quinta-feira, 27 de junho de 2013

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Contrafação: Gangues adaptam-se à recessão da Europa

"Os grupos criminosos procuram ocupar todos os espaços do mercado negro da Europa, titula o Financial Times numa história de primeira página em que conta pormenorizadamente o crescente comércio de bens contrafeitos dentro da Europa.

Alguns sindicatos do crime incluem agora membros de mais de 60 países e adaptaram-se à atual recessão económica, alargando a gama de produtos das marcas de luxo como a Gucci a produtos mais comezinhos, como os detergentes domésticos, disse Rob Wainwright, chefe da agência de polícia europeia Europol, ao diário económico.

"O declínio do poder económico aumentou a tolerância social em relação a economia paralela", escreve o FT, citando Wainwright. O jornal acrescenta que alguns dos grupos estão envolvidos em esquemas criminosos mais sofisticados:

Sobretudo, uma nova geração de cibercriminosos na Rússia, na Ucrânia e noutros países da Europa de Leste estão a levar a cabo ataques online cada vez mais sofisticados contra grupos financeiros.


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UE-Turquia: “A Europa não se deixou enganar”

"Os esforços do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan e dos seus ministros para justificarem a selvajaria da polícia durante os acontecimentos do parque Gezi não deram resultado algum", escreve o Cumhuriyet um dia depois da reunião, em Ancara, dos embaixadores dos países da União Europeia com Egemen Bağış, ministro dos Assuntos Europeus e chefe da missão de negociação para a adesão da Turquia.

Foi neste contexto, acrescenta o diário kemalista, que a UE anunciou que não relançará as negociações de adesão até à publicação do próximo relatório anual da Comissão Europeia sobre os progressos da Turquia, na melhor das hipóteses, em outubro.


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UE-França: Há eletricidade no ar…

"Paris e Bruxelas trocam insultos", refere o Libération, que retoma a polémica que decorre entre a França e a Comissão Europeia desde o início das negociações de um acordo de comércio livre com os Estados Unidos.

Em 23 de junho, o ministro da Indústria francês, Arnaud Montebourg, acusou o presidente da Comissão de ser "o carburante da Frente Nacional". José Manuel Durão Barroso replicou que "alguns responsáveis políticos franceses [deveriam] pôr de lado a ambiguidade em relação à Europa e defendê-la melhor em relação ao nacionalismo, ao populismo e ao chauvinismo".

Este diário de esquerda explica que esta troca de galhardetes se deve às ambições José Manuel Durão Barroso:

Ao promover este tratado, que poderá provocar uma escalada do euroceticismo, [Barroso] mostra que a sua agenda deixou de ser europeia e passou a ser atlântica. Segundo as informações de que dispomos, [Barroso] estará a preparar-se para fazer campanha pela sua nomeação para o cargo de secretário-geral da ONU ou da NATO. E, para isso, precisa do acordo dos norte-americanos: o que explica as garantias que lhes dá através do TTIP e os ataques contra a França.

Por seu turno, o jornal Le Figaro considera que o presidente da Comissão, "agora o alvo designado, é vítima do desencanto dos franceses com a Europa e de um Governo que tem dificuldade em marcar pontos contra a crise".

O caso da exceção cultural e dos seus benefícios mostrou até que ponto a classe política francesa, tanto de direita como de esquerda, concorda pouco com o liberalismo económico, que continua a ser o credo da maior parte dos vizinhos, entre os quais os alemães. É essa a primeira razão do desamor. A segunda, mais política, poderá manifestar-se na cimeira europeia de quinta-feira, ou nos bastidores desta: a relutância do Eliseu em sujeitar a França às reformas e aos objetivos orçamentais de uma governação europeia que… François Hollande preconiza regularmente.

Este diário conservador considera igualmente a resposta mordaz de José Manuel Durão Barroso a Paris como uma reação à reaproximação entre o Eliseu e a chancelaria alemã.

