terça-feira, 10 de setembro de 2013

Alerta Total

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STF atrasa final do Mensalão, julgando o óbvio ululante: se um regimento vale mais que uma lei

Posted: 09 Sep 2013 05:28 AM PDT

Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net

Leia também o site Fique Alerta – www.fiquealerta.net
Por Jorge Serrãoserrao@alertatotal.net

 

A pergunta vale mais que US$ 1 milhão de dólares: José Dirceu de Oliveira e Silva e outros ilustres condenados no mensalão aceitarão cumprir suas penas de prisão, em regime fechado, se o Supremo Tribunal Federal realmente confirmar que sequer aceita apreciar os embargos infringentes, ou mesmo em caso de os recursos serem aceitos e algumas penas acabarem revisadas para menos? Só Deus tem a resposta mais correta.

 

Na quarta-feira, o STF retoma o julgamento que só acaba quando realmente terminar. Sexta-feira passada, o Presidente Joaquim Barbosa já votou que os embargos infringentes não valem como recurso à corte suprema brasileira, no caso da Ação Penal 470. Mas o ministro Luiz Roberto Barroso, o neófito do Supremo, conseguiu que a decisão fosse postergada e apreciada, a partir desta semana, dando até direito aos advogados dos réus de defenderem o uso dos embargos infringentes (não aceitos mais por lei, porém ainda supostamente válidos no regimento interno do STF).

 

Na verdade, a partir de quarta-feira, o STF fará a esdrúxula, protelatória e descabida discussão jurídica. Exceto os caríssimos defensores dos mensaleiros, qualquer criancinha de colo sabe que, na hierarquia jurídica, um regimento não pode se sobrepor a uma lei. Portanto, o prolongamento da discussão sobre o assunto no STF, do ponto de vista prático, é apenas uma chicana – o jeitinho providencial de atrasar o trânsito em julgado do interminável processo político do Mensalão.

 

Tão grave ou pior que o mensalão que não se resolve é o Rosegate – o processo que corre secretamente e que a imprensa, por conveniente conivência com o Palhaço do Planalto, prefere nada publicar sobre. Agora, o assunto ganha mais preocupação interna no governo, graças ao velho-novo ingrediente da revelada espionagem norte-americana (que só a Velhinha de Taubaté seria capaz de acreditar que deixou de ocorrer algum dia contra qualquer governo brasileiro).

 

As perguntas fundamentais não calam: Por que o Rosegate segue em segredo de Justiça, já que é um escândalo de tamanha gravidade que transforma o famoso mensalão em um pequeno roubo de galinhas? Por que Luiz Inácio Lula da Silva, o chefão da ex-chefe de Gabinete do Escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa Noronha, não é convidado, publicamente, a prestar esclarecimentos na Justiça sobre a atuação dela em negócios escusos?

 

Por algumas perguntas sem respostas, no meio de tantas outras também irrespondíveis, é que o final do julgamento do Mensalão pode legar um desagradável desfecho prático perante a opinião pública. Imagina o que vai acontecer se algum condenado resolver pegar um carro ou um jatinho, e fugir do Brasil, dando uma banana para todos? Sabe o que vai acontecer? Acontecerá absolutamente nada. O País da Impunidade, onde o errado se traveste de certo, parece acostumado com tais fugas de responsabilidade.

 

Vejam o caso de Lula. Ele parece um semideus. Blindado até a alma. Escapou milagrosamente do Mensalão. Driblou, mais milagrosamente ainda, um violento câncer na Laringe. Embora fora do poder, Lula parece sempre mais vivo que nunca. Agora, se tudo continuar como sempre esteve, o Rosegate nem passará perto dele.

 

O escândalo da Rosemary será julgado, quando for, uma mera obra de uma assessora que traiu a confiança do amigo que a nomeou e com quem despachava e viajava pelo mundo afora. Lula será eleito senador por São Paulo e ficará ainda mais protegido, a partir de outubro de 2014.

 

O filme já está roteirizado. E os atores, prontos para brilharem mais que a estrelinha do PT, no firmamento da escatologia tupiniquim.

 

Releia o artigo deste Alerta Total: E no Rosegate não vai nada?

 

Espionice

 

Ontem, o Fantástico da Rede Globo revelou que os EUA espionaram a Petrobrás.

 

Na versão global (sem trocadilho), a NSA apontou a empresa como exemplo de alvo a ser monitorado em um tutorial que ensinava agentes secretos a espionar redes privadas de computador.

 

Tomara que os norte-americanos não tenham descoberto nada sobre o escândalo Gemini, que envolve uma transnacional norte-americana, caso que o incansável engenheiro João Vinhosa exaustivamente já denunciou a todas as autoridades do Brasil e dos EUA...

 

Se descobriram, Dilma Rousseff, que foi a presidenta do conselho de administração da petroleira na hora que o negócio foi fechado, vai ter muitas explicações a dar...

 

Vida que segue... Ave atqueVale! Fiquem com Deus.

 

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

 

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 9 de Setembro de 2013.

A Política como farsa

Posted: 09 Sep 2013 05:24 AM PDT

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Maria Lucia Victor Barbosa

 

No teatro da vida a farsa sempre esteve presente. A hipocrisia, a mentira, a simulação, a impostura, a bajulação ajudam os vencedores da arena da existência, sobretudo, se são dotados da retórica capaz de iludir e convencer.

 

Na atualidade o famigerado "politicamente correto", que exclui valores, embaça percepções e nivela por baixo para atingir o que Alexis de Tocqueville denominou de "males da igualdade", elevou ao máximo a farsa como modo de escapar ao julgamento negativo da maioria. A pessoa diz o que se quer que ela diga e não o que pensa ou sente.

 

Na política, palco máximo da simulação, a farsa nunca esteve tão exacerbada na medida em que conta com o poderoso auxílio da propaganda, que se sofisticou e se disseminou através dos meios de comunicação especialmente os televisivos.

 

Esse ápice da arte de fingir chegou ao nosso país com o governo petista que, finalmente, conseguiu marqueteiros aptos a esculpir imagens ou confeccionar máscaras para compor personagens ideais e palatáveis ao gosto popular.

 

Assim, Lula da Silva, sindicalista esperto, verborrágico, afeito a retórica de porta de fábrica, vestiu a roupagem do operário pobrezinho, necessário à ideologia de esquerda que precisava de um representante do proletariado e, num passe de mágica virou estadista.

