O gabinete (não, não é do OBAMA ou do HOLLANDE, nem sequer da MERKEL!), é apenas do 1º Ministro português.
SÓ?
E quem PAGA?
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sexta-feira, 12 de abril de 2013
O gabinete do 1º ministro de Portugal !!!!!
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Cutelarias
Francisco Seixas da Costa
Era um homem bastante calado aquele ministro. O jovem diplomata, que o acompanhava no carro, no caminho noturno entre o aeroporto de Barajas e a nossa embaixada em Madrid, quase não conseguia arrancar uma palavra ao governante, que teimava em olhar insistentemente pelo vidro da viatura, naqueles subúrbios da capital espanhola, nesses anos 60 em que o caminho se fazia por uma estrada ladeada de casas comerciais. O mutismo do ministro suspendeu-se, porém, a certo ponto, ao inquirir o diplomata: "você tem alguma noção da importância da cutelaria na produção industrial da Espanha?". O rapaz caiu das nuvens. Cutelaria? Que raio de pergunta! Fazia lá ele ideia da produção de cutelaria em Espanha! E ainda muito menos do valor relativo dessa atividade na indústria! Que chatice! Se calhar, o ministro ia ficar com má impressão dele. Mas a verdade é que aquele era um assunto que desconhecia, por completo. E, embora algo constrangido, decidiu assumir essa sua falha: "Devo confessar, senhor ministro, que não tenho presente o peso da indústria da cutelaria no cômputo geral da economia espanhola". O ministro não pareceu surpreendido, nem mesmo especialmente preocupado. Apenas comentou: "Não tem importância. Apenas tenho vindo a notar a quantidade de anúncios a talheres, que se vêm por todo o lado. Olhe! por exemplo, ali!" E apontou para um reclame luminoso onde se lia "Taller". No banco da frente, o motorista, português, deu uma gargalhada surda. Nessa mesma manhã, tinha ido a um "taller", a oficina onde sempre ia mudar o óleo. |
Um português no topo do mundo (e não é o único!)
Domingos Amaral
Não há nada que os portugueses respeitem e admirem mais do que um português que é reconhecido pelos estrangeiros. Cá dentro, os tugas são desagradáveis, criticam-se todos uns aos outros, passam a vida a azucrinar a cabeça dos outros tugas, e nunca admitem que pode haver alguém, nascido em Portugal, que possa ser melhor do que eles a fazer qualquer coisa. Porém, mal há um português que vai lá para fora e os estrangeiros o reconhecem, aí os portugueses passam de imediato a adorar essa pessoa, a considerá-lo fantástico e ficam quase comovidos, de olho molhado, quando assitem aos momentos de reconhecimento internacional desses portugueses. Eu, por exemplo, fiquei inexplicavelmente contente porque Diogo Morgado está a ter imenso sucesso nos Estados Unidos, depois de ter interpretado a personagem de Jesus numa série do canal História. Embevecido, senti uma pontinha de orgulho no rapaz. Ele até foi à Oprah! E ela brincou com ele, e até lhe chamou o "hot Jesus", considerando-o muito sexy! Isto é de deixar qualquer português de quatro! A sério, não estou a brincar, fiquei mesmo contente. Até porque é provável que o Jesus original tenha sido giro, tal era o sucesso entre as mulheres, que continuam a rezar por ele mais de dois mil anos depois! Haja alguém tão bem cotado lá fora. Quer dizer, não pode ser só o Ronaldo, o Mourinho, a Joana Vasconcelos e o Vítor Gaspar. Tem de haver mais portugueses, especialmente que sejam bonitos. Nós, brinca brincando, estamos no top sexy masculino, com o fashion Mourinho, o star Ronaldo e agora o "hot Jesus"! A única coisa que não percebo é porque é que não falam mais do Durão Barroso! A beleza masculina dos portugueses, principalmente dos machos, está mesmo a fazer furor no estrangeiro. Ainda há dias, o Financial Times, o mais importante jornal financeiro do mundo, chamava a Passos Coelho o "chearleader" da austeridade, e era um elogio, não era a gozar! Eu imaginei-o logo de pon-pons nas mãos e mini-saia provocante, a dançar no meio de um relvado! Enfim, ao menos falam de nós, e toda a publicidade é boa publicidade! |
