sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Pedro Teixeira: Os índios chamavam-lhe o Homem Branco Bom

No sábado festeja-se o fim da expedição de Pedro Teixeira, o explorador português que subiu o rio Amazonas no século XVII. Mas "Curiua-Catu", o Homem Branco Bom e Amigo, é homenageado já hoje no Senado brasileiro. Para que ninguém esqueça o que fez por Portugal e pelo Brasil
Pedro Teixeira: sabe quem é? Provavelmente não. Mas na Ajuda, em Lisboa, há uma estrada com o seu nome. Em Cantanhede, onde nasceu, há uma estátua. No Brasil, onde morreu a 6 de Junho de 1641, o seu rosto foi estampado nas notas de cinco cruzeiros; e quando o Papa João Paulo II, em 1980, fez uma viagem entre Belém do Pará e Manaus viajou num navio de guerra que tinha o seu nome.
Os índios brasileiros chamavam-lhe "Curiua-Catu", o Homem Branco Bom e Amigo, e quase no final da sua vida foi nomeado capitão-mor do Grão Pará. Fez-se acompanhar por índios numa expedição que partiu de Gurupá, a 28 de Outubro de 1637, com duas mil pessoas. Subiram os rios Amazonas e Negro e chegaram à cidade de Quito, actual capital do Equador, voltando a Belém do Pará 26 meses depois da partida (a 12 de Dezembro de 1639). O rio Amazonas passava, assim, a pertencer na sua totalidade a Portugal (que permanecia sob o domínio da Coroa espanhola). Um feito extraordinário para a época.
"Pedro Teixeira é um herói esquecido que precisa de ser recuperado", diz ao P2 por telefone Aloizio Mercadante, o senador brasileiro que está a lançar um movimento para "resgatar a memória, reconhecer e valorizar a imensa contribuição" que este português de Cantanhede, no distrito de Coimbra, teve na História do Brasil. A sessão de homenagem que se realiza hoje, às 10h00, no Senado Federal, em Brasília, para comemorar os 370 anos da expedição de Pedro Teixeira, o "desbravador" português, partiu de uma proposta sua. Para o senador, a contribuição daquele a quem chamam o conquistador da Amazónia no processo de constituição e afirmação da soberania territorial foi decisiva e deve ser celebrada por portugueses e brasileiros.
"A Pedro Teixeira se deve quase metade do nosso território actual. Mais de 62 por cento da Amazónia está em território brasileiro por causa dele", explica, lembrando que a região, além de património da humanidade, tem a maior concentração de água doce do planeta e é a mais importante floresta tropical.
Agora que o Brasil "deixou de ser um problema na agenda internacional e passou a ser parte da solução", é possível que o país olhe para a sua história com "orgulho e auto-estima". E à medida que isso acontecer, acrescenta Mercadante, o Brasil terá obrigatoriamente de reconhecer a imensa contribuição de Portugal.
"No momento em que o mundo está discutindo o efeito de estufa, em que há uma grande preocupação com o aquecimento global, sinto que esse chamamento da Amazónia é muito importante para o debate", diz o popular Mercadante, líder da bancada do PT e vice-presidente do Parlamento do Mercosul, que é ainda cronista do jornal O Globo e tem mais de 30 mil seguidores no Twitter.
O pedido do governador
Pedro Teixeira era um militar que participou na fundação da cidade de Belém, a capital do estado do Pará, e que depois se destacou em várias missões militares, combatendo holandeses, ingleses e franceses. Quando dois padres e quatro soldados espanhóis chegaram perdidos a Belém, com a novidade de que o rio Amazonas era navegável, o governador do estado do Grão-Pará e Maranhão pediu a Pedro Teixeira para organizar a expedição até Quito (na época parte do vice-reinado do Peru).
No regresso, com testemunhas espanholas, Teixeira vai registando a posse das terras para o reino de Portugal. "Como naquela época Portugal estava subordinado à Coroa espanhola, o livro que relata essa epopeia, em 1641 [Novo Descobrimento do Grande Rio Amazonas e a Viagem de Pedro Teixeira Águas Arribas, de Frei Cristobal d"Acuña] acaba sendo queimado e isso não foi valorizado nem pela historiografia portuguesa nem brasileira", explica o senador, que quer chamar a atenção para este "vulto histórico" que parece estar condenado ao esquecimento.
O seu nome não consta do Livro dos Heróis da Pátria (ou Livro de Aço) que está no Panteão da Liberdade e da Democracia Tancredo Neves, em Brasília, e nem sequer figura na lista de candidatos. Mercadante preparou um projecto de lei para que o nome de Pedro Teixeira seja inscrito neste Livro de Aço. Propõe também que a história da expedição do navegador português passe a fazer parte dos currículos escolares no Brasil.
A expedição de Pedro Teixeira era composta por 70 canoas (45 de grandes dimensões, com vinte remadores cada). Acompanhavam o explorador 70 soldados portugueses e 1200 índios, muitos deles "flecheiros" (arqueiros), que levaram as suas mulheres e filhos.
Teixeira (cuja data de nascimento se situa entre 1570 e 1585) era de ascendência nobre e foi para o Brasil em 1607, conta a autora do livro A Expedição de Pedro Teixeira - A Sua Importância para Portugal e o Futuro da Amazónia (ed. Ésquilo). Esta brasileira, Anete Costa Ferreira, é investigadora de ciências sociais e história luso-amazónica e estará hoje na sessão de homenagem em Brasília.
O navegador falava o tupi - língua com origem no povo tupinambá - e essa era uma das razões pelas quais era tão acarinhado pelos índios. "Sempre fez amizade com os índios, o que lhe valeu de muito", explica ao telefone a partir do Brasil esta especialista, que hoje vive em Portugal.
Os índios que embarcaram com o português nesta expedição iam em busca da Terra sem Mal, a morada dos antepassados, segundo os índios tupi e guarani, um território onde as pessoas não envelheciam. "A tribo Tupinambá acreditava nisso e à medida que a expedição decorria foi ficando decepcionada. Os índios achavam que iam chegar à Terra sem Mal e, como a viagem não era aquilo que pensavam, começaram a enfraquecer", diz Anete Costa Ferreira.
A descrição desta expedição chega até nós através de um documento que está na Biblioteca da Ajuda (Relazion del General Pedro Teixeira de el rio de las Amazonas para el Senhor Príncipe, 1639). "É o diário de bordo que Pedro Teixeira fez durante a viagem. Esse é o grande documento que o celebrizou, é um levantamento geral da fauna, da flora, do minério, dos costumes... Entra tudo o que ele foi vendo no seu trajecto", explica a investigadora. Incluindo os canibais.
Nessa grande expedição, Pedro Teixeira fixou uma série de territórios até então desconhecidos, como as ilhas das Areias ou Santa Luzia. Na viagem de regresso a Belém do Pará descobre o rio Negro (onde mais tarde se ergueu a cidade de Manaus) e o rio Madeira, um grande afluente do Amazonas.
Um dos feitos mais importantes da expedição é a fundação do povoado de Franciscana, oficializada a 16 de Agosto de 1639. Obedecendo às ordem do governador, Pedro Teixeira toma posse desse território, mas diz que o faz para a Coroa portuguesa (e não para a espanhola). Com a nova povoação, o navegador quis homenagear todos os missionários franciscanos.
Sem amazonas
No documento que se encontra na Biblioteca da Ajuda, Teixeira conta ainda que, tanto na ida como na volta da expedição do rio Amazonas, não viu as amazonas descritas durante a viagem de Francisco de Orellana, explorador espanhol que antes navegara parte do Amazonas. As ditas amazonas foram descritas por Carvajal, frade que acompanhou Orellana, como "mulheres sem peito, guerreiras, e que não aceitavam o homem no seu habitat", conta Anete Costa Ferreira.
Apesar de nunca se ter cruzado com elas, Teixeira relata que lhe chegaram muitas notícias das amazonas. Diz mesmo que estariam "a seis jornadas" do sítio em que se encontravam e que teriam 300 aldeias ou mais, com "quinhentos ou oitocentos casais" cada: "Aqui acabam-se as flechas furadas perigosas e, ainda que as haja por todo o rio, não matam como as do Sul", escreve.
A documentação sobre este conquistador do Brasil é esparsa. "Em Portugal pouca coisa há", diz Anete Costa Ferreira, lembrando que o historiador Jaime Cortesão (também de Cantanhede) apresentou no IV Congresso de História Nacional no Brasil, em 1949, O significado da expedição de Pedro Teixeira à luz de novos documentos. Em 2002 foi realizado o documentário Curiua-Catu: A Grande Expedição de Pedro Teixeira 1637-1639, realizado por Carlos Barreto.
Para contrariar a dispersão de documentos e mesmo a falta de informação ainda mais detalhada, Anete Ferreira vai começar dentro de dias uma investigação no Museu Naval e no Arquivo Público de Belém do Pará, e em São Luís do Maranhão. Passará também pela Catedral de Belém, onde está sepultado.
Para ajudar a resgatar a memória do explorador, a Portugal Telecom associa-se à homenagem de hoje no Senado, lançando o Prémio Pedro Teixeira para estudantes portugueses e brasileiros, dos 12 aos 18 anos. Os três melhores trabalhos sobre a vida e o impacto dos feitos de Teixeira na história de Portugal e do Brasil irão ter como prémio uma viagem cultural ao Brasil (se forem portugueses) ou a Portugal (se forem brasileiros). Será ainda lançado um site em português e inglês dedicado a perpetuar a memória do explorador português "Curiua-Catu".