 

Nada mais longe da verdade, pois Lula de fato é um semianalfabeto que de pobre não tem mais nada, um populista ambicioso e sem escrúpulos que venceu pela sorte e não pelo valor. Sua fala vulgar, rudimentar, grotesca, algo circense provocou o sentimento de identidade com a massa, que sendo culturalmente necessitada de proteção viu nele o pai generoso a distribuir caridades oficiais que livraram os mais pobres da "maldição" do trabalho. Mas ai de quem disser essas coisas do "líder", imediatamente é tachado de preconceituoso e marcado com novos significados de certos termos inventados pelo PT. 

 

Por exemplo: fulano é da elite. Elite quer dizer produto de qualidade, mas na "novilíngua" petista passa a significar rico e, portanto, mau. As pessoas não percebem que os mandarins do PT estão riquíssimos e que Lula é o queridinho dos banqueiros, dos empresários dos empreiteiros que, aliás, sustentam suas ricas campanhas.

 

Sicrano é de direita. Direita é outro termo no linguajar petista que estigmatiza quem é assim chamado. Ser de direita ensina o PT é ser atrasado, neoliberal, mau-caráter, aquele que odeia os pobres. O bom é ser de esquerda, aquela bem totalitária, que matou milhões em nome da causa, impediu a liberdade, infelicitou, oprimiu e igualou o povo na miséria conservando a rica classe dirigente. Curiosamente, o PT nunca conseguiu definir seu socialismo e sua classe dirigente adora gozar das delícias da burguesia.

 

Do alto de sua arrogância o boquirroto Lula, que gosta de ensinar ao mundo como é que ser faz para converter um país em paraíso, elegeu a primeira mulher presidente. E daí? Ela é a mulher submissa, que não dá um passo sem obedecer ao seu dono e senhor, a gerente que não conseguiu tocar nem loja de R$ 1,90.

 

Vergada sob a herança maldita do seu mentor e de sua própria incompetência, Rousseff está conduzindo o Brasil pelos fiascos dos pibinhos que nos torna lanterninha dos BRICS, pela calamidade da inflação, pelo flagelo da inadimplência. Mas ela não é a mãe do PAC? O PAC foi um aborto, uma ficção como a transposição do Rio São Francisco e tantas outras promessas não cumpridas.

 

Na véspera de 7 de setembro, a governanta veio à TV fazer sua propaganda política. Reconheceu que "ainda somos um país com serviços públicos de baixa qualidade", como se isso não dissesse respeito a seu governo. Entretanto, o que Lula e ela fizeram para melhorar estes serviços nos seus quase 11 anos de poder?

 

Como o forte do PT não é autocrítica, Rousseff, na mesma performance se vangloriou de trazer os médicos cubanos escravos, doutrinadores ou não, que dão um bom lucro para Fidel Castro e, provavelmente, para o governo brasileiro.

 

A última da governanta foi no G20. Ela discursou tirando satisfações do presidente Obama sobre espionagem. Uma tentativa de levantar os brios nacionalistas brasileiros e se colocar como vítima. Quem sabe também de obter o assento na Comissão de Segurança da ONU, almejado pelo PT há longo tempo. Ficou falando sozinha, pois os participantes estavam preocupados com o importante caso da Síria.

 

O fato é que o Brasil está longe de alcançar sua independência enquanto o povo continuar a votar nesse tipo de gente. E não se duvide que a bancada da Papuda, que deve aumentar caso os "mensaleiros" sejam presos, possa ser reeleita, apesar da cusparada que o Congresso Nacional deu na cara do país mantendo o mandato do deputado presidiário, Natan Donadon. Infelizmente, o ser humano ama a farsa e a pratica.

 

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga - www.maluvibar.blogspot.com.br- mlucia@sercomtel.com.br

Mais Jabuticabas

Posted: 09 Sep 2013 05:30 AM PDT

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Paulo Roberto Gotaç

 

A Jabuticabas como o crime coordenado e comandado através de celulares operados por presidiários confinados em penitenciárias de segurança máxima, a  impunidade quase institucionalizada, o  quebra-molas e o asfalto urbano esburacado, entre outras, acrescente-se a mais recente: os abichornantes embargos infringentes.

Ininteligível para o cidadão não habituado ao calão jurídico, a expressão, aplicada especificamente ao processo do mensalão, significa, na prática, que, caso aceitos, os recursos abrirão caminho para um novo julgamento, o que certamente eternizará o processo, que já dura sete anos, e constrangerá ainda mais a justiça brasileira diante da comunidade internacional. 

Transpirada solertemente das hostes petistas, às quais pertencem os cardeais da corrupção política, já condenados, a alternativa se manifesta através de uma sutil influência dos recém-nomeados para o plenário da Corte, inexplicavelmente partidários da tese do rigor excessivo com que os autos foram analisados.

Apesar de alijado das regras de funcionamento dos tribunais superiores por lei de 1990, o subterfúgio foi ressuscitado e está sendo colocado numa região cinzenta do direito que dá margem a posicionamentos polêmicos quanto à sua interpretação, com o propósito explícito de postergar a conclusão da vergonhosa mega-pendenga que está deixando a sociedade em estado de apreensão e desalento. 

Exceção feita  ao  Ministro Joaquim Barbosa, o único a ter-se manifestado explicitamente contra  a aceitação dos infringentes, é fundamental que nossos nobres togados, nas sessões que estão por vir, entendam (e certamente entendem!) o desgaste que vem representando a procrastinação desnecessária de um julgamento que está sendo penosamente escrito ao longo  das páginas mais cruciais da história da justiça brasileira uma vez que poderá criar pontos capazes de formar uma curva representativa muito mais edificante que a anterior. 

Srs. Juízes, encerrem logo essa ópera dos horrores e permitam que o STF retome um ritmo sereno, sobranceiro e despolitizado, que permita à Corte máxima funcionar como a de qualquer democracia baseada no estado de direito.

Paulo Roberto Gotaç é Capitão-de-mar-e-guerra, reformado.

Não tenho nada a aprender com os médicos cubanos

Posted: 09 Sep 2013 05:20 AM PDT

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Humberto de Luna Freire Filho

 

O ex-presidente com é de costume procurou e encontrou, como sempre, um palanque para expressar seus raciocínios intestinais. O fato ocorreu no dia 28/08 em um evento da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que na ocasião comemorava seus  30 anos de desserviços prestados ao país. Ele sem nenhum conhecimento de causa; primeiro, por ser um semianalfabeto que tem preguiça de ler e, não acreditando em suas limitações, resolve defender o programa "Mais Médicos", carro chefe de uma política suja, para uso na tentativa de eleger um terceiro poste, desta vez  para o governo do Estado de São Paulo.