Quatro razões para dar os parabéns ao Tribunal Constitucional
Domingos Amaral
Apesar do Governo, e muitas outras pessoas, terem atacado furiosamente o Tribunal Constitucional, pela minha parte fiquei contente com a decisão da passada sexta-feira, e parece-me que há quatro razões, todas elas boas, para dar os parabéns ao TC. 1 - O Tribunal não criou um buraco nas contas, quanto muito criou um buraquinho! Na verdade, o aumento da despesa do Estado resultante da decisão do TC não são mil trezentos e cinquenta milhões de euros. Esse é o valor bruto, mas como cerca de 550 milhões vão regressar ao Estado sobre a forma de IRS cobrado sobre os subsídios, o valor líquido do aumento de despesa é cerca de 800 milhões de euros. Ora, sendo a despesa total do Estado cerca de 80 mil milhões de euros por ano, o buraco que o TC criou é apenas de 1 por cento! Sim, leu bem, é um buraquinho minúsculo. Então 1% de desvio é muito? Desde quando? Como ontem dizia Manuela Ferreira Leite na televisão, então se eu em vez de gastar 1000 euros tiver de gastar 1010 euros isso é muito? A dramatização deste "desvio minúsculo" é uma farsa patética. 2 - As pessoas vão ter mais rendimento disponível para gastar! A decisão do TC aumenta um pouco a despesa do Estado, mas não nos podemos esquecer que também aumenta o rendimento disponível dos funcionários públicos e pensionistas. O Estado terá de pagar os subsídios, e embora parte desse dinheiro seja para devolver em IRS ao Estado, uma parte importante ficará no bolso das pessoas. E isso é bom para a economia! Com mais dinheiro disponível, os portugueses podem gastá-lo, aumentando o PIB do país e contribuindo indirectamente para o aumento da receita, com o IVA que vão pagar sobre os seus consumos. Ora, para quem está em recessão, qualquer aumento do PIB é bom, venha de onde vier! A decisão do TC não só desagrava a recessão, como pode significar que mais alguns milhares de portugueses continuam empregados e não vão parar ao desemprego. Só os fanáticos da austeridade não vêm isso... 3 - Se há igualdade entre pessoas no público e no privado, isso significa que os despedimentos no sector público não são impossíveis! Estou totalmente de acordo que deve existir igualdade entre funcionários públicos e privados, e por isso o Governo não pode tirar os subsídios a uns e manter os dos outros. O princípio da igualdade perante a lei é uma pedra essencial das nossas sociedades e democracias. E é exactamente por isso que eu julgo ser possível deduzir que o TC está a dizer, implicitamente, que não há razão nenhuma para os despedimentos no sector público não existirem. A impossibilidade de despedir funcionários públicos não é um princípio constitucional, não há nada escrito na Constituição que impeça o despedimento dos funcionários públicos. O que há em Portugal é uma espécie de convenção não escrita, mas falsa. Portanto, o Governo, este ou qualquer outro, pode despedir funcionários do Estado. 4 - Os mais ricos suportam melhor uma crise. Ao não considerar inconstitucional a Contribuição Extraordinária de Solidariedade, que é cobrada sobre as pensões mais elevadas, o que o Tribunal Constitucional está a dizer, e bem, é que as pessoas com mais elevadas pensões não ficam afectadas na sua capacidade económica só porque pagam mais impostos sobre essas pensões. As pensões existem para garantir um mínimo de dignidade a quem já não pode trabalhar, não para manter o nível de vida faustoso do passado. Em épocas de grave crise financeira, pagar pensões altíssimas é obsceno, e por isso é perfeitamente legítimo que um Governo tribute mais as pensões mais elevadas. |
A Renault foi a empresa que mais veículos automóveis vendeu em Portugal, em 2012.
A RENAULT, é a marca mais vendida em Portugal, há mais de (catorze) 14 anos, mas está em Portugal há dezenas de anos.
