quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Americano Goldman Sachs maior acionista dos CTT

O banco de investimento norte-americano Goldman Sacha é para já o maior acionista dos CTT, com 4,99%. A compra foi feita no dia 5 de dezembro, já depois da privatização. O Deustch Bank anunciou que detém 2,04%

A tomada de participação por parte do Goldman Sachs foi comunicada há minutos através do sítio da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O banco de investimento diz apenas que tem os direitos de voto,  pelo que esta participação pode pertence a outros investidores. 


Americano Goldman Sachs maior acionista dos CTT - Expresso.pt

União bancária: Zona euro atinge objetivo

"Notáveis progressos na união bancária", congratula-se La Vanguardia. A 10 de dezembro, foi concluído um primeiro acordo entre os ministros das Finanças da zona euro para a criação de uma autoridade europeia que possa decidir o encerramento ou a ajuda aos bancos em dificuldades. Para o diário espanhol, esta decisão constitui um "passo decisivo" para a união bancária:

O progresso é muito importante, porque essa união pode tornar-se um fator decisivo na normalização do crédito para as empresas e para as famílias e, por essa via, representar um notável apoio ao reforço da retoma na Europa. […] Foram feitos progressos quanto à aceitação da Comissão Europeia como autoridade responsável pelo mecanismo de reestruturação ou de liquidação dos bancos, uma tarefa muito delicada que será partilhada com os Estados-membros.

Este ponto é um dos três pilares da união bancária, com a supervisão dos bancos pelo BCE já lançada, e o fundo de garantia dos depósitos. Este último aspeto ainda está em discussão, mas foram dados "passos de gigante" na reaproximação de posições, e foi encontrada uma "solução mista" através de uma espécie de cobertura comum dos fundos de que dependeriam os fundos nacionais durante um período de transição de dez anos.

Os pormenores serão acertados durante o Conselho Europeu de 19 e 20 de dezembro.


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Itália: “Garfos, o protesto é assustador”

Pelo terceiro dia consecutivo, o movimento "Forconi" (garfos) saiu à rua em muitas cidades italianas, bloqueando estradas e interrompendo serviços para protestar contra o Governo, a austeridade e o euro, noticia La Stampa.

Nascido em 2011, o movimento junta vários grupos particularmente atingidos pela crise, como vendedores, motoristas de camiões e pequenos empresários, mas também extremistas de direita e hooligans do futebol. Alguns dos organizadores ameaçaram "marchar sobre Roma" se o Governo sobreviver a um voto de confiança marcado para hoje, enquanto os líderes da oposição Silvio Berlusconi e Beppe Grillo deram o seu apoio aos manifestantes.

Segundo o editorial do diário estas manifestações são especialmente preocupantes porque

são as primeiras a realizar-se em Itália, desde há muito tempo, com o estômago vazio ou, mais precisamente, com o medo de que o estômago fique vazio em breve. [...] Não nos esqueçamos que, na Grécia, vimos pensionistas insuspeitos imolarem-se pelo fogo, no meio da rua. O desespero pode transformar qualquer pessoa.


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Croácia: “É preciso reduzir o défice em 3 mil milhões de kunas”

 

A Comissão Europeia propôs a abertura de um processo por défice excessivo contra a Croácia e instou o Governo croata a apresentar um programa de austeridade para o equivalente a 390 milhões de euros até 30 de abril de 2014.

A situação económica da Croácia preocupa Bruxelas: o défice público chega a 6% do PIB (contra os 3% exigidos pelos critérios da zona euro) e a dívida pública está perto dos 60% do PIB. As exportações e o investimento estão em baixa, enquanto o desemprego está a subir, lembra o jornal Večernji list.

Segundo o diário,

o Governo tem de pôr rapidamente em ordem as finanças e aplicar as reformas que desde há muito tempo vem adiando, desta vez sob a vigilância da UE. [Para isso], a Comissão terá sugerido a diminuição dos salários, das prestações sociais e dos subsídios e o aumento de impostos.


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Corrupção: “Banditismo de Estado no Parlamento romeno”

 

A 10 de dezembro, os deputados adotaram uma alteração ao código penal que introduz de facto "uma imunidade quase absoluta" para os parlamentares e para o Presidente da República em investigações por conflitos de interesses, noticia o Adevărul. O código penal define este crime como dizendo apenas respeito aos funcionários públicos; o projeto de lei exclui os deputados e o chefe de Estado desta categoria.

O diário lembra que os deputados se preparam, igualmente, para "adotarem uma lei de amnistia dos casos de corrupção".

No mesmo dia, o Senado rejeitou o projeto de lei que dizia respeito à exploração de minas, desferindo assim um rude golpe nas empresas que querem explorar as minas de ouro de Roşia Montana.


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Evasão fiscal: “Sem solidariedade: UE critica Viena por causa do segredo bancário”

 

Durante o Conselho de ministros europeus das Finanças, a 10 de dezembro, a Áustria e o Luxemburgo voltaram a bloquear um acordo sobre a troca automática de dados bancários, noticia o Standard. O diário escreve que

a Áustria e o Luxemburgo bloquearam a nova versão alterada [da diretiva europeia sobre os juros]. Graças a esta regulamentação, os países da UE deviam ficar em posição de taxarem de maneira efetiva os seus cidadãos, mesmo que possuam uma conta no estrangeiro. É com esta finalidade que as administrações fiscais da UE trocam dados bancários.

Os outros membros da UE criticaram ferozmente o Luxemburgo e a Áustria, afirmando que o veto dos dois países beneficia a fraude fiscal. Além disso, acrescenta Der Standard, Viena chegou a acordo com Washington sobre a troca de dados bancários quase automaticamente entre os dois países, o que suscita a ira da Comissão Europeia, que "exige da Áustria igualdade de tratamento".


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MoU

Francisco Seixas da Costa

 

Há cerca de dois anos e meio, os portugueseses acordaram com uma realidade que foi o "memorandum of understanding", o acordo estabelecido entre o governo demissionário e a "troika", subscrito pelo PSD e pelo CDS, que garantia um financiamento ao país, tendo como contrapartida um conjunto de reformas e medidas a implementar no plano interno.

 

Na altura, ficou a ideia clara de que, para o futuro primeiro-ministro, o MoU representava uma "ajuda" à sua vontade de mudar radicalmente algumas coisas no país, que uma gestão política em tempos normais dificilmente conseguiria levar a cabo. Era, no fundo, uma versão da "suspensão da democracia" que a sua antecessora na liderança do PSD chegara a alvitrar como desejável. A frequente utilização da expressão "ir para além da troika" criou a ideia de que, para o novo governo, o MoU era (apenas) a base do seu programa ideológico, embora não suficiente. Entre a "troika" e o governo parecia assim haver como que uma identidade quase idílica, à espera de uns "amanhãs que cantariam" graças à sedução imparável dos mercados.

