haja uma concertação, de forma que o problema da “concorrência desleal” não seja demasiado afectado.
Acha que isso vai acontecer ou espera que isso vá acontecer?
Eu gostaria que viesse a acontecer. Tenho algumas dúvidas que aconteça num nível adequado. Provavelmente irá haver algumas distorções, o que não vai ser bom para ninguém. Infelizmente, vejo um retraimento da parte dos EUA, que ao início era muito favorável à regulação.
Disse que o crédito malparado das famílias não tinha subido assim tanto. Não teme que isso se altere quando os juros subirem? Porque tem havido uma folga...
Claramente. A descida das taxas de juro trouxe uma folga para as famílias bastante grande. Mas repare que a subida das taxas de juro, que é inevitável a prazo, vai ser muito moderada. Infelizmente, a situação económica não está para grandes subidas das taxas de juro. Era bom que a taxa de juro pudesse subir rapidamente porque isso significaria que se estava a verificar uma recuperação económica muito grande. Enquanto a descida das taxas de juro foi de quatro e tal por cento, quando se fala de aumento das taxas de juro, mesmo para 2011, estamos a falar de algo da ordem de 0,25 por cento, não devendo chegar ao meio por cento. Mesmo que haja esse aumento, e estou a falar de um prazo de um ano e meio, não terá um grande significado.
O crédito mal parado está a subir nas empresas?
Está a subir mais do que nas famílias e diria que considerando a recessão que existiu o ano passado que está a subir moderadamente. E diria que era expectável que o mal parado tivesse subido mais do que aquilo que se verificou. E não subiu por duas razões: as taxas de juro estão mais baixas e criaram uma almofada para esta situação. E, por outro lado, muitas empresas criaram uma política de redução de stocks que lhes permitiu libertar dinheiro para a sua actividade corrente. O crédito mal parado subiu, mas comparando com outros países europeus, subiu bastante menos. Apesar de as nossas empresas estarem muito endividadas. Mas tiveram uma reacção rápida.
Os bancos admitem abertamente que têm problemas de liquidez e que estão a dar menos crédito à economia, que é uma das suas principais missões...
O crédito ainda está a subir. Está é a subir cada vez menos.
Está a subir?
Sim, está é a abrandar. Há aqui duas coisas. Há o crédito que é concedido em um mês e há a totalidade do crédito. O saldo do crédito continua a subir, tem é vindo a abrandar nestes últimos meses.
Nesse caso há o problema de, se o crédito continuar a subir, o endividamento não descer...
Penso claramente que o endividamento não pode continuar a subir, porque temos um problema de restrição internacional, de quem é que nos empresta o dinheiro. E isso é um problema que se coloca à República, aos bancos e às empresas.
Mas como é que se articula essa necessidade de o crédito não poder continuar a subir com a animação da economia? O que é os bancos vão fazer?
Isso depende da estratégia de cada um dos bancos. Se o cenário se mantiver diria aquilo que os bancos têm dito, e que passa por cortar nos grandes empréstimos. Preferem fazer o crédito às famílias e às PME, mais de retalho e com fidelização de clientes. Foi aí que surgiram as questões ligadas ao financiamento dos grandes projectos.
Acha que há condições para a banca financiar o TGV?
Vai ter dificuldade. Para haver dinheiro para os grandes empréstimos os bancos dificilmente poderiam continuar a operar no retalho. O Ministério das Finanças conhece este assunto muito bem.
Quais os principais desafios para os bancos?
Os relacionados com a liquidez, saber quando desaparece esta restrição de liquidez. O que é imprevisível. Embora conjuntural não se sabe quanto tempo vai demorar. E outra, estrutural, que tem que ver com a rentabilidade dos bancos. A rentabilidade dos bancos está neste momento muito afectada e os resultados dos bancos em Portugal atingiram em Portugal um valor, em relação aos capitais próprios, da ordem de um e dois por cento, o que é baixíssimo. Com rentabilidades deste género vão ter problemas em termos internacionais graves. A rentabilidade da actividade que é considerada aceitável em termos internacionais anda à volta de 12 e 15 por cento. Os bancos tem consciência disso e hoje uma boa parte da rentabilidade vem das participações financeiras que têm e de algumas actividades que têm em termos internacionais. Quando olhamos para a rentabilidade consolidada, por comparação com a da actividade doméstica, nota-se logo. Hoje os grandes bancos nacionais tem posições em empresas não financeiras, nos serviços, e em bancos lá fora, e quando se retira o contributo destas participações os números diminuem para um quinto, um sexto do que são os números da actividade da banca.