O MEGANE foi o carro mais vendido em Portugal em 2012, com 4.868, seguido do RENAULT CLIO com 4.293. Fiz uns cálculos e cheguei a umas conclusões interessantes:
-O Megane tinha um preço base de 22.350,00 € o que dá um total de 108.799.800,00 € se lhe retirar-mos o IVA e o ISV serão 88.454.543,96 €
-O Clio tinha um preço base de 13.950,00€ o que dá um total de 59.887.350,00€, se lhe retirar-mos o IVA e o ISV serão 48.688.324,45€
Portanto a Renault levou para casa (França) 137.142.868,41 €, só nestes dois modelos com preços base, sem extras, o que nunca ou raramente acontece.
A RENAULT vendeu em 2011, 22.600 veículos ligeiros. Se aplicar-mos esta quantidade, como valor para 2012, e se só fossem vendidos estes dois modelos, o que não é verdade pois todos os restantes são mais caros, e a proporcionalidade correspondente, seria assim: Megane no total - 218.215.554,36 € para o Clio no total 120.113.102,56 €, a que se chega um total de 338.328.656,92€, portanto foi este o mínimo valor que foi para a Renault França.
Claro que os valores são maiores como é fácil de comprovar, mas deixando de lado essa situação vamos ver no que a RENAULT investiu em Portugal.
Das varias noticias que encontrei só esta era clara:
http://www.portugalglobal.pt/PT/InvestirPortugal/CasosSucesso/Paginas/Renault.aspx
"35 milhões de euros em novas linhas de montagem. Este investimento, realizado no período 2011/2013, tem em vista o desenvolvimento sustentável e a produção de componentes para veículos mais económicos e ecológicos."
Concluo que: Que faz a Renault por Portugal, quando tanto dinheiro leva dos portugueses?
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Espanha: “A Andaluzia vai expropriar habitações pertencentes aos bancos para travar expulsões”
O governo regional da Andaluzia, de coligação de esquerda (Partido Socialista e Esquerda Unida) decidiu apoderar-se de habitações pertencentes aos bancos, por um período de três anos, quando as famílias que moram nelas "correm o risco de serem excluídas" e expulsas. Esta decisão, que entrará em vigor a 11 de abril, surge numa altura em que é discutida a nova lei sobre os créditos bancários no parlamento. Esta prevê multas para os bancos que dispõem de habitações vazias e recusam alugá-las. Enquanto o Tribunal Europeu de Justiça condenou a Espanha, em março, em relação às expulsões, "a constitucionalidade da decisão [do governo da Andaluzia] divide os juristas", realça o jornal, porque esta "poderá comprometer o direito à propriedade privada". |
Paraísos fiscais: Acordo sobre bancos pressiona Áustria e Luxemburgo
Portugal ficou de fora, por alguma razão especial…
As cinco maiores economias europeias – Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Espanha – assinaram um acordo para a partilha automática de dados sobre os titulares das contas bancárias, como parte de uma estratégia para combater a evasão fiscal escreve o EUobserver. O novo acordo "aumenta a pressão" sobre a Áustria e o Luxemburgo para que deixem cair a ameaça de veto a um acordo semelhante a nível da UE. Os ministros das Finanças dos cinco países escreveram ao comissário europeu para a Fiscalidade, Algirdas Šemeta, comunicando que chegaram a acordo sobre um esquema piloto, baseado no US Foreign Account Tax Compliance Act, que exige que os bancos notifiquem os serviços de impostos dos Estados Unidos sobre todos os seus clientes americanos. O EUobserver diz que
No entanto, "a decisão não é trivial", escreve o diário espanhol ABC,
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França: François Hollande, um monarca em perigo
Financial Times, Londres – Enfraquecido pela estagnação do crescimento e por um escândalo de evasão fiscal que envolve o seu antigo ministro do Orçamento, o Presidente François Hollande corre o risco de ser vítima do exaspero da população contra as elites e de ter um destino político equivalente ao de Luís XVI. Ver mais. |
Miguel Angel Martinez
Francisco Seixas da Costa
