quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A ameaça nazi que surge dos escombros da crise grega

A Grécia, primeiro país a experimentar a austeridade imposta pela Troika (Banco Central Europeu, União Europeia e Fundo Monetário Internacional), vive ao extremo essa realidade. De um lado a Coligação de Esquerda Radical (Syriza) experimentou um crescimento vertiginoso no seu resultado eleitoral, saltando de 4% em 2009 para 27% nas últimas eleições de junho de 2012, quando por apenas 2% não ganhou ao partido de direita Nova Democracia, que conseguiu eleger Antonis Samarás como primeiro-ministro.

Dinheiro em Caixa?

Durante quase três décadas, o meu pai foi gerente, em Vila Real, de uma das filiais distritais da Caixa Geral de Depósitos, instituição em que trabalhou, com imenso orgulho e insuperável dedicação, 47 anos da sua vida. A Caixa era também a sua família e ainda recordo a alegria que lhe dei quando, em 1971, sem o avisar, fiz concurso e fui admitido como funcionário da Caixa - aquele que foi o meu primeiro emprego.

Durante muitas décadas, a Caixa foi o banco popular de Portugal. Era à Caixa, porque a Caixa era do Estado, que as pessoas mais simples confiavam os seus haveres. A Caixa tinha "cadernetas" escritas à mão, onde era inscritos os juros e registados os saldos. Os depositantes compraziam-se em passar pelo balcão da Caixa, para fazer esse acrescento regular, que lhes assegurava "quanto tinham na Caixa".

O meu pai recordava, às vezes, uma pequena história.

Um dia, um funcionário veio avisá-lo de que um cliente, depois de ter pedido para "atualizar a caderneta", informou que queria levantar todo o dinheiro que tinha na sua conta, em espécie. Tratava-se de um montante bastante elevado e, até por razões de segurança, era um pouco estranho que o cliente quisesse transportar o dinheiro dessa forma. Estaria o homem insatisfeito com o serviço prestado pela Caixa?

O meu pai mandou entrar o cliente para o seu gabinete. Era um homem muito simples, residente numa aldeia próxima de Vila Real, idêntico a uma imensidão de outros clientes oriundos das áreas rurais, que constituiam uma grande massa dos depositantes na Caixa. Perante a estranheza manifestada, pela inusitada (e até arriscada) operação que ele pretendia executar, o homem respondeu: "O dinheiro é ou não é meu? Posso ou não posso fazer com ele o que me apetecer? Quero levantá-lo todo e já!". Perante esta inabalável determinação, o meu pai mandou preparar grandes envelopes com as notas, que foram entregues ao cliente. Após receber o dinheiro, o homem perdeu largos minutos a contar todas as notas. No final, disse: "Agora, quero depositar isto tudo outra vez. Foi só para saber se o dinheiro ainda era meu!". E era, claro.

Lembrei-me disto, na tarde de hoje, também na Caixa, também em Vila Real, quando assisti ao drama de uma pobre senhora de aldeia, a dona Celeste, confrontada com a impossibilidade de resgate do montante de um "produto" em que, há alguns anos, tinha sido convencida a empregar alguns largos milhares de euros e que, agora, se via impossibilitada de levantar, sem perder uma importante fatia do próprio capital. Fui testemunha por largos e pungentes minutos do embaraço delicado dos funcionários, dos lamentos lancinantes da senhora, seguidos do seu desmaio, com hipótese de convocação do 112. Um espetáculo triste, penoso e indigno, que incomodou quem a ele assistiu. Que não sei mesmo como acabou, porque, logo que pude, saí, indignado.

Quem terá sido o funcionário espertalhote que vendeu à dona Celeste o "produto", em cujo "small print" estavam (espero eu!) as condicionantes limitativas das possibilidades de resgate? Aquele que o fez impingiu àquela pobre senhora, que tinha uma evidente limitação cultural para entender as peculiaridades da evolução financeira dos mercados, um "produto" em que enterrou muitos dos seus haveres. E, goste-se ou não da palavra, essa pessoa incorreu, na prática, numa verdadeira fraude. Ela e, com ela, a Caixa Geral de Depósitos, instituição onde também eu tenho as minhas economias e que, por ser propriedade do Estado, sempre tive por um banco diferente, onde tinha a certeza que os clientes nunca seriam tratados assim. Enganei-me, pelos vistos.