O problema da rentabilidade está relacionado sobretudo com o financiamento, que está muito caro, e, em termos marginais, cada vez que um banco empresta dinheiro está a perder dinheiro.
Como assim?
Um banco está a financiar-se a cinco por cento e a emprestar a dois. No caso do crédito à habitação está a emprestar a 1,8 por cento (que é média). Nos empréstimos novos já não é assim, pois os bancos estão a levantar os spreads para que o prejuízo não seja tão grande.
Outro problema tem que ver com a capacidade para manter os custos baixos, o que não é muito fácil. Pois já antes da crise os bancos eram considerados dos mais eficientes em termos europeus. Não há muita capacidade para ganhar eficiência adicional. Isto só tem solução quando a economia começar a crescer.
A restrição de liquidez será menor quando forem conhecidos os testes de stress?
Enquanto houver uma situação de dúvida sobre a dívida soberana é muito difícil que melhore a situação dos bancos. O que é tradicional é que os ratings das repúblicas seja superior pelo menos um ponto ao das instituições desses países. Enquanto não houver uma superação da situação em relação ao país é muito difícil que melhore a situação dos bancos. Os testes de stress podem dar mais confiança no sistema, mas duvido que os mercados abram só por causa disso.
Mas um banco pode ser sólido e entrar em colapso por falta de liquidez?
Pode. Essa é a questão.
Como é que se ganha a confiança dos mercados?
Tem que se dar a noção ao mercado de que o pagamento da divida é real. Temos que ter um défice mais pequeno a prazo, a a divida externa não pode continuar a aumentar e deve haver um certo equilíbrio da balança. O problema é que o tempo de reacção dos mercados não é de um dia para o outro. Uma coisa é anunciar as medidas, outra coisa é implementá-las e depois avaliar a sua eficácia. E neste momento ainda estamos no anúncio das medidas.
Está afastado o risco de intervenção do FMI?
Neste momento sim. Só haverá risco se acontecer algum problema grande em Espanha.
Acha que a carga fiscal em Portugal é demasiado forte para a capacidade que os portugueses têm de gerar riqueza?
Penso que sim. A outra forma de reduzir o défice de forma estrutural é reduzir despesa. Mas a curto prazo, como já defendi, a única forma é subir impostos. Não há outra forma de o fazer. Mas soluções para resolver problemas conjunturais, também devem ser conjunturais. Os impostos devem ser extraordinários, como se fez em 1983 e 1984, e não permanentes.
O Governo tinha como prioridade, quando tomou posse, a reprivatização do BPN. Mas isso ainda não se fez. O que aconteceu?
A situação económica. Neste momento não me parece que seja muito fácil fazê-lo. Não tem havido, em Portugal e na Europa, apetência por adquirir activos bancários e por isso percebo que não se tenha avançado mais depressa, pois não vai ser fácil encontrar comprador.
Uma das bandeiras de Pedro Passos Coelho, para se distinguir do PS, é a privatização da CGD. Concorda?
Pessoalmente defendo para já, e que já antes defendia, a privatização de alguns negócios da CGD, nomeadamente dos seguros. Aliás, [foi isso que] defendi quando estava à frente da CGD, quando foi adquirida a Mundial Confiança.
Parcialmente?
Através da dispersão parcialmente o capital em bolsa. Até porque não existe hoje nenhuma seguradora cotada em bolsa em Portugal.
A totalidade do capital?
Inicialmente apenas uma parte. Diria que uma parte sim, mas mais do que uma parte tenho dúvidas. E não necessita de ser a maioria do capital, nem a totalidade.
E em relação ao banco CGD propriamente dito?
Digo o mesmo que disse quando estava na CGD. Em princípio não me faz nenhuma confusão que a CGD seja pelo, menos parcialmente, privatizada, pois é útil para lhe dar uma lógica de mercado. Mas não me parece que seja oportuno, nomeadamente enquanto na maioria dos países europeus existir uma presença muito significativamente do Estado no sistema bancário. Portanto acho que Portugal também deve ter uma presença no sistema bancário. Não vai agora privatizar a CGD e nacionalizar outro banco ao lado.
E não teme que privatizar parcialmente seja o primeiro passo para privatizar totalmente?
Não. Sinceramente não vejo nenhuma razão para isso. Mas pessoalmente acho que uma das razões para privatizar algumas instituições é para lhes dar uma lógica de mercado mais claro, e dar-lhes maior transparência. Aliás, quando estive na CGD a empresa começou a cumprir com um conjunto de obrigações junto da CMVM, que até aí não prestava. Quando se diz que a CGD não está na bolsa, é só parte da verdade porque a partir do momento em que tem obrigações cotadas na bolsa tem que seguir as normas do mercado.
