quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Os novos ladrões de bancos.

Até para roubar bancos é preciso ter estudos, estar bem relacionado (a palavra-chave é networking) e familiarizado com as novas tecnologias. Olhem bem para o desgraçado destino dos dois brasileiros que no Verão de 2008 tentaram assaltar o balcão do BES de Campolide. Um acabou no cemitério e outro paraplégico. Uma tristeza! Onde já lá vão os tempos de John Dillinger ou do romântico par Bonnie & Clyde. Agora, para roubar um banco não basta ter o cérebro povoado por uma pequena aglomeração de neurónios apenas habituados a orientarem actividades básicas como comer, dormir e disparar armas. Hoje em dia, um bom ladrão de bancos precisa de uma licenciatura em Economia (ou Gestão), de ostentar no curriculum uma passagem pelo Governo ou pelo Banco de Portugal (as duas acumuladas ainda é melhor) e ser senhor de um cérebro habituado ao raciocínio indutivo e aos altos mistérios da especulação. Excepção feita aos dois infelizes do assalto ao BES de Campolide, toda a gente sabe que já não há nas agências bancárias dinheiro vivo que se veja - e que as poucas notas que existem estão guardadas em cofres de abertura retardada. Careca de saber isto, o gangue da retroescavadora optou, inteligentemente, por ir buscar as notas ao local onde os bancos as depositam para as fazer chegar aos clientes - as caixas multibanco. Em 2010, esta quadrilha roubou 16 ATM, entre o Alentejo e o Algarve, em golpes minuciosamente preparados, concretizados de madrugada após pedirem previamente emprestada uma retroescavadora com pá traseira, o modelo adequado ao fim em vista.  Jorge Fiel DN

Coelho critica justiça com frase de livro judaico.

"Infeliz da geração cujos juízes merecem ser julgados": foi este o mote para ataques à justiça  do candidato madeirense. DN

Gestores não executivos recebem 7400 euros por reunião do PSI-20.

Embora não desempenhem cargos de gestão, administradores são bem pagos. Por cada reunião do conselho de administração das cotadas do PSI--20, os administradores não executivos- ou seja, sem funções de gestão - receberam 7427 euros. Segundo contas feitas pelo DN, tendo em conta os responsáveis que ocupam mais cargos deste tipo, esta foi a média de salário obtido em 2009. Daniel Proença de Carvalho, António Nogueira Leite, José Pedro Aguiar-Branco, António Lobo Xavier e João Vieira Castro são os "campeões" deste tipo de funções nas cotadas, sendo que o salário varia conforme as empresas em que trabalham. Proença de Carvalho é o responsável com mais cargos entre os administradores não executivos das companhias do PSI-20, e também o mais bem pago. O advogado é presidente do conselho de administração da Zon, é membro da comissão de remunerações do BES, vice-presidente da mesa da assembleia geral da CGD e presidente da mesa na Galp Energia. E estes são apenas os cargos em empresas cotadas, já que Proença de Carvalho desempenha funções semelhantes em mais de 30 empresas (???).  Considerando apenas estas quatro empresas (já que só é possível saber a remuneração em empresas cotadas em bolsa), o advogado recebeu 252 mil euros. Tendo em conta que esteve presente em 16 reuniões, Proença de Carvalho recebeu, em média e em 2009, 15,8 mil euros por reunião. O segundo mais bem pago por reunião é João Vieira Castro (na infografia, a ordem é pelo total de salário). O advogado recebeu, em 2009, 45 mil euros por apenas quatro reuniões, já que é presidente da mesa da assembleia geral do BPI, da Jerónimo Martins, da Sonaecom e da Sonae Indústria. Segue-se António Nogueira Leite, que é administrador não executivo na Brisa, EDP Renováveis e Reditus, entre outros cargos. O economista recebeu 193 mil euros, estando presente em 36 encontros destas companhias. O que corresponde a mais de 5300 euros por reunião. O ex-vice presidente do PSD José Pedro Aguiar-Branco é outro dos "campeões" dos cargos nas cotadas nacionais. O advogado é presidente da mesa da Semapa (que não divulga o salário do advogado), da Portucel e da Impresa, entre vários outros cargos. Por duas AG em 2009, Aguiar-Branco recebeu 8080 euros, ou seja, 4040 por reunião. Administrador não executivo da Sonaecom, da Mota-Engil e do BPI, António Lobo Xavier auferiu 83 mil euros no ano passado (não está contemplado o salário na operadora de telecomunicações, já que não consta do relatório da empresa). Tendo estado presente em 22 encontros dos conselhos de administração destas empresas, o advogado ganhou, por reunião, mais de 3700 euros.

DN por MARIA JOÃO ESPADINHA16 Abril 2010

CARTA DE UM POLICIAL PARA UM BANDIDO.

Senhor Bandido.
Esse termo de senhor que estou usando é para evitar que macule sua imagem ao lhe chamar de bandido, marginal, delinquente ou outro atributo que possa ferir sua dignidade, conforme orientações de entidades de defesa dos Direitos Humanos.
Durante vinte e quatro anos de atividade policial, tenho acompanhado suas "conquistas" quanto à preservação de seus direitos, pois os cidadãos, e especialmente nós policiais, estamos atrelados às suas vitórias, ou seja, quanto mais direito você adquire, maior é nossa obrigação de lhe dar segurança e de lhe encaminhar para um julgamento justo, apesar de muitas vezes você não dar esse direito às suas vítimas.
Todavia, não cabe a mim contrariar a lei, pois me ensinaram que o Direito Penal é a ciência que protege o criminoso, assim como o Direito do Trabalho protege o trabalhador, e assim por diante.
Questiono que hoje em dia você tem mais atenção do que muitos cidadãos e policiais. Antigamente você se escondia quando avistava um carro da polícia; hoje, você atira, porque sabe que numa troca de tiros o policial sempre será irresponsável em revidar. Não existe bala perdida, pois a mesma sempre é encontrada na arma de um policial ou pelo menos a arma dele é a primeira a ser suspeita.
Sei que você é um pobre coitado. Quando encarcerado, reclama que não possuímos dependências dignas para você se ressocializar. Porém, quero que saiba que construímos mais penitenciárias do que escolas ou espaço social, ou seja, gastamos mais dinheiro para você voltar ao seio da sociedade de forma digna do que com a segurança pública para que a sociedade possa viver com dignidade. Quando você mantém um refém, são tantas suas exigências que deixam qualquer grevista envergonhado. Presença de advogados, imprensa, colete à prova de balas, parentes, até juízes e promotores você consegue que saiam de seus gabinetes para protegê-los. Mas se isso é seu direito, vamos respeitá-lo. Enfim, espero que seus direitos de marginal não se ampliem, pois nossa obrigação também aumentará. Precisamos nos proteger. Ter nossos direitos, não de lhe matar, mas sim de viver sem medo de ser um policial. Dois colegas de vocês morreram, assim como dois de nossos policiais sucumbiram devido ao excesso de proteção aos seus direitos. Rogo para que o inquérito policial instaurado, o qual certamente será acompanhado por um membro do Ministério Público e outro da Ordem dos Advogados do Brasil, não seja encerrado com a conclusão de que houve execução, ou melhor, violação aos Direitos Humanos, afinal, vocês morreram em pleno exercício de seus direitos.

Autor:
Wilson Ronaldo Monteiro
Delegado da Polícia Civil do Pará

Enviado por:
Abelardo Gomes da Silva Júnior
Assoc. dos Militares Bachareis em Direito
Diretor Presidente

Notícia de Última Hora

Com pedido de divulgação urgente, foi recebida a seguinte mensagem emitida pelo Gabinete do Primeiro-Ministro: 
"O Governo faz saber que, como medida de contenção de despesas e tendo em consideração a actual situação das contas públicas, a luz ao fundo do túnel será desligada até nova ordem."

Os apoios da CGD ao BPN ultrapassam os 5 mil milhões de euros

Não sendo o que o pior ministro das finanças (Teixeira dos Santos) do espaço europeu, continua a dizer, o presidente da CGD, Faria de Oliveira, revela que o apoio total do banco público para o BPN e para os três veículos criados para receberem os seus activos problemáticos é de 5.040 milhões de euros.

"Sejamos claros: o funding prestado ao Banco Português de Negócios (BPN) teve impacto na situação líquida da Caixa Geral de Depósitos (CGD)", afirmou Faria de Oliveira na Comissão de Orçamento e Finanças.

Segundo o responsável, foram prestados ao BPN apoios de 400 milhões de euros em papel comercial, mais 745 milhões de euros em monetário, num total de 1.145 milhões de euros. Já no que toca às três sociedades criadas no âmbito da solução que o Governo desenvolveu após o fracasso do processo de privatização do banco, o total de apoios da CGD ascende a 3,9 mil milhões de euros. Deste total, 3,1 mil milhões de euros são objecto de garantias estatais, e 775 milhões de euros têm como garantias penhores e hipotecas sobre activos do próprio BPN.

Os preços subiram 1,4% em 2010, diz INE

A taxa de variação média anual do Índice de Preços no Consumidor (IPC) foi de 1,4% em 2010, tendo registado uma trajectória crescente nesse ano, ao contrário do verificado em 2009, revelou hoje o INE. De acordo com os números avançados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em Dezembro de 2010, o Índice de Preços no Consumidor (IPC) registou uma variação homóloga de 2,5%, ou seja, 0,2 pontos percentuais acima da verificada em Novembro. A taxa de variação média anual do indicador de inflação subjacente, medido pelo índice total excepto produtos alimentares não transformados e energéticos, manteve-se praticamente inalterada, fixando-se em 0,3%, face a 0,4% registados no ano anterior. Segundo o INE, a evolução da taxa de variação homóloga deste indicador apresentou uma "trajectória crescente em 2010", ao contrário do verificado em 2009. Em termos de contributos para a variação média anual de 2010, é de destacar a classe dos transportes "que apresentou um contributo praticamente simétrico ao registado em 2009". Embora mantendo um contributo negativo, "é também de salientar a classe dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas que tinha apresentado um contributo negativo ainda mais acentuado em 2009", de acordo com o INE.