Conheço e sou amigo de Miguel Angel Martinez há bastantes anos. Miguel Angel é um homem de causas, que não esconde as suas emoções, fazendo parte daquela espécie de pessoas que não usa "langue de bois" e diz abertamente o que pensa. Político espanhol com grande experiência europeia, é um dos mais antigos deputados europeus de Espanha, tendo já chefiado o Comité Executivo que orienta o Centro Norte-Sul do Conselho da Europa, que atualmente dirijo. Grande apoiante do Centro, participou comigo, na passada sexta-feira, em Estrasburgo, num grupo de trabalho, criado pelo Comité de Ministros, que debate o futuro daquela estrutura. Em 2000, o então meu colega de governo, Luís Amado, à época secretário de Estado dos negócios estrangeiros e cooperação, fez uma intervenção num comité do Parlamento europeu, a propósito da sensível questão da organização da cimeira entre a União Europeia e a África. (Em 2000 e, mais tarde, em 2007, Portugal organizou cimeiras UE-África, durante as suas presidências da União Europeia. Na primeira dessas realizações, defrontámo-nos com um sério problema. A maioria dos países africanos pretendia que, do seu lado, a representação fosse assumida pela então Organização de Unidade Africana (OUA) – hoje União Africana. Se tal acontecesse, Marrocos, que por virtude do conflito no Saara ocidental não pertencia à organização, não poderia participar. E, para nós, isso era impensável. Foi uma longa batalha, que, contudo, e "to make a long story short", terminou com a presença de Marrocos na cimeira.) Na ocasião, as declarações de Luís Amado e a postura portuguesa mereceram um comentário muito elogioso de Miguel Angel Martinez. Para nossa grande surpresa, um jornalista português fez um "take" para a Lusa em que, totalmente à revelia dos factos, Martinez era citado como tendo criticado Amado. O deputado espanhol fez, de imediato, um desmentido escrito. Num dos dias seguintes ao incidente, estive no edifício do Parlamento europeu, em Bruxelas, para uma apresentação do programa da presidência portuguesa. No final, no corredor, chamei os jornalistas portugueses presentes e disse-lhes: "Não sei se leram este "take" da Lusa, onde se diz que Miguel Angel Martinez criticou o secretário de Estado Luís Amado". E distribuí cópia da notícia. De seguida, estendi-lhes um outro papel: "Agora, têm aqui um texto distribuído pelo deputado, em que desmente formalmente a notícia, explicando que disse precisamente o contrário". O grupo de jornalistas não percebia o que eu pretendia com o meu gesto, mas ficou a saber isso de seguida: "Talvez o vosso colega que escreveu a notícia falsa (e apontei para ele) já tenha feito a sua retratação pela mentira que publicou. Pode distribuir-nos uma cópia?". O visado ficou "branco como a cal". E o restante grupo de jornalistas portugueses ficou surpreendido pela violência do meu comentário. Virei as costas e fui para o hotel. À noite, dois dos mais credenciados profissionais portugueses em Bruxelas, Fernando de Sousa e José Rui Cunha, fizeram-me chegar o seu desagrado pela minha atitude, lamentando a "humilhação pública" que eu tinha provocado ao colega, que era desculpado pela sua inexperiência. O assunto acabaria de morrer com o tempo, mas estou certo que quem assistiu à cena a não esqueceu. E, diga-se, até hoje nunca encontrei razões para me arrepender daquele meu gesto. Lembrei-me desta historieta na sexta-feira, ao dar um abraço ao meu querido amigo Miguel Angel Martinez, que há muito não via. |
Notas portuguesas
Francisco Seixas da Costa
1. Desembarco no aeroporto de Lisboa e leio num jornal: "Comissão Europeia exige consenso político em Portugal". Olho bem a notícia, para tentar perceber se houve alguma reação, de qualquer dos quadrantes políticos, a esta flagrante intromissão na vida política interna do país. Qual quê?! Moita carrasco! Como os tempos mudaram! Há uns anos, uma declaração deste teor teria provocado um terramoto de declarações. 2. É muito curiosa a expetativa criada em torno da possível reação do Tribunal Constitucional às medidas previstas no Orçamento geral do Estado. Foram os políticos quem desenhou as normas constitucionais. Foram os políticos quem preparou o Orçamento, ferido ou não de inconstitucionalidades. E, no fim de tudo isto, o eventual "odioso" de uma decisão passa para os juízes do Tribunal Constitucional. Ou será que o facto desses mesmos juízes serem escolhidos por via política leva a que, de certa forma, sejam vistos por alguns como uma espécie de câmara informal de representação da balcanização ideológica parlamentar? 