 

Com o tempo, curiosamente, o MoU parece esquecido. O país tem-se concentrado no debate das medidas concretas que vão surgindo - muitas das quais nem sequer se percebe se resultam ou não do MoU ou se são meras decisões que o tomam como pretexto.

 

Dou assim comigo a pensar que, aparentemente, ninguém ainda "fez as contas" sobre o que se aplicou (ou não) do MoU, daquilo que nele foi esquecido (presume-se por complacência, expressa ou implícita, da "troika"), dos resultados efetivos retirados da aplicação das medidas, dos "trabalhos a mais" executados, etc. Não teria interesse alguém - uma universidade e um jornal, por exemplo - trazerem a público esse inventário? Porquê? Desde logo, para que pudéssemos perceber como temos sido governados, isto é, se as duras políticas que estamos a suportar resultam apenas do que subscrevemos ou se há mais coisas que, a seu coberto, nos foram impostas. Depois, para podermos fazer um juízo comparado entre o que nos foi imposto e a sua resultante concreta em matéria de efeitos. E, finalmente, para procurarmos entender, até para melhor nos conhecermos, a razão pela qual algumas das coisas subscritas no MoU não foram avante.

 

Para um governo com interesse em ter uma afirmação perante a "troika", a grande vantagem de um exercício deste género seria dar ao país "munições" para poder confrontar as instituições internacionais. Em muitos casos, poderíamos argumentar com a má conceção do pacote de medidas e partir daí para uma maior - e mais legítima - exigência de uma flexibilização da austeridade que nos cai em cima. Mas, para isso, era necessário ter vontade política e ela, claramente, não existe.


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Refugiados sírios: A Europa deve abrir as suas fronteiras

Dagens Arena, Estocolmo – A Europa deve abrir de imediato as suas fronteiras aos refugiados que fogem do inferno sírio. É ilusório pensar que a UE pode impedir que os candidatos a asilo tentem, por todos os meios, entrar no seu território. Ver mais.


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Imigração: “Absolutamente nada nobre”

"Um ano depois de ter recebido o prémio Nobel da Paz, a 10 de dezembro de 2012, a UE fecha-se cada vez mais sobre si própria para não deixar entrar imigrantes. Os próprios sírios, que fogem da guerra, ficam de fora", lamenta Die Tageszeitung.

O diário de Berlim faz um apelo à Europa para que reaja, finalmente, perante a miséria dos refugiados sírios:

Numa altura em que a Europa se prepara para festejar o Natal, os sírios sofrem pelo terceiro ano [consecutivo] uma sangrenta guerra civil. Mais de dois milhões de pessoas fugiram para os países vizinhos para escaparem à violência. [...] Esperam em campos de refugiados superlotados, sem perspetivas para si próprios e para os seus filhos. A Europa pode fazer mais para os ajudar. Mas a União Europeia parece demasiado preocupada com os seus próprios problemas para ser capaz de verdadeira compaixão. […] Mas se a Europa recusa acolher mais imigrantes, deve pelo menos ajudar a aliviar a mais grave miséria.


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Reino Unido: “Fraturação recebe luz verde”

 

A 10 de dezembro, o presidente do grupo de aconselhamento do Governo sobre alterações do clima, Lord Deben, afirmou que o Reino Unido deve pôr de lado a oposição à fraturação hidráulica, o controverso método para extração de gás de xisto a grandes profundidades, rejeitando as críticas dos grupos ecologistas que defendem que esta técnica pode causar danos no ambiente.

Deben, que foi ministro do Ambiente no Governo liderado pelo conservador John Major (1990-1997) disse ao jornal The Times que a fraturação, nome porque é conhecida esta técnica, permitirá ao Reino Unido explorar as suas reservas de gás de xisto e reduzir a sua dependência energética em relação ao estrangeiro, acrescentando que

não é verdade que a fraturação destrua o ambiente e que o mundo acabe se a usarmos. E, no entanto, se ouvirmos falar alguns ecologistas, é isso que eles nos dizem.


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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

União bancária: “Mudança em Berlim aproxima pacto da UE sobre os bancos”

Os ministros da zona euro estão a aproximar-se de um acordo de união bancária depois da Alemanha e outros Estados-membros da UE terem chegado a acordo sobre um esboço para um fundo de resgate bancário utilizando recursos nacionais e centralizados, noticia o Financial Times.

O ministro das Finanças francês Pierre Moscovici disse ao FT que estão a ser discutidos os planos para a criação de um sistema que envolve um fundo central – como defende a UE – e uma rede de fundos nacionais – como a Alemanha prefere.

Moscovici disse que o novo esquema inclui um "fundo de resgate único e um papel atribuído à contribuição nacional", e nega que esta estrutura seja contraditória. O FT acrescenta:

Os pormenores de como este esquema – essencialmente uma rede de fundos nacionais sob a tutela única da UE – vai funcionar é um dos elementos mais contraditórios de um acordo final.


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Vídeo tenta provar teoria de "arranjinho" - Mundial 2014 no Brasil!

Vídeo tenta provar teoria de "arranjinho" - O Jogo

Emprego: “Trabalhadores destacados – europeus prontos a policiarem”

A 9 de dezembro, os ministros europeus do Trabalho chegaram a acordo sobre a luta contra os abusos no recurso aos trabalhadores destacados.

"Não está ganho, tão profundas parecem ser as divergências dentro da União Europeia", afirma La Tribune, que lembra que há dois campos em confronto: o Reino Unido e os países da Europa Central e Oriental de um lado; a França e a Alemanha, a que finalmente se juntou a Polónia, de outro. No entanto, sete países votaram contra este acordo de que ainda não se conhecem os pormenores.

O diário económico explica o espírito das novas alterações:

Os países poderão fixar livremente a lista dos documentos exigidos a uma empresa estrangeira que queira destacar trabalhadores para o seu território e os empreiteiros e os subempreiteiros serão solidariamente responsáveis em caso de fraude.


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Martin Schulz: “O papel do Presseurop é essencial”

Blogue

Enquanto o Presseurop deverá acabar a 20 de dezembro, o presidente do Parlamento Europeu deplora o facto de o nosso contrato com a Comissão Europeia não ser renovado. Este também realça o papel fundamental do nosso site para informar os cidadãos a escassos meses das próximas eleições europeias.