Portaria n.º 31-A/2011 - funcionamento das farmácias de oficina

MINISTÉRIO DA SAÚDE
Portaria n.º 31-A/2011 de 11 de Janeiro
O Decreto -Lei n.º 53/2007, de 8 de Março, que regula o horário de funcionamento das farmácias de oficina, foi alterado pelo Decreto -Lei n.º 7/2011, de 10 de Janeiro, com vista a rever os limites ao horário de funcionamento das farmácias de oficina.
O Decreto -Lei n.º 53/2007, de 8 de Março, tal como alterado pelo Decreto -Lei n.º 7/2011, de 10 de Janeiro, dispõe que as farmácias de oficina podem funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana, em articulação com o regime de turnos. O regime de funcionamento por turnos das farmácias tem de continuar a ser assegurado e a abertura das farmácias 24 horas por dia, sete dias por semana, deve ser regulada e articulada com os turnos das farmácias de oficina. No que diz respeito ao período de funcionamento das
farmácias de oficina, o Decreto -Lei n.º 53/2007, de 8 de Março, tal como alterado pelo Decreto -Lei n.º 7/2011, de 10 de Janeiro, dispõe ainda que o período de funcionamento semanal das farmácias de oficina está sujeito a um limite mínimo de funcionamento e a um horário padrão, a definir por portaria do membro do Governo responsável pela área da saúde, e estabelece novos termos para a comunicação desses períodos de funcionamento, designadamente, o proprietário da farmácia comunica os períodos de funcionamento, diário e semanal, da farmácia ao INFARMED — Autoridade Nacional do Medicamento
e Produtos de Saúde, I. P. (INFARMED), até ao dia 31 de Março de cada ano, para o 2.º semestre do ano civil, e até ao dia 30 de Setembro de cada ano, para o 1.º semestre do ano civil. Para além disso, dispõe, no que diz respeito aos termos da comunicação, por um lado, que os períodos de funcionamento, diário e semanal, de todas as farmácias de oficina vigoram por um ou mais períodos coincidentes com cada um dos semestres de cada ano civil e, durante cada semestre, só podem ser modificados por motivos devidamente justificados, e, por outro lado, que, sempre que se justifique, as comunicações dos períodos de funcionamento, diário e semanal, da farmácia devem prever as variações impostas por motivos de sazonalidade. Relativamente ao funcionamento das farmácias de turno, o Decreto -Lei n.º 53/2007, de 8 de Março, tal como alterado pelo Decreto -Lei n.º 7/2011, de 10 de Janeiro, clarificou e adaptou os critérios que as farmácias de turno de serviço permanente e de turnos de regime de disponibilidade devem respeitar, bem como os termos da aprovação das escalas de turnos.
Nesse sentido, cumpre rever e adaptar o procedimento de aprovação, duração, execução, divulgação e fiscalização das escalas de turnos, definidos pela Portaria n.º 582/2007, de 4 de Maio, e estabelecer o limite mínimo e o horário padrão, nos termos do artigo 4.º do Decreto-Lei n.º 53/2007, de 8 de Março, tal como alterado pelo Decreto -Lei n.º 7/2011, de 10 de Janeiro.
Assim:
Nos termos dos artigos 4.º, 6.º, 11.º, 12.º, 13.º e 14.º do Decreto -Lei n.º 53/2007, de 8 de Março, que regula o horário de funcionamento das farmácias de
oficina, alterado pelo Decreto -Lei n.º 7/2011, de 10 ... ver aqui

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Soltando o verbo!

Faz falta em Portugal uma mulher assim, pois no restante é parecido.

A colher.

O diplomata ia a sair do jantar, em casa de um velho amigo. Já perto da porta, o empregado da casa, que ele conhecia de há muito, revelou-lhe a sua indignação: tinha acabado de ver um determinado convidado meter ao bolso uma colher de prata do serviço de café. Valia a pena dizer ao patrão, com o risco de ir criar um escândalo?
Não, não valia a pena, aconselhou o diplomata. E, para surpresa do empregado, pediu-lhe uma colher idêntica, meteu-a no bolso do casaco e regressou à sala, onde a festa ainda ia animada.
A certo passo, aproximou-se do indivíduo que surripiara a colher e, em tom de cumplicidade, disse-lhe, mostrando discretamente a colher que acabara de meter ao bolso: "Meu caro, dizem-me que "eles" já sabem que fomos nós quem sacou as duas colheres que faltam. Vou pôr a "minha" discretamente naquela mesa ao fundo. Quer lá pôr a "sua" também?"

Governo vai alterar identidade e gestão do BPN.

Foi preciso o Cavaco Silva dizer bem, alto na TV, que algo não está bem, para que o governo se mexa?

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, revelou hoje no Parlamento que o Governo tem em curso um processo de alteração da marca e da imagem do BPN, bem como da sua equipa de gestão. «Temos que proceder a uma refundação do BPN», disse o governante, explicando que o plano passa pela «criação de uma nova marca e de uma nova imagem» do banco. O modelo de negócio tem que ser «claro» e «a administração deve autonomizar-se» da equipa de gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD), anunciou Teixeira dos Santos. Diário Digital/Lusa.

Tintin e os polícias.

Neste Natal, ao folhear*, numa casa de famiares, a edição portuguesa (pós-25 de abril) do álbum "Tintin na América", recordei o facto de um dia me ter dado conta de que a primeira aparição da história em Portugal havia sido objeto de uma discreta intervenção da censura. Já aqui havia falado do assunto, mas só agora posso documentar esse ridículo ato censório.

Hoje, dei-me ao cuidado de procurar, na coleção completa do "Cavaleiro Andante" (1952-1962), de que sou feliz proprietário, e lá fui encontrar, no nº 210, de Janeiro de 1956, a primeira imagem dessa história**. Olhem para ela:
O Estado Novo, na sua cuidadosa preservação das figuras da autoridade, entendeu não dever permitir que um polícia pudesse ser apresentado a fazer a continência a um gangster.

O "Cavaleiro Andante" optou também por uma tradução livre do texto original francês, que - já agora! - assim reza: "À Chicago, où règnent en maîtres les bandits de toutes espèces, un soir..." Talvez tivesse sido ponderada a necessidade de remeter para um prudente e bem qualificado passado essas mesmas aventuras. Não fosse dar-se o caso de, em 1952, alguém ter a veleidade de pensar que, noutras partes do mundo, pudesse haver "bandits de toutes espèces" a reinarem sob a proteção de polícias...

* Eu havia escrito "desfolhar", o que era um enormíssimo erro. Um leitor atento corrigiu-me, o que agradeço.

**Para os mais curiosos e conhecedores da obra de Hergé, noto que a história tal como publicada no "Cavaleiro Andante" é claramente baseada na primeira edição do "Tintin en Amérique", que surgiu na revista belga "Le Petit Vingtième", em 1931, o que justifica a total diferença na coloração (a versão original era a preto-e-branco), para além de bizarros pormenores de "publicamente correto" que não vêm para o caso...

Bandos de pássaros suicidam-se por todo o mundo para não terem de vir trabalhar para o Benfica

Se tem aves em casa, misture-lhe anti-depressivos na comida.
A PIQUE/GF – Desde o início do ano, e em locais tão remotos como os EUA, o Japão ou a churrasqueira "A Valenciana" em Campolide, bandos inteiros de pássaros estão a suicidar-se para não serem convidados pelo SLB a substituírem a águia Vitória.
Tudo começou no estado do Arkansas, nos EUA, quando na noite de passagem de ano 100 mil corvinas apareceram mortas, espalhadas pelo chão junto a um bilhete de suicídio. O mesmo dizia "Um primo nosso avistou um benfiquista para os lados de Washington. Se já há benfiquistas por aqui, já não há sítio para onde fugirmos.
Adeus.
PS – Só pedimos que ao menos nos comam com arroz".
Depois deste episódio, outras milhares de aves – como cisnes, morcegos e até mesmo um homem que estava vestido com um fato de galinha – tiraram a sua própria vida. As autoridades lamentam, mas parece que estas aves preferem morrer a vir trabalhar para Portugal, onde trabalhariam para o Benfica e a recibos verdes.

Heroína gratuita não é solução.

“Os drogados não aderem à heroína gratuita”, constata o Politiken. Há dez meses, explica o diário dinamarquês, os toxicodependentes do país podem ir aos centros públicos de cuidados de saúde receber doses de heroína gratuitas, sob prescrição. Apesar de a heroína ser pura e consumível, e não ter riscos judiciais, só 80 pessoas aceitaram esta oferta, que inclui também um tratamento. Os centros dispõem de 300 lugares. “O tratamento é restritivo, muito supervisionado e controlado”, observa o médico chefe dos serviços sociais da capital dinamarquesa. Os toxicodependentes devem ir aos centros uma ou duas vezes por dia e cada dose deve ser tomada sob vigilância médica. “Quando os drogados recusam a heroína paga pelo Estado, é evidentemente necessário rever o programa” e ouvir as pessoas em causa, considera o Politiken.