Facebook-Revolta por causa de mudanças no sistema de privacidade

Atenção!
As mudanças no sistema de privacidade do Facebook, anunciadas no início do mês e que começaram a ser introduzidas ontem, estão a originar várias críticas por parte de associações de utilizadores que zelam pela protecção dos dados disponibilizados online. Alguns críticos dizem que esta nova política de gestão das configurações de privacidade está a fazer com que as informações partilhadas pelas pessoas venham a atingir uma audiência ainda mais vasta, através da esperada incorporação dos dados em motores de busca.
A partir de ontem começaram a ser visíveis as mudanças no sistema de privacidade da rede social que já conta com mais de 350 milhões de pessoas registadas, através de uma janela “pop-up”, que convidava os utilizadores a actualizarem os seus sistemas de partilha de dados.
Desde a primeira hora que o Facebook deixou claro que as mudanças introduzidas ajudariam os utilizadores a gerirem os seus conteúdos. Por exemplo, se um utilizador quiser mostrar determinada fotografa apenas aos seus familiares e amigos, poderá bloquear o acesso à imagem aos seus contactos profissionais ou a quaisquer outros que não queira que vejam a fotografia e questão.
Porém, o Facebook indica que o mundo está a caminhar no sentido inverso, e aquilo que as novas definições permitem igualmente é que todos os utilizadores da rede social possam partilhar as suas divagações, fotografias, vídeos e qualquer informação pessoal aos 350 milhões de “companheiros” do Facebook. Ou seja, aquilo que já faz o Twitter.
Em resumo: se por um lado o Facebook passa a permitir uma melhor gestão dos públicos com quem se quer partilhar a informação, por outro também alarga o palco e a potencial esfera de acção potencial de cada utilizador.
“Qualquer sugestão que indique que nós estamos a tentar enganar as pessoas vai contra qualquer objectivo que tenhamos”, ressalvou Barry Schnitt, um porta-voz do Facebook.
De maneira diferente pensam algumas associações de utilizadores que zelam pela protecção dos dados disponibilizados online, nomeadamente a US Electronic Privacy Information Center (Epic) e a Electronic Frontier Foundation, que criticam logo à cabeça o facto de, por defeito, o utilizador ter marcada a opção de que toda a sua informação é pública e que poderá ser publicada em motores de busca. Se isto ocorrer, uma vez saída a informação da rede social para o vasto campo da Internet, o Facebook não se responsabiliza pelo seu futuro uso, pelo que o utilizador fica indefeso, alerta o “El Mundo”.
“O Facebook está a empurrar as definições para a posição ‘revelar tudo’”, indicou Marc Rotenberg, directo executivo da Epic. “Do ponto de vista da privacidade, isso não é justo”.
Por seu lado, a Electronic Frontier Foundation indicou em comunicado que “estas mudanças à política de privacidade têm a clara intenção de empurrar os utilizadores do Facebook para partilharem publicamente ainda mais informação do que antes”.
“Pior, as mudanças irão na verdade reduzir o controlo que os utilizadores têm sobre os seus dados pessoais”, acrescentou a mesma fundação.
Os defensores da privacidade criticam igualmente o facto de o Facebook estar a requerer que alguma informação pessoal, como o sexo da pessoa e a cidade em que reside, sejam obrigatoriamente visíveis para todos.
Acerca deste ponto em concreto Barry Schnitt, do Facebook, disse que os utilizadores podem simplesmente não preencher esses campos se não quiserem que essa informação fique visível.
O Facebook começou a testar as mudanças ao seu sistema de privacidade em meados deste ano, antes de os tornar efectivos em toda a rede.
Jason Kincaid, colunista do blogue de notícias sobre tecnologia Tech Crunch, comenta que algumas das mudanças foram introduzidas para tornarem o Facebook mais “atractivo” para os motores de busca como o Google e o Bing, cada vez mais interessados em incorporar os conteúdos das redes sociais nas suas páginas.
Em Outubro, a Microsoft anunciou planos para incorporar mensagens públicas do Facebook nos seus resultados de busca, mas o serviço ainda não está disponível.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Necessidades


Num post antigo, falou-se aqui das malas diplomáticas que, no ministério dos Negócios Estrangeiros, eram transportadas através da Europa (e para os EUA) por jovens profissionais, quase sempre nos seus tempos iniciais da carreira. Era uma tarefa agradável, embora algo cansativa, pelo somatório de viagens consecutivas que implicava, nos seis dias da tarefa.
Numa dessa semanas, creio que em 1978, coube-me a mim "ir de mala". Uma das etapas do circuito desse tempo era Belgrado. Era aí que estava instalada a Conferência para a Segurança e Cooperação na Europa (CSCE), que iria dar origem à OSCE, já no período da "détente". Mal eu sabia que, anos mais tarde, ainda me iriam calhar dois anos de "osceosidade", em Viena!
Saído de Lisboa, passei, em dias sucessivos, por Londres e por Bruxelas. A bem dizer, era este o destino principal da "mala acompanhada", por aí se situar a sede da NATO. De Bruxelas, parti para Viena, onde a esmagadora maioria da correspondência que eu levava iria desaparecer, encaminhada para postos dos antigos países comunistas, de onde as nossas Embaixadas enviavam à capital austríaca os seus diplomatas, para a respectiva recolha e canalização dos seus relatórios para Lisboa. Já pouco seguia na mala para Belgrado, a ajuizar pelo tamanho do pacote que me havia sido entregue em Viena, cujo conteúdo, naturalmente, eu desconhecia.
Belgrado, num inverno sob neve, era uma cidade cinzenta e algo desconfortável. De autocarro, fui parar, já muito ao final da tarde, ao imenso Hotel Jugoslávia. Passava da hora de fecho da nossa missão temporária junto da CSCE, pelo que decidi ficar com a mala diplomática à minha guarda (período das refeições incluído, porque não era permitido perdê-la de vista) e entregá-la no dia seguinte, logo de manhã.
Tomava eu um banho reconfortante no hotel, preparando-me para jantar, quando me chega um telefonema da secretária do Embaixador, dizendo-me que o embaixador queria que eu fosse, ainda naquele dia, ao escritório da missão, para entregar a mala. Reagi, dizendo que era já muito tarde. Qual quê!? O embaixador insistia e pedia mesmo que eu fosse de táxi, porque não podia dispensar o seu motorista. Furioso, lá tive de encasacar-me para o gelo da cidade, no fundo algo intrigado com a estranha urgência da documentação. Mas, quem sabe?, podia tratar-se de instruções para uma diligência ou contactos.
Chegado à missão, fui levado à presença do embaixador, que exclamou: "Ora temos então aqui a nossa mala! Já não era sem tempo!", numa clara "indirecta" à minha resistência, complementada pela displicência com que me saudou. Preparava-me para sair do gabinete e regressar ao hotel quando me dei conta que embaixador se mostrava muito empenhado a ser ele próprio a quebrar os selos diplomáticos do pacote. Por curiosidade, deixei-me ficar na cena. E foi então que assisti à aparição de um embrulho, saído de dentro do pacote que, com toda a segurança e cuidado, eu transportara por várias capitais. Vi os olhos do embaixador encherem-se de alegria: "Até que enfim! Estava a ver que o nosso colega de Havana nunca mais se despachava!". E lá abriu ele, com a avidez do vício, a sua caixa de "Cohibas", pelos visto a única "correspondência" relevante que, para escapar aos riscos da espionagem comunista, nesses derradeiros anos da Guerra Fria, eu levara em mão até Belgrado...