3. O que aí vai com o regresso de José Sócrates às luzes mediáticas! Ou será que a opinião pública portuguesa não tem a maturidade suficiente para poder ouvir, com serenidade e fora da convulsão eleitoral, a voz e a opinião de alguém que chefiou o governo do país durante cerca de seis anos? Reescrevendo Albee, só me apetece perguntar: "Quem tem medo de José Sócrates?". Ou, continuando na escrita teatral, desta vez com Pirandello, deixemos que a democracia ofereça "para cada um a sua verdade". 4. Desapareceu Óscar Lopes. Ao ler a notícia, perguntei-me sobre quantos, no Portugal de hoje, ainda dele se lembrariam (e quantos dele alguma vez ouviram falar). E, no entanto, para além dos seus cada vez mais esporádicos surgimentos públicos, em suporte das ideias que nunca renegou, todos devemos a Óscar Lopes (e também a António José Saraiva, cuja morte, há precisamente duas décadas, tem sido assinalada com excessiva discrição) a primeira grande interpretação moderna da nossa literatura. No que me toca, sou um modesto mas grato tributário dessa magnífica lição. 5. Não tenho paciência para as teorias conspirativas sobre a Maçonaria, com que a imprensa nos enche regularmente. Nunca fui tocado pelas "luzes" da subordinação espiritual ao "grande arquiteto universal" e por alguma razão nunca ninguém me aproximou a sugerir que me juntasse a esses rituais. Mas devo dizer que me incomoda esta espécie de suspeição obsessiva sobre a Maçonaria, talvez porque, durante a ditadura, sempre vi a diabolização da vida maçónica a ser feita por quantos combatiam a democracia. E essa é a minha eterna "linha Maginot", na qual eu conto os que estão do meu lado. Dito isto, e com todo o respeito pelos amigos que tenho nas várias "obediências", dei uma grande gargalhada quando ontem li que um membro da maçonaria iria recorrer aos tribunais por ter sido expulso de uma dessas estruturas. Onde isto chegou! |
terça-feira, 9 de abril de 2013
Hungria: “Júlia Király demitiu-se”
A vice-presidente do Banco Central húngaro (MNB), Júlia Király, anunciou a sua demissão, a 8 de abril, para protestar contra as reformas instauradas pelo novo presidente do MNB, György Matolcsy. Este antigo ministro da Economia mantém estreitas relações com o primeiro-ministro Viktor Orbán. Király acusa Matolcsy, nomeado no dia 1 de março, de minar a confiança no MNB e, a longo prazo, a economia húngara, ao alterar o funcionamento do seu Conselho de política monetária e ao suprimir as conferências de imprensa que seguiam as decisões financeiras do Banco. |
Notícias da Noruega
Francisco Seixas da Costa
Há já algumas décadas, vivi alguns anos na Noruega. E por lá aprendi algumas coisas. Nos termos da constituição do país, o parlamento da Noruega não pode ser dissolvido. Em nenhuma circunstância, por maiores que sejam as crises (aprovação de um voto de censura ao governo, rejeição de um voto de confiança, "implosão" do governo, etc). Se uma crise se verificar, compete curiosamente ao chefe do executivo cessante, segundo a prática local, sugerir o nome de um seu possível sucessor, oriundo de outro partido, que possa encarregar-se de formar nova equipa governativa. Isto passa-se sempre assim, qualquer que seja o equilíbrio político resultante das eleições legislativas, e nunca a Noruega ficou sem governo. Assim, por lá, as eleiçöes têm invariavelmente têm lugar de quatro em quatro anos, realizadas até ao final do mês de setembro, sempre numa segunda-feira. Os partidos políticos noruegueses são forçados a um exercício de responsabilidade e, por isso, são sempre obrigados a encontrar soluções de governabilidade para o país. Se tal não acontecesse, a opinião pública - isto é, os seus eleitores futuros - puniria seguramente os partidos que inviabilizassem a formação de compromissos. Várias vezes, ao longo de mais de século, a ideia da introdução da figura da dissolução do parlamento foi discutida, mas as propostas (que necessitariam de uma maioria dois terços para serem aprovadas) foram sempre afastadas, porque os noruegueses consideraram que isso reduziria o ambiente para a cooperação entre os partidos, para soluções de interesse nacional. Inspirados em "A Ceia dos Cardeais", agora que Júlio Dantas surge como clássico de cultura geral no concurso de acesso à carreira diplomática, bem poderíamos dizer: como é diferente a política em Portugal! |
Um governo muito Sado-Masoquista...