Diplomatas.

Tenho grandes dúvidas sobre a eficácia informativa das peças jornalísticas que, ontem e hoje, o "Diário de Notícias" publicou sobre a diplomacia portuguesa. Nem me quero pronunciar sobre o rigor do que foi escrito, até porque há por ali dados que eu próprio desconhecia.
A condição diplomática tem "nuances" de vida que se torna muito difícil explicar, em particular porque há aspetos menos claros e menos óbvios para quem tem um quotidiano profissional mais sedentário.
De qualquer forma, quero louvar o esforço de quantos procuram, dentro da estrutura sindical que agrega os diplomatas - e de que já fui vice-presidente, com responsabilidades na negociação do estatuto da carreira -, defender os nossos interesses profissionais, sublinhando junto do poder político os direitos de uma das poucas carreiras públicas que nunca fugiu aos seus deveres e que, nesse âmbito, tem dado constantes provas de um elevado e não ultrapassável sentido de Estado.
Sei que falo em causa própria, com tudo o que isso diminui a autoridade do argumento, mas é o que sinto.

Vitor Alves (1935-2011)

 

Deve ser geracional: cada vez tenho mais mortos conhecidos.

Vitor Alves é um nome que, nos dias de hoje, pouco dirá a largos setores da opinião pública. Contudo, é pena que se não saiba que foi uma figura que muito contribuiu para a liberdade que abril nos trouxe, nessa magnífica aventura de 1974. Coordenador do programa do Movimento das Forças Armadas, era um homem sereno e de extrema cordialidade, um "cavalheiro" que, em diversas ocasiões, encontrei nos corredores da Revolução, com um sorriso simpático, um discurso e uma prática política de onde esteve sempre ausente qualquer radicalismo.

Um dia, no final dos anos 90, Vitor Alves procurou-me para tratar de assuntos profissionais, recordo-me que ligados à atividade de empresas nacionais em Marrocos. A conversa tinha condições para ser bastante breve. Num instante, vieram à baila os tempos do "verão quente". Os seus olhos brilharam e ali ficámos - o velho capitão de abril e o antigo oficial miliciano - a recordar gentes e factos desses tempos de esperança, por mais de uma hora. Nunca mais o vi.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O regresso de Rendeiro.

João Rendeiro lançou um blogue. Antes um blogue que um banco: assim o prejuízo fica com o responsável.

É verdadeiramente surpreendente assistir ao regresso de João Rendeiro ao “espaço” mediático. Não pelo seu regresso: Rendeiro é livre de fazer o que entender e de se munir, como diz, de “lápis, folha A4, calculadora de bolso”. Mas pelo conteúdo: vem dar uma aula sobre banca; sobre o BPI; sobre o Banco de Portugal.
O descaramento não tem limites. O Banco Privado Português é um caso de polícia, defraudou milhares de clientes, é uma nódoa na história do sistema financeiro português, está em dissolução – mas o seu fundador e ex-presidente dá lições de banca. E de supervisão: chega ao cúmulo de acusar o Banco de Portugal de “política de avestruz”, precisamente aquilo de que foi acusado no BPP.
João Rendeiro não é um patinho feio, é uma ovelha negra para o sistema financeiro. Mas é inocente até prova em contrário. É arguido, no processo BPP, por fraude, abuso de confiança e falsificação, na sequência de queixa dos clientes e de reguladores. Nos últimos dois anos, depois da intervenção no banco, poucas vezes falou (nunca respondeu às perguntas do Negócios...) e quando o fez foi para se vitimizar e para se descartar. O seu argumento é de que não era presidente executivo do BPP à data dos factos. Quem dele suspeita quer provar que Paulo Guichard, que lhe sucedeu no cargo, era correia de transmissão de Rendeiro, que ficou “Chairman”. Quis juris? Os tribunais julgarão.
Há uma reacção típica em inocentes: dizerem-se perseguidos pelo sistema político, judicial, bancário ou mediático; nunca mostrar arrependimento, por medo de parecer confissão; e falar, porque um inocente não se cala. Rendeiro falou: o seu texto circula desde ontem à noite nas redes sociais e desde hoje nos jornais, incluindo o Facebook, onde João Rendeiro tem mais de mil amigos, todos eles posteriores ao descalabro do BPP.
Bom, mas admitamos participar no exercício de amnésia geral: vai o BPI ser forçado pelo Banco de Portugal a realizar um aumento de capital? O Banco de Portugal já o disse, no Relatório de Estabilidade do Sistema Financeiro, aliás em relação a todos os bancos: ou aumentam capital ou vendem activos ou reduzem crédito concedido. Disse-o em relação ao BES, o BPI ou BCP. E E Ulrich já respondeu. Não há uma novidade nisto, o que torna o texto uma viagem ridícula mas perigosa: o sistema financeiro está, como o País, no fio da navalha do acesso a financiamento e o alarmismo pode provocar o pânico. Algo que, em Outubro de 2008, ninguém fez ao BPP. Apesar de tudo.
Só há um banco sobre o qual Rendeiro deve falar: o esqueleto que sobra do seu. O resto é atrevimento e provocação. Mas que não deve ser ignorado: isso seria participar na inimputabilidade que Rendeiro reclama para si mesmo.
Este texto de Rendeiro não é prova de inocência, é falta de pudor. O BPP não é comparável ao BPN como um pionés não é comparável a um prego - mas ambos furam uma parede, a da solidez e reputação da banca portuguesa. Rendeiro nunca pediu desculpa nem mostrou qualquer remorso ou sequer consideração por aqueles que perderam dinheiro e viram as suas contas congeladas. Nem é necessário ser culpado para ter esse gesto de dignidade. Mas é preciso ser descarado para continuar, depois disso, a mandar “posts” – sobre banca...

image Jornal de negócios

FMI em Portugal não é um drama- Crise Global.

Se na Assembleia da Republica e noutros lugares já se estão fazer obras para acolher os Srs., do FMI, porque continuam a querer enganar-nos?!

“Em declarações no Fórum TSF, o ex-ministro da Economia e das Finanças do Governo de António Guterres mostrou confiança quanto à capacidade de Portugal resolver o actual impasse político para a viabilização do Orçamento do Estado.
Confrontado com a ameaça de necessidade de recorrer ao fundo de emergência da União Europeia, que significaria a entrada do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Portugal, Pina Moura desdramatizou.
"Não temo a entrada do FMI em Portugal", disse Pina Moura, "não é um drama nem será desprestigiante para o país" isso acontecer. "Pode até ser útil, quer do ponto de vista técnico quer do ponto de vista político", que o FMI intervenha de forma a complementar a governação do quadro de saída da crise económico e financeira do nosso País, finalizou Pina Moura.

Pina MouraJornal de negócios.

El BCE evita un nuevo castigo contra la deuda de Portugal y España.

El BCE ha evitado hoy la prórroga del castigo contra la deuda de Portugal y, por extensión, de la de España. Según han informado tres operadores a Bloomberg, el instituto emisor ha vuelto a sacar la chequera para comprar títulos del Tesoro portugués, lo que ha permitido aliviar los intereses que los inversores exigen a sus bonos. Gracias a la intervención, las primas de riesgo de estos dos países, el equivalente al sobreprecio que han de pagar para colocar su deuda frente a la alemana, de referencia, han frenado su repunte de primera hora. En las Bolsas, también se han moderado las pérdidas a partir del mediodía y, por primera vez en lo que va de año, el español Ibex 35 no ha sido el que más ha caído al cierre.

A las 18.00, la prima de Portugal bajaba 8 puntos básicos hasta los 414 tras tocar a primera hora los 430. En noviembre, coincidiendo con la caída de Irlanda, marcó un máximo en 459 puntos básicos. La intervención del BCE, que solo con afirmar que está comprando bonos ya logra aliviar las tensiones y habrá que esperar a la semana que viene para confirmar estos desembolsos, se ha dejado notar en la rentabilidad de sus bonos a 10 años, de referencia, que han pasado de intercambiarse al 7,3% a estabilizarse en torno al 7% al recuperarse algo la demanda. Este nivel fue el que disparó las alarmas sobre el rescate irlandés. No obstante, el caso de Portugal se diferencia del de Grecia, que mintió en sus estadísticas, o frente a Irlanda, que tiene un grave problema con sus bancos, en la inacción de su Gobierno contra el déficit y en sus bajas tasas de crecimiento.

En cuanto a España, que el jueves realizará la primera emisión de deuda de este ejercicio, la prima o riesgo país se situaba a la misma hora en 267 puntos básicos, 3 más que al cierre del viernes tras llegar a 270 al inicio de la sesión. A partir de la rentabilidad de sus bonos a 10 años, que ha marcado hoy un nuevo máximo de la década en el 5,550% y luego se ha moderado al 5,522%, se confirma que, aunque no se ha prorrogado la huida de inversores, al menos se ha moderado.

En las Bolsas, más rápidas en su reacción y siempre intentando adelantarse a lo que ocurrirá en el futuro, la persistente extensión de la crisis ha trasladado los problemas de Madrid o Lisboa a París y Milán. Ante este panorama, el español Ibex 35 por primera vez en lo que va de año no se ha comportado peor que sus colegas europeos. Al cierre, se ha dejado un 1,29% con los bancos, eso sí que no cambia, al frente de los descensos. Lisboa, por su parte, se ha dejado un 1,63%; París un 1,64% y Milán un 2,36%. Incluso el alemán Dax, cuyos bancos también se ven afectados por los problemas en el resto de países del euro, ha sufrido un recorte superior al 1% con un 1,16%. Londres, que juega en otra liga, la de la libra esterlina, ha cedido menos con un 0,43%. El euro, de su lado, ha seguido a la baja y tras llegar a tocar los 1,28 antes de la apertura, su nivel más bajo desde septiembre, se ha estabilizado en torno a los 1,29.