A ideia europeia é uma ótima ideia e, no entanto, a Europa sofre. Os europeus estão ávidos de notícias e, no entanto, os media fecham. Os cidadãos europeus têm falta de informação sobre a Europa e, no entanto, os sítios que se dedicam a preencher essa lacuna e a alimentar o debate sobre os desafios do nosso continente desaparecem.

É a triste sorte que parece esperar o Presseurop. Fundado em 2009, este sítio inovador percorreu, no entanto, o seu caminho na teia de informação europeia e aí encontrou, sem contestação, o seu lugar. Disponível em dez línguas e, assim, acessível a 85% dos cidadãos europeus, permite-lhes tomar o pulso à imprensa europeia e mundial. Concentrando-se nos desafios europeus e nos assuntos da União Europeia, o Presseurop não é uma tribuna servil das instituições mas oferece uma análise crítica bem como uma informação tão acessível quanto objetiva.

Imagine-se uma grande maioria de europeus a poderem discutir os assuntos comuns na sua própria língua e a serem compreendidos por todos: à sua escala, o Presseurop realizou um sonho europeu!

Graças a um sistema inovador de tradução instantânea, este sítio permite mesmo aos europeus trocarem opiniões entre si, em dez línguas, e tornou-se, assim, em poucos anos, um espaço de discussão transnacional. Imagine-se uma grande maioria de europeus a poderem discutir os assuntos comuns na sua própria língua e a serem compreendidos por todos: à sua escala, o Presseurop realizou um sonho europeu!

Não existe nunca um bom momento para que um órgão de comunicação social desapareça, mas o fim do Presseurop acontece num contexto particularmente sensível. A seis meses de um escrutínio que os partidos hostis aos valores europeus prometem perverter, o desaparecimento de um meio de comunicação social pan-europeu é uma péssima notícia. Uma péssima notícia para os nossos concidadãos que procuram informação e debate sobre o projeto europeu, para os jovens que se informam maioritariamente na Internet e privilegiam as redes sociais nas quais o Presseurop é reconhecido como uma referência de informação europeia e, muito simplesmente, uma péssima notícia para todos os defensores da Imprensa. É, também, uma péssima notícia para a nossa democracia numa altura em que as próprias instituições europeias estão a financiar uma grande campanha de informação e de sensibilização sobre as eleições europeias mas são incapazes de estender a mão a um meio de comunicação social que se dedica a cobrir essas eleições de maneira independente.

Não defendo o apoio automático e incondicional das forças públicas aos media. Mas no contexto particular de uma ausência de uma opinião, de uma consciência, de uma curiosidade transeuropeia assídua, o papel do Presseurop é essencial.

Enquanto presidente do Parlamento Europeu, não está nas minhas mãos emendar a decisão da Comissão Europeia de não renovar o seu financiamento ao Presseurop. É, no entanto, meu dever lamentá-la profundamente. A Comissão Europeia deveria ter o firme desejo de proteger uma Imprensa independente, pluralista, multilingue. Jamais deveria estar na origem da extinção de uma bela voz pan-europeia.

Pode assinar aqui a petição "Salve o Presseurop"


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A OFENSIVA CONTRA OS SINDICATOS

 

JPP

 


 

O único sector na sociedade portuguesa que tem mantido uma ofensiva sistemática contra o governo e algumas das suas políticas tem sido os sindicatos da CGTP, ou seja, em grande parte, o PCP. Ninguém mais o tem feito, a começar pelo PS, que no essencial não faz oposição. Movimentos que já foram mais inorgânicos, como o "Que se lixe a troika", tem algum papel principalmente na agit-prop, e no alargamento do movimento para os mais jovens, mas o Bloco de Esquerda apenas funciona no Parlamento. Alguns movimentos como a Apre!, alguns sindicatos e associações profissionais independentes, como o movimento da restauração, ou os estivadores, tem tido algum papel, mas nada mais.

Isto significa algumas forças, mas também muitas fraquezas. Todos estes movimentos permanecem no essencial desunidos e mesmo quando se unem não mobilizam todos os recursos em conjunto. Sectores que tem mostrado muita mobilização corporativa, não ultrapassam o conflito profissional, em muitos casos bem mais hostil ao governo, como se viu com polícias, GNR e estivadores, do que o mainstream dos conflitos sindicais. Por outro lado, podem mobilizar centenas de milhares de pessoas mas estão acantonados social, etária e geograficamente. A hostilidade aos sindicatos vai muito para além do governo e dos seus apoiantes, atinge outros sectores da sociedade portuguesa que não só não tem uma cultura e um hábito de sindicalização, como participam no próprio discurso do poder contra os sindicatos. Alguns desses sectores estão contra o governo, e contra as políticas do "ajustamento", mas acham os sindicatos uma coisa do passado, quando não os consideram mesmo um bloqueio aos seus próprios interesses. Muitos jovens nunca participaram em qualquer actividade sindical, e, naquela minoria que tem emprego, trabalha em sectores profissionais sem tradição sindical. É o caso dos jornalistas, um sector muito fragmentado pela existência de grande precariedade e mão-de-obra quase grátis, e que tem um papel activo na demonização dos sindicatos e das greves. Muita dessa hostilidade é suicidária, há muitos sectores profissionais que sem a acção, mesmo residual, dos sindicatos do seu sector, já teriam há muito perdido o pouco que ainda tem. 

 

É também por tudo isto que em certas áreas do governo se esboça com clareza uma estratégia antissindical, ou melhor, anti-CGTP. A chave do sucesso desta estratégia é a divisão, entre sectores de trabalhadores por baixo, e por cima com a UGT na concertação social. Esta estratégia pretende isolar a CGTP, enfraquecê-la. Tem no entanto dois problemas: radicaliza a CGTP, e acaba, por absurdo, por legitimar a importância da luta sindical levando a concessões que não existiriam se não houvesse resistência sindical.

O melhor exemplo é a recente decisão sobre a isenção de fazer exames a um número muito significativo dos professores contratados, obtendo um acordo que divide os sindicatos de professores, a FNE da UGT da FENPROF da CGTP, mas que mostra que "vale a pena lutar". Tal concessão não existiria se não houvesse sindicatos. A questão é que ao empurrar para a impotência tudo quanto é manifestação ou greve, está-se a cercar tudo quanto é movimento social organizado ou mais fluído, logo gerando uma reacção de autodefesa que leva a tentar outras formas de protesto e é aí que entra a desobediência civil. Organizações como o PCP e a CGTP, que desde a tentativa de manifestação da ponte estão claramente a subir a parada, percebem isso muito bem, e são as únicas com capacidade e organização para o fazer, sem intenção violenta. Mas uma coisa é a intenção outra a realidade. O tipo de resposta governamental pode fazer a diferença. É como estamos. E isto não tem nada a ver nem com "conformismo", nem com "radicalismo".