A aliança foi restabelecida com o encontro de maio e com o último "contributo franco-alemão", ainda que de modo meramente formal. O que teve uma consequência evidente sobre a dinâmica europeia. A Comissão reina, quando a França e a Alemanha estão divididas. E torna-se o bode expiatório, quando os dois países fundadores se entendem…


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Crise grega: O capricho dos deuses de Bruxelas

La Repubblica, Roma – Numa altura em que as condições de vida dos gregos não param de se degradar e que a gestão da crise pela troika está a ser posta em causa, as instituições europeias continuam a olhar para outro lado. Mas está na altura da Comissão prestar contas sobre esta assustadora tragédia. Ver mais.


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Alemanha-Reino Unido: “Alemanha furiosa com o Reino Unido por causa do sistema de vigilância GCHQ”

A ministra da Justiça alemã Sabine Leutheusser-Schnarrenberger exigiu às autoridade britânicas que expliquem pormenorizadamente em que medida os cidadãos alemães foram alvo do programa de recolha de dados do Reino Unido, escreve The Guardian.

O diário britânico, que foi um dos jornais que divulgou a história dos enormes programas de vigilância dos Estados Unidos e do Reino Unido, explica que a ministra

quer saber se foram "suspeitas concretas" que desencadearam a recolha de dados ou se a vasta quantidade de e-mails, mensagens no Facebook, histórias na Internet e chamadas telefónicas foram conservadas durante 30 dias no quadro de uma busca geral. [...] A ministra quer igualmente saber se o programa foi autorizado por alguma autoridade judicial, como funciona na prática e a natureza precisa dos dados guardados.


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Uma boa surpresa chamada Bruno de Carvalho

Domingos Amaral

 

Para azar do Sporting, Bruno de Carvalho só ganhou à segunda a eleição para a presidência. Mas, pelo que tenho visto, está a provar ser o homem necessário para o clube de Alvalade.

Diziam dele o pior, até houve alguns que o chegaram a comparar a Vale e Azevedo, mas pelos vistos estavam todos bem enganados.

Até agora, Bruno de Carvalho tem sido inteligente, sereno e firme nas decisões.

E, ao mesmo tempo e quando é caso disso, festeja as vitórias do seu clube - no fustal, no andebol - como um verdadeiro leão de bancada, o que lhe traz popularidade e até desperta simpatia. 

Mas é nas decisões de gestão que me tem surpreendido pela positiva. Primeiro, começou a "limpeza", tendo a coragem para despedir quem vivia há muito "à mama" do clube, desde velhas glórias a funcionários inúteis.

Depois, tem sido contundente na negociação com empresários, estabelecendo o princípio de que o Sporting não negoceia na praça pública, não cede a pressões, e só faz negócios quando eles lhe são favoráveis.

Por mais arriscada que seja essa postura, pois pode no curto prazo perder jogadores talentosos, é uma firmeza que dará frutos nos anos seguintes.

Por fim, apresentou um projecto de reestruturação financeira que é essencial e bem pensado, ao contrário do que diz o Camilo Lourenço.

Embora poucos falem disso, as novas regras do Fair Play Financeiro da UEFA podem vir a ser implacáveis para o Sporting se esta reestruturação não avançar.

Qualquer clube que apresente três anos seguidos de prejuízos estará fora das competições da UEFA, e o Sporting tem um longo historial de perdas. Não sei mesmo se, caso este ano se tivesse qualificado, poderia participar.

A UEFA apenas permite um "desvio aceitável" de 5 milhões de euros nos prejuízos, mas o Sporting está ainda muito longe desse desvio.

Assim sendo, só há um caminho: uma reestruturação que transforme os credores em accionistas (debt for equity), e é isso que o Sporting vai fazer, acrescentando depois um aumento de capital, que os mesmos credores, agora já accionistas, deverão subscrever.

Assim, os rácios financeiros começam a melhorar, o que é absolutamente essencial para o futuro.

Também é bem pensado passar o estádio para a SAD, pois é um activo valioso, e as suas dívidas, que também passam para a SAD, não serão contabilizadas em termos de UEFA, que abre excepções nestes casos, bem como nas despesas de formação.