La jornada de hoy en los mercados secundarios de deuda se ha revelado como de transición en una semana clave en la evolución de la crisis. Tanto el Tesoro luso como el español, el italiano y el griego van a estrenar las emisiones de deuda de este 2011, que se realizan en otro mercado, el primario de deuda soberana. La fecha viene impuesta por los sucesivos vencimientos de deuda de los Estados, que utilizan las subastas para captar el dinero con el que pagar a los que en su día compraron sus bonos y mantener cierta liquidez en caja.

El resultado de la subasta de Portugal del miércoles, es decir, si logra alcanzar los objetivos de colocar entre 750 y 1.250 millones de euros y el precio que tendrá que pagar por ello, demostrará si tienen razón los analistas que apuestan a que el país tendrá que solicitar, tal y como pasó con Grecia o Irlanda, la ayuda de sus socios del euro para seguir pagando a los inversores que en su día compraron deuda lusa. Así, lo que suceda el miércoles debe dar una pista clave para saber si podrá seguir recurriendo al mercado para financiarse.

Pese a los crecientes rumores, la Comisión Europea ha negado hoy a través de su portavoz, Amadeu Altafaj, que se haya empezado a trabajar sobre un eventual rescate y ha instado a dejar de especular sobre este asunto. "No hemos previsto siquiera tener discusiones sobre tal eventualidad, sea Portugal u otro estado miembro", ha asegurado. En sentido contrario, Reuters insiste en que un alto ejecutivo de la eurozona afirma que Alemania y Francia están presionando a Lisboa para que acepte la ayuda con el objetivo de poner un cortafuego a la crisis y atajar su posible extensión a otros países que comparten la divisa europea. Algo que, a la vista está, no llego a suceder con el rescate de Irlanda. De momento, dentro de este efecto contagio, hoy se está incrementando la presión sobre Italia, cuya deuda a 10 años cotiza a su nivel más alto en dos años con un 4,8%. Bélgica, en vísperas de formar Gobierno y con el Rey pidiendo un nuevo presupuesto con más recortes de gasto, también está viendo aumentar los intereses exigidos para comprar su deuda en el mercado secundario -donde se negocian los bonos de los Estados una vez emitidos-. No obstante, pese a que sus bonos han sido hoy los más castigados junto a los italianos, el tipo de los títulos a 10 años de Bélgica en este mercado -que al final acaban trasladándose al precio de las subastas- se mantiene en cotas inferiores al resto con un 4,22%. Esto es, donde estaba España hace medio año.

"Francia y Alemania han indicado en el contexto del Eurogrupo que Portugal debería solicitar la ayuda más pronto que tarde", ha asegurado la fuente de Reuters, que añade que Finlandia y Holanda comparten esta opinión. Sin embargo, tal y como ha hecho durante el fin de semana, Berlín niega la mayor.

A contracorriente del mercado, la vicepresidenta segunda del Ejecutivo español, Elena Salgado, ha defendido que el Gobierno luso está en el camino para no tener que solicitar la puesta en marcha del plan de rescate de sus socios. "Desde España y desde el Gobierno español estamos en la confianza de que ese cumplimiento de los compromisos será reconocido y Portugal no necesitará ninguna ayuda externa", ha afirmado la también ministra de Economía en una entrevista a la Cadena Ser.

Los temores de que Lisboa no pueda hacer frente a sus compromisos de pago, hipótesis que cobró más fuerza tras el mal resultado de una pequeña emisión de letras a corto plazo de la semana pasada, alimentaron la salida de los inversores de sus títulos con fuerza durante el jueves y el viernes. Esta desbandada, que se traduce en que el Tesoro debe elevar la rentabilidad de su bonos, a su vez hace que le sea más difícil financiarse en los mercados de deuda soberana. Al mismo tiempo, al tener que destinar más dinero a pagar intereses le quedan menos recursos para otros fines como reducir déficit o estimular la economía, lo que retroalimenta las dudas. Tampoco ayuda la visión generalizada entre los analistas de que no ha tomado medidas de suficiente calado para enderezar sus cuentas desde que estalló la crisis antes de verano. Hoy, sus títulos de deuda han empezado a cotizar siguiendo la misma tendencia al alza, lo que ha vuelto a elevar la prima de riesgo de Portugal, aunque a media mañana la situación ha cambiado de signo y este indicador, el mejor termómetro de la confianza en las finanzas de un Estado, ha llegado a reducirse levemente. Pese a la mejora, sigue en niveles altos.

En el caso español, la necesidad de acudir al multimillonario fondo de rescate de la UE y el FMI, que en todo caso sería insuficiente con sus 750.000 millones para socorrerle, según los expertos, supondría un más que serio varapalo al conjunto de la eurozona y pondría en riesgo su supervivencia. La clave es que mientras los países que han sido rescatados hasta ahora como Grecia o Irlanda, o incluso Portugal en caso de que cayera por el mismo agujero, son relativamente pequeños frente al resto, España, la cuarta economía de la Unión Monetaria, es una auténtica pieza de caza mayor. Así, frente al 10% que representa el PIB español del total de la eurozona, el resto apenas suma un 6% en su conjunto. Según recuerdan los analistas, los principales retos para el Tesoro por la acumulación de vencimientos tendrán lugar el próximo abril y en agosto. Hasta primavera, según aseguran desde el Ministerio de Economía, el Estado tiene cubiertas sus necesidades de financiación.

Sobre este punto, Barclays afirma en un informe publicado hoy que aunque España sigue siendo el principal temor de los mercados de deuda por su tamaño, la capitalización de sus bancos y su calendario de emisión de deuda soberana son "manejables, siempre y cuando el Gobierno español se atenga a su programa de austeridad". Según sus cifras, hasta abril, tiene unas necesidades de refinanciación de deuda por 73.000 millones de euros contando también con los bancos españoles, muy expuestos a lo que suceda en Portugal ya que acumulan un tercio de la inversión extranjera en el país. ELPAÍS.

Las cifras brutales de un salvaje llamado Cristiano.

L.A DÍAZ Y D. MELERO 09/01/11

Cristiano no descansa y nunca lo hará. Contra el Villarreal marcó tres de los cuatro goles de su equipo y ya lleva 23 goles en lo que llevamos de campeonato, cuando todavía falta toda la segunda vuelta por jugarse y un partido de propina. Es un escándalo. CR7 ha celebrado 23 tantos en 18 encuentros en esta Liga 2010/11, una auténtica barbaridad. El portugués ya suma 49 tantos de blanco en Liga en 47 encuentros disputados. Hasta hoy, Ronaldo había hecho 46, los que hicieron Van Nistelrooy, Guti y Roberto Carlos vestidos de blanco en partidos de Liga. Las cifras de Ronaldo son de otro siglo. CR7 ha marcado más de un gol por partido desde que fue presentado en el Bernabéu. 63 goles en 62 partidos (49 en Liga, 4 en Copa y 11 en Champions). Amenaza los 38 de Hugo y Zarra Los números brutales de Cristiano van mucho más allá. Desde la lejanísima temporada 50/51 no había un pichichi en nuestro campeonato con tantos goles a estas alturas (César sumaba también 23). El hat-trick de CR7 contra el Villarreal es el cuarto del portugués desde que viste la camiseta del Real Madrid. Le hizo tres goles el mismo día al Mallorca, al Athletic y al Levante en la Copa. Al Racing le marcó cuatro esta temporada. En el United protagonizó un hat-trick, contra el Newcastle. Los 38 goles de Hugo Sánchez y Zarra en la Liga, récord absoluto en una temporada, están amenazados. Cristiano no va a descansar hasta conseguirlo. MARCA.

Europa protege a sua indústria de cabo.

“Uma decisão para a Europa tomada em cima do joelho”, é o título do Volkskrant. A venda da Draka à empresa italiana Prysmian, em detrimento da chinesa Xinmao, foi decidida pelos Fentener van Vlissingen, uma das famílias mais ricas da Holanda, que detém 48,5% das ações do fabricante de cabos. Esta é uma decisão estratégica para a Europa, porque a Draka é um dos líderes mundiais no setor da alta tecnologia essencial para as telecomunicações, para a defesa e para a aeronáutica, e que cobre os cabos com fibra ótica. A oferta de compra da Xinmao, superior à da Prysman, fez com que os europeus temessem que os chineses adquirissem os conhecimentos tecnológicos e as patentes. Mas agora a Comissão Europeia tem que decidir se a venda respeitou as regras de concorrência europeias.

Mais vale erguer um muro.

Até Março, a Grécia terá erguido uma barreira de 12 quilómetros na fronteira com a Turquia. Mas devia construir um muro à séria, defende o Berliner Zeitung. Porque isso permitiria chamar a atenção para a política de imigração europeia.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O fim dos segredos, no Courrier Internacional.