Previsões (2)



A propósito do post "Previsões", gostava de afirmar que, como qualquer mortal - e os diplomatas são simples mortais... -, também já me enganei, e bem, em avaliações políticas.
Não tenho, aliás, qualquer dúvida em expor esses deslizes, como fiz na "Crónica de um erro diplomático" que publiquei no Diário Económico (16.5.07) e que pode ser lido aqui.

O Governo criar uma comissão para combate à corrupção na administração pública…

É dos livros que quando um governo cria uma comissão, significa que nada vai fazer acerca desse assunto. Como o tema está na agenda politica, e o governo está em minoria, e tem problemas domésticos para resolver… O Governo anunciou hoje a criação de uma comissão que vai elaborar o quadro de referência de códigos de ética e conduta na administração pública e que tem como primeiro objectivo o combate à corrupção.

CTT: Ministério Público acusa 16 arguidos que integravam gestão de Horta e Costa - Sociedade - PUBLICO.PT

O ministério Publico acusou 16 arguidos no caso relacionado com actos de gestão do CTT entre os anos de 2002 e 2005, quando a administração da empresa era liderada por Carlos Horta e Costa, a quem são imputados sete crimes (um de administração danosa, e seis de participação económica em negócio. Em causa estão crimes cuja moldura penal pode chegar aos cinco anos, propondo ainda o DIAP a pena acessória de proibição do exercício de funções como titular de cargo público ao ex-.presidente dos CTT. Carlos Horta e Costa é hoje vogal na administração da Semapa.
A investigação começou com uma denúncia anónima datada de 2 de Junho de 2005, a que se juntaram, posteriormente, factos apurados pela Inspecção à empresa ordenada pelo então ministro da tutela, Mário Lino.
Entre os actos de gestão investigados pelo Ministério Público estão a venda de dois edifícios dos CTT (em Coimbra e na Avenida da República, em Lisboa), um contrato de prestação de serviços, a extinção do banco Postal, o concurso para a nova imagem das lojas CTT, e ainda o contrato que envolveu a Rentilusa, uma empresa do universo da Sociedade Lusa de Negócios.

Um país sob suspeita

 Paquete de Oliveira
 
Não é só o primeiro-ministro que é acusado de estar sob suspeita. É todo o país. Desconfio de que este estado geral de suspeita que está criado seja uma via segura para sairmos desta crise.
 
Uma crise que começou por ser declarada financeira. Obviamente passou a ser económica, mas é, sobretudo, uma crise profundamente social. E está a atingir o grau zero de qualquer crise existencial. Está a minar a própria crença na identidade nacional.
 
Enrolámo-nos de tal modo nesta teia de aranha que nem os próprios arautos proclamadores deste estado geral de suspeita parecem tomar consciência de que eles próprios estão sob suspeita. Suspeitas de outro teor, é certo, mas sob suspeita. Não são só condutas por eventuais actos ilícitos ou ilegítimos em matéria económica financeira ou de garantias de um Estado de Direito que geram suspeitas na ordem social ou na opinião pública. Entre o povo, as suspeitas podem ter as mais inusitadas razões. Mas não deixam de criar os mais insondáveis efeitos.
 
Politicamente, a própria presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, ao declarar em plena Assembleia da República que o primeiro-ministro José Sócrates está sob suspeita, não terá, porventura, a consciência de que a própria instituição de primeira grandeza nacional onde é feita essa acusação frontal está sob suspeita popular. Faça-se um inquérito à nação sobre o que o povo diz e verdadeiramente pensa da actual ordem política. Por outro lado, nem repara, ou quer disfarçar (o que me custa a crer dada a sua reconhecida honestidade de carácter) que o seu partido, um partido que, neste momento, seria imprescindível para sairmos da crise, está sob suspeita. Pelo que se vê, suspeitam os seus próprios e naturais eleitores. Aliás, suspeitam-se uns aos outros dentro daquela "casa". Não é preciso abrir inquérito. As evidências estão na rua.
 
Mas este caso é só um caso. Importante sem dúvida. Na praça pública adensam-se as suspeitas sobre tudo. O défice das contas públicas não será aquele que o Governo indica. O endividamento ao exterior ainda tem algumas somas por calcular. A saga do "Magalhães" está sob suspeita. O buraco do BPN não conhece fundo. A vacina contra a gripe A (H1N1) está sob suspeita. Querem fazer querer que pode matar. Os números dessa grande catástrofe nacional, o desemprego, não são dados correctos. As fontes oficiais não são dadas como credíveis. Há desempregados que estão a trabalhar. As "Novas Oportunidades" são uma "trafulhice", diz o professor Medina Carreira, bem como "todos os actuais estudantes deste país são uma 'tropa fandanga' e não sabem nada". Enfim, "Portugal é uma miséria".
 
Com todas estas desconfianças, fundamentadas ou não, mas propaladas aos quatro ventos, não será este país um país sob suspeita?
 
José Sócrates sabe como têm sido geradas todas as suspeitas que recaem sobre ele. O Governo e o PS não podem ignorar. Nem iludir ou iludir-se com a hipótese das campanhas negras. Os factos públicos valem, não pela suposta verdade ou mentira, mas pela força de eficácia social que têm. E neste momento, embora todo o país esteja sob suspeita como venho a admitir, quem governa o país é que tem a responsabilidade política de desmontar, desfazer as suspeitas. Este é maior problema da actual gestão política do país. Maior do que todos os outros. Um país sob suspeita não vai a lado nenhum. JN

Porreiro, pá

Mário Crespo

Eu sei que é importante. Ou melhor. Uma parte de mim acha que é importante. Melhor ainda. Parte de mim acha que deve ser importante embora, muito de mim, ache que não é. Este tratado de Lisboa não pode ter importância nenhuma para as centenas de pessoas da Quimonda que já não havia há anos mas que ninguém queria ver que já lá não estava. O que quer que tenha sido rubricado em Lisboa nada significa para as centenas da Lear que vão juntar-se às centenas da Quimonda e da Delphi e da Aerosoles e da Opel e da Leoni e para as centenas de milhar que trabalhavam em coisas que estão desaparecer sem deixar sequer um nome a recordar promessas passadas do ontem que dor deixou e não deixou mais nada. Só que, contrariamente a mim, essas centenas de milhar já não hesitam. Não concedem benefícios de dúvida. Têm a certeza que o que foi assinado em Lisboa nada tem a ver com esta Segunda-feira com as crianças a ir para a escola: "Bebe o leite a meio da manhã filha.". "Bebe o leite a meio da manhã filho.". "Come tudo ao lanche porque senão ficas com fome durante o resto do dia.". E o resto da noite. "Come tudo, filho", que a mãe hoje vai ao Banco Alimentar. E amanhã é já outro dia. "Tenho aqui um curso de jardineiro. Para estofadores não há nada. Nem para torneiros. Nem para escriturários. Assine aqui por favor." Não. De facto a assinatura de Lisboa não lhes pode dizer nada. E só com muito esforço é que vale alguma coisa para mim. Um esforço feito de infinitas cumplicidades em que eu (já só pode ser por desleixo) finjo acreditar que é justo gastar um milhão de Euros numa tenda de plástico e em luzes e em fogo de artifício para secar a chuva da noite de um Domingo de plástico para me convencerem de que a Europa vai bem e fazer-me esquecer que nas Segundas-feiras a seguir há centros de saúde com gente cheia de dores de dentes, mesmo sabendo que lá não se trata dos dentes, mesmo sabendo que se tem setenta pessoas à frente e se vai ficar no corredor de pé à espera, com frio e com calor, e com dores de dentes. E que agora se vai nascer a Espanha porque é melhor. É um esforço de desmazelo espiritual, acreditar que na tenda electrónica de Domingo, depois de um qualquer pacto monstruoso, o projecto Europeu está vibrante e pujante e importante quando a chuva que anuncia todos os invernos que aí vêm continua cair e só não encharca as comitivas que vêm a Lisboa de jacto executivo porque o plástico da barraca nacional cobre tudo até à passadeira vermelha feita na China onde param as altas cilindradas alemãs feitas no Leste por gentes sem serviço nacional de saúde. E há cada vez mais polícia cá fora. Depois fica relva pisada e lama no chão. É o que sobra levantada a tenda e o circo. E sem bom senso e pudor, não sobra nada a não ser um décimo de Portugal que vai na Segunda-feira aos centros de desemprego, ao leite gratuito da escola, ao Banco Alimentar e aos outros sítios onde é difícil acreditar no que quer que seja. Porque não faz sentido acreditar. Não é real. Não há realidade na Presidência transferida para um hotel de luxo no Estoril para fingir, não se sabe bem o quê, durante três dias de imitação de preocupações democráticas globais num vamos-brincar-às-super-potências. Nem há realidade na barraca do tratado das ilusões plásticas e ópticas e electrónicas onde se finge que se governa, que se preside, que se é relevante. Quando não se é. A realidade está na fila do desemprego. O Fundo Monetário Internacional sabe disso. JN.