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O tempo de Rui Rio ainda não chegou

Domingos Amaral

 

Há um certo sebastianismo à volta da Rui Rio que me incomoda.

Dá a sensação que, se de repente o PSD mudasse de líder, tudo em Portugal mudaria, como se todo o mal do país fosse ter Passos Coelho como primeiro-ministro.

Nesse mal estar, cresce a popularidade de Rui Rio, como se ele fosse um desejado, capaz de tudo mudar e de governar muito melhor o país.

No entanto, não se percebe bem porque é que existe esta mitologia à volta de Rio.

Sim, foi um bom presidente da câmara do Porto, e talvez tenha mais sensibilidade social do que Passos, que provou ser demasiado liberal.

Contudo, isso não chega, nem para governar o país, nem sequer para vencer Passos no partido.

Os portugueses têm de meter na cabeça que a grande maioria das suas políticas não são determinadas por eles, mas sim por Bruxelas, ou pela "troika".

A direção geral que Portugal está obrigado a seguir, é uma direção decidida na Europa, independentemente de quem seja o primeiro-ministro da nação.

Já foi assim com Sócrates, entre 2008 e 2011, e é assim com Passos, desde meados de 2011 até hoje.

O que faria Rio, ou qualquer outro, de diferente?

Por outro lado, se Passos conseguir sair do programa de assistência directo para os mercados, hipótese possível, terá vencido politicamente em toda a linha.

Porquê então mudar?  

Mas, mesmo que as coisas não corram assim tão bem, e tenhamos de ir para um programa cautelar, porque haveria o PSD de mudar de líder?

O que poderia Rio fazer diferente que Passos não faça? 

O PSD e o CDS têm maioria na Assembleia, o presidente Cavaco não quer causar distúrbios, onde haverá espaço para Rio aparecer?

É evidente para todos sabemos que este Governo cometeu muitos erros, em muitas questões diferentes, e que há muito mal estar no país.

Mas, o que faria Rio de diferente?

Falar é fácil, manter uma aura de salvador da Pátria também, mas na realidade as coisas são muito mais complicadas, e não se vê ainda uma boa razão para Rio ser melhor que Passos.

A não ser que, daqui até Junho, aconteça um cataclismo, o tempo de Rui Rio ainda não é este.

Mais vale andar por aí do que ir à luta para perder... 


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Porto!

Francisco Seixas da Costa

 

Cenário: Balcão de uma cafeteria no aeroporto de Pedras Rubras, Porto, ao final da tarde de hoje:



Diálogo entre mim e a empregada:



- Queria um quarto de Pedras, natural.

- Está doente? 

- Não...

- Então não vai um fininho?

- A esta hora não.

- Olhe que lhe fazia bem. A água enferruja...

- Não, prefiro a água.

- O senhor é que sabe. E vai comer o quê?

- Não sei bem. Talvez um croissant.

- (Baixo) Os croissants já têm muitas horas. 

- Então o que é que aconselha? 

- Tenho aqui umas "sandes" de panado espetaculares. Frango ou porco?

- Não sei se me apetece um panado...

- Come um panado, sim senhor! Vá por mim...

- Pronto, está bem! Um panado de frango.

- Não se vai arrepender. Mas não vai comer o panado com Pedras, não é?

- Então? 

- Vai beber um fininho, tirado aqui pela Adelaide. Ainda vai pedir outro...



E eu, que tinha pensado "aconchegar" o estómago com um inocente croissant e uma casta Água das Pedras, saí dali depois de comer uma valente "sande" (era assim que estava no letreiro) com um imenso panado e um fino (só um, vá lá!). Muito bem tirado.

 

O comércio é arte e simpatia. No Porto.


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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Trabalhadores destacados: Regras mais rigorosas vão prejudicar a Europa

Dziennik Gazeta Prawna, Varsóvia – Os ministros do Trabalho da UE reúnem-se hoje em Bruxelas para chegar a acordo sobre alterações à diretiva de 1996 relativa ao destacamento de trabalhadores. A Polónia, que discorda do projeto de Diretiva de Aplicação, foi acusada de "dumping" social por alguns Estados-membros. Ver mais.


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Noticias ao Minuto - Seixal quer que ministro lhe dê um hospital como prenda natalícia

Autarcas e populares convidaram hoje o ministro da Saúde para assistir no sábado ao sexto 'Natal do Hospital', no Seixal, esperando que Paulo Macedo ponha no 'sapatinho' do concelho a adjudicação do projecto desta infraestrutura, que nunca avançou...
Noticias ao Minuto - Seixal quer que ministro lhe dê um hospital como prenda natalícia

Estaleiros sem encomendas nas mãos de um grupo endividado.

Quem são os investidores escondidos...

"A evolução recente dos negócios dos irmãos Martins tem-se traduzido em prejuízos elevados (54,4 milhões de euros, em 2012) e na acumulação de uma dívida líquida assustadora (377 milhões de euros). As perspectivas de evolução do negócio dos estaleiros são sombrias. As dúvidas sobre a racionalidade dos negócios avolumam-se, e não apenas junto dos trabalhadores..."
Estaleiros sem encomendas nas mãos de um grupo endividado - PÚBLICO

Itália: “O triunfo de Renzi: agora é a nossa vez”

 

A 8 de dezembro, Matteo Renzi, de 38 anos, foi eleito secretário-geral da mais poderosa organização política de Itália, o Partido Democrático, com o expressivo resultado de 67,8% dos votos nas eleições primárias, noticia o Corriere della Sera.

O presidente da Câmara de Florença, que concorreu desafiando a elite política, venceu os candidatos do aparelho do partido Gianni Cuperlo, que conseguiu 18% dos votos, e Pippo Civati, com 14,3%, numa eleição em que participaram cerca de dois milhões e meio de pessoas.

No entanto, apesar do seu discurso reformador, um editorialista do jornal Corriere escreve que o recente chumbo do Tribunal Constitucional dos princípios fundamentais da lei eleitoral existente significa que Renzi não deverá levar o seu partido a pedir eleições antecipadas e deve

resistir à tentação de ir para a oposição, levando a eleições antecipadas que seriam inúteis em termos de governação.


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Mercado de trabalho europeu: “Virão mesmo?”

 

A menos de um mês da abertura do mercado de trabalho da União Europeia aos trabalhadores romenos e búlgaros, a 1 de janeiro de 2014, o NRC Handelsblad pergunta se a Holanda deve preparar-se para um "tsunami" de romenos e búlgaros, como alguns políticos fazem crer.