Julian Assange é o rosto do WikiLeaks. Amado por uns, odiado por outros, transformou-se no homem do ano 2010. A diplomacia e a política internacional nunca mais serão iguais depois de 28 de Novembro de 2010, o dia em que os telegramas diplomáticos dos EUA foram revelados na imprensa mundial. Saiba como se propagou a onda de choque do caso Wikileaks no mundo, lendo a edição de janeiro do Courrier Internacional. No número que já está nas bancas conheça também a proposta de técnicos bielorrussos para construir um TGV supersónico. O novo comboio de "elevada velocidade" será capaz de atingir os 2000 km/h, ou seja mais de três vezes a velocidade dos atuais TGV. O terror que os rebeldes ugandeses do LRA (Exército de Resistência do Senhor) semeiam há mais de 18 anos na região norte da República Democrática do Congo é descrito por Jonathan Littell, prémio Goncourt 2006. Também na edição de janeiro saiba como nos Estados Unidos se assiste a uma "democratização" das curas de desintoxicação sexual. A amplitude do fenómeno extravasa largamente os internamentos de luxo antes reservados aos casais famosos de Hollywood.Courrier Internacional

A transparência contra a corrupção.

Tal como outros países da Europa central, também a Eslováquia está infestada pela corrupção. O Governo está decidido a resolver o problema com a publicação de todos os anúncios de concursos públicos.

Martin M. Šimečka

Um pouco antes do Natal o Parlamento eslovaco aprovou uma alteração ao Código Civil. A partir de 1 de Janeiro de 2011, todos os contratos comerciais com o Estado devem ser tornados públicos na Internet. Este anúncio é uma das suas condições de validade. Uma tal transparência é, no entanto, inusual. Mesmo nos países europeus que se podem orgulhar de um nível baixo de corrupção, esta obrigação não é uma regra. De facto, foi a corrupção nos meios políticos eslovacos que levou a primeira-ministra, Iveta Radičová, a enveredar por este caminho, concretizado com a adopção desta alteração que constitui, sem dúvida, a sua maior vitória política desde que chegou ao poder [em Julho de 2010]. É preciso ainda dizer que esta lei tem efeitos retroactivos. O Governo eslovaco já tornou públicos os contratos feitos pelo Estado durante os quatro últimos anos e comprometeu-se a publicar, até ao fim do ano, todos os que tenham sido celebrados desde 2000. Esta forma tão radical de instaurar a transparência ao nível do Estado explica-se por diversas razões. Ao contrário da República Checa, onde o principal tema de campanha dos partidos de direita diz respeito ao endividamento do Estado, na Eslováquia giraram sobretudo em torno da corrupção desenfreada que marcou o Governo de Robert Fico.

A oposição dessa época tudo fez para suscitar na opinião pública um sentimento de aversão contra todos os que recebiam subornos, lembrando o desvio de bens públicos a que se tinham dedicado os membros do Governo de Vladimír Mečiar nos anos 1990, um episódio muito amargo na memória histórica da Eslováquia.

Mundo politico cada vez mais sujeito à pressão dos "media"

Iveta Radičová fez da luta contra a corrupção o seu cavalo de batalha. Mas pode também apresentar-se uma outra explicação, mais geral, que remete para a tendência global: as relações sociais são cada vez mais influenciadas pelo Facebook e o mundo político está cada vez mais sujeito à pressão dos media. O WikiLeaks é apenas um efeito secundário do fenómeno. Por isso, restam apenas duas opções aos políticos: esconderem-se atrás dos seus baluartes ou, pelo contrário, jogar a cartada da transparência total. Só o tempo dirá em que medida a experiência eslovaca conseguirá reduzir a corrupção. A oposição afirma que a publicação de milhares de contratos terá apenas o efeito de mergulhar a sociedade e a comunicação social em dados que serão de difícil tratamento. Os defensores desta experiência defendam, por seu lado, que haverá sempre alguém – uma empresa que perdeu um concurso público, por exemplo – que alerte sobre preços de mercado excessivos. E, sobretudo, o facto de se saber que os contratos serão publicados na Internet obrigará as empresas e os funcionários públicos a adoptarem um comportamento responsável.

Eslováquia é um laboratório de experiências sociais

Este avanço da Eslováquia em direcção a uma transparência quase absoluta do Estado é, sem dúvida, arriscado e ninguém pode prever quais serão as consequências indesejadas. Por outro lado, não é absolutamente certo que esta estratégia consiga matar o polvo da corrupção, muito maior na República Checa do que em qualquer outro país da Europa central e que soube desenvolver uma aptidão absolutamente notável para contornar as leis, por mais bem-intencionadas que estas sejam. Por causa da sua muito movimentada história política, que regularmente vê chegar à liderança do país um pelotão de políticos radicais, a Eslováquia é de novo – pela segunda vez desde a introdução, há oito anos, das reformas fiscais radicais – um laboratório de experiências sociais.

Minorias privadas da sua própria língua.

Nas três antigas repúblicas soviéticas que agora são membros da UE, as minorias russas e polacas são uma parte importante da população mas têm muito poucos direitos linguísticos. Um jornalista holandês indigna-se. Presseurop

Oliveira Costa assinou compra de acções de Cavaco Silva na SLN.

O antigo presidente da Sociedade Lusa de Negócios e do BPN, José Oliveira Costa, assinou, pelo próprio punho, o despacho da venda das acções de Cavaco Silva na SLN a 2,40 euros cada uma. As acções foram compradas a um euro cada, o que na prática se traduz numa mais valia superior a 140% a favor de Cavaco Silva. Em Maio de 2009, o Expresso publicou um documento onde se reconhecem as expressões SLN Valor, 2,40 euros por acção e a assinatura de Oliveira Costa. Clique para aceder ao índice do DOSSIÊ CASO BPN Expresso.

Coisas que nunca deverão mudar em Portugal.

Artigo do Embaixador Britânico em Portugal, Alex Ellis, ao deixar Portugal
 
Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento e de pessimismo, não de alegria.  Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me,  em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.   


  
1.    A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.  
  
 2. O lugar central da comida na vida diária.  O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.
  
 3. A variedade da paisagem.  Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies  do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior.
  
 4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.
  
 5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.
  
 6. A inocência.   É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência.
  
 7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.
  
 8.  As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.
  
 9.  A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado,  e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.    


10.  Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho.
  

Então,  terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços. Feliz Natal.


Expresso 18 Dez 2010

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O Natal e os Portugueses...

 
 

A metamorfose de Praga.

Cidade lindíssima, que tenho o prazer de conhecer!

“Activistas dos movimentos ecológicos dedicam grande parte da sua actividade à protecção do interior, mas a sustentabilidade futura das cidades em termos de poluição estética irá ser uma prioridade ainda maior, afirma o filósofo britânico, Roger Scruton, citando Praga – o "centro espiritual da Europa" – como o exemplo perfeito.

Roger Scruton

Praga é o centro geográfico e espiritual da Europa. É igualmente o principal exemplo de sobrevivência de uma cidade europeia: um habitat humano compacto, onde há duas línguas e duas religiões em competição, um centro comercial e de cultura e um trono que ainda preserva um aspecto real. Praga está cheia de segredos – o feitiço e a magia negra do Golem e de Elena Makropulos; o sistema opressivo visto por Franz Kafka; a contemplação íntima do “homem vulgar” de Čapek. Mas o seu ar glorioso, aberto e triunfante é o de uma cidade orgulhosa, embora discreta, e enfeitada, embora com bom gosto. Nestes últimos cinquenta anos, o espírito cívico desta cidade desapareceu. Quando a visitei pela primeira vez, Praga ainda não era bem uma cidade – talvez o palco de uma peça há muito retirada de cena. Os grandes palácios barrocos cobertos de estuque nos andaimes que se alinhavam pelas ruas, as igrejas fechadas ou privadas dos seus ritos específicos e tudo em mau estado. Teatros, salas de concerto e até a Ópera em completa degradação e a universidade, um pântano estagnado afastado da corrente do conhecimento europeu. Muitos artistas e intelectuais, cuja ligação à cidade será feita pelas gerações futuras, foram banidos da História oficial, incluindo Kafka, Patočka, Kundera e Havel.  

A personificação de uma ideia moral

Quando o regime comunista foi deposto, Kafka tinha morrido há muito, Kundera estava no exílio e Patočka fora morto pela polícia secreta. Antes de morrer, no entanto, Patočka salvou do esquecimento os discursos que resumem, para mim, a noção de eternidade desta cidade. Esses artigos clandestinos – samizdat – foram publicados com o título de Platon a EvropaPlatão e a Europa –, numa tentativa de conservar a noção que Platão tinha da cidade como o local que deve "cuidar da alma”. A cidade, segundo Patočka, foi o maior dos bens que os gregos ofereceram à Europa. Claro que cresceram cidades por todo o lado – na Índia, na China, no Médio Oriente e, sob influência europeia, em África e na América. Mas só na Europa é que a cidade cresceu de acordo com a sua natureza interior e passou a ser uma comunidade governada pela lei na qual floresceram, lado a lado, diversas classes, ocupações, credos e opiniões em prol do conhecimento científico, do gosto estético e da elevação espiritual.

Na construção de uma cidade, há assim duas grandes exigências: a utilização harmoniosa do espaço público e a humildade dos edifícios que lhe são infringidos. É isto que vemos nas ruas antigas, nas igrejas e nos palácios de Praga. Mesmo na fachada barroca mais exuberante, como a do Palácio Clam-Gallas, encontramos o respeito da rua, a tentativa de conciliar o palácio com os edifícios adjacentes e a intenção de realçar a diferença entre público e privado e, simultaneamente, respeitar os dois. O visitante fica a olhar com admiração para esta cidade preciosa porque, aos seus olhos, ela personifica uma ideia moral.