 

Suas palavras: "Acho abominável um grupo de pessoas ( referindo-se aos acontecimentos de Fortaleza) fazer protesto contra profissionais de outros países, que fizeram um favor para nós de vir ao Brasil cobrir os lugares que os médicos brasileiros não querem ir". Esse indivíduo é simplesmente ridículo e encarna a imoralidade reinante no país. O pior em tudo isso é que no final ainda encontra uma imprensa comprometida com a quadrilha. Uma imprensa dependente da superfaturada publicidade oficial e que para continuar mamando nas tetas do governo dá total apoio e divulgação a tais aberrações. Uma agressão direta à sociedade não comprometida com o esquema de corrupção reinante.

 

Hoje um obtuso colega ( sou médico) cooptado  pelo Palácio do Planalto e travestido de Ministro da Saúde declara para a grande imprensa que "Cubanos tem muito a nos ensinar". Ora senhor ministro!!! após 36 anos exercendo a profissão, eu não tenho nada a aprender com cubanos, em nenhum aspecto, seja médico ou ideológico. 

 

Talvez você tenha, porque para quem nada sabe e dando o desconto do mau caratismo, o que lhe vier é lucro. Eu, ao contrário. tenho muito a ensiná-los e o farei com muito prazer. Inicialmente mostrando-lhes com deixar de ser escravos de uma regime apodrecido, que em 50 anos  levou seu país ao caos, e que hoje, caindo aos pedaço, seus dirigentes fazem acordos espúrios com o desprezável governo brasileiro, que tenta repaginar o tráfico de escravos. Governo corrupto com governo corrupto se entendem, a diferença será em dólares para a campanha eleitoral de 2014. Não é mesmo?

 

 

Humberto de Luna Freire Filho é Médico.

A bolsa eleição

Posted: 09 Sep 2013 05:18 AM PDT

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por José Horta Manzano

 

«Não existe político honesto» ― é frase que, de tão batida, está-se transformando, não sem razão, em lugar-comum. Em matéria de honestidade política no Brasil, é verdade que precisa levantar cedo, levar uma boa lanterna, abrir bem os olhos e procurar muito. Gente fina está cada vez mais difícil de achar. Mas toda regra costuma ter suas exceções. Quem procura acaba encontrando.

 

O doutor Hélio Bicudo, jurista de formação, está entre os raros brasileiros que se encaixam no perfil estreito do homem público íntegro. Foi procurador e promotor de Justiça, secretário municipal, vice-prefeito de São Paulo. Por breve tempo, foi até titular do Ministério da Fazenda. Hoje, aos 91 anos, conquanto guarde sua visão aguda e lúcida sobre a sociedade, está menos envolvido na vida pública. Há um tempo para tudo.

 

Humanista e humanitário, doutor Bicudo sempre batalhou pela defesa dos direitos humanos. Quando alguns idealistas se reuniram, faz mais de 30 anos, para fundar um novo partido político com o intuito declarado de defender os interesses dos oprimidos e dos trabalhadores, Hélio Bicudo não hesitou: juntou-se ao grupo. Foi um dos membros fundadores do PT.

 

Os anos passaram, a Terra girou, o Brasil mudou muito. O partido do doutor Bicudo chegou ao poder maior, a presidência da República. Mas a agremiação, na visão do jurista, estava desfigurada. Havia-se arredado demais de sua vocação primeira. Sentindo que a confraria partia à deriva e que a generosidade e o idealismo do início se haviam perdido pela estrada, o doutor Bicudo, desencantado, apeou do bonde. Desfiliou-se do PT.

 

Quem não tiver visto ainda, pode encontrar facilmente na internet o depoimento, com imagem e som, que Hélio Bicudo gravou alguns anos atrás. Discorre sobre a bolsa família. Revela que o programa de redenção dos miseráveis embutia um despudorado cálculo eleitoral: o esquema traria 40 milhões de votos para o partido e garantiria sua perpetuação no poder. Visto que o antigo partido do doutor Bicudo ainda continua empoleirado lá em cima, é de crer que tenha dado certo. Pelo menos até hoje.

 

Já faz tempo que se cogita, nas altas esferas, em importar médicos de Cuba. De uma só tacada, dois objetivos: mostrar preocupação com a saúde dos brasileiros e enviar um óbulo à dinastia reinante na ilha. No entanto, dada a resistência das associações que defendem os interesses dos médicos tupiniquins, a ideia foi deixada em banho-maria.

 

As manifestações de junho desfiaram um rosário de pedidos de «mais»: mais escolas, mais segurança, mais transportes. Uma reivindicação sobressaía: mais médicos. Era o sinal pelo qual o Planalto esperava havia tempo! Na onda do clamor popular, era hora de agir rápido. A importação de médicos podia entrar na ordem do dia.

 

Muita crítica está sendo aventada diante dessa iniciativa do governo. Há quem perceba a introdução de uma medicina de duas velocidades: uma para o andar de cima, outra para o populacho. Muitos médicos brasileiros, por seu lado, consideram injusto terem sido obrigados a se esforçar mais que seus colegas cubanos para obter o mesmo diploma. Há quem veja na diferença de línguas um obstáculo intransponível. Outros temem que os estrangeiros não tenham recebido formação suficiente. Enfim, há críticas de todos os feitios, para todos os gostos. Quanto a mim, vejo, embutida nessa operação, uma jogada pra lá de astuciosa.

 

A graciosa leitora e o ilustre leitor certamente já estiveram alguma vez num consultório médico. Assim como católicos despejam seus pecados no confessionário, pacientes confiam ao médico segredos íntimos, daqueles que nem sempre se compartilham entre marido e mulher. O respeito cria uma relação de confiança. O paciente pouco instruído tende, com mais forte razão, a admirar o galeno e a ver nele quase um guru. Se o médico missionário, no recôndito do consultório, sugerir ao paciente que vote neste ou naquele candidato, terá boa chance de ser obedecido.

 

Façamos as contas. São 4000 médicos cubanos. Se cada um der 20 consultas por dia, serão 100 pacientes por semana. Em um ano, cada médico terá dado 5000 consultas. Agora, ficou fácil: 4000 x 5000 = 20 milhões. Em teoria, 20 milhões de pacientes terão uma conversinha reservada, a portas fechadas, com os missionários da ilha caribenha. Ano sim e outro também.

 

Se os missionários tiverem recebido bom treinamento como cabos eleitorais, seus discretos conselhos hão de granjear muitos milhões de votos para o embornal do partido no poder. Bem bolado, não?