O diário, que sublinha que alguns temores são sobretudo alimentados pelo grande número de polacos que chegaram à Grã-Bretanha desde 2004, escreve que os especialistas estão divididos mas parecem de acordo quanto ao facto de o "tsunami" não acontecer.

Para o sociólogo Godfried Engbersen, citado pelo NRC Handelsblad:

O trabalho é o que atrai a maioria dos trabalhadores imigrantes mas, por causa da crise, há menos trabalho aqui. […] E na Holanda, os búlgaros e os romenos não têm muitas vezes uma rede de familiares ou de amigos que possa apoiá-los.


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Espionagem: “Rússia aumenta vigilância sobre a Suécia”

Moscovo deu a conhecer a Estocolmo a sua irritação após as revelações sobre a espionagem de que foi alvo pelos serviços secretos suecos a pedido da National Security Agency norte-americana (NSA) e "aumentou a sua própria vigilância sobre a Suécia", noticia o Svenska Dagbladet.

Desvendada pela televisão pública sueca SVT, que teve acesso aos documentos revelados pelo antigo funcionário da NSA, Edward Snowden, a vigilância da Rússia pelos serviços secretos suecos "remonta ao final da Segunda Guerra Mundial".

É exercida na região do Báltico e, desde 2009, dedica-se especialmente às comunicações russas que passam pelo país, por causa da "posição geográfica da Suécia e do facto de nós sermos um dos eixos mundiais para o tráfego de Internet. 80% do tráfego eletrónico russo tem de passar por cá", explica o jornal.


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Política monetária: “Por que diabo o euro está sempre tão forte?”

O último conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE) deste ano realizou-se a 5 de dezembro, em Frankfurt, reunião durante a qual o BCE anunciou que mantém todas as suas taxas inalteradas, escreve o jornal La Tribune.

O diário económico explica que o BCE

lançou um novo ciclo de flexibilização da sua política monetária desde maio último […] para tentar deter a deflação.

La Tribune pergunta porque é que o euro continua forte apesar "da política monetária mais acomodada" da história do BCE e responde que é por causa "da austeridade":

A estratégia de desvalorização interna […] estabelece um modelo económico fundado sobre o desenvolvimento das exportações e sobre a redução das importações. Ou seja, sobre a melhoria do saldo externo. Desde o ano passado, a balança comercial da zona euro aumentou o seu excedente. Logicamente, isso alimenta a procura de euros e reduz a procura de dólares.


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Federalismo: Por favor, nada de Estados Unidos da Europa!

NRC Handelsblad, Amesterdão – Se a UE quiser sobreviver, os seus representantes têm de deixar claro o seu objetivo. Não deve tornar-se uma federação, antes uma União dotada de uma constituição, voltada para o exterior, protegendo a sua diversidade e cessando a expansão, escreve o politólogo holandês Paul Scheffer. Ver mais.


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Argel

Francisco Seixas da Costa

 

Amanhã, farei em Argel, no "Institut Diplomatique et de Relations Internationales", uma palestra sobre o tema "Mediterrâneo - o diálogo entre as margens", para explicar a atividade do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa. A palestra insere-se no quadro de uma visita oficial, para contactos com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e outras entidades locais.

 

Já não vou a Argel há alguns anos, uma cidade cuja carga histórica compreendi melhor aquando da minha estada em França. Estou com alguma curiosidade em revisitar a belíssima "cidade branca", embora o tempo de permanência não dê para grande turismo.

Em tempo: constatei, in loco, que a bela Place des Martyrs, que a foto mostra, é hoje um imenso estaleiro para a construção do metro de Argel. Quem constrói? A "nossa" Teixeira Duarte, ora bem!


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MANDELA E OS PORTUGUESES VISTOS EM 1991

JPP

 

Reproduzo aqui o artigo que publiquei no contexto do primeiro encontro que tive com Nelson Mandela.

 

Mandela desceu do quarto onde estivera a repousar, e entra devagar, alto e franzino, cabelos brancos, a uma semana de fazer 73 anos, a única pessoa na sala de black tie . Os portugueses do Cabo que o convidaram para jantar são homens de negócios feitos a pulso, nas empresas de pesca, de reparação naval, de equipamentos, na importação de cortiça para os vinhos de Stellenbosch , nos mil e um restaurantes e supermercados que povoam qualquer cidade sul-africana de nomes portugueses . Não são gente dada à "política" , e dela pensam apenas ter a "experiência" trágica de Angola e Moçambique onde perderam haveres, onde viram a guerra civil destruir o património deixado pela colonização branca e mesmo, nalguns casos, onde viram morrer amigos e familiares, em suma, onde perderam raízes e "história". Como se pode compreender deve haver poucas comunidades no mundo que tenham täo pouca simpatia pelas experiências de engenharia social feitas em nome do progresso, da igualdade, do socialismo e temem que o mesmo se repita na África do Sul. Suspeitam acima de tudo do ANC , irmão próximo da FRELIMO e do MPLA , e cujas posições sobre as nacionalizações e o socialismo lhes parecem prometer um futuro de devastação idêntica. 

 

O encontro entre a comunidade portuguesa e Mandela é o primeiro e faz-se sob tensões cruzadas: entre os portugueses que querem falar com o ANC e aqueles que consideram este acto uma "traição", entre os conselheiros de Mandela que não gostam dos portugueses e do papel de Portugal como um moderador indesejado da "revolução" no sul de África e aqueles que desejam mudar a imagem dura do ANC e que veem naqueles homens de negócios um interlocutor ideal para chegar a uma parte da comunidade branca que está entre a "tribu branca" afrikaner e as comunidades indianas e "castanhas" . Mas, quando Mandela entrou na sala, após uma pequena hesitação puseram-se em pé em uníssono a bater palmas, abrindo alas para que esse homem alto e frágil passasse. Depois bateram-lhe sempre palmas, mesmo quando Mandela confirmou no seu discurso algumas das coisas que todos pretendiam esconjurar. Para os portugueses do Cabo tornou-se claro que o encontro com o homem acabou por valer mais do que as suas palavras, mas esta contradição revela as encruzilhadas em que se encontra hoje a política sul-africana. 

 

O ambiente na política sul-africana é hoje mais dominado pela afectividade do que pela razão e nada há de politicamente mais equívoco e perigoso do que a afectividade . Verdade seja dita que é também às vezes dessa força da afectividade que surjem soluções para problemas aparentemente sem saída racional. O papel de Mandela nessa política é disso um exemplo perfeito e a sua figura carismática e autoridade pessoal representam um factor sui generis que tanto pode conduzir num sentido de moderaçäo como para um impasse, no qual a sua figura sirva de cobertura para uma politica radical que todos sabem näo ter futuro , mas que pode ter presente bastante para fazer.