Se fosse vivo, e se tivesse assistido a esta lamentável cena, o meu pai teria hoje sentido uma imensa tristeza, idêntica à que eu próprio experimentei. Mas ele já morreu, como também já parece ter desaparecido aquela Caixa Geral de Depósitos que foi o seu orgulho, em que as pessoas mais simples deste país, por muitos anos, se habituaram a confiar.

Londres olímpica


Visto aqui de Paris, que continua a ser o maior centro urbano de atração turística à escala global, percebe-se muito bem o fantástico aproveitamento, em termos de promoção como destino de visitantes, que Londres está a fazer com estes Jogos olímpicos. A espantosa qualidade das imagens televisivas cobre diversos cenários do Reino Unido, os quais, sem a menor dúvida, vão atrair, no futuro, muita gente de todo o mundo - não obstante a insegurança do clima.

Tudo indica que estamos perante uma operação bem conseguida, para uma economia britânica que bem dela estava necessitada. E alguma coisa também me diz que os ingleses não vão cometer os mesmos erros da Grécia, em 2004, quando, numa iniciativa algo megalómana, se envolveram numa insensata aventura olímpica, sem um retorno suficiente, o que terá contribuído para agravar a sua já então periclitante situação financeira.

Doidos


Os critérios de arquivamento, quando o há, são diferentes, mas, em todas as embaixadas, existe o que, na linguagem vulgar da "carreira", se chama a pasta das "cartas dos doidos". É uma correspondência muito variada, quase sempre não dirigida nominalmente ao embaixador, muitas vezes escrita à mão, outras à máquina (antiga), ainda raramente (mas começa a aumentar) por via informática. Quase sempre assinadas, diferenciando-se, por aí, das regulares cartas anónimas (neste caso, umas prenhes de cobardia, outras temerosas de consequências), as "cartas dos doidos" tanto podem alertar para teorias conspirativas e catastróficas (os malefícios dos "poderes ocultos" são muito vulgares) como carrear ideias ou propostas bizarríssimas, geralmente "geniais" (algumas que, alegadamente, não progridem por via das tenebrosas conspirações que contra elas se convocaram), as quais, no entender dos subscritores, as embaixadas e os países que elas representam teriam toda a óbvia vantagem em "aproveitar". Algumas dessas cartas, chegado o fim da sua leitura, não se percebem de todo. Resta dizer que, normalmente, quem as assina não é português. Nos serviços que de mim dependeram, e salvo casos limite, houve sempre instruções para ser elaborada uma resposta amável, embora dissuasória de correspondência futura.
Depois de décadas desta vida, devo dizer que tenho pena de não ter colecionado alguns espécimens deste tipo de correspondência, em particular para tentar perceber melhor o que de apelativo se encontra numa representação diplomática para a tornar alvo preferencial deste género de iniciativas.
Ontem, recebi uma dessas cartas. Não divulgo o seu conteúdo porque, por menor que seja o crédito que ela nos mereça, temos de preservar respeito por quem a endereçou, com cuja eventual perturbação psicológica não temos o direito de brincar.

Ahh, se tivéssemos mar...

"Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE)
demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo Continente (do
grupo Sonae) estão entre os maiores importadores portugueses."
Porque é que estes dados não me causam admiração? Talvez porque, esta
semana, tive a oportunidade de verificar que a zona de frescos dos
supermercados parece uns jogos sem fronteiras de pescado e marisco. Uma ONU
do ultra-congelado. Eu explico.
Por alto, vi: camarão do Equador, burrié da Irlanda, perca egípcia,
sapateira de Madagáscar, polvo marroquino, berbigão das Fidji, abrótea do
Haiti? Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais viajado que
nós. Eu não tenho vontade de comer uma abrótea que veio do Haiti ou um
berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que fica a mais de
2.000 quilómetrosde casa é exótico. Eu sou curioso, tenho vontade de falar
com o berbigão, tenho curiosidade de saber como é que é o país dele, se a
água é quente, se tem irmãs, etc.
Vamos lá ver. Uma pessoa vai ao supermercado comprar duas cabeças de
pescada, não tem de sentir que não conhece o mundo. Não é saudável ter
inveja de uma gamba. Uma dona de casa vai fazer compras e fica a chorar
junto do linguado de Cuba, porque se lembra que foi tão feliz na lua-de-mel
em Havana e agora já nem a Badajoz vai. Não se faz. E é desagradável
constatar que o tamboril (da Escócia) fez mais quilómetros para ali chegar
que os que vamos fazer durante todo o ano. Há quem acabe por levar
peixe-espada do Quénia só para ter alguém interessante e viajado lá em casa.
Eu vi perca egípcia em Telheiras? fica estranho. Perca egípcia soa a Hercule
Poirot e Morte no Nilo. A minha mãe olha para uma perca egípcia e esquece
que está num supermercado e imagina-se no Museu do Cairo e esquece-se das
compras. Fica ali a sonhar, no gelo, capaz de se constipar.
Deixei para o fim o polvo marroquino. É complicado pedir polvo
marroquino, assim às claras. Eu não consigo perguntar: "tem polvo
marroquino?", sem olhar à volta a ver se vem lá polícia. "Queria um quilo de
polvo marroquino" - tem de ser dito em voz mais baixa e rouca.
Acabei por optar por meio quilito de bacalhau da Noruega, assim como assim,
já estamos habituados. Eu, às vezes penso: o que poupávamos se Portugal
tivesse mar.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Relvas teve equivalência a 90% do curso, mas Lusófona recomendava limite de 40%