O desprezo de arquitectos, promotores imobiliários e projectistas

Era assim, pelo menos, na época de Dvořák, Neruda e Julius Zeyer. Foi assim durante a Primeira República Checoslovaca, quando Janáček, os irmãos Čapek, Nezval e Martinů passeavam pelas ruas da cidade. Foi assim inclusivamente na época da decadência que o regime comunista votou ao abandono. Mas, felizmente, hoje em dia nada disso acontece. Desprotegida, frágil e insegura, após cinquenta anos de tirania, a cidade viu-se confrontada com a invasão repentina dos predadores – gente vinda de todo o lado, que não a considera um lar e um local, sem a mais pequena noção da ideia moral que Patočka expressou tão serenamente, que olha para a beleza apenas como potencialidade comercial e atração turística. Em 20 anos, encheram a cidade de gadgets grotescos, como o Hotel Pyramida, as Torres Walter, o edifício TMGU sem rosto – estruturas que destroem a noção de habitat comunitário da cidade e que eliminam os espaços públicos que, ao longo dos séculos, tanta gente cuidadosamente preservou. Claro que estas culpas não podem ser atribuídas apenas ao capitalismo internacional e aos seus imperativos sem fronteiras. O regime comunista fez o que pôde para apagar o aspecto tranquilo da parte velha da cidade e um dos maiores triunfos da “desfiguração”, como Kundera lhe chamou – a torre da televisão em Žižkov – foi glorificada como um visitante do futuro, provando que o “socialismo” consegue “avançar com os tempos”. Em meu entender, o desprezo de arquitectos, promotores imobiliários, projectistas e especuladores é a maior ameaça ao ambiente. Não há nada mais nocivo do que a poluição estética, visto ser um ato de agressão contra a humanidade, uma tentativa de privatizar o espaço público e de pôr à venda o que há de mais precioso e insubstituível. Sei que muitas pessoas não concordam com isto. E talvez eu próprio não tivesse pensado nisso se não fosse Praga, a cidade, e Praga, a ideia moral que me chegaram pelos artigos clandestinos de um velho professor que foi morto por causa dos seus ideais.

Este artigo é a transcrição de um discurso feito no Fórum 2000 , "O mundo onde queremos viver", que decorreu em Praga entre 10 e 12 de Outubro. Presseurop

Europa gravada em pedra.

A União Europeia entrou na sua era mais negra, para gáudio dos eurocépticos. Mas a nossa história comum mantém-nos unidos, defende um colunista do Guardian.

Jonathan Jones

Se quer mesmo saber porque é que os europeus pertencem a uma única comunidade visite uma das grandes catedrais medievais britânicas. Passeie pelos claustros de Gloucester ou preste homenagem a William de Sens, o arquitecto normando de Cantuária. Ou, muito simplesmente, toque nas pedras desta verdadeira obra de arte – vieram de Caen, França.

O moderno sonho de uma união política europeia entrou na sua era mais negra. Os eurocépticos dizem-se vingados e realistas – mas nada é tão real como a ilusão de que alguma nação europeia, e muito menos a nossa, pode reivindicar uma transformação interna, uma história singular, desgarrada da narrativa maior de todo o continente. Durante, pelo menos, mil anos a Europa construiu uma cultura comum. A primeira união europeia autointitulou-se “Cristandade”, e no século XI criou um estilo comum de arte, arquitectura e filosofia que transcendia as fronteiras dos novos Estados. A arquitectura gótica irradiava da sua origem em Paris, como uma rosácea, e espalhava-se por toda a Europa. O que é mais real para nós, hoje – os feitos dos reis medievais britânicos ou a elegância dos arcobotantes de estilo gótico da abadia de Iorque? Os episódios mesquinhos da política nacional que os eurocépticos vêem como a verdadeira história da nossa ilha são uma estupidez quando comparados com as ainda vivas glórias da nossa história cultural europeia. A revolução cultural seguinte da Europa, o Renascimento, foi ainda mais cosmopolita. Os intelectuais europeus dos séculos XV e XVI descobriram uma herança clássica greco-romana que estava esquecida. O Renascimento espalhou-se por todo o continente como um fogo florestal. Na abadia de Westminster um escultor florentino, Pietro Torrigiano, colocou crianças douradas no túmulo de Henrique VII enquanto, no outro extremo da Europa, o rei húngaro Matias Corvinus recebia, como presente da cidade de Florença, um busto de Alexandre o Grande. Um viajante como Erasmo podia ir de Roma a Basileia e daí a Londres e por todo o lado encontrava amigos que percebiam as suas ironias. O quadro que resume tudo isto é a obra-prima renascentista de Ticiano, O Rapto de Europa – uma visão do mito que emprestou o seu nome à Europa, pintado em Veneza para o rei de Espanha.

Um vazio de banalidade azul

A UE não soube aproveitar a vitalidade desta história cultural comum. O sítio da Internet da UE chama-se Europa, mas ao contrário do quadro de Ticiano, a página de entrada é um vazio de banalidade azul. Porque não fazer mais pela unidade cultural da Europa? Talvez porque o próprio vinho de Baco que nos faz entusiasmar sobre a nossa identidade comum pode ser perigoso. A celebração das glórias estéticas da Europa deve, por uma questão de rigor, incluir também a herança muçulmana que interagiu com as fontes cristã e clássica na arte europeia desde o início da Idade Média. As ogivas das catedrais góticas de Inglaterra, por exemplo, sofreram a influência da matemática árabe, bem como a renascentista descoberta da perspectiva. Tudo isto pode parecer bom de mais para ser verdade; no entanto, para lá do sangrento dia-a-dia de violência do passado da Europa, para lá das divisões da Reforma e do aparecimento do nacionalismo, o continente continuou sempre a construir uma secreta comunidade de cultura. E nasceu um segredo que, milagre dos milagres, também abarca todas as outras culturas. Mas isto é a realidade histórica. Por cada divisão de forças políticas na história europeia houve sempre uma força cultural unificadora. Todos os movimentos europeus na arte e na arquitectura que hoje apreciamos, que os nossos museus, colecções e salas de espectáculos mostram, são exactamente isso, movimentos europeus. Os estilos Barroco e Rococó, Neoclássico e Romântico, o Realismo do século XIX e o Modernismo do início do século XX – ligaram artistas, intelectuais e públicos da Polónia à Dinamarca. A história da cultura comum da Europa não acabou com a moda de nacionalidade do século XIX, porque o próprio nacionalismo é uma ideia comum europeia – o seu apetite Romântico pela arte e poesia de paisagens reproduziu-se de uma capital para as outras tão implacavelmente tal como os mitos clássicos tinham sido traduzidos por toda a Europa. Hoje, esta cultura comum pode estar à beira da sua maior realização desde Copérnico (que viveu na Europa central; cujas observações foram testadas por Tycho Brahe em Copenhaga; defendidas por Galileu em Roma; e provadas pela Real Sociedade Britânica) quando o Large Hadron Collider [o maior acelerador de partículas do mundo] da OEEN [Organização Europeia de Energia Nuclear] alcançar uma importante descoberta. Muito em breve os europeus que acreditam numa identidade comum terão de se levantar e proclamar a riqueza única e a abertura da nossa cultura – a pluralidade na unidade que faz com que uma igreja barroca na Sicília seja diferente de uma outra na Baviera. No Reino Unido, o Art Fund está a fazer uma campanha para manter um quadro de Bruegel no país. Porquê? Porque é património nosso. Porque somos europeus. Se os eurocépticos começarem por abrir mão de todos os Bruegels e todos os Ticianos, reduzindo a National Gallery a uma sala de retratos ingleses do século XVIII, a estupidez será evidente. Acreditar na Europa não é idealismo; e ainda menos uma abstracção burocrática. Se olhar para a história com as suas verdadeiras cores, verá quão profundamente somos europeus e quão profundas são as raízes dessa identidade comum. Presseurop

O medo dos muçulmanos aumenta.

“Islão e integração: a constatação do fracasso franco-alemão”, titula Le Monde que publica uma sondagem do IFOP [Instituto Francês de Opinião Pública] realizada nos dois países. “Enquanto 42% dos franceses e 40% dos alemães consideram a presença de uma comunidade muçulmana como ‘uma ameaça’ para a identidade do seu país, 68% e 75% dizem que os muçulmanos não estão ‘bem integrados na sociedade’”. “Apesar de uma história colonial diferente e de modos de integração diferentes, é impressionante o facto de a constatação ser a mesma, pura e dura, nos dois países”, sublinha um investigador do IFOP. De facto, acrescenta Le Monde, “a instalação duradoura do Islão nos países europeus e o seu aumento de visibilidade andam claramente de mãos dadas com a crispação das opiniões públicas, mesmo existindo diferenças entre os jovens e as pessoas mais velhas e entre os eleitores de direita e de esquerda”.Presseurop

Uma carta recebida.

Chegou-me esta carta, que aqui publico, sem comentários:

Meu caro amigo

Escrevo-lhe um pouco em desespero, esperando me possa ajudar, através do seu blog.

Desde há meses, mas com insistência nas últimas semanas, sou alvo de uma insuportável campanha de calúnias. Não passa um dia sem que, um pouco por todo o lado, falem pessimamente de mim. Não entendo esta embirração: ainda não iniciei a minha actividade e não há jornal ou comentador que, ao referir-se-me, não diga coisas como "vai ser péssimo" ou "esperem para ver como ele vai ser uma desgraça". Mesmo sem me conhecerem, alguns já consideram que me cabem culpas e me colocam no pelourinho. Detestam-me, com a certeza antecipada de que comigo nada correrá bem, que represento o que de pior se pode vir a imaginar. O que mais me choca é que me não dão uma simples oportunidade de provar o que posso valer. É verdade, meu amigo, ninguém me dá o menor benefício da dúvida (quase me fugia a tecla para "dívida", imagine!).