 

Quando foi libertado, Mandela encontrou uma nova geração de militantes do ANC e uma organização muito diferente daquela que tinha conhecido, embora os primeiros passos para essa evoluçäo tivessem sido os últimos que Mandela deu antes de ser preso. Entre 1961 e 1963, data dos Rivonia Trials que o iriam condenar, o ANC ainda sob a direcção de Mandela , afasta-se das suas origens de movimento de massas pacifista e näo violento, cuja inspiração se encontrava na organização irmã do Partido do Congresso indiano ou no movimento de direitos cívicos dos negros americanos , para uma política cada vez mais centrada na luta armada . A fundação do braço armado do ANC , o Umkhonto we Sizwe , iria aprofundar uma lógica de luta armada que progressivamente asfixia organizacionalmente todos os outros instrumentos de acção política. Esta evolução vai a par com um significativo maior envolvimento da URSS em Africa e, neste contexto, a combinação entre a clandestinidade organizacional, a luta armada com as suas inevitáveis dependências e apoios, a constituição de uma importante comunidade exilada em diversos países africanos e europeus , tudo isso explica o crescente domínio das estruturas do ANC pelo Partido Comunista Sul-Africano .

Daí que Mandela encontre hoje o ANC numa encruzilhada em que a herança do passado próximo - o domínio do PC Sul-Africano da estrutura do ANC , o radicalismo dos "camaradas" , o programa económico e social marxisante , e uma organização de guerrilha que não se quer dissolver - , ainda "faz" mais a organização do que as enormes oportunidades políticas que esta tem à sua frente no processo democrático .Os dilemas säo compreensíveis - como os partidos brancos, embora muito menos do que eles, também o ANC tem que perder alguma coisa para participar no processo de democratização e é natural que , ainda por cima na euforia de uma situação em que "parece" que se pode ganhar tudo , haja resistências a abandonar, em nome da democratização , instrumentos de poder político . É o caso do entendimento do ANC como "movimento de libertação", que tem como corolário a assunção de uma legitimidade especial e a consequente tentativa de hegemonia da representação negra. Como a OLP nos territórios ocupados por Israel, esta fórmula política destrói toda a pluralidade da representação política que lhe seja exterior, o que normalmente conduz a uma política de violência e de extermínio dos "colaboradores". Os conflitos com o Inkhata , que não aceita esta hegemonia , tiveram esta origem e se o ANC parece hoje a principal vítima da "violência" nem por isso deixou de criar as condições para o seu aparecimento . Foram os "camaradas" nos townships que começaram as execuções populares e os zulus do Inkhata seguiram-lhes as passadas. Como de costume a imprensa internacional ligou pouco à violência "política" do ANC e explodiu de indignação com a violência "tribal" do Inkhata .

 Mas, se o ANC não abandona a classificação de "movimento de libertação" a favor da sua inserção no jogo democrático como um partido político em competição com outros, tal também tem muito que ver com a circunstância de organizacionalmente o ANC ser pouco mais do que a estrutura do PC Sul-Africano. O papel do PC Sul-Africano, dirigido por um velho comunista puro e duro Joe Slovo , e que ainda tem no seu seio alguns admiradores públicos de Staline, já não é tanto o de pretender impor uma qualquer "ditadura" . Partidos comunistas como este não exercem a sua acção tanto por propostas "revolucionárias" na ordem política, mas através de programas e soluções "económicas" associadas a "acções de massas" que acabam por funcionar como limitadoras das liberdades políticas e dar origem a soluções políticas totalitárias. É por isso que o debate sobre as soluções "económicas" do ANC é o debate crucial no plano político e aquele que irá definir o futuro da organização.

Os portugueses do Cabo sabiam-no, como diriam os marxistas, pelo único "critério de verdade", a "prática" . O encontro com Mandela confrontou-o com essa "prática" e dias depois numa entrevista ao Star de Joanesburgo, numa referência implícita aos encontros que tivera com os portugueses, afirmava que na Africa do Sul não se iria passar nada de semelhante ao que acontecera em Angola e Moçambique. Vamos ver.

(Publicado no Diário de Notícias de 1 de Agosto de 1991.)


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Finança: “Bruxelas impõe multa recorde a seis bancos por manipulação da Euribor”

A Comissão Europeia "desferiu um enorme golpe" em seis bancos europeus, escreve El País. A 4 de dezembro, o comissário para a Concorrência, Joaquín Almunia, anunciou a aplicação de uma multa de 1,71 mil milhões de euros aos bancos Royal Bank of Scotland, Société Générale, Deutsche Bank, JP Morgan, Citigroup e da corretora RP Martin, por manipulação das taxas de juro "em proveito próprio", precisa o diário. Estas taxas de juro eram aplicadas "a milhares de mutuários, aforradores e empresas" através de produtos financeiros derivados e indexados a índices como o Euribor.

Trata-se de uma "punição dissuasora", considera El País no seu editorial, congratulando-se por Bruxelas agir "finalmente" contra a fraude:

A mensagem implícita é que a máquina comunitária está disposta a agir perante qualquer perversão dos mercados e que o fará com especial determinação e sem ter em conta o nome dos sancionados.


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Good bye, Lenin?

Francisco Seixas da Costa

 

A impressiva imagem do derrube da estátua de Lenine, que figurava numa avenida de Kiev, está, compreensivelmente, a correr mundo. (A similitude com a queda da estátua de Sadam Hussein é inevitável, mas as diferenças são grandes). Trata-se de uma espécie de "bofetada" numa Rússia onde, diga-se de passagem, terão também já desaparecido muitas dessas relíquias da antiga URSS. O ato é uma marca clara de que há hoje duas Ucrânias, uma seguidista face a Moscovo, outra desejosa de aproveitar a "boleia" histórica de um mundo europeu que hoje funciona como miragem. Ou, para usar a expressão cínica de um amigo que há pouco me falava de Londres, "a Europa está a passar pelo "efeito Gorbachov": gostam mais dela fora do que dentro".

 

A crise ucraniana é muito complexa, mas tem de ser resolvida na própria Ucrânia, só podendo nós esperar que o venha a ser de uma forma pacífica e com uma resultante final democrática. Lembro-me bem que, nos anos 60, Adriano Moreira nos falava muito nas "zonas de confluência de poderes". Referia-se então às áreas geopolíticas da Guerra Fria onde o braço-de-ferro entre os Estados Unidos e a URSS prosseguia, muitas vezes quase à revelia das vontades nacionais. Essa Guerra Fria acabou, mas muito do que ela gerou está ainda por resolver. Mas não deixa de ser quase uma ironia que Ialta, onde o mundo foi dividido entre a Rússia e o ocidente no termo da Segunda Guerra mundial, seja uma cidade da Ucrânia.