Mário Lino retirou 180 milhões de euros à Acção Social para pagar Magalhães ?!?!?!


O ex-ministro das Obras Públicas Mário Lino terá ido buscar, já em final da legislatura, cerca de 180 milhões de euros à Acção Social Escolar para pagar o computador Magalhães e fazer o acerto de contas com as operadoras, noticiou o site da revista "Visão".

Que Lei é esta?


Na última semana, dois acidentes rodoviários envolvendo condutores embriagados e/ou que fugiram sem prestar auxílio às vítimas, mas que continuam a poder conduzir (???), abriram o debate para a questão da legislação: deve ou não ser alterada?

Frase

"A evolução da dívida pública é preocupante, quer a directa quer a indirecta [autarquias e empresas públicas]. A dívida indirecta representa mais de 30 pontos percentuais do PIB. O risco do país está a aumentar."
 Eduardo Catroga, ex-ministro das Finanças, "Correio da Manhã", 10-12-2009

Irlanda vai cortar salários a funcionários do Estado.

Seria bom que o governo português aprendesse algo com os Irlandeses!
O Governo irlandês apresentou o seu orçamento mais duro de sempre.
O Governo irlandês adoptou medidas drásticas para controlar a despesa pública no orçamento para 2010 e decidiu reduzir salários a professores, enfermeiros e polícias. Está também prevista a redução de prestações da segurança social a desempregados e a famílias com filhos.
O Orçamento do país, apresentado ontem ao fim do dia, prevê uma redução global da despesa de seis mil milhões de euros nos próximos dois anos, noticia hoje a imprensa internacional. O objectivo mais vasto é conseguir uma redução do défice público de 11,7 por cento este ano para 2,9 por cento em 2014.
A Irlanda enfrenta este ano a maior recessão da zona euro, com uma previsão de recuo do PIB da ordem dos oito por cento. O pais pode mesmo sofrer três anos seguidos de recessão: depois de no ano passado ter tido um recuo de 2,3 por cento do produto, para o próximo a previsão é idêntica. ver Publico

Ainda Clara de Ovar

Há alguns meses, falou-se aqui de Clara de Ovar, um nome que teve o seu tempo parisiense, cidade onde criou um restaurante português e onde faria a sua estreia no cinema.

Na altura, pediram-se contribuições para a sua biografia e elas apareceram em comentários ao post então publicado.

Agora surgem novos e mais completos dados, que podem ser consultados aqui.

Maria João Seixas



Já inventariámos os nossos antepassados e chegámos à conclusão que não temos qualquer parentesco. Mas, mesmo que o tivéssemos, não prescindiria de dizer aqui quanto me agradou a nomeação de Maria João Seixas para a presidência da Cinemateca Nacional.

Leiam ou assistam às suas entrevistas e percebam como é possível transpor para um diálogo a inteligência crítica e o sentido de oportunidade, revelando a capacidade de trazer a riqueza essencial do interlocutor à tona da conversa. Estou certo que Maria João Seixas vai fazer um excelente lugar, com uma programação que coloque a Cinemateca, de forma ainda mais evidente e eficaz, nos roteiros culturais da cidade de Lisboa.

Ah! e há um ponto importante. A Maria João sabe rir e não cultiva aquele ar sisudo de quem acha que a cultura e a frequência dos meios intelectuais impõem uma pesada gravitas, como os que parecem ter por nobre e prestigiado destino o transporte às costas de todas as angústias existenciais do mundo.

Blog tại phòng chờ của sân bay: Hội nghị Copenhagen về Biến đổi khí hậu đã bắt đầu

 Mark KentAnna Nileshwar, Cố vấn về Biến đổi Khí hậu của Bộ Phát triển Quốc tế Anh, tham dự hành trình từ Thành phố Hồ Chí Minh tới Cần Thơ bằng thuyền ngày 7-12 trong dự án Biến đổi khí hậu của BBC

Hôm Chủ nhật 6-12, tôi cùng Anna Nileshwar (ảnh bên), Cố vấn vể Biến đổi Khí hậu của Bộ Phát triển Quốc tế Anh (DFID) bay vào Thành phố Hồ Chí Minh. Chuyến bay của chúng tôi bị hoãn một tiếng nên tôi tranh thủ gọi mỳ ăn tối ở quầy cafe tại sân bay. Hôm sau, chúng tôi tới dự lễ ra mắt dự án Biến đổi khí hậu tại sông Mekong của BBC, và tham gia hành trình từ Thành phố Hồ Chí Minh tới Cần Thơ bằng thuyền. Mục đích của chuyến đi là nâng cao ý thức của mọi người về vấn đề biến đổi khí hậu trong những ngày đầu tiên diễn ra Hội nghị Copenhagen. Anna đã trả lời phỏng vấn với đài BBC châu Phi (BBC Africa service) và đài phát thanh BBC xứ Wales (BBC Radio Wales). Chúng ta cần phải thúc đẩy nhận thức của cộng đồng quốc tế về những thách thức đang đặt ra với Việt Nam và những gì Việt Nam đang làm để đối mặt với những thách thức đó. Ngoài ra, tôi đã gặp phóng viên Nguyễn Lan Anh, một người bạn của tôi ở báo Sài Gòn Tiếp Thị, người vừa trở về sau chuyến thám hiểm Nam Cực và cuộc gặp rất hữu ích.

Trước đó, chúng tôi đã đạt được một kết quả thành công tại Hội nghị nhóm tư vấn các nhà tài trợ của Ngân hàng Thế giới. Các bạn có thể đọc bài phát biểu của Đại sứ Thụy Điển tại Việt Nam Rolf Bergman, thay mặt cho Liên minh Châu Âu (EU), ở bài viết trước trên blog của tôi. Kết thúc hội nghị, cộng đồng các nhà tài trợ đã cam kết mức viện trợ kỷ lục lên tới 8 tỉ USD cho Việt Nam. Ở đây tôi nhận thấy có hai điểm nổi bật. Thứ nhất, khi Việt Nam trở thành quốc gia có thu nhập trung bình, thách thức đặt ra cho Việt Nam cũng lớn hơn và nhiều hơn. Khi ấy, cần phải làm gì để tạo được một môi trường thuận lợi cho nền kinh tế tri thức phát triển, khi mà các chương trình viện trợ cũng theo đó chuyển hướng tập trung. Thành công của Việt Nam khi ấy sẽ được ghi nhận về mức giảm viện trợ chứ không phải là mức tăng. Thứ hai là cuộc tranh luận về vai trò của xã hội dân sự trong tiến trình phát triển của Việt Nam. Không một chính phủ nào có thể làm tất cả mọi việc, và sự phát triển của một đất nước đòi hỏi phải có sự đóng góp của mọi thành viên và khu vực trong xã hội.

Vợ tôi, Martine, và cô Quỳnh, cô giáo dạy tiếng Việt đầu tiên của tôi.Ngoài ra chúng tôi đã gặp lại cô giáo dạy tiếng Việt đầu tiên của tôi , cô Quỳnh. Cô Quỳnh về thăm gia đình và tham dự hội nghị người Việt Nam ở nước ngoài. Đã ba năm trôi qua kể từ lần cuối cô về thăm quê nhà và cô nhận ra nhiều thay đổi của Hà Nội. Tôi cũng rất mừng khi cô thấy tiếng Việt của tôi tiến bộ.

Cuối cùng tôi và Anna đã trở lại Thành phố Hồ Chí Minh để về Hà Nội. Chúng tôi tới Mỹ Tho tối hôm trước và rời đi sớm hôm nay. Với tôi đây là một thành phố đẹp và tôi dự định sẽ còn quay lại thăm Mỹ Tho. Thật không may, ngay khi chúng tôi tới sân bay Thành phố Hồ Chí Minh, chúng tôi được biết chuyến bay của mình bị hoãn 4 tiếng và mọi chuyến bay khác đều đã kín chỗ. Sau khi nhấm nháp 3 tách café và gọi mấy cuộc điện thoại, tôi quyết định đã đến lúc phải cập nhật blog...

