segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Os jogos olímpicos e a mercantilização do desporto

Quem ligar a televisão nestes dias para ver o telejornal terá de assistir a um desfilar de notícias sobre a participação portuguesa nos jogos olímpicos, acompanhada de lamentações pelas medalhas não ganhas. O discurso nacionalista alia-se ao individualismo para criar um ambiente de competição feroz, acompanhado de apelos ao consumo. Qualquer semelhança entre isto e o desporto é pura coincidência.

Testemunho

Ontem, no final da estafeta de 4 x 100 da Olimpíadas, um burocrata "bife" impediu o jamaicano Bolt, que tinha "apenas" acabado de bater o record do mundo (num grupo que conseguiu uma média superior a 40 km por hora, se já fizeram as contas), de ficar, como recordação, com o testemunho utilizado na estafeta, aquele tubo amarelo que se vê na imagem.

Confesso que não percebi por que razão Bolt lhe entregou o objeto. Acaso o funcionário iria atrás dele?

Havia de ser comigo! Ou pior: se fosse comigo, o homem era capaz de me apanhar...

Moniz Pereira

No final da maratona olímpica que hoje se concluiu em Londres, e por uma qualquer razão bem concreta, lembrei-me da figura de Mário Moniz Pereira.

Nos idos de 70, quando proliferaram em Portugal as "associações de amizade" entre Portugal e alguns países (normalmente do "socialismo real", como era o caso da Portugal-Polónia, de que fui membro), Moniz Pereira tomou a iniciativa (que já não recordo se polémica) de criar uma "associação de amizade Portugal-Portugal", sublinhando a necessidade de cuidarmos das nossas relações conosco mesmos. Nos dias que correm, pergunto-me se não valeria a pena recuperar essa instituição.

Conselheira da UE para as privatizações na Grécia implicada em corrupção

A eslovaca Anna Bubeníková era uma das conselheiras da agência de privatização grega nomeada pela Comissão Europeia para dar assessoria ao governo de Atenas no processo de privatizações que pode chegar aos 19 mil milhões de euros até 2015. Fora nomeada para o cargo em julho de 2011, e tinha o seu salário pago não pela Comissão Europeia, mas pelo governo grego.

América, América

Os Estados Unidos são um país que não para de surpreender.

Depois da relativa desilusão que havia sido a sua prestação nos jogos olímpicos de Pequim, a América desportiva renasce, mais forte do que nunca, nas jornadas londrinas que ontem se encerraram, com a Europa num lugar secundário.

Mas há surpresas de outra natureza que também surgem do outro lado do Atlântico. Quando todos presumiam que o candidato presidencial republicano, Mitt Romney, ia "compensar" a sua imagem de conservadorismo com um companheiro de "ticket" que pudesse abrir caminho ao voto do centro, eis que surge nesse lugar uma figura de uma direita que está próxima do Tea Party, o que pode ser uma inesperada boa notícia para a recandidatura de Barack Obama. Será que o efeito de um candidato de um modelo ideológico tipo Sarah Palin vai beneficiar o atual presidente? Ou será que, em caso de vitória de Romney, poderemos ter uma reedição de uma "escola" de vice-presidentes como Spiro Agnew ou Dan Quayle? Ou será que somos nós, para quem o desfecho do que se passar em Washington não é nada indiferente, quem está a ler a realidade americana à maneira europeia?

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

PGR analisa história de Zita Seabra sobre espionagem, pelo PCP.

Zita Seabra saberá do que fala, pois com um passado de dezenas de anos no PCP.

“Ex-dirigente expulsa pelo PCP contou que o partido teria usado a FNAC, empresa de ar condicionado do também comunista Alexandre Alves. Microfone seriam colocados nos ares condicionados instalados em ministérios e outros órgãos de poder, sobretudo militares. Este é um dos principais assuntos de hoje na edição imprensa ou no e-paper do DN.”

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

“O naufrágio”, de Rabindranath Tagore.

Um excelente livro, da realidade indiana.

Ser Amado.