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CONFUSÕES SOBRE A VIOLÊNCIA

JPP

 

 Foi confrangedor ouvir o último Prós e Contras sobre a dualidade do "conformismo versus radicalismo", onde se sucediam intervenções de enorme confusão, centradas na vontade da apresentadora de confirmar uma das linhas do nosso pensamento instalado: os portugueses compreendem o "ajustamento", sabem que não há "alternativa" e por isso não se "revoltam". 

 

Seguindo esta tese, completamente absurda e que abre caminho para surpresas várias, já comparei o governo e os seus amigos a um forcado provocando um touro inexistente com gritos de "é touro, se não és violento, não existes", "podes fazer o que quiseres que não te ouço enquanto não partires qualquer coisinha". De facto, está a pedi-las, mais uma insensatez da "comunicação política" governamental. Depois, quando há uns vislumbres de que as coisas podem aquecer, berra por todo o lado que afinal o touro é mesmo mau, parece querer bastão, espada, ou metralhadora. Afinal a "violência" está aí, e a "ordem" vai ser reestabelecida custe o que custar. A invasão das escadarias do parlamento é sem dúvida grave, não pelo acto em si, que se percebe ser simbólico, mas pelo facto de outros polícias mostrarem cumplicidade. Isso sim, deveria tirar o sono dos responsáveis governamentais, e o episódio da demissão do comandante da polícia está longe de ser esclarecido, como quase tudo aliás que acontece neste país. Já as "ocupações" dos ministérios tem outro tipo de significado, que também pouco tem a ver com a violência, mas mostra que o PCP e a CGTP, assim como alguns sectores do "Que se lixe a troika" estão a fazer um upgrade dos conflitos para a desobediência civil. 

 

Porque, no meio de todas esta confusão com a "violência", esquece-se uma coisa simples: pode haver ilegalidade e não haver violência. É isso que se chama desobediência civil. A lenda de que há "conformismo" ignora que, dos polícias aos trabalhadores dos Estaleiros, dos empresários da restauração aos enfermeiros, dos trabalhadores dos transportes aos magistrados, dos professores aos estivadores, muitos e muitos reformados e pensionistas, alguns desempregados e "precários", centenas de milhares de portugueses tomaram parte activa em acções de protesto e resistência de uma ponta a outra do país. Parte activa, muito mais do que concordar. Pelos vistos, enquanto não partirem uma montra, são irrelevantes e não contam para nada. É um erro que o governo pode pagar caro.


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Mandela, nós e os ingleses

Francisco Seixas da Costa

 

Numa inóspita sala de embarque de um aeroporto, dizem-me de Lisboa que, na blogosfera portuguesa, "se ha armado un follón" (uso a linguagem do local onde estou) a propósito do voto negativo que Portugal deixou nas Nações Unidas, perante uma resolução na Assembleia Geral, em dezembro de 1987, que incluía o pedido de libertação de Nelson Mandela. Já há semanas o assunto havia sido ressuscitado na nossa imprensa, depois de, em tempos, o deputado António Filipe o ter referido. Portugal aparece isolado nesse voto com os EUA e o Reino Unido.

 

Devo dizer que não entendo o espanto. Numa leitura extrema do que considerava ser o seu compromisso nas trincheiras da "guerra fria", Lisboa seguia, por esses tempos, uma linha de constante colagem às posições britânicas. Pergunto-me mesmo quantas vezes, numa contabilidade de tomadas de posição neste domínio, o nosso país - repito, por esses tempos - deixou de acompanhar Londres.

Desde então, as coisas mudaram muito. Um dia de 1997, em Bruxelas, depois de eu ter anunciado à imprensa uma posição que assumira nas negociações do tratado de Amesterdão, um jornalista belga perguntou-me: "Coordenou essa posição com os ingleses?" Devo ter mostrado uma cara surpreedida, pelo que o homem continuou: "Vocês não se articulam sempre com eles antes?" O curioso é que eu nem sequer sabia que posição o Reino Unido tinha na matéria. Continuávamos a ser "the oldest ally", mas, desde 1995, deixáramos de ser "the oldest follower".


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Planos de resgate: No centro da máquina

Jornal de Negócios, Lisboa – A troika é o instrumento mais conhecido da intervenção da UE e do FMI nos países europeus em dificuldade. Mas no Luxemburgo existem duas instituições discretas mas cruciais, o FEEF e o MEE, responsáveis pela angariação de dinheiro. Reportagem. Ver mais.


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Itália: “Fora com a Porcellum, era uma má lei”

 

A 4 de dezembro, o Tribunal Constitucional chumbou a atual lei eleitoral para o Parlamento, aprovada em 2005, pelo Governo de Berlusconi.

A lei foi descrita, mesmo pelos seus defensores, como sinuosa – e recebeu a alcunha italiana porcellum – a sua cláusula "o vencedor leva tudo" foi muito criticada bem como o facto de os eleitores não poderem escolher os seus candidatos preferidos de entre as listas apresentadas pelos partidos.

Segundo La Repubblica, o veredicto abalou o cenário político.

O Presidente Giorgio Napolitano pode recusar-se a convocar novas eleições a não ser que seja aprovada uma nova lei, mas isso requer um difícil compromisso da frágil coligação.


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Em tempo

Francisco Seixas da Costa

 

Está a tornar-se um pouco bizarra a coreografia desculpabilizante a que se está a assistir nas últimas horas, a propósito do caso do voto na ONU, em 1987. É um espetáculo triste virem à baila nomes de funcionários diplomáticos que intervieram nesse processo, como se, pela confusão, se conseguisse salvar, não a "honra do convento" de Nossa Senhora das Necessidades, mas a imagem dos verdadeiros responsáveis pelo sentido do voto - independentemente de qualquer juízo sobre a importância objetiva desse mesmo voto.

Os diplomatas obedecem a uma cadeia hierárquica, executam uma política externa que lhes é determinada por quem tem legitimidade política para o fazer e que, em derradeira instância, deve responder pelas suas decisões. Os diplomatas aconselham mas não "produzem" política externa.