Thành phố Hồ Chí Minh 8-12-2009

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Avançadas máquinas no Antigo Egito?

Por Christopher P. Dunn *
 
Introdução
Desde 1976 vinha me questionando como a pirâmide de Kéops havia sido construída, quem a construiu e qual tecnologia havia sido utilizada. Mesmo sem possuir dados científicos a respeito desses questões, as informações divulgadas sobre a construção desse monumento não me convenciam. Então, em agosto de 1984, quando li - na revista Análog - o artigo "Avançadas Máquinas no antigo Egito?", escrito pelo egipitologo britânico William Flinders Petrie, iniciei a estudar as Piramides, especialmente a de Kéops, de forma metódica. Um ano depois já tinha iniciado pesquisas e estudos pessoais que culminaram em duas viagens ao Egito.
Este artigo é um resumo do meu primeiro trabalho de pesquisas, medições, analises e teorias que realizamos nessas duas viagens.
Viagem ao Egito
Em visita ao Egito entrei em contato com arqueólogos e perguntou-lhes sobre o método que os antigos egípcios usavam para cortar o granito. Eles efirmaram que usaram cunhas com água para rachar a pedra. Ora, rachar rocha é muito diferente de trabalhá-la e eles não souberam explicar como ferramentas de cobre foram capazes de cortar o granito.
Por sugestão dos arqueólogos foi até Assuão para ver de perto as marcas deixadas nas pedreiras pelos operários, e enorme obelisco inacabado que lá se encontra. As marcas que vi da pedreira não me convenceram que os métodos descritos foram os únicos meios pelos quais os construtores das pirâmides extraíram suas rochas. Pelo contrário, feraram mais dúvidas... Na maioria das vezes, as ferramentas primitivas descobertas são consideradas contemporâneas dos artefatos do mesmo período. E durante este período da história egípcia os artefatos eram produzidos abundantemente, sem que tivessem sobrevivido ferramentas que explicassem sua criação.
Os antigos egípcios criaram artefatos que não podem ser explicados em termos simples. As ferramentas simplesmente não representam integralmente o estado da arte que se evidencia nos artefatos. Há alguns objetos intrigantes que sobreviveram ao término daquela civilização e, a despeito de seus monumentos mais visíveis e impressionantes, temos apenas um fraco entendimento da extensão da tecnologia utilizada. As ferramentas exibidas pelos egiptólogos como instrumentos para a criação de muitos desses artefatos incríveis são fisicamente incapazes de reproduzi-los. Depois de permanecer em reverência diante dessas maravilhas da engenharia e, ao nos defrontarmos com uma desprezível coleção de implementos de cobre do Museu do Cairo, de lá saímos pensativos, frustrados e com mais dúvidas.
Um método que tem sido proposto pelos egiptólogos, por exemplo, consiste em empregar pequenas bolas de diorito - outra pedra ígnea extremamente dura - com as quais os artesãos golpeavam o granito. Na ocasião me indaguei como era possível que alguém que tenha visto os maravilhosos hieróglicos com seus intrincados detalhes, cortados com precisão surpreendente em estátuas de granito e de diorito, que se elevam quatro metros acima de uma pessoa, proponham que esse trabalho tenha sido feito golpeando-se o granito com uma bola? Os hieróglifos são incrivelmente precisos, com sulcos quadrados, mais profundos do que largos. Eles seguem contornos exatos e alguns têm sulcos que correm paralelos entre si com espaço com menos de um centímetro entre eles. Tais sulcos só podem ter sido cortados com uma ferramenta especial capaz de fender completamente o granito sem lascar a pedra.
Petrie
Já conhecia o extraordinário trabalho realizado no Egito pelo renomado egiptólogo britânico, William Flinders Petrie, no século 19. Naquele tempo Petrie já havia reconhecido que essas ferramentas manuais eram insuficientes para explicar a qualidade e sofesticação dessas construções; e expressou diversas dúvidas quanto aos métodos que os antigos egípcios usavam para cortar rochas ígneas tão duras. Na época ele atribuiu métodos que somente agora no século 21 estamos dominando! E Petrie estava correto. Indubitavelmente, muitos artefatos oriundos do antigo Egito foram produzidos com o uso de tornos e outros equipamentos ainda mais modernos. Há claras evidências de marcas de torno e outras ferramentas sofesticadas em algumas tampas de sarcófagos e diversos outros achados arqueológicos. Só o Museu do Cairo possui centenas de objetos que contém evidências suficientes para provar que os antigos egípcios usavam métodos industriais altamente sofisticados.
Analisando marcas
As marcas deixadas nas pedras da Grande Pirâmide permitem que delas se deduzam quais os métodos usados para cortar o material empregado. Não apenas as pedras da pirâmide, mas também vários outros artefatos indicam, quase que indubitavelmente, que os construtores daqueles monumentos usaram máquinas sofesticadas! Alguns desses artefatos também foram estudados por Petrie - a maioria dos quais são fragmentos de rochas ígneas extremamente duras. Trata-se de peças de diorito e granito que exibem marcas de cortes idênticas a que encontramos hoje em rochas duras cortadas por modernos maquinários. Certamente motivado por essas e outras evidências Petrie afirmou que "...os antigos egípcios utilizaram não só tornos como técnicas especializadas altamente desenvolvidas, especialmente em utensílios côncavos e convexos sem danificar o material".
Apesar das evidências demonstradas nos trabalhos de Petrie e outro especialistas, ainda há uma persistente crença entre alguns egiptólogos - especialmente entre os egipcios - de que o granito usado na Grande Pirâmide foi cortado usando cinzéis de cobre! Mas isto é tecnicamente impossível, pois a liga de cobre mais dura existente hoje em dia é o cobre berílio; e mesmo se os antigos egípcios possuíssem tal liga, ela simplesmente não é suficientemente dura para cortar granito. Na verdade isto é tão absurdo como dizer ele que o alumínio pudesse ser cortado usando-se um cinzel feito de manteiga.
Métodos atuais do corte do granito incluem o uso de serras de fita e um abrasivo que tem uma dureza comparável à do diamante - duro o bastante para cortar o cristal de quartzo do granito. A serra não corta o granito, mas é projetada para agarrar o pó do abrasivo, que é o que verdadeiramente faz o corte. Examinando as formas dos cortes feitos em duas peças de basalto, concluiu que é possível que uma serra de fita tenha sido usada, pois deixou sua impressão na pedra. O sulco no fundo do corte tem exatamente a forma do sulco que uma serra desse tipo deixaria. Lembro-me que na ocasião me perguntei: Se os antigos egípcios realmente usaram serras de fita para cortar pedras duras, elas foram impulsionadas à mão ou à máquina? Mesmo poderando outras alternativas, minha experiência em metalúrgia e no número incontável de vezes em que tive que usar serras manuais e elétricas, as evidências apontam para o uso de máquinas, pelo menos em alguns casos!
Evidências
Ao examinar o sarcófago encontrado na Câmara do Rei na Grande Pirâmide, Petrie observou que em uma de suas extremidades há um lugar onde a serra penetrou muito fundo no granito e foi retirada de volta pelos operários. Ao reiniciarem o trabalho, entretanto, eles ainda o fizeram muito fundamente e 10 centímetros abaixo eles retiraram a ferramenta uma segunda vez, depois de terem recortado mais de 2,5 milímetros de profundade do que pretendiam. Na ocasião Petrie estimou que "...teria sido necessário aplicar pressão de cerca de uma a duas toneladas sobre serras de bronze com pontas de pedras preciosas para cortar o granito extremamente duro". Mas eu discordo deste ponto pois, se concordarmos com estas estimativas e com os métodos propostos por muitos egiptólogos com relação à construção das pirâmides, então uma forte incongruência existiria entre os dois. Até hoje os egiptólogos não deram crédito a qualquer idéia que sugira que os construtores das pirâmides poderiam ter usado máquinas ao invés de energia humana neste grandioso projeto de construção.
Petrie acreditava que "...a lógica apontava para o fato de que os cofres de granito achados nas pirâmides de Gizé precisavam ser marcados antes de serem cortados, e que era necessário que hovesse uma linha guia para orientar os trabalhadores". Ele estava correto, e a precisão exibida nas dimensões dos cofres aponta em tal direção. E guias de algum tipo seriam necessárias para alertar os operários de seus erros. Além do mais as marcas da serra no granito têm certas características que sugerem que elas não eram o resultado de serragem manual; sendo, pois, extremamente improvável que um grupo de trabalhadores operando uma serra manual de quase três metros de comprimento cortassem através do duro granito tão rapidamente que passassem a linha guia antes de notar o erro. E menos provável ainda que, então, retirassem a serra e repetissem o mesmo erro, como fizeram no sarcófago da Câmara do Rei. Não há absolutaente nada que confirme a especulação de que este objeto foi o resultado de trabalho puramente manual.