A revista "Visão", num artigo com o título "Uma licenciatura 'absolutamente excecional'" publicado nesta quinta feira, divulga novos dados sobre a licenciatura de Miguel Relvas.

Espanha condenada no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos

A mulher nigeriana, nascida em 1977 e com residência legal no Reino de Espanha desde 2003, foi detida quando exercia a prostituição. Assegura que recebeu golpes durante a estadia na esquadra policial e que os agentes lhe chamaram 'puta preta' e proferiram frases como 'vai-te daqui'. O tribunal europeu considera que houve neste caso uma violação do artigo 14 da Convenção Europeia de Direitos Humanos, que proíbe a discriminação.

Refer fecha mais 65 quilómetros de linhas

Assim se privilegia mais uma vez o transporte automóvel, em detrimento do ferroviário, que é mais barato, menos poluente e melhor para a economia nacional!

“A CP vai comunicar nesta sexta-feira aos municípios de Marvão, Castelo de Vide e Crato que deixará de fazer serviço na linha férrea que atravessa estes concelhos a partir de 15 de Agosto devido ao seu encerramento por parte da Refer. Uma comunicação que é meramente simbólica pois a transportadora ferroviária há mais de um ano que desistiu do serviço regional naquela zona do país, limitando-se a nela fazer passar todas as noites, nos dois sentidos, o comboio-hotel Lusitânia Expresso entre Lisboa e Madrid.” Publico

Casa da Moeda. O local onde se fazia e guardava dinheiro. Os gestores pagaram contas pessoais com cartão de crédito da CMoeda.

Penso haver alguma mesquinhez, nesta informação. Sabemos que os governos de José Sócrates primavam por gastar dinheiro, esbanja-lo mesmo, pois assim a economia funcionava. As fundações dos “Magalhães” e tudo o mais das PPP, como SCUTS, Hospitais, auto-estradas, etc. portanto que dois administradores e seis diretores de empresa da Casa da Moeda utilizassem os cartões de crédito para pagarem umas despesas pessoais, tipo jantares a amigos, tipo convívios com namoradas, tipo prendas às mesmas e não esquecer de levar algumas para casa, gasolina nos carros dos filhos e mulher, reparações e manutenção automóvel, telemoveis, etc num valor totalmente ridículo de 27.888,33 euros, entre 2009 e 2011, segundo o Tribunal de Contas, parece-me despropositado. Até porque, se dividir-mos por oito, dá a cada um 1.743,02€ por ano!

O campeão olímpico, das administrações. Cargos em 73 empresas: Miguel Pais do Amaral.