 

 

José Horta Manzano é Empresário, editor do site BrasildeLonge.com - Artigo publicado pelo Correio Braziliense em 7 setembro 2013.

O finado Sete de Setembro de 2013

Posted: 09 Sep 2013 05:13 AM PDT

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Valmir Fonseca

A história do Sete de Setembro, nós sabemos. Eu espero.

A nossa autonomia em relação a Portugal foi anunciada com o brado de "independência ou Morte" pelo Príncipe D. Pedro em 1822, que assim, declarou - se dono de sua vontade e soberano de seus súditos, o povo brasileiro.

Se hoje, o populacho nem sabe o que se passa em sua volta, exceto se tratar - se de pão e circo, imaginem naquela época.

Portanto, para a maioria dos nativos de antanho, o gesto próximo às margens do Ipiranga, não significou absolutamente nada.

Entretanto, sacramentado o ato de D. Pedro como um bravo gesto para o bem dos nacionais, a data tornou - se especial, pela coragem do Príncipe, que representava a nacionalidade que nascia.

E assim, foi que através dos anos, a data tornou - se significativa para a dignidade e para a soberania nacional.

Na data, feriado nacional, os desfiles, com tropas, colégios e diversas entidades, externavam e impregnavam no público um entusiasmo contagiante.

Nas casernas, antecedendo a data, havia a expectativa de demonstrar para o público que acorria às ruas, um desfile exemplar, por isso, semanas antes realizavam exaustivos, mas dedicados treinamentos.

E assim, foi por décadas, até que...

Iniciadas as governanças lulo - petistas, os desfiles antes coordenados pelas autoridades militares, passaram a ficar subordinados aos ditames do desgoverno, a muitos empecilhos e a custarem cada vez mais.

Esvaziando a Data Magna, aos poucos foram espantando o grande público.

As autoridades militares foram expurgadas do palanque principal.

Para os que gostavam de anualmente assistir aos desfiles, a cada ano, a garbosa e contagiante marcha dos soldados em suas engomadas fardas, foi ficando a cada ano menos empolgantes.

O deste ano foi o réquiem de uma data festiva.

Na tradição histórica, datas como o sete de setembro, o 15 e o 19 de Novembro, assim, como outras que sempre foram caras para a nacionalidade, estão morrendo à míngua, comprovando que para a alta cúpula que nos domina, aquelas datas devem ser expurgadas.

É a tentativa de apagar da nossa memória momentos especiais e, por consequência, as figuras históricas que as protagonizaram.

Sim, é mais fácil dominar um País sem tradições, sem memória, sem heróis, pois eles pretendem construir novos parâmetros nesta lavagem cerebral.

Pelo exposto, sem dúvida, merecemos uma estátua do Lula, e que ela seja grandiosa, majestosa, pois ELE SERÁ ou já É um dos heróis que em breve cultuaremos.

 

Valmir Fonseca Azevedo Pereira, Presidente do Ternuma, é General de Brigada Reformado.

As letras e a paz

Posted: 09 Sep 2013 05:12 AM PDT

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por João Baptista Herkenhoff

 

O primeiro desafio que enfrento, quando me coloco à frente do computador para escrever o artigo semanal que me compete, é a escolha do tema. Às vezes a inspiração mergulha no silêncio e nada me ocorre. Outras vezes pululam na mente dezenas de possibilidades.

 

Entre o completo vazio interior e a voz estridente de uma pluralidade de assuntos, há uma situação particularmente delicada. É quando dois temas, apenas dois disputam atenção, como está ocorrendo neste momento.

 

Devo tratar de Literatura, já que comemoramos justamente hoje o aniversário de fundação da Academia Espírito-Santense de Letras, a mais importante instituição cultural do Estado onde moro?

 

Ou discorro sobre a Paz tendo em vista o perigo de uma guerra mundial, se os Estados Unidos cometerem a insensatez de invadir a Síria?

 

Opto por matéria de sabor local (academia de letras plantada no solo capixaba); ou alargo a vista além-fronteiras para cuidar da Síria distante, encravada entre a Jordânia, o Iraque, a Turquia e o Líbano?

 

Que tal fundir as matérias e falar sobre a relação entre as Letras e a Paz?

 

A Literatura, em alguns de seus mais gloriosos vôos, exaltou a Paz (Tolstói, Hemingway, por exemplo). Entretanto outras vezes a Literatura, ainda que em obras inexpressivas, pactuou com a Guerra.

 

Vejo a Literatura a serviço da justiça e da verdade, opondo-se a tudo que nega esses valores. O escritor engrandece seu ofício quando, através da pena, torna-se profeta de um mundo novo, pacífico, solidário e justo.

 

A academia é um espaço de convivência entre pessoas que vivem na dimensão do ser, pessoas que buscam a construção da fraternidade. Multipliquem-se as academias no território brasileiro e estaremos construindo uma rede de defensores do diálogo, da compreensão, da fraternidade universal.

 

A ideia de paz acolhida nas mentes e corações resulta de uma busca da inteligência e da vontade. O grande desafio é: disseminar o sentido de paz em todo o organismo social; educar para o florescimento, a manutenção e a defesa da paz; plasmar uma cultura da paz radicada no inconsciente coletivo.

 

Esse esforço educacional terá, necessariamente, diversos artífices, diversas fronteiras de atuação. Papel fundamental cabe a aqueles que fazem da palavra estrita ou falada seu instrumento de trabalho.

 

A luta a favor da paz não é fácil. Interesses econômicos monumentais sustentam as guerras. Na maior potência do mundo, alternam-se governos, mudam os atores que tomam lugar no palco, mas a política belicista continua exatamente a mesma.

 

 

João Baptista Herkenhoff, magistrado aposentado, Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo, palestrante pelo Brasil afora e escritor. E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br

 

 

Finlândia: Nokia vende negócio de telemóveis à Microsoft

O fabricante de equipamentos de telecomunicações Nokia, uma das joias da indústria finlandesa, anunciou em 2 de setembro a venda da sua unidade de fabrico de telefonia móvel e as patentes a esta associadas à Microsoft, por 5,44 mil milhões de euros. A produção de telemóveis da Nokia deverá ser suspensa no primeiro trimestre de 2014, especifica o Helsingin Sanomat.

Este diário acrescenta que "cerca de 32 mil trabalhadores da Nokia, dos quais 4700 na Finlândia, deverão transitar para a Microsoft". Os telefones Nokia já utilizam o sistema operativo Windows Phone 8, da Microsoft, representando 80% das vendas desse sistema.