A velocidade com que é operada uma serra manual permite que seu desvio em relação ao curso planejado possa ser detectado e evitado rapidamente. Por outro lado, sendo a serra mecanizada ela pode cortar o material e ultrapassar a linha guia tão rapidamente que o erro é cometido antes que a condição possa ser corrigida. No sarcófago de Kéops a serra entrou muito profundamente, foi retirada, e então reintroduzida para que o corte fosse reiniciado em um só lado da incisão. Nesse caso, a pressão excessiva na serra de lâmina iria forçá-la de volta para o corte original. Para se fazer um reinicio deste tipo seria necessário que fosse exercida muito pouca pressão sobre a lâmina; e é exatamente isto que mostram as marcas. No conjunto essas marcas são evidênias dificeis de serem contestadas. Além disto, nesses circunstâncias, é duvidoso que as deduções de Petrie de que duas a três toneladas de pressão seriam necessárias para cortar o granito pudessem ser atendidas.
Serra mecânica
O reinicio no meio de um corte, especialmente num de tais dimensões como o cofre de granito, seria realizado mais facilmente com uma serra mecanizada do que com uma serra manual. Com uma serra manual há pouco controle sobre a lâmina em uma situação como essa, e seria difícil de avaliar precisamente a quantia de pressão necessária. Além disso, a lâmina da serra manual iria se mover bastante lentamente - fato que questionaria ainda mais a idéia do emprego de uma serra manual. A uma velocidade tão lenta e com muito pouca pressão, a realização do objetivo seria quase, se não totalmente, impossível. Com uma serra mecanizada, por outro lado, a lâmina move-se rapidamente, e seu controle é possível. A lâmina pode ser mantida em uma posição fixa, com pressão uniforme por todo o comprimento da lâmina, e na direção necessária ao reinicio. Esta pressão dianteira e lateral pode ser mantida com precisão até que material suficiente tenha sido removido da peça trabalhada para permitir a continuação na velocidade de corte normal. O fato que uma velocidade normal de corte foi atingida logo após a retificação do engano pode ser deduzido notando-se que no cofre da Grande Pirâmide o engano se repetiu cinco centímetros mais adiante. Este é outro exemplo da lâmina cortando o granito no lugar errado mais rapidamente do que foi possível aos homens detectar e interromper.
Existe um outro método para corrigir um engano quando se usa uma serra manual, desde que o erro ocorra apenas em uma área pequena do corte. Consiste em inclinar a lâmina e continuar cortando na área não estragada, de forma que quando a lâmina atinge a área que precisa ser corrigida ela passa a ser sustentada pelo novo corte inclinado e tem força suficiente para combater qualquer tendência em seguir o corte reto original. Esse método poderia ter sido utilizado no cofre da pirâmide de Kéops. Mas caso isso tivesse realmente ocorrido, as linhas da serra que nele aparecem após o ponto em que foi cometido o engano seriam diferentes das linhas da serra antes do erro, porque elas estariam em ângulo. Entretanto isso não ocorre e todas as marcas deixadas pela serra antes e após o erro são horizontais. Qualquer argumento propondo que o engano foi superado inclinando-se a lâmina, o qual, provavelmente, seria o único método eficaz usando-se uma serra manual, fica invalidado. Esta evidência aponta para a probabilidade totalmente diferente de que os construtores das pirâmides possuíam maquinaria motorizada quando cortaram o granito encontrado dentro da Grande Pirâmide e da pirâmide de Kéfren.
Métodos modernos
A parte interna do cofre de granito da Câmara do Rei foi escavada com uso de métodos semelhantes aos que são empregados atualmente para moldar o interior de determinados objetos. As marcas das ferramentas indicam que primeiro foram feitos cortes grosseiros perfurando buracos no granito ao redor da área que seria removida. Segundo Petrie "...os buracos foram feitos com brocas de tubo, as quais deixam um miolo central que precisa ser retirado depois do buraco ter sido feito. Só depois que todos os buracos foram feitos e todos os miolos removidos é que o cofre deve ter sido trabalhado manualmente para atingir a dimensão desejada". Aqui também foram cometidos erros e num dos pontos se nota que o orifício não foi feito de forma perfeitamente vertical na lateral do cofre além daquilo que estava previsto. Isso significa que mais uma vez, enquanto trabalhavam com a broca no granito, os operadores cometeram um erro antes de terem tempo para corrigi-lo, sendo que nesse caso o erro foi de aproximadamente 20 centímetros abaixo do topo original do cofre.
A especulação então é a de que se a broca fosse manual seria necessário redirecioná-la periodicamente para permitir a limpeza do miolo central do orifício. Dificilmente os operadores poderiam ter perfurado cerca de 20 centímetros granito adentro sem precisar remover suas brocas. Ora, se a broca fosse manual as retiradas frequentes inevitavelmente mostrariam o erro de direção cometido e jamais teriam mantido a broca no caminho errado por 20 centímetros de profundidade. Aqui se repetiu a mesma situação que ocorrera com a serra, ou seja, duas operações de alta velocidade nas quais foram cometidos erros antes que os operadores tivessem tempo de corrigi-los.
Embora também se diga que aos antigos egípcios não usaram nem mesmo uma simples roda, artefatos analisados provam que eles não só usaram a roda como deram a ela um uso mais sofisticado. A evidência de trabalho com torno mecânico é claramente observável em muitos artefatos existentes no Museu do Cairo. Dois pedaços de diorito na coleção de Petrie foram identificados por ele como sendo o resultado de verdadeiro torneamento em um torno mecânico. Acredito que podem ser criados objetos complicados sem a ajuda de maquinaria: basta simplesmente esfregar o material com um abrasivo como areia e usar um pedaço de osso ou madeira para aplicar pressão. Entretanto há diversas relíquias que simplesmente não poderiam ser produzidas por qualquer processo de abrasão ou fricção exercido sobre a superfície.
Petrie examinou uma prosaica tijela de pedra. Observando-a detalhadamente percebeu que nela havia um vértice afiado onde dois raios se cruzavam. Isso indicava que os raios tinham sido cortados em dois eixos separados de rotação. Examinando outras peças de Gizé, achou outro fragmento de tigela que tinha as marcas de verdadeiro torneamento em torno mecânico. Também encontrei peças no Museu do Cairo que evidenciam o uso do torno mecânico em larga escala, a exemplo de uma tampa de sarcófago que, após examiná-la concluiu que as marcas das ferramentas deixadas na peça correspondem ao formato e localizam-se exatamente onde se poderia esperar que estivessem caso o sarcófago tivesse sido moldado com uso de tornos.
Para fazer orifícios existe uma técnica que é chamada de trepanação. Ela deixa como resíduo um miolo central do material que está sendo perfurado. Os construtores das pirâmides usaram essa técnica. Uma das peças que Petrie estudou foi um desses miolos. Examinando as marcas de ferramenta que deixaram um sulco helicoidal simétrico nesse artefato tirado de um orifício perfurado em um pedaço de granito, Petrie concluiu que o ferramental egípcio penetrava a uma taxa de 0,25 milímetros a cada revolução da broca. As brocas atuais, por sua vez, só conseguem penetrar a uma taxa de 0,125 milímetros por revolução. Isso significa que os antigos egípcios conseguiam cortar granito com uma taxa de alimentação maior ou mais profunda por revolução da broca do que as brocas mais modernas que existem hoje!
Duas outras características das peças examinadas por Petrie também chamaram a atenção. A primeira foi que tanto o orifício quanto o miolo dele extraído têm uma forma cônica que se afunila em direção à extremidade. A outra é que o sulco helicoidal entrou nos componentes do granito de forma estranha, ou seja, penetrou mais produndamente no quartzo (material mais duro) do que no feldspato (mais macio). Também constatei este fato, e o afunilamento indica um aumento na superfície da área de corte da broca à medida em que ela ia cortanto mais profundamente, consequentemente um aumento na resistência. Uma alimentação uniforme sob tais condições, usando método manual, seria simplesmente impossível. Petrie teorizou que "...foram aplicadas uma tonelada ou duas de pressão a uma broca tubular feita de bronze incrustada com jóias". Porém, isto não leva em conta que sob centenas e centenas de quilos de pressão as jóias iriam, inevitavelmente, abrir seu caminho na substância mais macia, deixando o granito relativamente incólume depois do ataque.