Por fim, é preciso "reposicionar" a equipa de futebol, e parece-me que também aqui Bruno de Carvalho vai no bom caminho.

O Borussia Dortmund é um excelente exemplo, que explico nas minhas aulas de Economia do Desporto na Universidade Católica.

Em 2006-2007, estava à beira de descer de divisão. Apostou então numa equipa de jovens, limpou as dívidas e os passivos, e quatro anos mais tarde era campeão da Alemanha, duas vezes seguidas, e este ano chegou à final da Champions.

É por aí que Bruno de Carvalho deve ir. Apostar nos jovens talentos de Alcochete, pagando-lhes bons salários para os motivar, em vez de gastar dinheiro em contratações inúteis de estrangeiros de qualidade duvidosa.

Esta estratégia tem também um ponto forte adicional. É que a ligação afectiva dos sócios aos miúdos formados em casa é muito maior, bem como a sua tolerância para com as suas compreensíveis falhas. À conta dessa ligação especial o Dortmund tem o estádio sempre cheio.

Se mantiver este rumo e esta postura, Bruno de Carvalho tem tudo para se transformar no presidente que revolucionou o Sporting e o salvou de uma calamidade. Por mais difícil que isso possa ser no início, o futuro será dele.

Espero, daqui a dois ou três anos, poder apresentar aos meus alunos o "case study" bem sucedido da recuperação do Sporting.  


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Correspondência

Francisco Seixas da Costa

 

Queixam-se comentadores do blogue da minha falta de atenção àquilo que escrevem, da muito frequente ausência de uma nota, mínima e cordial, da minha parte, ao cuidado que tiveram em deixar umas palavras num ou noutro post.

 

E queixam-se muito bem! Têm toda a razão! Porém, se por ora não prometo corrigir-me, asseguro, contudo, que o meu complexo de culpa será constantemente inflacionado na medida exata dessas confessadas falhas, como numa conta a prazo, sempre a render. E pode ser que, com o peso da consciência a atormentar-me cada vez a existência e o écran, acabe um dia (com muito maior probabilidade, uma noite) por mudar de (maus) hábitos e passar a ser um blogueiro "certinho", daqueles que não perdem uma oportunidade para retorquir, adorado pelos correspondentes. 

 

Tudo isso é possível. Só que, até lá, até ao meu "regresso aos mercados" da blogosfera mais suave e atenta, lamento muito, mas terão de me aturar como vou sendo. 


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terça-feira, 25 de junho de 2013

Equanto isso , no quartel ...

TROIKA: DO AMOR AO ÓDIO

JPP

 

Agora, todos os que amavam a troika de amor total, sensível, arrebatado, e lúbrico, detestam a troika, dirigem-lhe os maiores impropérios e querem pô-la fora da habitação do casal. Há várias razões para isso: já não falta entrar muito dinheiro dos 78 mil milhões decididos, já está combinado em termos gerais como é que a assistência e o protectorado continuam depois da troika ir embora, e vai haver eleições para as quais ninguém "se lixa" 

 

A troika ir-se-á embora fisicamente em Junho de 2014. Haverá festas, champanhe, foguetes e o governo usará essa saída da troika como um dos escassos trunfos eleitorais que tem para 2015. Mas, fora da propaganda, nem a troika se vai embora, nem os objectivos do memorando foram conseguidos. Aliás, a enfâse no pós-troika significa isso mesmo: a constatação do falhanço do memorando, de que nenhum objectivo nem do défice, nem da dívida, foi cumprido, contrastando com o zelo "para além da troika" na austeridade dos trabalhadores e pensionistas, e nas leis laborais, no desmantelamento do estado e parcialmente nas privatizações 

 

Um retorno sustentado aos mercados é irrealista sem protecção europeia e o preço a pagar para essa "protecção" implica a manutenção do regime de protectorado de Bruxelas e Berlim, mesmo sem as visitas regulares da troika. Em vez de ter periodicamente o espectáculo da submissão, com o espavento da chegada ao aeroporto, das idas aos partidos, à Assembleia, ao Presidente e às instituições, uma outra troika invisível nos inspecionará na mesma de um ou vários gabinetes em Bruxelas e Frankfurt. Para isso, exige-se um governo de ocupação e partidos colaboracionistas, que aceitem o mesmo tipo de supervisão alheia sobre o parlamento português, sobre a liberdade dos partidos e das eleições. Este é que é o problema do pós-troika e é eminentemente um problema político e de soberania.