O jornal adianta que o antigo líder mundial do setor de telemóveis, que deixou escapar a oportunidade que surgiu com a introdução dos smartphones,

irá concentrar-se no fornecimento de equipamentos para as redes de telecomunicações, juntamente com o seu parceiro alemão Siemens, e também à cartografia digital.

O Helsingin Sanomat considera, por outro lado, que

a Nokia conseguiu vender a unidade de fabrico de telemóveis, no último minuto, quando estava praticamente falida, e por um bom preço.


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Portugal: “Londres e Berlim livraram-se de dívida portuguesa após demissão de Portas e Gaspar”

Os investidores alemães e britânicos venderam respetivamente 1,8 mil milhões de euros e 450 milhões de euros de títulos do Tesouro português entre maio e junho, provocando uma enorme subida nas taxas de juro das obrigações portuguesas.

As taxas de juro portuguesas passaram de 5,3% em meados de maio para 7% em junho, escreve o Diário de Notícias, uma situação que se agravou ainda mais com a fraca economia do país e o aprofundar da crise política, em julho, altura em que o ministro das Finanças, Vítor Gaspar e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, se demitiram.


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G20: “A UE leva Putin a negociar”

"A UE continua a procurar uma solução política para a Síria", realça o Tagesspiegel.

Pouco antes do início do G20 dos dias 5 e 6 de setembro em São Petersburgo, oficialmente dedicado à crise financeira mas onde a Síria acabou por estar no centro dos debates, o presidente do Conselho Europeu Herman Van Rompuy proferiu um discurso na Universidade Europeia de São Petersburgo no qual, entre outras coisas, pede à Rússia para optar por uma solução diplomática.


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O NAVIO FANTASMA (36): A VINGANÇA E A DERIVA

JPP

 

 

Toda a linguagem do Primeiro-ministro é de vingança, medo, e representa uma deriva cada vez menos democrática. Alguém lhe explique que em democracia há três poderes, executivo, legislativo e judicial. O executivo desde sempre "engoliu" o legislativo através da domesticação de partidos e deputados. Agora falta o poder judicial. Note-se a palavrinha "poder", que é o que lhe provoca fúrias.Sem leis tudo seria mais simples.


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Espanha: “Madrid congela o seu grande sonho”

A capital espanhola vai desistir do plano de concorrer aos Jogos Olímpicos de 2024 depois de, a 7 de setembro, o Comité Olímpico Internacional (COI) ter anunciado que a cidade perdeu para Tóquio a candidatura a anfitriã dos Jogos de 2020, escreve o ABC.

A capital espanhola falhou as tentativas de receber as Olimpíadas em 2012, 2016 e 2020 e caso decida apresentar uma quarta candidatura terá de enfrentar Paris, Roma e Berlim. "Não estou a considerar tal hipótese", declarou a presidente da autarquia, Ana Botella.

O diário de Madrid escreve que é absurdo se a cidade perdeu a candidatura por ter falhado no combate ao doping. E acrescenta:

O que deveria estar a ser avaliado é o modo como o COI trabalha e o rigor dos seus processos de seleção.


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Holanda: Estado responsável pela morte de três muçulmanos em Srebrenica

Posta em causa por não ter conseguido impedir o massacre pela tropas sérvias de mais de 8000 muçulmanos em Srebrenica (Este da Bósnia) sob a supervisão dos capacetes azuis holandeses, em 1995, a Holanda foi considerada diretamente responsável pela morte de três das vítimas do massacre.

A 6 de setembro, o Supremo Tribunal de Haia confirmou a sentença do tribunal de última instância, que recebeu a queixa apresentada pela família de um eletricista e do irmão, e do pai de um intérprete contratado pelo batalhão holandês. Estes últimos procuraram refúgio junto dos soldados holandeses, que não puderam evacuá-los por não disporem de distintivos da ONU.

Segundo o NRC Handelsblad,

o veredicto irrevogável do juiz supremo representa um golpe doloroso para o Estado holandês. Uma vez que o argumento defendido durante anos, segundo o qual o país não pode ser dado como responsável pelo o que se passou sob a bandeira da ONU, não foi mantido.

O jornal espera que a Holanda

peça, em breve, e de boa vontade, desculpa às famílias dos três homens mortos e se mostre aberta ao pagamento de indemnizações. […] O pedido de desculpas é muitas vezes encarado como uma confissão, sendo portanto acompanhado de faturas. É por isso que a Holanda nunca se desculpou pela queda do enclave de Srebrenica.


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Fundos europeus: Corrida contra o tempo para o maná de Bruxelas

Até 31 de dezembro, os Estados-membros devem apresentar à UE os projetos candidatos a financiamentos europeus. Com o aproximar do prazo, os governos lutam para não perderem os fundos que não forem atribuídos até aquela data. Isto é particularmente verdade para os países da Europa central e oriental, principais beneficiários destes fundos.

Assim, em Sófia, o jornal Trud destaca na primeira página: "A Bulgária deve distribuir sete milhões por dia ou perde tudo". Mais de 625 milhões de Levs (cerca de 308 milhões de euros) do montante disponível para 2013 "deverão ser atribuídos até ao final do ano ou serão perdidos" refere este jornal. Os fundos não atribuídos referem-se a seis dos sete programas operacionais em execução pelo Governo. Mais de metade do valor é destinado a auxiliar empresas através do Programa da Competitividade.

Em Bucareste, o România liberă anuncia que "em vez de canalizar a água corrente nas cidades com mais de dois mil habitantes, como o Governo se tinha comprometido a fazer aquando da sua adesão em 2007, estão em causa multas de centenas de milhares de euros que o Estado se arrisca a ter de pagar por causa dos interesses políticos e financeiros". Este diário constata que a Roménia

tem a menor taxa de absorção de fundos europeus de todos os Estados-membros. Mesmo nas comunidades mais ricas a situação é má. Em Snagov, por exemplo, onde moram vários dignitários de diferentes partidos, duas das cinco aldeias que compõem esta comunidade não têm água corrente.

"A prestação bem pior dos Romenos é apenas uma triste consolação", já que na Eslovénia são 882 milhões de euros de fundos europeus para 2007-2013 que ainda não encontraram utilidade, realça o Dnevnik, em Liubliana. Isto representa cerca de 48% da soma total dos fundos estruturais atribuídos à ex-república jugoslava, constata o jornal, o que coloca o país na média europeia.

O Dnevnik descreve, por outro lado, que apenas doze dos 94% dos empresários eslovenos que estão ao corrente da existência dos fundos europeus têm uma vaga ideia dos montantes disponíveis.