Nem todos os egiptólogos concordam com Petrie, pois consideram muito improvável que os egípcios tivessem conhecimento tecnológico suficiente para cortar pedras preciosas formando dentes e prendê-las no metal de tal maneira que elas suportassem a tensão do uso pesado, fabricando assim a broca sugerida. O que esses estudiosos sugerem é que foi usado um pó abrasivo em conjunto com serras e brocas de cobre macio. Então, provavelmente, pedaços do abrasivo penetraram no metal da broca, permanecendo ali por algum tempo e formando dentes acidentais e temporários, criando assim o mesmo efeito que dentes intencionais e permanentes criariam e foi a retirada da broca de tubo para remover o miolo e inserir abrasivo novo no orifício que criou os sulcos na peça. Mais eu também discordo desta questão: É duvidoso que uma ferramenta simples que está sendo rotacionada à mão permanece virando enquanto os artesãos a retiram do orifício. Igualmente, colocando a ferramenta de volta em um orifício limpo com abrasivo novo não seria necessário fazê-la girar até que estivesse no lugar. Também há a questão do afunilamento no orifício e no miolo. Ambos proveriam efetivamente a liberação entre a ferramenta e o granito, tornando impossível sob tais condições o estabelecimento de contato suficiente para criar os sulcos.
Equipamentos Ultrasônicos?
Acredito que a única meneira - do ponto de vista técnico e lógico - para cortar os orifícios e os miolos achados em Gizé seria o uso de máquinas ultrasônicas. Essas máquinas produzem movimentos oscilatórios que lasca o material e o arremessa para longe, igual a uma britadeira que lança para longe um pedaço de pavimento de concreto. A diferença é que ela é muito mais rápida, vibrando entre 19 à 25 mil ciclos/segundo. Um abrasivo aquoso ou em pasta é usado para apressar a ação cortante. Em síntese, a maquinaria ultrasônica usa um processo de desagregação abrasivo-oscilatório.
O fato do sulco helicoidal ter penetrado mais produndamente tanto no quartzo - material mais duro - como no feldspato - mais macio - é explicado por sua teoria. São empregados cristais de quartzo na produção do ultrasom e, reciprocamente, são suscetíveis à influência de vibrações nas gamas ultrasônicas e podem ser induzidos a vibrar em alta frequência. Ao trabalhar o granito usando ultrasonografia, o material mais duro (quartzo) não ofereceria necessariamente maior resistência, como aconteceria durante práticas de emprego de maquinarias convencionais. Uma ferramenta de corte vibrando ultra-sonicamente encontraria numerosos sócios simpatizantes enquanto cortasse o granito, embutidos diretamente no próprio granito! Em vez de resistir à ação cortante, o quartzo seria induzido a responder e vibrar em consonância com as ondas de alta frequência e ampliaria a ação abrasiva à medida em que a ferramenta cortasse através dele.
Embora a formação de sulcos não fosse esperada nas peças trabalhadas com ultrasom, já que esse atua mais por um processo de trituração do que por ação rotacional, acredito que eles podem ter sido criados por várias razões: um fluxo desigual de energia pode ter feito a ferramenta oscilar mais em um lado do que no outro; a ferramenta pode ter sido impropriamente montada, ou um acúmulo de abrasivo em um lado da ferramenta pode ter cortado o sulco à medida em que a ferramenta se movia no granito. Por outro lado, é preciso que se entenda que a ferramenta pode ter sofrido não apenas movimento oscilatório, mas também giratório, visando forçá-la através do granito, o que teria causado os sulcos.
O formato cônico do orifício e do miolo são normais porque no emprego de qualquer ferramenta cortante é necessário que ela possa ser liberada da superfície da peça que está sendo trabalhada. Nesse caso, ao invés de termos um tubo contínuo, teríamos um tubo cuja espessura da parede ficaria gradualmente mais fina ao longo de seu comprimento. O diâmetro externo ficando gradualmente menor criaria a liberação entre a ferramenta e o orifício e o diâmetro interno, ficando maior, criaria a liberação entre a ferramenta e o miolo central. Isto permitiria que um fluxo livre da pasta fluída usada como abrasivo pudesse alcançar a área cortante. Uma broca tubular com tal feitio também explicaria o afunilamento das laterais do orifício e do miolo. Usando uma broca desse tipo feita de material mais macio do que o abrasivo, a extremidade cortante iria se desgastando gradualmente. As dimensões do orifício, portanto, corresponderiam às dimensões da ferramenta no instante do corte. Na medida em que a ferramenta ia se desgastando, o orifício e o miolo iam refletindo esse desgaste na forma de um cone. Nela vemos o progresso da perfuração em granito com o emprego de uma broca ultrasônica (vibratória). A broca avança 0,25 milímetros mais o desgaste da própria ferramenta para cada rotação da manivela.
Mais pesquisas
A ultrasonografia soluciona todas as perguntas sem resposta que as demais teorias não conseguiram responder com relação a todos os aspectos da existência das marcas no material examinado por Petrie. No entanto, pode ocorrer que quando procuramos um único método que possa dar resposta para todos os dados que nos afastamos daqueles mais primitivos e até mesmo da maquinaria convencional e somos forçados a considerar métodos que são um pouco anômalos para aquele período da história. Por isto sugiro que estudos adicionais dos miolos precisam ser feitos; que se reproduza miolos usando-se os métodos que proponho e métodos primitivos. Após essa reprodução, uma comparação dos miolos deve ser feita usando equipamento de metrologia e um microscópio de escaneamento eletrônico. Mudanças microscópicas na estrutura do granito podem acontecer devido a pressão e calor enquanto está sendo trabalhado. É duvidoso que egiptólogos compartilhem minhas conclusões referentes aos métodos de perfuração dos construtores da pirâmide e seria benéfico executar esses testes para provar conclusivamente os verdadeiros métodos usados pelos construtores da pirâmide para cortar pedra.
De volta ao Egito
Em fevereiro de 1995 retornei ao Egito com a finalidade de medir alguns artefatos produzidos pelos construtores das pirâmides. Essas medições provaram, sem sombra de dúvida, que ferramentas e métodos altamente avançados e sofisticados foram empregados por essa antiga civilização! Examinei três peças usando alguns instrumentos especiais que adquirira. Um deles visava determinar a precisão com a qual os artefatos haviam sido confeccionados. O primeiro objeto que inspecionei foi o sarcófago do interior da pirâmide de Kéfren. Fiquei suspreso ao verificar que a superfície do interior da caixa era perfeitamente lisa e plana. Também me pareceu que os cantos internos arredondados do sarcófago tinham um raio uniforme em toda sua extensão, sem variação da precisão da superfície no ponto de tangenciamento!
Quando observava atentamente esse sarcófago muitas perguntas me vieram à mente: "Por que o interior de uma enorme caixa de granito foi acabada com a exatidão que usamos em placas de revestimento de precisão? Como fizeram isso? E por que fizeram isso? Por que consideraram essa peça tão importante que se deram a tão grande trabalho? Seria impossível fazer esse tipo de trabalho no interior de um objeto manualmente. Mesmo com a maquinaria moderna, seria uma tarefa muito difícil e complicada. Seria uma tarefa grandemente problemática a de polir o interior da caixa com a precisão que se observa no sarcófago, a qual resultou numa superfície completamente plana no ponto onde as laterais encontram os cantos curvos. Há problemas físicos e técnicos associados com uma tarefa como essa que não são fáceis de resolver. Poderiam ser usadas brocas para desbastar o interior, mas quando se trata de terminar uma caixa deste tamanho com uma profundidade interior de 75,15 centímetros enquanto se mantém um raio no canto de menos de 1,25 centímetros, há alguns desafios enormes a ser superados.
Também tive a oportunidade de examinar os túneis cavados na rocha no Serapeum, em Saqqara. Lá se encontram 21 enormes sarcófagos de granito, que pesam, junto com suas tampas, cerca de 100 toneladas cada um. A matéria-prima foi extraída a cerca de 800 quilômetros de distância - pedreiras de Assuão. Cada peça tem aproximadamente quatro metros de comprimento, 2,28 metros de largura e 3, 35 metros de altura. Estão instalados em criptas escavadas na pedra calcária em intervalos matemática e geometricamente regulares ao longo dos túneis. O piso das criptas fica cerca de 1,20 metro abaixo do piso do túnel e os sarcófagos estão colocados em recessos estrategicamente localizados no centro. Ao examinar esse conjunto, me questionei sobre os problemas de engenharia existentes para instalar tais caixas enormes em espaços confinados e com a última cripta localizada próximo ao fim do túnel. Como colocá-las no lugar se ali não havia espaço nem para algumas dezenas quanto mais para que algumas centenas de escravos puxando cordas pudessem posicionar os sarcófagos?