Domingos Amaral
Era uma vez um Governo que tinha uma clara disfunção. Era um Governo sado-masoquista, no sentido em que os piores erros que cometia, e que o descredibilizavam, eram ideias com que se magoava a si próprio (como um masoquista); e as piores ideias que tinha para o país nasciam sempre como resposta vingativa a rejeições que o pobre Governo sentia (como um sádico). O masoquismo do Governo era evidente. Ele tomava decisões, mas elas eram erradas ou ilegais, e eram as próprias decisões que tomava que feriam a sua legitimidade. Como alguém que usa cilícios em cima da pele, o Governo sangrava-se a si próprio. Um dia, por exemplo, o Governo decidiu ter uma ideia, que julgou muito boa. A ideia era cortar os subsídios de férias e de Natal a todos os funcionários públicos e pensionistas. Contudo, esta maravilhosa ideia, uma verdadeira pérola política, tinha a desagradável característica de ser inconstitucional. Não houve niguém no Governo que tivesse pensado nessa possibilidade, e por isso a ideia foi rejeitada pelo Tribunal competente, e acabou por provocar grandes estragos ao Governo, que ficou com a sua imagem e as suas contas baralhadas. Irritadíssimo, o Governo decidiu então ser sádico. Ai não posso cortar subsídios? Então tomem lá com as alterações da TSU! Como uma criatura furiosa por ter visto a sua genial ideia rejeitada, o Governo vingou-se na população. Qual sádico espumante pelos cantos da boca, pegou na chibata e decidiu aumentar a TSU para os trabalhadores e diminui-la para os patrões, em mais uma pérola política de valor incalculável. Esta sádica proposta rapidamente fez ricochete e se transformou num acto de puro masoquismo. É evidente que o país em peso se revoltou contra as alterações na TSU e o Governo lá teve de deixar cair mais uma ideia. Pelo caminho, magoou-se mais uma vez a si próprio, como bom masoquista que é. Em vez de chicotear o povo, fustigou-se a si mesmo nas costas, qual penitente nas Filipinas! Nova rejeição provocou novas fúrias, e lá ressuscitou o sádico. Ai não aceitam mexidas na TSU? Então tomem lá um "enorme aumento de impostos no IRS", acompanhado de cortes nos subsídios de férias de funcionários públicos e pensionistas. A vingança pela derrota na TSU foi terrível, o sadismo vastíssimo! O Governo ergueu um ferro em brasa e preparou-se para queimar o povo no lombo! Porém, como já seria de esperar, os masoquistas magoam-se sempre a si próprios com as suas taras mirabolantes. Enervadíssimo e vingativo, o Governo cometeu novo erro, e voltou a ferir-se, espetando o ferro na própria anca! Uns meses depois, o Tribunal Constitucional declarou ilegais os cortes nos subsídios, e o Governo lá teve de lamber as feridas auto-infligidas uma vez mais. Só que (onde é que já vimos isto?), é habitual que o masoquista se torne sádico quando é rejeitado, e lá veio de novo o Governo, espumando raiva, prometer cortes e mais cortes. É outra vez o sádico a erguer-se ameaçador, de tridente numa mão e bola de pregos na outra. Espera-se muita dor e ranger de dentes nos próximos tempos? Infelizmente esperam-se sobretudo mais ideias ilegais ou inaceitáveis pela população. Ou seja, mais do mesmo, um boomerang sado-masoquista permanente e interminável. É assim a nossa sina: temos um Governo que, antes de fazer mal ao país, faz sobretudo mal a ele próprio, com a sua incompetência ou fanatismo cego. Se cair um dia destes, cai por culpa própria, porque foi inábil e inepto. Como sempre são os sado-masoquistas... |