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JPP

 



"Não só vos condenam os homens pelo que vós nunca imaginastes, mas condenam-vos pelo que nem eles imaginam de vós."

(Padre António Vieira) 



Vale tudo?

Francisco Seixas da Costa

 

Um político português abriu, em Portugal, uma conta num banco e nele fez um depósito. O banco era uma sucursal de uma intituição alemã: como o Santander é espanhol, o Barclays é britânico ou o BNP-Paribas é francês. O banco oferecia, a quem quer que fosse ao seu balcão, boas condições e, com toda a naturalidade, o político escolheu-o. Que sentido teria optar por um banco que lhe desse piores condições?

Foi ilegal a abertura da conta? Não. Houve alguma ilegalidade ou ilegitimidade na operação? Nenhuma.

 

Um jornal, porém, coloca em título que o político "põe poupanças em banco alemão". "Banco alemão"? Ó diabo! O leitor incauto logo conclui, pela fórmula habilidosa utilizada, que, com um malote atulhado de euros, o político, quem sabe se numa "aberta" de uma deslocação oficial à Alemanha, terá colocado o dinheiro, à sucapa, na segurança das terras da senhora Merkel.

 

Vale tudo? Não vale. Mas quem é que abriu a caixa de Pandora?


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Noruega: “A rainha da noite eleitoral”

Erna Solberg, a dirigente do Parido A Direita, deverá tornar-se primeira-ministra da Noruega.

O seu partido ficou em segundo lugar nas eleições legislativas de 9 de setembro com 26,8% dos votos, atrás do Partido Trabalhista do primeiro-ministro cessante Jens Stoltenberg (30,8%), mas dispõe de uma maioria com vários partidos de direita, incluindo o Partido do Progresso, uma formação anti-imigração.

Foi "uma noite de congratulações para Erna. Mas chegou a hora de batalhar pelo poder", realça o Aftenposten. Porque as divergências entre os conservadores, os liberais e os populistas poderão dificultar a formação de um governo:

Se estes partidos não conseguirem criar uma coligação de governo suficientemente funcional será um grande fracasso político.


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Discutir

Francisco Seixas da Costa

 

Aqui há uns anos, num almoço em casa de um colega, a conversa, com outro convidado, resvalou para o terreno político. Eu tinha responsabilidades de governo por esses tempos e senti-me provocado com algo que ele disse - e não faço já a mais leve ideia do que foi. Irritei-me e julgo que fui longe demais, não apenas na argumentação utilizada, mas, especialmente, no tom que assumi. No dia seguinte, telefonei ao dono da casa a desculpar-me, tendo este, com simpática benevolência, desvalorizado o assunto.

Ontem, li num jornal que o meu interlocutor dessa conversa polémica morreu. Ele não estava totalmente inocente no tocante ao rumo que a nossa discussão teve. Mas, ao ler a notícia da sua morte, senti pena por nunca lhe ter dado uma palavra sobre o assunto.


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A Florida da Europa

Domingos Amaral

 

Nos últimos tempos, vários são os jornais de outros países que têm falado de Portugal como "a nova Florida da Europa".

Ainda ontem, um jornal belga se referia a nós assim, a propósito da possibilidade que este Governo deu aos reformados desses países de não pagarem impostos se tiverem residência por cá.

Não pagam lá, nos seus países, onde trabalharam a vida toda, e de onde recebem a reforma; nem pagam cá, onde nós os recebemos de braços abertos, para que eles comprem casas, apanhem sol, e descansem o resto da sua pacata vida até irem deste mundo para sempre.

Portugal seria assim para a Europa o que a Florida foi para os Estados Unidos, sobretudo durante os anos 70 e 80: uma casa de repouso tranquila.

Uma espécie de lar da 3ª idade europeu, é essa a ideia, e apesar do tom jocoso da minha frase, não é uma má ideia.

Portugal é um país tranquilo, uma espécie de santuário sem grandes problemas políticos, religiosos ou criminais.

Além disso, tem óptimo clima, ameno, muito mais agradável que a chuvosa Bélgica ou o gélido norte da Europa.

Para ajudar, os portugueses são sempre um povo hospitaleiro, agradável aos estrangeiros.

Os portugueses odeiam outros portugueses, sobretudo em Portugal, mas adoram estrangeiros, sobretudo em Portugal.

Um belga na Bélgica é um tipo sem graça nenhuma, mas em Portugal é um mimo de pessoa.

Um francês, em França, é um animal chauvinista, um arrogante cultural.

Mas, logo que põe o seu primeiro pezinho em terras lusas, transforma-se num "monsieur" amável e charmoso, um requintado leitor de Vitor Hugo e Moliére.

E os alemães, esses insuportáveis chatos, organizados até ao tutano, que parecem robots e ainda por cima têm tenebrosas tendências agressivas, além de gostarem de chocrute?

Ora, um alemão, mal aterra em Faro ou na Portela, transforma-se num simpático ser, de bochechas coradas e olhar manso, e muito carinho pelo país que o acolhe.

Portanto, que venham os reformados europeus. É deles que a gente precisa.

E venham também os chineses, os angolanos, e os vistos Gold que se multipliquem.

Por mim, quando mais estrangeiros, melhor.

Velhos ou novos, que venham todos.

Aqui há uns anos éramos a Califórnia, depois houve quem nos quisesse transformar na Irlanda, seguiu-se o modelo da Finlândia, e agora é a Florida.

Por mim, tudo bem. Qualquer desses modelos é bom.

Desde que não queiram que Portugal seja Portugal, está tudo bem. 


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PREÇOS DA COBARDIA (1)

JPP

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Um exemplo típico da cobardia política dos governantes é o que se está a passar nas freguesias. As freguesias têm menos interesse para os media sediados em Lisboa porque  não estão, na sua esmagadora maioria, no Portugal que vem na comunicação social. As excepções são os incêndios e as festas com o Quim Barreiros no Verão, e as feiras gastronómicas de "petiscos" locais, para preencher a silly season. A vida política, social, cultural, religiosa, a nível da divisão administrativa mais próxima das pessoas e que conheceu uma profunda transformação no último ano com a fusão de freguesias, faz parte daquele Portugal ignorado a não ser quando um qualquer conflito maior ai nasce. Uma das razões da crise dos media é também essa, em particular da imprensa, a ignorância, quando não o desprezo, pelo Portugal onde vivem milhões, fora das cidades e que são tratados como paisagem.