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Adesão da Croácia (2/6): O síndrome da invasão

Novi List, Rijeka – A adesão da Croácia à União Europeia relança o receio de uma invasão de trabalhadores croatas, especialmente para a Alemanha e a Áustria. As frases feitas sobre os europeus do Leste que vêm tomar os lugares dos ocidentais têm campo aberto à sua frente. Ver mais.


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Emprego: “Romenos ameaçados de morte na ‘escravatura salarial na Alemanha’”

"Salários humilhantes, condições de trabalho desumanas e chantagem num país que se declara o líder da UE", escreve o Jurnalul National a propósito das condições de trabalho dos europeus de Leste na Alemanha, reveladas pelo diário de Munique Süddeutsche Zeitung e pela televisão pública alemã ARD.

Essas investigações revelaram a existência de uma organização de tipo mafioso que recruta trabalhadores na Roménia para empresas alemãs, confiscando-lhes os documentos e ameaçando-os de morte se ousarem recorrer à justiça para fazerem respeitar o seu contrato de trabalho.

Em plena campanha para as eleições legislativas alemãs, "os romenos tornaram-se o inimigo público número um do sistema social e da classe política alemã…", lamenta o Jurnalul.


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França: “2013: os défices explodem”

O défice do Estado, fixado em €61,5 mil milhões no orçamento de 2013, deverá ultrapassar os €80 mil milhões no final do ano (4% do PIB em vez dos 3,7% previstos), considera a Comissão das Finanças da Assembleia Nacional.

Num relatório, a Comissão explica que este deslize na redução das receitas fiscais se deve a um crescimento a meio gás e a mudanças fiscais constantes que acabaram por bloquear a economia.

"Não faltam sugestões de poupanças […]", estima o jornal Le Figaro:

A Comissão Europeia elaborou, no final de maio, uma lista de recomendações para reformar a França e reduzir os défices. […] Esta via promete ser bem mais difícil do que aumentar impostos. Mas não há outra solução.


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S. João

Francisco Seixas da Costa

 

Este é um post lacónico. Não é todos dias que há noite de S. João no Porto. 


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Negociações UE-Turquia: Bruxelas e Ancara não devem interromper o diálogo

Financial Times, Londres – As negociações intermitentes sobre a adesão da Turquia à UE foram travadas por completo pelo tesoureiro do bloco, a Alemanha, depois de Ancara ter reprimido violentamente as recentes manifestações. Esta indecisão prejudica a credibilidade da União e esfria o desejo de adesão da Turquia, lamenta o "Financial Times". Ver mais.


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Desigualdade: Itália lidera o aumento da disparidade de rendimento na UE

Segundo um estudo, realizado a pedido da União Europeia, a "Itália faz parte dos países com o maior nível de desigualdade de rendimentos, sendo apenas precedida pelo Reino Unido na UE e situando-se muito abaixo da média da OCDE", adianta o II Sole 24 Ore.

O estudo "Gini – Growing inequalities' impacts", baseado no índice de Gini e elaborado por investigadores de sete universidades europeias, analisou a dinâmica dos rendimentos de 30 países europeus desde os anos 80 até aos dias de hoje, dividindo-os por categorias regionais. O jornal acrescenta que

os países da Europa continental (Alemanha, França e Benelux) têm um índice de desigualdade Gini baixo, que varia entre os 0,26 e 0,30, sendo mais ou menos estável; os países do norte verificam uma tendência de desigualdade crescente liderados pela Suécia e a Finlândia, que começaram no entanto com níveis muito baixos; as economias de mercado como o Reino Unido têm apoios sociais limitados e altos níveis de desigualdade; […] os países de leste, que antes de 1989 tinham níveis próximos dos da Escandinávia, seguiram uma direção diferente.