Então qual é o interesse da privatização?
Ser o mais transparente possível, mas neste momento não é oportuno levantar a questão.
Acha que há espaço para concentração entre bancos portugueses?
Entre bancos pequenos claramente. E eventualmente entre bancos pequenos e bancos grandes, ainda recentemente o Banif comprou o Banco Mais. Agora concentrações entre bancos grandes parece-me mais difícil, dadas as estruturas accionistas existente.
Concorda com o levantamento do sigilo bancário?
O sigilo bancário já é possível em Portugal para uma série de coisas. E até se diz que o sigilo bancário continua a criar problemas em termos fiscais. A lei actual é perfeitamente adequada em que, em qualquer caso, se possa levantar o sigilo bancário.
Partilha da opinião dos que criticam o papel das agências de rating na crise?
Só há três (Fitch, Moody’s, Standard & Poor’s) e era útil existirem mais agências de rating e existirem mais opiniões.
Mas há mais, só que ninguém as ouve.
As outras são tão pequenas que não têm expressão. Na prática só há aquelas três, o que é pouco pois estamos a falar a nível mundial. E isto reflecte um mercado onde predomina uma concentração excessiva. E depois todas elas são norte-americanas, embora tenham presença na Europa, com tendência para usar métodos muito orientados pela filosofia anglo-saxónica. A Fitch é um pouco diferente, mas acaba por ir pela norma do mercado. E, depois, penso que deviam claramente orientar-se apenas para serem agências de rating, e não terem nenhum conflito de interesses e não entrarem, como estava a acontecer antes da crise, pelas áreas da consultoria. Dito isto era desejável que existissem mais agências e mais pluralidade.
E não defende que o sector deve ter regulação?
O problema é saber como é que se regula uma agência de rating. Para mim é uma ideia muito interessante mas ainda estou para ver qual é a eficácia dessa regulação PUBLICO.PT
Turquia e Israel
Alguém anda a ver se se queima…
O ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Ahmet Davutoglu, dramatizou hoje a exigência turca de desculpas a Israel, garantindo que cortará todas as relações diplomáticas com o antigo aliado.
A Frase
“Confunde-se em Portugal tantas vezes os direitos das vítimas e dos criminosos que a investigação criminal acaba por se transformar na arte de esperar com paciência que o culpado caia por si numa ratoeira qualquer". Manuel Catarino, "Correio da Manhã", 05-07-2010
domingo, 4 de julho de 2010
A Frase
“Os chicos-espertos, que pouco arriscam mas que com a sorte pelo seu lado conseguem ganhar, têm cada vez menos sucesso. No futebol e na vida. Carlos Queiroz jogou apenas para os serviços mínimos." José Leite Pereira, "Jornal de Notícias", 04-07-2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Via do Atlântico essencial para ligar Norte ao Sul
«Esta linha em bitola europeia, que ligará o Norte ao Sul, deverá ser utilizada como linha mista para mercadorias e passageiros porque é a única via que poderá ligar a Região de Lisboa, Porto e Centro a Medina del Campo»
Rui Rodrigues
Ler mais aqui
Vítimas de acidentes esperam três a quatro anos por uma indemnização.
Já não é só a ganância, das companhias de seguros, é o laxismo, incompetência, ou outra coisa qualquer, quer por parte do governo, quer dos tribunais. todos sabem os lucros fabulosos destas companhias, pois por lei, as empresas tem que ter seguros para os trabalhadores! Pois por lei quem tem automóvel é obrigado a ter seguro! Quem quer comprar uma casa, para viver, com empréstimo tem de ter dois seguros, no mínimo: um de paredes e outro de vida! Também sabemos que quem não tem seguro de saúde, não tem assistência medica de jeito.
Por lei também se sabe que se perdem os direitos, desde que não se pague nas datas acordadas. Mas quanto ao retorno por parte das companhias, sobre as necessidades dos seus clientes, é a vergonha que sabemos.
“Os tribunais reproduzem e agravam as desigualdades sociais nos processos, conclui trabalho do CES de Coimbra que é hoje apresentado.” PUBLICO.PT
Prestações do crédito à habitação já começaram a subir.