Às vezes, é preciso conseguirmos o que não se consegue: parar de amar por um momento, para se ser amado por quem se ama.
Seria bom podermos parar para nos sentirmos amados sem ser de volta, na confusão de duas pessoas a amarem-se. Se não amássemos quem amássemos, talvez pudéssemos receber o amor dela e saber como era. 
Mas não é provável. Se não a amássemos, não quereríamos saber. Ser amado seria um pedido, uma intromissão, um desconforto à espera de uma resposta nossa, de uma desilusão, de uma insensibilidade àquele amor que não queremos para nada, que nos apanhou e embaraça. Se calhar, na vida e na morte de quem ama e quem se ama, só se sente o não ser amado e o já não ser amado e, quando muito, o já ter sido amado. A ausência e a tristeza, por muito grandes que sejam, não são tão grandes como a presença, a alegria e a angústia do amor vivo, que ocupa os corpos todos e as almas todas. 
É pena que enquanto se é amado por alguém nunca pareça que se é. Amado, de certeza, incondicionalmente, como é amado - também sem saber - quem amamos. 
A maior sorte é pensar que a pessoa amada, à força de ser tão amada, quase por uma questão de empatia e reciprocidade, começa a enganar-se que nos ama também. É a que me cabe, graças à Maria João e ao amor com que a amo. 
Ela ama-me também. Sem ser por arrasto - e com atraso. É isto que ela me diz. Eu não acredito. Mas cada vez tenho menos razões para não acreditar. É muito. É muito mais. Obrigado, meu amor. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público' (26 Julho 2012)

Alguém esclarece?

Desde há uns tempos, ando com uma dúvida. Ficaria grato - com sinceridade - se alguém ajudasse a esclarecê-la.

No final dos anos 90, recordo-me de uma "batalha" política empreendida pelo governo de então (do qual, aliás, eu fazia parte) no sentido de acabar com a "poluição" visual que representava a proliferação de "outdoors" pelas estradas do país, julgo que com especial incidência junto das autoestradas, aparentemente com vista a atenuar os riscos de distração dos condutores. A questão, recordo-me, foi polémica mas teve, na realidade um efeito prático, com a desaparição de centenas desses imensos cartazes. Tenho mesmo a ideia de que foi necessário pagar a algumas entidades, que tinham direitos adquiridos que deveriam ser tidos em conta.

Passaram uns tempos e eu nem mais pensei na questão, até porque não tenho "strong feelings" sobre ela. Hoje, porém, ao atravessar Portugal de norte para sul, verifiquei a existência de centenas de outdoors gigantes por todo o lado. Pergunto: essa legislação foi revogada ou ninguém a está a cumprir?

Alguém me ajuda a perceber o que se passa?

Os pontos nos iis

É por demais evidente que, em democracia, os responsáveis políticos são eleitos pela população de acordo com programas e devem, por isso mesmo, ser responsabilizados pelos cidadãos pelas políticas que desenvolvem e pelos atos de gestão que promovem.

Brasil: o 'mensalão' chega à Justiça

Para a oposição e os meios hegemónicos de comunicação (que no Brasil são dois nomes para a mesma coisa), trata-se do julgamento do século. Para o PT e muito especialmente para algumas das suas estrelas mais luminosas, trata-se de uma espécie de pesadelo. Para o Supremo Tribunal Federal, o máximo tribunal brasileiro, é um enorme desafio: são 50 mil páginas como os autos do processo, que não tem prazo para terminar, e seguramente vai-se estender pelo menos até meados de setembro.

Idosos perdem mobilidade e ficam mais isolados

Mais de 40 mil idosos da Grande Lisboa deixaram de comprar o passe terceira idade no primeiro semestre deste ano, segundo dados enviados à Agência Lusa pela Carris.
Nesse período, houve uma redução de mais de 17 por cento na compra do passe Navegante Urbano 3ª idade (Carris, Metro e CP na zona urbana). No primeiro semestre deste ano, acordo com a empresa, no primeiro semestre do ano passado, 200.876 pessoas compraram esse passe, contra 242.717 no mesmo período do ano passado.

Seca nos EUA anuncia alta generalizada dos preços dos alimentos no mundo

Uma intensa seca alastra rapidamente através do centro dos Estados Unidos, danificando ainda mais os produtos agrícolas básicos e aumentando o risco de uma crise alimentar global.
O Médio Oeste, onde por volta de um terço das variedades de cereais são produzidas, sofre a mais profunda seca do último meio século.