A Itália pertence ao grupo dos países mediterrânicos, onde a desigualdade está em forte crescimento. O índice de Gini passou de 0,27 no final dos anos 70 para o seu atual nível de 0,34. Pior ainda, a riqueza está concentrada na faixa etária mais idosa e a mobilidade social está em declínio. Segundo os autores, a banalização do mercado de trabalho anulou os efeitos positivos de um maior acesso ao ensino superior,

os jovens trabalhadores têm mais educação mas menos garantias, o que lhes impede de poupar e acumular riqueza.


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GREVE DOS PROFESSORES

JPP
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Já falei o suficiente sobre a greve dos professores, para não precisar de aqui voltar. Também me parecia imbecil, se não fosse intencional, quer por ignorância mediática, quer por má fé, estar agora a entrar naquilo que os jornalistas referem com desprezo como a "guerra dos números" (que eles fomentam mais que ninguém, para depois se enojarem com a sua existência), nem com "quem ganhou ou quem perdeu", nas suas múltiplas variantes propagandísticas, retóricas e mediáticas. 

 

O que me interessa é o que a greve e as reacções à greve revelam sobre o tónus de conflitualidade na sociedade portuguesa, latente e às claras. Não tenho dúvidas de que dentro das escolas, pela primeira vez com esta intensidade, os professores que fizeram greve, e que são uma grande maioria, olham para os que não a fizeram de forma bem pouco meiga. Um profundo mal-estar divide professores de diferentes ciclos, onde o ministério encontrou em alguns sectores um grupo de professores dispostos a irem para escolas, que não são as suas, fazer a vigilância de exames. 

 

Foram muito poucos, mas para garantir os exames bastaram. Colocou, também pela primeira vez, em cheque o papel dos directores. Alguns assumiram-se como "chefes" das escolas e foi deles, encostados às pressões governamentais, que vieram muitas das ilegalidades cometidas no dia da greve. Alunos e pais, os alvos da propaganda governamental, dividiram-se profunda e agressivamente. Os incidentes nas escolas, com alunos a tentar impedir outros alunos de fazerem exames, e o modo como a questão da "equidade" se tornou uma reivindicação, que, essa sim, atinge apenas o governo, vai manter o estado de excepção em todo este processo de exames. Revelou também a hostilidade comunicacional às greves e aos sindicatos, com noticiários e comentários hostis, por regra. O modo como os responsáveis governativos eram interrogados era muito mais dócil do que a agressividade face aos sindicalistas, quase sempre apresentados à cabeça como "culpados". De um modo geral, o leitmotiv da propaganda do governo – os exames prejudicam gravemente os alunos – foi repetido à exaustão. Subitamente descobriu-se um país de famílias "angustiadas", de estudantes "nervosos", de "ansiedade" por todo o lado. Um exército de psicólogos e de psiquiatras deve mobilizar-se sempre que há exames, porque os frágeis estudantes (os mesmos frágeis estudantes a quem se pode perguntar o que é que eles fazem aos professores e entre si durante todo ano) estavam todos deprimidos. Há muitas razões para este comportamento dos jornalistas, em contraste com a simpatia com as manifestações dos "indignados", mas ficam para outra altura. 

 

Por fim, e de um modo geral é isto que fica, é que a greve revelou de forma muito clara o modo como a conflitualidade está a evoluir para formas mais agressivas. Ela representa, entendida em todas as suas manifestações nos professores, alunos e pais e governo, o erro da afirmação do Presidente da República de que não há "desestruturação" na sociedade portuguesa. No dia da greve todo o discurso de divisão e de guerra civil que o governo tem vindo a semear, está já bem enraizado, e os seus efeitos geram "lados", acicatam confrontos e dividem os portugueses cada vez de forma mais devedora ao pathos do que ao logos. É um caminho perigoso.