Quais autenticas Sanguessugas recomeçaram…“… Os valores mais baixos de spread rondam actualmente um por cento, quando no passado chegaram a quebrar a barreira dos 0,25 por cento. Os spreads máximos já andam perto de quatro por cento. A revelar a tendência de subida, a última sessão da Euribor a três meses já está a 0,767 por cento, a Euribor a seis meses a 1,041 por cento e a Euribor a 12 meses a 1,306. Apesar das subidas, as taxas do mercado interbancário ainda estão longe do patamar dos mais de cinco por cento que atingiram no final do Verão de 2008. A Euribor a seis meses esteve oito meses abaixo da principal taxa de financiamento do BCE, que é de um por cento, nível a que se mantém apenas na Euribor a três meses.” PUBLICO.PT
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Fifa proíbe comentários de árbitros.
O director do departamento de arbitragem da director, José Maria Garcia Aranda (Espanhol)
Presidente, Sepp Blatter (Suíço)
O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke (Francês)
O porta-voz da Fifa, Nicolas Maingot
É curioso como dos (4) jogos que Portugal fez no Mundial, todos fossem arbitrádos por árbitros sul-americanos! É curioso como os brasileiros são dos mais favorecidos, nas decisões das arbitragens, numa mesma jogada o Luis Fabiano joga a bola com os dois braços e marca golo e o árbitro ri-se com o jogador; quando no 1º golo do Brasil, a bola tinha saido lateralmente e não tinha sido marcada. É curioso como A Seleção Brasileira cometeu uma irregularidade ao fazer três treinos com portas fechadas antes do jogo de estreia. Segundo as leis da FIFA só se pode uma actividade fechar para uma!!! É curioso como o guarda-redes Julio César, brasileiro actuou contra Portugal com um colete na região lombar em que havia uma peça de metal!!?!?!? A Fifa determina que qualquer tipo de proteção não pode apresentar risco ao atleta! O assessor de imprensa da Seleção Brasileira Rodrigo Paiva confirmou que a proteção que Julio Cesar utiliza nas costas foi analisada pela Fifa antes do Mundial, depois de o médico, José Luiz Runco, ter negado que Julio Cesar tenha usado uma proteção de metal. Mas o porta-voz da Fifa, afirmou que a entidade não recebeu nenhuma reclamação a respeito da proteção de Julio Cesar!?!?!? É curioso como o treinador brasileiro Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga, ofendeu um jornalista. Noutro caso semelhante, o técnico da seleção argentina, Diego Maradona, foi punido por comportamento ofensivo em entrevista coletiva após a classificação da Argentina para a Copa do Mundo. É curioso como a Inglaterra foi prejudicada seriamente, com a não validação do golo de Lampard, que daria o empate, quando até o Peñarol alertou a Fifa sobre erros deste árbitro uruguaio Jorge Larrionda. É curioso como no Argentina x México, foi validado um golo de Tevez, da Argentina, em claro fora de jogo. É curioso como a anulação do terceiro gol dos Estados Unidos, contra a Eslovênia, aos 30 minutos do segundo tempo, quando a partida estava 2 a 2. É curioso como até hoje, o malinês Koman Coulibaly não esclareceu o que marcou no lance. Fifa proíbe repetição de jogadas polémicas nos estádios. Assim podemos, todos os espectadores ser lubridiados, pelos Srs da arbitragem de conivência com a FIFA.
A FIFA suspendeu o Salvador, em Maio, devido a interferencias do governo Salvadorenho. Fará o mesmo à França?
A Frase
“"Para uma geração que está entre os 40 e os 60 anos, a cultura da dívida permitiu lhe esquecer os sacrifícios do passado". Pedro Lomba, PÚBLICO, 29-06-2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
IEFP, gasta 4 milhões em veículos automóveis, à media de 27.000,00€ cada ?!
O líder parlamentar do CDS-PP Pedro Mota Soares questionou o Governo sobre a autorização dada para gastar quase quatro milhões de euros na compra de 137 automóveis, o que dá cerca de 27 mil euros por cada carro. Mota Soares lembra que a portaria que autoriza a aquisição, assinada pelos ministérios das Finanças e do Trabalho, tem data da semana passada, ou seja, é posterior às medidas de austeridade do Programa de Estabilidade e Crescimento. “A austeridade é para estar dentro de casa dos contribuintes mas pelos vistos fica à porta do Estado”, afirma o líder parlamentar. Numa pergunta dirigida ao secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional, o deputado pergunta se a compra dos automóveis respeitou a regra inscrita no PEC em que por cada aquisição nova seriam abatidos três carros antigos.
As tretas deste Governo, para não resolver o problema das SCUT
O programa Prós e Contras na RTP sobre o fim das SCUT acabou de forma atribulada. O ministro dos Assuntos Parlamentares tentou transformar uma “conversa” numa “reunião” de negociação com o PSD. Como o PSD ainda vai nestas conversas?