Ora eu espero que me possam medir à luz dos factos. Quero dizer-lhe, embora com modéstia, que é minha firme intenção poder ajudar a rectificar aquilo que alguns dos antecessores meus poderão não ter feito da melhor forma. Mas não quero ser eu a julgá-los, eles lá teriam as suas razões e - espero que compreendam! - disso me não cabem quaisquer culpas. Não sei se virei a ser pior que os outros, mas deixem-me tentar provar que até posso contribuir para que algumas coisas fiquem melhor no futuro.

Por isso, apenas peço que me julguem no fim, que seja dado tempo ao tempo.

(assinado) 2011

Opiniões


 
Ele não conseguiu resistir e, na conversa com uma daquelas figuras que, na comunicação social, se pronunciam regularmente sobre todos os temas, por mais especializados que sejam, disse-lhe: "Eu estou quase sempre de acordo consigo, exceto quando conheço os assuntos".

Um amigo que nos quer bem

O Rei Juan Carlos recebe o vice-primeiro-ministro chinês Li Keqiang, em Madrid, a 5 de janeiro de 2011. (AFP)

O Rei Juan Carlos recebe o vice-primeiro-ministro chinês Li Keqiang, em Madrid, a 5 de janeiro de 2011. (AFP)

Depois da Grécia e de Portugal, Pequim vem em auxílio da Espanha, atingida pela crise da dívida. Tendo em vista a compra massiva de obrigações do Estado espanhol, esta política faz parte de uma estratégia de penetração da China na Europa. Presseurop.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Otimismo!

Pelo seu otimismo (com "p", mas lá o perderá daqui a uns tempos...), gostei deste cartão do meu amigo João Paulo Bessa.

Leiam o seu blogue aqui.

Combater a corrupção.

Revejo-me no texto por três razões: em primeiro lugar, porque criminaliza essa realidade. Em segundo lugar, porque continuará a caber ao Ministério Público a prova dos elementos do crime. Em terceiro lugar, é um sinal muito claro da vontade de combate à corrupção. Assinaria a petição, com certeza. Acho a iniciativa interessante porque vai suscitar de novo a discussão. CM

O fato usado do Mexia.

Opinião, por ZITA SEABRA in Jornal de Notícias, 26.12.2010

O fato usado do presidente

Três dias antes do Natal, assistia calmamente ao Telejornal da RTP1 quando vi a grande notícia da noite. Entre os atentados em Bagdade e as agências de rating, uma voz off anuncia o que as câmaras filmam: o presidente da maior empresa pública portuguesa a levar dois saquinhos de papel com roupa usada e um brinquedinho (usado) para uns caixotes de cartão, cheios de coisas usadas para oferecer no Natal. Fiquei comovida. Que imagem de boa pessoa, que gesto bonito: pegar num fatinho usado do seu guarda-vestidos que deve ter uns 200 e num pequeno brinquedo de peluche, e depositar tudo no caixote de cartão para posteriormente ser redistribuído? À administração da empresa?
Não, a notícia explica que é para oferecer aos pobrezinhos, que estão a aumentar com a crise. A RTP, Telejornal à hora nobre, filma o comovente gesto. Em off, o locutor explica o sentido dizendo que alguém vai ter no sapatinho um fato de marca. Olhando para os sacos de papel, percebe-se que esse alguém também receberá umas meias usadas e talvez mesmo uma camisa de marca usada.
Primeiro, pensei que estava a dormir e um pesadelo me fizera voltar ao tempo de Salazar, à RTP a preto e branco ou à série da Rita Blanco «Conta-me como foi».
Mas não, eu estava acordada e a ver o presidente da EDP no Telejornal da RTP 1 (podem ver o filme na net) posar sorridente para as câmaras, a levar um saquinho a um caixote, que não era de lixo, mas de oferta. Por acaso, estava à porta da EDP a RTP a filmar o gesto. Iam a passar e filmaram, certamente, porque para os pobres os fatos em segunda mão de marca assentam como uma luva. Um velhinho num lar de Vila Real vestido Rosa & Teixeira sempre é outra coisa. Ou o homeless na sopa dos pobres com Boss faz outra figura, ou o desempregado com Armani numa entrevista do fundo de desemprego... Mentalidade herdada do Estado Novo, foi a minha primeira análise, teorizando imediatamente que os ricos em Portugal, os que recebem prémios de milhões em empresas públicas e ordenados escandalosos e que puseram o mundo e o país como se vê, são os mesmos com a mesma mentalidade salazarenta.
Mas nem é verdade, pois, mesmo nesse tempo, as senhoras do regime organizavam enxovais novos nas aulas de lavores do meu liceu para dar no Natal aos pobres que iam nascer.
Tantos assessores de imprensa na EDP, tantos assessores na Fundação EDP, milhões de euros gastos em geniais campanhas de marketing, tantas cabeças inteligentes diariamente pagas para vender a imagem do presidente da EDP, tudo pago a preço de ouro, e não concebem nada melhor do que mandar (!?) filmar, no espaço do Telejornal mais importante do país, um gesto indigno, triste, lamentável, que envergonha quem vê. Não têm vergonha? Não coraram? E a RTP que critérios usa no Telejornal para incluir uma notícia?
Há uns meses escrevi ao presidente da EDP e telefonei-lhe mesmo, a pedir ajuda da empresa para reparar a velha instalação eléctrica, gasta pelo uso e pelo tempo, de uma instituição, onde vivem 40 adultas cegas e com deficiências e que têm um dos mais ricos patrimónios culturais do país. A instituição recebeu meses depois a resposta: a Fundação EDP esclarecia que esse pedido não se enquadrava nas suas atribuições. Agora percebi. Pedia-se fios eléctricos, quadros eléctricos novos e lâmpadas novas. Devia-se ter escrito ao senhor presidente da maior empresa (pública) portuguesa, com os maiores prémios de desempenho, cujo vencimento é superior ao do presidente dos Estados Unidos, para que oferecesse uma lâmpada em segunda mão, que ainda acendesse e desse alguma luz. Talvez assim mandasse um dos seus motoristas, com um dos geniais assessores de imprensa e um dos fantásticos directores de marketing, avisar a RTP (a quem pagamos uma taxa na factura da luz) para virem filmar a entrega da lâmpada num saquinho de papel.
2011 anuncia-se um ano duro para os portugueses e sê-lo-á tanto mais quanto os responsáveis pelo estado a que se chegou não saírem da nossa
frente.

Zita Seabra

 

 

 




 

 

 

 



terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A máfia está a financiar a economia – diz Roberto Saviano.

Roberto Saviano ganhou, em 2008, o Prémio Europeu do Livro, com a sua obra “A Beleza e o Inferno”, embora tenha sido a denuncia que fez da camorra que lhe deu notoriedade internacional. Nesta entrevista à EuroNews, Saviano explica o fenómeno da Máfia e como os seus métodos se expandem, desde o sul de Itália, por toda a Europa. E como a máfia se aproveitou da crise internacional, para se transformar num agente político…euronews.

Exame de sangue que detecta cancro vai ser comercializado nos Estados Unidos.

A gigante farmacêutica americana Jonhson & Johnson anunciou, segunda-feira, um acordo com o Hospital Geral do Massachusetts para comercializar um teste sanguíneo capaz de detectar a mínima célula cancerígena, abrindo assim uma via para a maior eficácia dos tratamentos. Para o Dr. Christopher Logothetis, do Centro de Cancro Anderson, da Universidade do Texas, o novo teste “será muito útil para doentes com cancro da próstata, bexiga, cólon, rim e pulmão, além de cancro da mama. Em muitos aspectos serve como biopsia líquida.”  Segundo os cientistas, o novo teste sanguíneo, capaz de detectar a presença da menor das células cancerígenas em circulação no sangue, graças a uma série de marcadores genéticos e de proteínas, deve poder vir a substituir as técnicas actuais de detecção, tais como mamografias, colonoscopias e biópsias. euronews.

EUA, Schwarzenegger passa o testemunho a Brown.

Arnold Schwarzenegger deixa o palco da Califórnia e passa o testemunho a Jerry Brown.

Grécia quer construir “muro” na fronteira com a Turquia.

A Grécia pretende instalar uma barreira na fronteira terrestre com a Turquia, principal ponto de entrada de imigrantes clandestinos na União Europeia. As modalidades exactas não são ainda claras, mas a Comissão Europeia já reagiu. Bruxelas manifestou reservas. Considera que é uma solução a curto prazo, que não permite resolver o problema de forma estrutural. A barreira poderá azedar as já difíceis relações com a Turquia, com quem os europeus tentam concluir um acordo para reenvio de clandestinos. O projecto foi revelado no final de dois mil e dez pelo ministro grego da Imigração. Christos Papoutsis diz que “a sociedade grega atingiu o limite de acolhimento de imigrantes ilegais”. Atenas, criticada pela ONU pela sua política de asilo, tinha lançado um pedido de ajuda aos parceiros europeus. A União Europeia respondeu através da Frontex. Em Novembro, a Agência europeia de controlo das fronteiras mobilizou, pela primeira vez, 200 guarda-fronteiriços para patrulhar junto do rio Evros. A missão foi prolongada até início de Março. euronews.

SUCH-Tribunal de Contas aponta despesismo e prémios injustificados na saúde.