Almanaques


Na casa da minha avó paterna, em Viana do Castelo, um belo edifício frente à doca onde hoje se acolhe uma fundação musical, havia um escritório que, por quase uma dezena e meia de Agostos, se transformava no meu quarto. Recordo-me que, ao redor da cama, para além de uma escrivaninha, havia três armários envidraçados, dentro dos quais reluziam belas encadernações de livros, pertencentes a um membro da família que morrera ainda antes de eu nascer, o tio Túlio. A sua figura severa olhava-nos da parede, de uma fotografia em que aparecia com uma farda cinzenta de tenente da Cruz vermelha. Ao lado, num outro caixilho, que tilintava quando se lhe tocava, jaziam as suas condecorações. Os livros estiveram, por muito tempo, inacessíveis à ala mais jovem da família, fechados à chave. Estava por lá tudo o que era literariamente óbvio na pátria - Eça, Camilo, Júlio Dinis, Herculano, etc. - e uma imensa diversidade de obras estrangeiras, que assentava muito no realismo francês do fim do século XIX e, na área do ensaio, tinha coisas muito ecléticas e até cientificamente bizarras. Por razões que a memória da família não acolhe, recordo ainda existirem textos vários, em português e francês, sobre espiritismo. Só lá para os meus 13 ou 14 anos é que tive direito às chaves dos armários talvez porque, verdade seja dita, apenas nessa idade comecei a ter curiosidade em explorar alguma daquela livralhada. De início foi Jules Verne e os muitos Sandokan. Depois, aconselhado em segredo por primos mais velhos, aventurei-me, pelas razões naturais da idade, por literatura com páginas tidas por mais excitantes, num outro mundo de aventuras...

Mas todo este preâmbulo serviu apenas para dizer que, num dos armários, o tio Túlio tinha uma magnífica (e julgo que, à época, muita completa) coleção dos Almanaque Bertrand, umas dezenas de preciosos volumes de que eu bem gostaria hoje de ser proprietário (que será feito deles?). Embora a "cultura de almanaque" de alguns nossos conhecidos fosse sempre objeto de ácidas graças no seio da nossa família, a verdade é que esses belos anuários, que aliavam o caráter de repositório de memórias com anedotas, curiosidades, jogos, curtos textos literários, de humor e de divulgação, foram muito importantes para algumas gerações, num tempo sem televisão e com a rádio apenas a nascer, em que muita imagem era substituída por imaginação.

Nesta ensoleirada tarde de domingo, com a Bertrand do Chiado aberta (viva a crise!), adquiri, por uma muito módica quantia, o Almanaque Bertrand nº 72, relativo a 2012/2013. E, por mais de uma hora, na esplanada da Brasileira, em frente ao "Paris em Lisboa", na qualidade de quase único representante português na maré de estrangeiros que se fotografam com o metálico Pessoa, diverti-me imenso com essa encadernada variedade de informação e divertimento. E recordei, com alguma saudade e gratidão, o tal tio Túlio que nunca vi.

Do Almanaque deste ano, deixo esta divertida definição (muito injusta, reconheça-se) do "Folar de Chaves": "grossas almofadas confecionadas a partir de restos de croissant e recheadas com bacon, linguíça, salpicão e espanhóis"...

Alemanha ganha mais de 70.000 milhões com crise da dívida

O diário alemão "Bild" reconheceu, na passada quarta feira (1 de agosto de 2012), que a "Alemanha ganha dinheiro graças à crise do euro". Noticia a revista francesa "L' Expansion", que de acordo com aquele jornal a Alemanha está a ganhar com a baixa das taxas de juro da sua dívida soberana, mas também com a baixa da cotação do euro, que favorece as suas exportações para fora da União Europeia.

Empresas pagam cada vez menos IRC

O jornal "Público", desta segunda feira, destaca que o IRC (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas) pago pelas empresas em 2010 foi o mais baixo dos últimos 20 anos e que a percentagem recolhida pelo Estado é cada vez menor, desde 1990.

57 famílias por dia deixaram de pagar a prestação da casa, no primeiro semestre

Segundo o "Diário Económico" desta terça-feira e de acordo com os últimos dados divulgados pelo Banco de Portugal, no primeiro semestre de 2012, 10.454 famílias deixaram de pagar o crédito à habitação. Ou seja, em média 57 famílias por dia deixaram de pagar a prestação da sua casa nos primeiros seis meses do ano.