Ora, esse Portugal vai dar mais que falar do que se imagina, devido ao facto das fusões de freguesias serem apenas uma realidade de papel que ainda não teve reflexos na realidade local. Mas, com as eleições autárquicas, isso vai-se alterar e o enorme potencial do conflito dessas fusões em muitas freguesias já se está a manifestar no processo eleitoral. Os decisores da fusão das freguesias, – uma medida destinada a enganar a troika para ocultar a não execução da fusão de concelhos, essa sim que vem no memorando – sabiam que se tomassem duas decisões lógicas, mas perigosas, antes das eleições isso iria causar certamente muitas perturbações no processo eleitoral. Essas decisões são duas: o nome e a sede da nova freguesia. E adiaram-nas por cobardia.


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PREÇOS DA COBARDIA (3): NÃO HÁ RESPOSTAS TECNOCRÁTICAS

JPP

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Estes conflitos não têm resposta tecnocrática, aquela para que o poder central se pode inclinar, encontrando critérios vagos e genéricos para decidir da localização da nova junta comum. A realidade local inclui factores que não são facilmente redutíveis a critérios objectivos. O mais importante é a história, essa coisa intangível para os tecnocratas, mas que pesa muito. Para além disso, a proximidade geográfica, ou a demografia, pode não reflectir os "locais centrais" da actividade económica e as deslocações das populações, assim como os equipamentos sociais e culturais são vistos como pertencendo a uma localidade e não a outra, tanto mais que muitos, dos mais antigos, resultam da contribuição das pessoas e de mecenas locais. 

 

Se os tempos fossem de abundância, estes problemas seriam minimizados pela consciência de que uma localidade não iria perder muito, perdendo a sede da freguesia. Na actual situação, em muitos casos com populações idosas e sem transportes, é uma verdadeira quebra imediata da qualidade de vida. Ao adiar-se esta decisão que deveria ser coincidente com a fusão das freguesias, transportou-se o problema para o terreno eleitoral, o que é dador de legitimidade e factor de mobilização, para os grupos que participarão na competição. Semeou-se assim, pela cobardia, um fogo pelas searas secas.


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PREÇOS DA COBARDIA (2): DECISÕES ADIADAS E CONFLITOS

JPP

 

 

Ambas as decisões são aquelas que vão de facto materializar a fusão e, quer uma quer, outra mexem com poder de facto. No nome, o poder é simbólico, mas já houve cenas de pancadaria para decidir se uma barragem se chamava Crestuma ou Lever, e há mortos na história recente dos conflitos locais. Ora não é de prever que a solução provisória, a medo também, que deu origem a nomes como União das Freguesias de Santa Iria da Azóia, São João da Talha e Bobadela, possa subsistir muito tempo. Apenas em Lisboa, que fez o processo a tempo e sem a pressão de dar alguma coisa à troika, esse problema foi resolvido. 

 

Depois, há a mais complicada das decisões, a relativa à sede da freguesia. Esta é uma questão muito delicada visto que, com a desertificação do país de correios, serviços administrativos, tribunais, postos de saúde, a localização da sede da freguesia numa área que era antes ocupada por duas ou várias freguesias significa uma perda de qualidade de vida nas freguesias que ficam sem junta aí localizada. As juntas de freguesia ainda são uma das raras fontes de serviços, efectivamente próximos das pessoas, e que as ajudam a preencher os papéis dos impostos, a guardar o correio, a executar algumas tarefas burocráticas e a cuidar da "terra". 

 

O resultado destes adiamentos cobardes é que, em muitas freguesias fundidas, as listas, em particular as listas de independentes, são expressão encapotada de grupos de uma junta extinta contra outra, esperando os seus proponentes que a vitória eleitoral lhes dê vantagem na decisão a posteriori quanto à localização da sede da freguesia. Isso transporta um intenso e muitas vezes agressivo localismo para a decisão eleitoral, ultrapassando as divisões ideológicas e partidárias, fazendo votar aldeias e vilas umas contra as outras e tornando o resultado eleitoral numa "vitória" não de pessoas, partidos ou sensibilidades locais mas num conflito local. Os efeitos no dia seguinte aos resultados eleitorais são imprevisíveis, mas há pessoas tratadas de "traidores" quando participam em listas entendidas como sendo da "outra" antiga freguesia, agora vista como inimiga.


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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Alemanha: “SPD: Merkel falha na crise da Síria”

As hesitações de Angela Merkel sobre a questão de uma intervenção militar na Síria tornaram-se um tema de campanha das legislativas alemãs de 22 de setembro.

A 6 de setembro, durante a reunião do G20 em São Petersburgo, a chanceler recusou assinar, em conjunto com dez dos seus homólogos, uma resolução que pede "uma resposta internacional forte" aos ataques químicos atribuídos ao regime de Bashar al-Assad. Assinou, finalmente, o documento no dia seguinte, em Vilnius, durante uma cimeira de ministros dos Negócios Estrangeiros da UE.

A duas semanas das eleições, os sociais-democratas "têm criticado o fracasso diplomático do Governo alemão", escreve o Berliner Zeitung. O SPD acusa Merkel "de ter hesitado por razões táticas durante a campanha eleitoral" e "de ter escolhido, uma vez mais, uma posição diferente", como em 2011, quando os alemães se abstiveram de votar, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, sobre uma intervenção militar na Líbia.


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O trambolhão de Portugal no ranking da felicidade mundial

Domingos Amaral

 

Todos os anos, a Universidade de Columbia, em Nova Iorque, (onde tirei o meu mestrado, que saudades!), publica um Relatório Mundial sobre a Felicidade.

Examina items como a capacidade económica, a qualidade da educação, das família, da saúde pública e privada, das instituições públicas; a esperança de vida, a liberdade de escolha, ou as relações com a comunidade. 

Com base nestes indicadores, é avaliada a felicidade dos países, e atribuída uma média.

Em 2012, Portugal estava na 73ª posição, com um nível médio de feliciade de 5,4, numa escala de 0 a 10.

Mas, este ano caiu 12 lugares, para a 85ª posição entre 156 países, e para um nível médio de 5,1.

Segundo o estudo, a quebra deve-se ao "impacto da crise da zona euro", que obviamente também fez descer de posição outros países do Sul da Europa, como a Itália, a Espanha e a Grécia. 

O que é interessante é que no topo da lista estão a Dinamarca, a Noruega, a Suíça, a Holanda e a Suécia.

O Canadá é o 6º classificado, e os Estados Unidos só aparecem em 17º lugar, enquanto a Alemanha ainda aparece mais atrás, em 26º lugar. 