“O objectivo principal da auditoria foi a avaliação da racionalidade económica da actividade desenvolvida pelo Serviço de Utilização Comum dos Hospitais ou por entidades por ele participadas relativamente a entidades do sector público e, acessoriamente, a análise da legalidade e regularidade dos procedimentos”, lê-se na auditoria do Tribunal de Contas.
No relatório, a que o PÚBLICO teve acesso, o Tribunal de Contas (TC) salienta em concreto os prémios atribuídos a três directores comerciais desta central de serviços no biénio 2007/2008, que ascenderam a quase 130 mil euros, e critica o pagamento de despesas com viaturas que não eram utilizadas para fins exclusivamente profissionais. Ao todo são 25 carros, alguns com “cilindrada superior a 2,0 e igual ou inferior a 2,7” e “valores de renting mensais entre os 800 e os 1150 euros e sem limites anuais de despesas com a utilização de viaturas”. Destaca-se também 11,7 mil euros distribuídos a outros colaboradores e 12,5 mil dados “a título de trabalhador do ano a um dos directores comerciais” que já tinha sido premiado.
Prémios sem objectivos cumpridos
Segundo o TC, não faz sentido atribuir prémios de cobrança de dívidas, como fez o SUCH, já que “que aproximadamente 90 por cento do volume de negócios (...) respeita a entidades públicas” sendo “o risco de incobrabilidade de dívidas muito reduzido, apesar dos elevados prazos médios de pagamento praticados, pelo que a atribuição de prémios de cobrança não acautela a boa gestão dos recursos, redundando num despesismo injustificado”. Os responsáveis pela auditoria salientam, ainda, que o prémio anual atribuído aos directores comerciais “representa o equivalente a aproximadamente 5 meses do respectivo salário base, o que não pode deixar de se considerar excessivo” e criticam prémios pagos quando os objectivos contratualizados não foram alcançados.
A auditoria permitiu também perceber que os custos com as remunerações pagas aos membros do conselho de administração do SUCH cresceram mais de 50 por cento entre 2006 e 2008, para quase 1,4 milhões de euros, e que os abonos de despesas de representação foram pagos com valores superiores aos das categorias dos gestores e 14 vezes por ano em vez das 12 estipuladas, sem que nunca tivesse havido qualquer deliberação da comissão de vencimentos.
Para o TC os responsáveis “não acautelaram a boa gestão dos recursos do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais, redundando num despesismo injustificado, que não encontra sustentação no seu fim estatutário – ‘tomar a seu cargo as iniciativas susceptíveis de contribuir para o funcionamento mais ágil e eficiente dos seus associados’ e não contribui para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde”. Além disso, este tipo de gestão fez com que a próprias contas do SUCH derrapassem e com que o endividamento por via do crédito crescesse: os resultados líquidos foram negativos em 4,4 milhões em 2008 e em cinco milhões em 2009.
Princípios da concorrência esquecidos
Além disso, nas suas conclusões, a auditoria sublinha que “nas aquisições de bens e serviços ao SUCH, as entidades públicas associadas, nem sempre têm aplicado o regime jurídico da contratação pública e garantido os requisitos gerais para a autorização da despesa, nomeadamente os da economia, eficiência e eficácia, o que não tem contribuído para uma gestão criteriosa dos recursos públicos”. E acrescenta: “Nenhuma das entidades públicas aderentes dos serviços partilhados de gestão de recursos humanos efectuou estudos que fundamentassem a decisão de adesão àqueles serviços, fundamentando-se apenas em estudos da entidade adjudicatária onde eram evidenciados acréscimos de custos, para o Erário Público, com as referidas adesões.” PUBLICO.

Estónia embarca num navio em aflição.

Moeda única

No dia 1 de Janeiro, a Estónia tornou-se o décimo sétimo membro da zona euro. “A passagem para o euro não vai alterar essencialmente a […] Presseurop.

Hungria. A liberdade de imprensa morre, mas não se rende.

São tiques que não se perdem por decreto! Os hungaros ainda não aprenderam como se faz em Portugal! É pela via económica e pela de colocação de familiares e amigos, e deve haver mais formas, mas…

“No dia 1 de janeiro, quando Budapeste assumia a presidência da UE, entrou em vigor a nova lei para a Comunicação Social. Denunciada por toda a Europa, é igualmente combatida pela imprensa independente húngara. Como atesta este editorial do Népszabadság.” Presseurop

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Europa - 25 anos


 

Faz hoje precisamente um quarto de século (já!) que Portugal ingressou nas então Comunidades Europeias, mais tarde chamadas União Europeia.
Uma publicação do gabinete do Parlamento Europeu em Portugal, intitulada "25 anos de Integração Europeia", a editar dentro de alguns dias, vai recordar esse trajeto.

Por lá deixo, como muitos outros, um curto depoimento, que intitulei "Os limites da integração":

O pedido de adesão de Portugal às Comunidades Europeias foi a decorrência óbvia do novo curso político do país, no período subsequente à Revolução de 1974, pela necessidade sentida, por pressão das forças então emergentes como dominantes, de garantir que o Portugal democrático pudesse ganhar um espaço no seio de uma cultura política internacional de sucesso. Quem teve a força política para decidir essa opção sentiu que ela poderia, não apenas proporcionar apoios materiais a um mais rápido desenvolvimento económico e social do país, mas, igualmente, trazer um eficaz enquadramento para a consolidação, em moldes congéneres aos dos Estados já então membros, do modelo político que pretendiam implantar no país - assente em instituições democráticas e na economia de mercado. Não foi, por isso, uma opção política neutra, razão pela qual certos setores partidários então reagiram, porque pressentiram que ela iria condicionar definitivamente a dinâmica política do país.

A presença de Portugal nas instituições comunitárias acabou por ter um efeito muito importante sobre a nossa vida coletiva. Para além de induzir uma cultura de modernidade, nas mentalidades e no quotidiano material, bem como forçar algumas dinâmicas de reforma que o processo político interno dificilmente teria condições para gerar autonomamente, Portugal conseguiu com isso atenuar, embora não colmatar por completo, os efeitos do longo percurso de periferização, face ao centro europeu, a que a ditadura tinha condenado o país. Olhando em perspetiva, pode hoje concluir-se que, se acaso não tivesse ingressado nas instituições europeias em 1986, o nosso país teria tido necessidade de efetuar um esforço muito superior de adaptação, para poder integrar um dos alargamentos europeus posteriores, com muito menos vantagens materiais do que as que então obteve.

A experiência da nossa presença nas instituições europeias também nos mostra, contudo, que o voluntarismo tem os seus limites e que há idiossincrasias que não são mutáveis por mera pressão enquadradora externa, que há vícios e formas de comportamento que vão para além dos mecanismos políticos a cuja observância nos comprometemos. Se foi possível a Portugal introduzir as mudanças necessárias à adaptação ao Mercado Interno e à criação de condições sincrónicas para a entrada na moeda única, a verdade é que isso não induziu a interiorização de um cultura comportamental de rigor, suscetível de fazer perdurar no tempo, e maturar nos efeitos, as vantagens da nossa pertença ao "clube".

A Itália proíbe sacos de plástico para compras a partir de 1 de Janeiro.

“Os sacos de plástico serão banidos das lojas e supermercados italianos a partir de 1 de Janeiro, uma medida pioneira num país que consome um quarto dos cem mil milhões de sacos gastos anualmente na Europa. Cada italiano usa anualmente mais de 330 sacos de plástico, a maioria importados de países asiáticos como a China, Tailândia e Malásia. Este número já valeu à Itália um dos lugares cimeiros na lista europeia dos maiores consumidores de sacos de plástico. De acordo com os ambientalistas, são necessários pelo menos 200 anos até um saco de plástico se decompor. Mas a partir de 1 de Janeiro, esta dependência passa a ser mais sustentável, com a aposta nos sacos biodegradáveis ou em papel, através de uma campanha de sensibilização promovida pelo Governo e empresas de distribuição. A medida foi confirmada pelo Conselho de Ministros italiano. “Esta é uma grande inovação que marca um passo em frente fundamental na luta contra a poluição e que nos torna mais responsáveis em matéria de reciclagem”, comentou a ministra do Ambiente Stefania Prestigiacomo, citada pela agência AFP. As organizações de defesa do Ambiente, que na verdade esperavam um adiamento da aplicação da proibição, saudaram a decisão governamental. A indústria dos plásticos ainda exerceu pressão junto das autoridades para adiar a entrada em vigor da nova regulamentação. Outros países europeus experimentam soluções para reduzir o uso de sacos de plástico. A 15 de Dezembro, o Parlamento português aprovou um projecto de lei do PSD que estabelece uma redução de 90 por cento no fornecimento de sacos nos supermercados até 2016, e um outro do PS para aplicar um "sistema de desconto mínimo" no valor de pelo menos cinco cêntimos por cada cinco euros de compras a quem prescinda totalmente dos sacos de plástico fornecidos gratuitamente pela superfície comercial. Foi rejeitado um projecto de resolução do BE para interdição em 2015 do uso de sacos de plástico nas "grandes superfícies comerciais", excluindo os biodegradáveis.” PUBLICO.

Dez olhares sobre a Europa | 10 Uma Renascença multicultural.

Esqueçamos o conformismo, a corrupção e o fascínio pelas elites! Demos lugar à juventude misturada, móvel e solidária. É este o apelo feito pela economista italiana Loretta Napoleoni numa carta ao seu filho. Presseurop

Dez olhares sobre a Europa | 9 - Ambicionando permanecer optimista.

O escritor Tim Parks defende uma Europa construída sobre uma visão partilhada, que se entusiasme na reformulação do mundo, em vez de lutar por mantê-lo como está. Presseurop