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Angola

Francisco Seixas da Costa

 

É um livro garantidamente polémico. Tenho muito gosto em apresentá-lo, porque aborda um tema que continua envolvido em alguns mitos/verdades dos quais, talvez não por acaso, a nossa história política contemporânea nunca se libertou. 

 

É um assunto que sempre me interessou. Vivi o tempo decisivo de 1975, como militar. Assisti então a Assembleias do MFA, onde a questão era abordada. De seguida, ainda nesse ano, mas já como diplomata, acompanhei o assunto no Ministério dos Negócios Estrangeiros. A partir de 1982, e por quase quatro anos, estive colocado na nossa embaixada em Luanda, período em que tive a oportunidade de revisitar, com amigos angolanos e portugueses, muito do que por ali se passara sete anos antes. Essa foi também uma oportunidade para tentar perceber o traumatismo dos acontecimentos de 27 de maio de 1977, uma data trágica de clivagem que, embora possa não parecer, tem muito a ver com tudo aquilo que o livro relata. E, sempre como interessado no tema, li muito do que, cá dentro e mesmo lá fora, se publicou sobre o tema do processo de independência de Angola - embora não tivesse tido acesso a uma imensa parte dos documentos que Alexandra Marques agora traz a público, pela primeira vez.

 

Alexandra Marques é uma jornalista que enveredou, há alguns anos, por um percurso académico na área da historiografia. Felizmente, manteve o registo de escrita da sua profissão anterior, o que confere ao livro um ritmo interessante e ágil. Sem a menor dúvida, aconselho a leitura deste seu trabalho.  

 

Na FNAC do Porto, pelas 18 horas de quinta-feira, dia 27 de junho, lá estarei a falar do livro e, incidentalmente, de Angola, um país que, como hoje se constata, é a única ex-colónia de que Portugal não se tornou independente.   


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Instituições da UE: A Holanda quer menos Europa quase em todo o lado

O Governo de coligação holandês declarou num memorando publicado no dia 21 de junho que: "a Holanda está convencida de que o tempo de uma 'união cada vez mais próxima' em todos os domínios políticos pertence ao passado", escreve o EUobserver. Segundo o site de informação, o memorando "afirma que o slogan da União Europeia deveria ser 'Europeu quando necessário, nacional sempre que possível'". Também diz que

existe uma "forte necessidade" de realizar ações europeias conjuntas em matérias importantes como a governação económica, a imigração e a defesa. Mas fez notar que uma revisão dos poderes da UE efetuada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Frans Timmermans, revela que também é preciso "criar uma União Europeia mais modesta e sóbria".

Sheila Sitalsing do Volkskrant mostra-se cética quanto ao memorando:

Nas prioridades do Governo está o programa de leite escolar e de fruta nas escolas. O que é, de facto, uma questão pertinente. Porque a doutrinação das crianças pela distribuição de maçãs grátis representa um ataque flagrante contra o Estado-nação soberano, mas não tem nada a ver com o debate fundamental sobre a Europa ou sobre a retirada dos seus poderes nos domínios políticos. […] Os Estados-membros da UE poderiam concordar sobre o facto de que deveriam ficar fora dos sistemas fiscais de cada um, mas se derem o poder a Olli Rehn de fazer "recomendações políticas" constrangedoras, […] isto poderá diretamente afetar o seu sistema fiscal. […] O Governo deu uma prenda à opinião pública, um osso para roer e manter os eurocéticos calmos.


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Uma boa crítica ao meu livro "O Retrato da Mãe de Hitler"

Domingos Amaral

 

Aqui deixo a crítica ao meu livro "O Retrato da Mãe de Hitler", escrita por Rui Azeredo, no seu blog Porta-Livros.

http://portalivros.wordpress.com/2013/06/24/o-retrato-da-mae-de-hitler-domingos-amaral/


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