A capacidade olímpica de gestão, o orgulho nacional, que andava desfeito com a participação dos atletas que foram a Londres, desvaneceu-se agora com o surgimento do nosso Michael Phelps da gestão. A saber-se que num honroso segundo e terceiros lugares aparecem a curta distancia, uns Srs. De acordo com contas avançadas pelo Jornal de Negócios, Gonçalo Andrade Moura Martins (administrador no grupo Mota-Engil) e Manuel Teixeira Duarte (Teixeira Duarte) são também dos que mais cargos acumulam. No final de 2011, o primeiro estava em 51 empresas e o segundo em 45!!! Não nos podemos esquecer ainda de outro grande atleta olímpico, como é por exemplo António Nogueira Leite, está representados em empresas de diferentes ramos de atividade. De acordo com o mesmo jornal, o gestor estava em 25 cargos de gestão no final de 2011, em empresas como a Brisa, EDP Renováveis e Reditus. Na Reditus tem como parceiro de administração Miguel Pais do Amaral, administrador e o maior acionista da Reditus, empresa ligada às novas tecnologias, é também presidente não executivo da Media Capital (grupo da TVI, no qual detém 10%),  e detém um grande leque de interesses financeiros através da Quifel Holdings, segundo o jornal Publico. Nos últimos lugares aparecem, conforme o relatório da CMVM que no final de 2010, 17 pessoas acumulavam funções de administrador em 30 ou mais empresas, enquanto outros 55 administradores se limitavam a uma só empresa.

Fundações amigas, o governo está sempre convosco.

Não seria mais interessante analisar as contas das fundações e ver o destino do dinheiro que lá entra? Pois se das 401 fundações analisadas no relatório encomendado pelo Governo, a Fundação para as Comunicações Móveis (FCM), que geria o programa de atribuição dos portáteis Magalhães, foi a que recebeu mais apoios públicos de 2008 a 2010: 454,4 milhões de euros, quase metade dos apoios totais concedidos a fundações naquele período, então que dizer das restantes, em que algumas não se sabe para que servem?

Jogos Olímpicos na TV portuguesa e a RTP, SIC e TVI desistem dos jogos da I Liga.

Para ver os jogos olímpicos, temos de ter solução por cabo, e ver na eurosport, pois o Sr. Joaquim Oliveira não quis gastar dinheiro com os jogos olímpicos e entretém com programas que ninguém vê. Vamos aturando o Sr. JO até um dia… ver os JO que a RTP disponibiliza no canal 2, é tão pouco, que se torna confrangedor!

Quem quiser ver os jogos de futebol português, na próxima época, tem de os ver no estádio ou pagar ao Sr. Joaquim Oliveira, na sportv. Palpita-me que foi um tiro no pé que este Sr. deu, bem como os gestores dos canais publico e privados, a operar em Portugal. Está aqui montado um esquema de explorar ainda mais o povo que quer ver desporto! Se pudéssemos contar com uma justiça séria em Portugal, seria analisado o porquê deste facto. Sabemos bem que o negócio do Sr. Joaquim Oliveira é muito forte e dá dinheiro a ganhar a muita gente, mas o interesse geral deveria prevalecer.

Pessoalmente o campeonato de futebol português não me interessa, mas assino para ver alguns jogos internacionais. Quando deixar o Sr. Joaquim Oliveira de nos canais sport tv de dar os tipos de jogos que quero, faço como muitos já fizeram e outros farão a curto prazo. Desligo o “taxímetro”, que é bem caro para o que nos vende!

Núcleo Museológico do Castelo de São Jorge

Aberto todo o ano

Que Lisboa sempre foi uma cidade muito cosmopolita não restam dúvidas. Desde o século VI a.C. que fenícios, gregos, cartaginenses, romanos e muçulmanos por aqui andaram e deixaram vestígios. É na zona do Castelo de São Jorge que se concentram a maioria destes indícios da sua presença.
As escavações que têm sido feitas desde 1996 trouxeram à luz do dia muitas destas peças. O resultado, reunido em acervo, vai poder ser visto por todos os lisboetas e visitantes a partir de agora no recém-criado Núcleo Museológico do Castelo. Esta abertura corresponde à conclusão da primeira fase do projecto de “Musealização da Praça Nova e Núcleo Museológico”, um projecto co-financiado a 62 por cento pelo Feder/ Plano Operacional de Cultura.
Esta colecção que agora se expõe pretende ser um contributo para o estudo de Lisboa e para compreender a importância das gentes e vivências que, ao longo dos séculos, construíram o substrato da cidade de hoje, um espaço intercultural por excelência, testemunho vivo da riqueza e diversidade culturais da história da cidade.
No primeiro núcleo expositivo, a Alcáçova Islâmica de Lisboa ganha particular destaque, justificado pela incontornável presença do mundo islâmico em Lisboa, sobretudo os testemunhos dos séculos XI-XII, época da construção do castelo e da definição da Alcáçova enquanto espaço político-militar de relevo na cidade. O segundo núcleo expositivo, genericamente designado por Outras Vivências, convida a uma viagem pelos testemunhos das diversas presenças que marcaram a alcáçova e que ilustram aspectos diversos do quotidiano durante cerca de 25 séculos de ocupação do topo da colina do Castelo, começando pelos vestígios da primeira ocupação na Idade do Ferro, no século VII a.C. Como subnúcleo, incluiu-se ainda um espaço dedicado ao tema da Cerâmica de Revestimento entre os séculos XV a XVIII.
Catarina Mendonça Ferreira