7,2 milhões para projecto falido, no Alqueva.

Onde está o dinheiro que o PS lhe deu? Sociedade de José Roquette em processo de insolvência.

O negócio, para o Estado, para os lojistas, PT, etc., das campanhas de solidariedade!

Sendo o Estado responsável por todos nós cidadãos, que somos o próprio Estado, compete então ao mesmo resolver as situações dos cidadãos mais carenciados, pois para isso é que pagamos impostos, além de outras situações.

No recente Programa de luta contra a fome.
Nada é o que parece.
Ora veja:

Decorreu este fim de semana mais uma ação, louvável, do programa da luta contra a fome mas....façam o vosso juízo!
A recolha em hipermercados, segundo os telejornais, foi cerca de 2.644 toneladas! Ou seja 2.644.000 Kilos.
Se cada pessoa adquiriu no hipermercado 1 produto para doar e se esse produto custou, digamos, 0.50 € (cinquenta cêntimos), repare que:
2.644.000 kg x 0,50 € dá 1.322.000,00 € (1 milhão, trezentos e vinte e dois mil euros), total pago nas caixas dos hipermercados.
Quanto ganharam???:
- o Estado: 304.000,00 € (23% iva)
- o Hipermercado: 396.600,00 € (margem de lucro de cerca de 30%).
Nunca tinha reparado, tal como eu, quem mais engorda com estas campanhas...
Devo dizer que não deixo de louvar a ação da recolha e o meu respeito pelos milhares de voluntários.
MAIS....
É triste, mas é bom saber...
- Porque é que os madeirenses receberam 2 milhões de euros da solidariedade nacional, quando o que foi doado eram 2 milhões e 880 mil?
Querem saber para onde foi esta "pequena" parcela de 880.000,00 €
A campanha a favor das vítimas do temporal na Madeira através de chamadas telefónicas é um insulto à boa-fé da gente generosa e um assalto à mão-armada.
Pelas televisões a promoção reza assim: Preço da chamada 0,60 € + IVA. São 0,72 € no total.
O que por má-fé não se diz é que o donativo que deverá chegar (?) ao beneficiário madeirense é de apenas 0,50 €.
Assim oferecemos 0,50 € a quem carece, mas cobram-nos 0,72 €, mais 0,22 € ou seja 30%.
Quem ficou com esta diferença?
1º - a PT com 0,10 € (17%) isto é a diferença dos 0.50€ para os 0.60€.
2º - o Estado com 0,12 € (20%) referente ao IVA sobre 0,60 €.
Numa campanha de solidariedade, a aplicação de uma margem de lucro pela PT e da incidência do IVA pelo Estado são o retrato da baixa moral a que tudo isto chegou.
A RTP anunciou com imensa satisfação que o montante doado atingiu os 2.000.000,00 €.
Esqueceu-se de dizer que os generosos pagaram mais 44%, ou seja, mais 880.000,00 € divididos entre a PT (400.000,00 € para a ajuda dos salários dos administradores) e o Estado (480.000,00 € para auxílio do reequilíbrio das contas públicas e aos trafulhas que por lá andam).
A PT cobra comissão de quase 20% num acto de solidariedade!!!
O Estado faz incidir IVA sobre um produto da mais pura generosidade!!!
ISTO É UMA TOTAL FALTA DE VERGONHA, SOB A CAPA DA SOLIDARIEDADE. É BOM QUE O POVO SAIBA QUE ATÉ NA CONFIANÇA SOMOS ROUBADOS.
ISTO É UM TRISTE ESBULHO À BOLSA E AO ESPÍRITO DE SOLIDARIEDADE DO POVO PORTUGUÊS!!!

Enviado por um leitor, com correções minhas.
Fiz os cálculos e estão certos.

Pelo menos. DENUNCIE!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Draghi: compra de dívida de Itália e Espanha condicionada a programa de ajustamento

Na semana passada, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, anunciava que o BCE iria "fazer tudo" para controlar a crise financeira. Estas afirmações levantaram enormes expectativas, já que deixavam antever que esta entidade iria adquirir obrigações de países como Espanha e Itália, cujos juros da dívida ascendem a níveis considerados insustentáveis.