Mas, fiquemo-nos pelos primeiros seis.

Em cinco deles (Dinamarca, Noruega, Suíça, Suécia e Canadá) impera um modelo quase social-democrata, de muita despesa pública, muito Estado Social, e elevados impostos. 

Em certos casos, como a Suécia, a despesa do Estado chega a ultrapassar os 60 por cento do PIB.

O que nos diz isto sobre os princípios liberais que estão tão em voga em Portugal e em muitos países da Europa?

Será que a redução da despesa do Estado é a melhor via para chegar a uma sociedade feliz e equilibrada?

Será que um modelo de Estado mínimo e impostos baixos, como parece ser a ambição da direita liberal portuguesa, é o melhor e mais eficaz?

As pessoas preferem um Portugal mais parecido com Marrocos ou com a Suécia?

A Suécia também teve um grave crise de excesso de dívida, porém nunca pôs o seu modelo em causa.

E, pelos vistos, os nórdicos são os "top model" da Europa, felizes, ricos e com muita despesa do Estado e muitos impostos.

Será que cortar a despesa do Estado é a única via para a felicidade, ou o centro direita poderá ter de admitir, num futuro próximo, que é absolutamente inevitável vivermos numa sociedade com impostos elevados?

Eu sei que dizer isto, nos tempos que correm, é quase uma heresia que merece que me queimem na fogueira, mas será a redução drástica da despesa do Estado o único caminho para Portugal? 

Se fossemos todos menos dogmáticos e ideológicos, como no Canadá, não seríamos mais felizes como país?


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Qualcomm Toq: um conceito interessante de relógio inteligente

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OUT OF THE BOX: ESCOLHAS

JPP

 

 

Posso formular a questão nestes termos: quantas vezes, no último ano, Passos Coelho esteve na mesma sala com Arménio Carlos da CGTP ou com Carlos Silva da UGT, ou Bettencourt Picanço, que é um militante do PSD, e quantas vezes esteve com Ricardo Salgado, Fernando Ulrich, Nuno Amado, Jorge Tomé, Luís Amado, Mira Amaral, etc. Quantas vezes esteve com banqueiros, ou gente da banca e quantas vezes esteve com sindicalistas? A pergunta pode parecer bizarra até porque ninguém a faz, mas tem todo o sentido. Nem sequer me estou a referir a audiências mais ou menos protocolares, mas a eventos que o Primeiro-ministro organiza, frequenta, ou participa. Os banqueiros que se sentam com o primeiro-ministro em sessões organizadas pela imprensa económica, por exemplo, por organizações empresariais, em visitas às empresas, ou em "cerimónias" a anunciar investimentos e programas governamentais.

 

Escolho como contraparte sindicalistas, sabendo que não é o exemplo perfeito, nem a comparação ideal. A comparação ideal seria com trabalhadores, torneiros, marceneiros, soldadores, carpinteiros, operários e operárias têxteis, enfermeiros, professores, funcionários públicos, empregadas de limpeza, agricultores, trabalhadores dos serviços municipais, empregados de mesa, etc. Ou seja, a maioria dos portugueses. E a maioria dos portugueses que está do lado errado da crise.

 

Talvez a resposta a esta pergunta, ou seja, que não há comparação entre a "frequência" dos banqueiros e a dos sindicalistas, em extremo desfavor destes últimos, nos elucide sobre as características da actual governação. Anoto já as objecções que não valem muito, a começar pela mais óbvia: a de que a natureza financeira da crise justifica mais a frequência dos banqueiros do que a dos sindicalistas. Porquê? Acaso a natureza social da crise não é pelo menos tão relevante para o governo como a crise financeira? E acaso o primeiro-ministro não faz parte de um partido que se chama "social-democrata", algo que costuma fazer erguer os sobrolhos dos "conservadores", ou seja um partido que formalmente tem ligações com o mundo do trabalho?

 

Claro que me podem vir com o interessante argumento (que é mais marxista do que os seus utilizadores querem admitir) de que o terreno da crise que os banqueiros "representam" é o da infraestrutura, o da "economia" no sentido quase metafísico com a que a palavra é usada, ou o da "realidade", no sentido, umas vezes ontológico e outras normativo, com que é usado. Então aí, a coisa fia mais fino, porque esta redução do poder económico ao controlo da economia e a redução da economia às finanças e às empresas, esquece tudo o que é social, trabalho, rendimentos, condições de vida, qualidade da mão-de-obra, educação, os mil e um factores intangíveis que fazem uma sociedade quando esta é vista do lado da democracia e não de qualquer cesarismo, mesmo que canhestro. 

 

Não estou a dizer que seja pestífero andar com os banqueiros ao lado, à frente ou atrás, quase sempre ao lado. Não é esse o meu ponto. É natural que o Primeiro-ministro frequente banqueiros, já não é natural que se coleccionarmos fotografias de eventos, listas de participantes, encontros sociais e para-sociais, seja muito mais comum ver Passos Coelho com Ricardo Salgado do que com Carlos Silva. Se descontarmos as reuniões mais ou menos obrigatórias da concertação social, então é que um dos mundos está tão próximo como os protões e os neutrões e o outro como a Terra ao buraco negro mais próximo. Ora, insisto, se quisermos, como agora se aconselha, a pensar out of the box, isto não de todo natural. Ou é. A não ser que se entenda que seja normal que o Primeiro-ministro, homem de poder, conviva com os outros homens e mulheres de poder, cuja lista tão bem o Jornal de Negócios tem feito, na sua rede de relações, interesses, cumplicidades, establishment e intermediários, e então a questão é ainda mais delicada: como é possível que em democracia sejam os poderes fácticos, a começar pelo do dinheiro, o terreno "natural" onde se move o poder político, neste caso o Primeiro-ministro?

A questão não está em que os sindicalistas sejam expendables para o Primeiro-ministro. Não são, nem para o governo que procura no institucionalismo e nos interesses estatais dos sindicatos (o nosso sindicalismo depende muito do estado, principalmente a UGT) um factor de moderação e legitimação que sabe que não tem nos seus representados. Por isso os sindicalistas são "precisos", mas apenas de forma utilitária, enquanto os banqueiros são precisos de forma substancial. 

 

O governo não vê de facto os portugueses como iguais: pode entrar em considerações de número (em períodos eleitorais) mas entra muito mais em considerações de dinheiro. Portugueses há muitos e dinheiro há pouco. Poder no dinheiro há muito, nos portugueses nenhum, a não ser para umas publicidades optimistas e pirosas. São escolhas.


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