Barão da droga colombiano preso na Caparica

Estes são os imigrantes que pululam por aí, tal como os bandos dos assaltantes, que são de países de leste e américa do sul, e não só, mas que por razões que desconheço não os prendem. Não se entenda esta mensagem como xenófoba, pois felizmente, para todos, a maioria dos imigrantes que cá estão são sérios, trabalhadores e trouxeram uma mais valia, com a sua cultura e conhecimento. Refiro-me, neste postal, é aos bandos de marginais que, ao tomarem conhecimento da pacatez do nosso povo, imigraram para cá, e assim toda a população os conhece dos desacatos provocados, dos carros roubados, dos assaltos a residências, dos roubos na via publica, das falsificações, dos assaltos aos multibancos, etc e que parece que só a polícia não sabe quem são e portanto deixa-os andar por aí na sua actividade, bem como os juízes que não condenam aqueles que são capturados e devolvidos à origem. PJ capturou colombiano procurado pela Interpol.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Morreu Eurico de Melo

Foi uma figura muito popular, no país. Antigo vice-primeiro-ministro pelo PSD, nos governos de Cavaco Silva, morreu esta madrugada, aos 86 anos, no Porto.

Morreu o escritor norte-americano Gore Vidal.

O escritor norte-americano Gore Vidal, autor de obras como "Lincoln", "Império" e "Myra Breckenridge", morreu na terça-feira aos 86 anos na sua casa em Hollywood, vítima de uma pneumonia, informou o sobrinho. Não li o Lincoln, mas li os outros além do Washington D.C., que são exelentes livros!!!

Dormir na Régua


"T'ás maluco? Vais dormir à Régua? 'Ninguém' dorme na Régua!". Foi esta a reação quase insomníca, de ontem à tarde, assumida por um vilarealense empedernido, quando lhe anunciei que, por uns dias, ia ficar num hotel da Régua, para acompanhar uma missão da UNESCO que vai avaliar da compatibilidade da construção de uma barragem na foz do Tua com o estatuto de "património mundial" do Alto Douro Vinhateiro.

Por natureza identitária, um vilarealense que se preze não gosta da Régua, melhor, "ignora" a Régua, da mesma forma que se "irrita" com essa "irrelevância" regional que é Chaves. Para um cidadão de Vila Real, a sua cidade é um fenómeno isolado, porque entende que Trás-os-Montes (e o Alto Douro) apenas pode, e deve, ser representado pela sua ímpar urbe. E isto não se discute, por mais modesto que um vilarealense possa e queira ser. Há Vila Real e, depois, só há, para lá do Marão, o Porto. E é tudo! É claro que, um pouco mais "lá para cima", há, mas já bem depois, uma "coisa" a que se chama Bragança (e, de caminho, Mirandela e Macedo, além de umas adjacências onde "não se vai", a não ser a caminho de Espanha). Mas tudo isso já é muito "diferente".

A Régua esteve situada a 29 km de Vila Real (hoje já é bem menos), pela "estrada velha", que passava por Santa Marta e cujas curvas nos causavam enjoos infantis. Em alternativa, fazia-se quase uma hora de viagem, pela velha linha férrea do Corgo, para ir aí apanhar, até aos anos 60 (quando a camionagem do Cabanelas nos passou a fazer enjoar pelo Marão), o comboio para o Porto. Mais tarde, a Régua ficou um pouco mais próxima, quando se ia pela encosta contrária, por Nogueira. Mas vamos ser justos: por que diabo um vilarealense ia à Régua? Para nada, a menos que fosse para passar para Viseu, ou para ir a à Senhora dos Remédios a Lamego, num assomo de romaria. Ou, como experiência etnológica, se decidisse passar por lá para comprar rebuçados, às mulheres aventaladas à porta da estação e fotografar a mais pequena barbearia do mundo (que deixo a imagem, ontem registada). Às vezes, em fins de semana invernosos, também se passava pela Régua para "ver" as cheias, quando o Douro, antes das barragens (já estou a fazer política "unescal", como notaram), alagava a marginal.