Quem conhece como estas coisas funcionam sabe que o diplomata que intervém numa comissão de um órgão multilateral como é a ONU atua sob uma instrução recebida do seu embaixador, ao qual, por sua vez, chegaram orientações oriundas da direção política, em Lisboa. Muitas vezes as instruções são genéricas, outras vezes são detalhadas, em alguns casos mesmo num "micro-management" irritante. Na frente lisboeta da decisão - que, dada a sensibilidade política do tema em causa, deve ter sido ponderada ao milímetro, porque ninguém fica "isolado" com os EUA e o Reino Unido sem ser como resultado de uma opção política muito refletida - fazem parte o diretor-geral político-económico (era assim que se chamava, à época), o ministro dos Negócios Estrangeiros e, naturalmente, o primeiro-ministro de então. Não me passa pela cabeça que qualquer destas três figuras possa ser tentada agora a fugir às suas responsabilidades. E, repito, não é para aqui chamado qualquer juízo de valor sobre a temática, em si mesma. Essa é outra questão.

Porque é que tenho estas certezas - e não outras - sobre este assunto? Fui embaixador na ONU, na OSCE e na UNESCO e, noutro quadro de responsabilidades, passei anos a dar instruções a representações portuguesas junto da União Europeia, da OCDE, do Conselho da Europa e da OMC. Sei, por isso, do que falo, mas, repito, apenas no tocante ao "processo decisório".


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Votar no carrasco?

Francisco Seixas da Costa

 

É já para o ano que a Comissão Europeia vai mudar. Portugal vai poder indicar um comissário, coisa que não aconteceu durante os últimos 10 anos (os poderes europeus cooptaram um nome de nacionalidade portuguesa e o nosso país não teve oportunidade de escolher o seu comissário). E vai poder pronunciar-se sobre o nome do futuro presidente da Comissão Europeia, figura cuja posição e atitude perante as políticas da União não nos pode ser indiferente, atendendo à continuação da nossa dependência da boa vontade de Bruxelas, nos tempos que aí vêm.

 

O governo tem vindo a justificar que, não obstante todos os seus "esforços" (fomos testemunhas do episódio da sua proposta de 4,5% de défice, que terá sido reconduzido a 4% por recusa desses credores), é da inflexibilidade das instituições da "troika" (em que a Comissão Europeia tem um papel decisivo e até punitivo) que se deve o facto da vaga de austeridade que se abate sobre o povo português não poder ter sido atenuada.

 

Por tudo isto, resulta natural que o governo português, chegado o momento de dar o seu voto para a escolha (que terá de ser unânime entre os governos, como se sabe) do futuro presidente da Comissão se incline para o candidato em cujo programa possa figurar uma leitura mais flexível, menos penalizante e gravosa das medidas de austeridade que nos são impostas. Ninguém compreenderia que o governo, apenas por solidariedade ideológica no âmbito das linhas partidárias europeias, viesse a inclinar-se em favor de um candidato que fosse adepto de uma linha que mantivesse a mais estrita e condicionante leitura dessa austeridade.

 

Por essa razão, a lógica apontaria para que Portugal, na sua postura europeia - em declarações, artigos e tomadas de posição nas instâncias adequadas - fosse desde já deixando claro que o seu voto irá para o candidato, com condições de ser eleito, que afirme e se comprometa a demonstrar uma sensibilidade para um tratamento ponderado da situação dos países europeus com maiores fragilidades macroeconómicas, que, no nosso caso, possa vir a atenuar o atual sofrimento do povo português. Se acaso procedesse de forma contrária, optando por um nome da linha económico-financeira mais dura, o governo estaria simplesmente a votar no carrasco dos portugueses. Acho que devíamos estar muito atentos a isto.


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Escândalo do Libor: “O que assusta os bancos”

A 4 de dezembro, a Comissão Europeia aplicou multas que chegaram a 1,7 mil milhões de euros a seis bancos internacionais que manipularam os índices Euribor e Yen-Libor. Só o Deutsche Bank terá de pagar, sozinho, 725 milhões de euros, noticia o jornal Handelsblatt.

"Sei que os bancos pensam que isto é suficiente. Mas, no entanto, os pecados do setor financeiro não serão esquecidos", reagiu o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, numa entrevista ao diário económico.

O ministro, que poderá manter o cargo no próximo Governo alemão, "quer continuar a ofensiva de regulamentação", explica o Handelsblatt. Na opinião do ministro, não foram os Estados que desencadearam a crise mas sim o setor financeiro. "É por isso que a regulamentação não pode parar. [...] Os bancos continuam a dar provas de grande criatividade a legislação. A política deve manter-se alerta."


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A boneca dos Correios

Francisco Seixas da Costa

 

Foi na quarta-feira. Uma boneca pequena, de pano, estava pousada ao lado do balcão. Quando entreguei a carta, soou-me estranha a pergunta: "Não quer levar essa boneca, para oferecer a uma criança?". Gelei, por um segundo: minutos antes, soubera que uma pessoa próxima perdera uma criança, a horas do parto, pelo que eu próprio estava um pouco de luto. Uma boneca, noutro contexto mais feliz, poderia significar uma prenda. Mas logo me refiz. Estava na estação dos correios do aeroporto de Lisboa.

 

(Os Correios eram uma instituição com simbolismo, na minha juventude, lá por Vila Real. As "senhoras" dos correios eram gente conhecida, quando nos abeirávamos dos balcões perguntavam-nos pelos estudos e pelos pais. Mais tarde, conheciam os meus vícios filatélicos, guardavam as novas emissões, os envelopes "do primeiro dia". Até os  carteiros faziam parte da nossa paisagem urbana, conheciamos-lhes os nomes, estranhávamos quando iam de férias, surgiam impecáveis nas suas fardas - hoje alguns que me entregam cartas assustam, pelo aspeto, mas admito poder estar a ser injusto.)

 

Bonecas à venda, nos Correios? Olhei o homem, face ao que me pareceu ser o insólito da proposta. Mas logo concluí que o "defeito" era meu. Raramente entro numa estação de correios. Por detrás e ao lado do homem havia uma parafernália de coisas para vender. Aa cartas pareciam um mero acessório, naquele mundo de quinquilharia em que os antigos CTT se transformaram. Registada a carta, o homem não desarmou: "Não quer um bilhete da lotaria?". Parecia que a sua "performance" dependia das vendas que fizesse. Fiz que não com a cabeça. Mas não resisti e, com um sorriso, perguntei: "Tem ações dos Correios para vender?" Atrás de mim, um cavalheiro respondeu por ele: "Isso é que é um bom negócio". É verdade: os Correios são um bom negócio. Exceto para os portugueses, cujo Estado deixou de possuir uma importante empresa de serviço público que, além disso, lhe era rentável.


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Imigração: David Cameron e os “bárbaros úteis” da UE

Standart, Sófia – No próximo dia 1 de janeiro, o mercado de trabalho será aberto a búlgaros e romenos em toda a UE. Mas Londres, Paris e Berlim pretendem erguer novas barreiras em detrimento dos valores europeus, lamenta um colunista búlgaro. Ver mais.


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