Nós, em Vila Real, o que é que conhecíamos da Régua? Praticamente, só as "pequenas". Por um excedente de produção de qualidade que nunca ninguém soube explicar, a Régua enviava para Vila Real, para estudar, algumas das mais bonitas garotas que o liceu Camilo Castelo Branco alguma vez teve (e que olhos, senhores!). Os irmãos ou os primos desse "pequename", assumindo uma espécie de "template" automobilístico, vinham sempre à "Bila" de NSU, que traziam aos ralis, às gincanas ou apenas, como dizíamos, para "armar aos cágados", à porta da Gomes, em dias de circuito, a aquecer ruidosamente os escapes. Por essas e por outras é que eu, durante anos, quase que me convenci que, na Régua, não era "gente" quem não andasse de NSU, como se por aí estivesse estabelecido o principal consumo mundial dessas viaturas. "For the record", convém dizer que essas simpáticas colegas vinham cuidadosamente "policiadas" por uma austera (mas muito competente) professora de matemática reguense, a Dona Raquel. Ah! e por falar em policiamento, é também muito importante recordar aqui os "polícias da Régua", tidos como dos mais rigorosos da região, sempre de farta bigodaça e pança proeminente, os quais, dizia-se, eram ferozes a derimir questiúnculas pesadas na zona do Peso (a Régua chamava-se, ou chama-se ainda, nunca percebi bem onde o debate toponímico ficou, Peso da Régua), onde, dizia-se, os ciganos imperavam. "É pior que um polícia da Régua!" era uma frase que, por décadas, se ouvia em Vila Real, para designar alguém com mau feitio. E da Régua chegava, pela voz melodiosa de Carlos Ruela, a "Rádio Alto Douro", para despeito vilarealense, onde imperava um deserto radiofónico.

Muito mais tarde, fomos "descobrindo" que a Régua também tinha, além do vinho do Porto (ninguém, nessa altura, bebia vinho do Porto, confessemos!, salvo no Natal, casamentos e batizados), o Douro e a sua beleza natural, a qual, lamento ter de dizê-lo, nunca contribuiu muito para melhorar a imagem da (agora) cidade, que é um eterno objeto arquitetónico sem grande interesse, com pontes e viadutos a mais. Da Régua vamos ouvindo ainda, SIClicamente, nas televisões, os protestos às 13 ou às 20 horas (horas oficiais dos protestos, no Portugal contemporâneo) dos produtores de vinho da região, sempre cuidadosamente filmados em frente ao "estadonovense" edifício da Casa do Douro, com lavradores querendo mais "benefício" (o conceito demoraria algum tempo a explicar aqui) e, claro, apoios do Estado.

Mas, atenção!, na Régua, ou perto dela, comeu-se quase sempre bastante bem (e este bloguista não é indiferente ao tema, como é sabido). Mais recentemente, ia-se ao "Douro In", agora vai-se ao "Castas e Pratos" (fui lá ontem e foi um jantar soberbo!), sito nos velhos armazéns da estação ferroviária. Mais longe, lá para a Folgosa, o Rui Paula continua a dar cartas no "DOC" (depois de as ter dado no "Cepa Torta", em Alijó, e mesmo mantendo o "DOP", junto à Bolsa do Porto). Para uma experiência um pouco mais "radical", porque terá de se defrontar inevitavelmente com o mau feitio do dono da casa, e sempre avisando com antecedência, vá-se pelo cabrito à "Repentina", já fora de portas. E, para melhor discutir a barragem que por aqui nos traz, poder-se-ia acabar a tarde no "Calça Curta", bem junto à velha estação do Tua.

Eu sou um vilarealense atípico: sempre achei alguma graça à Régua. E hoje vou cá dormir, pensando (sem nostalgias, garanto!) no que será feito das belas reguenses do meu tempo. Boa noite!

Trabalhadores do Metro de Lisboa fazem greve às horas extra

A greve dos trabalhadores do Metro de Lisboa às horas extraordinárias, deve-se às alterações que a empresa pretende fazer unilateralmente, nomeadamente no pagamento das horas extraordinárias.
Não se sabe as implicações que a greve às horas extra pode ter no funcionamento do Metro de Lisboa e a empresa não respondeu à agência Lusa que queria saber o impacto que a administração prevê e quais as indicações que a empresa pretende dar aos utentes.