Ao examinar o lado externo de um desses sarcófagos, constatei que era uma superfície perfeitamente plana. Examei o interior de outro sarcófago e constatei, novamente, que a superfície era absolutamente plana. Chequei uma tampa e a superfície sobre a qual ela se apoiava e constatei, pela terceira vez, que ambas eram perfeitamente planas. Isso produzia um fechamento hermético no caixão, já que duas superfícies absolutamente planas entravam em contato e o peso de uma delas expulsava o ar existente entre ambas. Finalmente, usando um esquadro de altíssima precisão, inspecionei o ângulo formado entre essa tampa de 27 toneladas e a superfície interior do sarcófago sobre o qual ela se apoiava; verifiquei que o lado inferior da tampa e a parede interior da caixa formavam um ângulo reto absolutamente perfeito e que o fato se dava não apenas num lado da caixa, mas em ambos, o que aumenta o nível de dificuldade para realizar esse feito.
Geometria
Pense nisso como uma realidade geométrica. Para que a tampa fique no esquadro com as duas paredes internas, estas têm que ser paralelas entre si ao longo do eixo vertical. E ainda mais, a parte superior da caixa precisa formar um plano que esteja no esquadro com as laterais. Isso torna o acabamento do interior extremamente mais dificil. Os fabricantes desses sarcófagos do Serapeum não apenas criaram superfícies internas que são planas quando medidas vertical e horizontalmente, mas também se certificaram de que as superfícies que estavam criando estivessem no esquadro e paralelas umas com as outras; com uma superfície, o topo, tendo laterais que estão afastadas entre si entre 1,5 e 3 metros. Mas sem tal paralelismo e sem o perfeito esquadro da superície do topo, o perfeito esquadro notado em ambas as laterais não poderia existir.
Certo dia quando trabalhava meio agachado, além da posição desconfortável senti a atmosfera carregada de poeira do interior daqueles túneis, o que tornava difícil até a respiração. Sentei por um momento e fiquei imaginando o desconforto e quão insalubre seria dar acabamento a qualquer uma daquelas enormes peças de granito - independente do método empregado. Uma melhor alternativa seria executar o trabalho fora daquele ambiente. Eu estava tão surpreso com este achado que não me ocorreu na ocasião que os construtores destas relíquias, por alguma razão esotérica, desejavam que elas fossem extremamente precisas. Eles tinham se dado ao trabalho de trazer para o túnel o produto inacabado e terminaram-no no subterrâneo por uma boa razão! Essa é a coisa lógica a fazer se você requer um alto grau de precisão na peça em que está trabalhando. Terminar a peça com tal precisão em um local que mantivesse uma atmosfera diferente e uma temperatura diferente, como ao ar livre debaixo do sol quente, significaria que quando ela fosse finalmente instalada dentro do túnel frio, numa temperatura semelhante à de uma caverna, aquela precisão seria perdida. O granito mudaria sua forma por expansão e contração térmica. A solução, naquela época como hoje em dia, é claro, é preparar superfícies de precisão no local no qual elas deverão ser utilizadas.
Finalidades
Com que propósito os egípcios extraíram de suas minas blocos de granito de 90 toneladas, escavaram seu interior e o fizeram com tão alto nível de precisão? Por que acharam necessário trabalhar a superfície no topo desta caixa de maneira a torná-la perfeitamente plana de forma que uma tampa, com uma superfície no seu lado inferior igualmente plana, se assentasse perfeitamente no esquadro com relação às paredes interiores do sarcófago? Ninguém faz esse tipo de trabalho a menos que haja um elevado propósito para o artefato. Até mesmo a idéia deste tipo de precisão não ocorreria a um artesão, a menos que não houvesse nenhum outro meio para atingir aquilo que se pretendia que o artefato fizesse.
A única outra razão pela qual tal precisão poderia ser implantada em um objeto seria a de que as ferramentas usadas para criá-lo fossem tão precisas que fossem incapazes de produzir qualquer coisa menos exata. Em qualquer dos dois cenários, estamos olhando para uma civilização de um nível mais alto do que aquele que é normalmente aceito hoje em dia. Para ele as implicações desse fato são surpreendentes. É por isso que acredito que estes artefatos que examinei no Egito são evidências que provam, sem sombras de dúvidas, que uma civilização mais adiantada do que aquela que aprendemos existiu no antigo Egito. Estas evidências estão gravadas na pedras. Pode-se argumentar que a falta de maquinaria refuta a existência de tal sociedade avançada no passado, mas a falta de um tipo de evidência não é evidência. É falacioso negar ou ignorar o que existe argumentando com aquilo que não existe. Em todo caso é prodente sugerir que sejam feitos estudos mais aprofundados nesses sarcófagos para que se descubra que finalidade levou os artífices egípcios a buscarem tão alto grau de precisão, já que a intenção nesse sentido está bastante clara. Talvez as superfícies das caixas até estejam acabadas com precisão ótica. Se assim for, por quê? Entretanto, analisar esse tipo de detalhe não é meu objetivo.
Nos Estados Unidos
Quando retornei aos Estados Unidos, contactei quatro fabricantes de granito de precisão e não encontrei ninguém que pudesse fazer um artefato semelhante. Um deles informou que um pedaço de granito daquele tamanho deve pesar cerca de 90.000 quilos e, se uma peça daquele tamanho estivesse disponível, seu custo seria enorme. O pedaço do granito bruto valeria algo em torno de 115 mil dólares. Este preço não incluiria o corte do bloco no tamanho adequado ou qualquer custo de frete. Para o transporte seriam necessárias muitas licenças especiais a serem emitidas pelos órgãos competentes que custariam outros milhares de dólares. E, entretanto, os egípcios moveram esses pedaços de granito por quase 800 quilômetros. O mesmo fabricante informou que sua empresa não tinha o equipamento ou a capacidade técnica para produzir caixas semelhantes. O que poderiam fazer seria produzir as caixas em cinco pedaços, transportá-los até o cliente e juntá-los no local.
Contornos e Simetria
O terceiro objeto que examinei foi um pedaço de granito encontrado próximo ao planalto de Gizé. Analisando esse pedaço de granito é dificel não chegar à conclusão de que os construtores das pirâmides usaram uma máquina capaz de executar contornos precisos em três eixos de movimentação (X-Y-Z) para guiar a ferramenta num espaço tridimensional e criar a peça. Ainda que sejam inacreditavelmente precisas, superfícies planas normais, simples geometricamente, podem ter sua fabricação explicada através de métodos simples. Entretanto, essa peça é tão intrigante que a primeira coisa que vêm à nossa mente são: 'que ferramenta foi usada para cortá-la e o que guiou essa ferramenta de corte?
Muitos artefatos da civilização moderna seriam impossíveis de ser produzidos usando-se trabalho puramente manual. Estamos rodeados de artefatos que são resultados da criação de ferramentas que superam nossas limitações físicas. Desenvolvemos máquinas para criar os moldes que produzem os contornos estéticos dos nossos carros, rádios, eletrodomésticos e uma infinidade de outros produtos. Para criar os moldes que produzem tais artigos, uma ferramenta cortante tem que seguir com precisão um contorno predeterminado em três dimensões. Em algumas aplicações ela irá se mover em três dimensões usando, simultaneamente, três ou mais eixos de movimentação. O pedaaço de granito que examinei exigiria um mínimo de três eixos de movimentação para sua confecção.
Quando a indústria de ferramentas elétricas era relativamente jovem, foram empregadas técnicas onde a forma final era dada à mão, usando modelos como guia. Hoje, com o uso de máquinas controladas por computador, pouco se usa o trabalho manual. Um pequeno polimento para remover marcas indesejáveis da ferramenta talvez seja o único trabalho manual requerido atualmente. Então, para descobrir que um artefato foi produzido em tal máquina, precisamos encontrar uma superfície precisa com sinais das marcas de ferramenta que mostrem o caminho da ferramenta em si. E foi exatamente isto que encontrei em Gizé, a aproximadamente 10 metros a leste da segunda pirâmide. Eram dois pedaços de granito que tinham sido originalmente um único pedaço. Minha atenção foi despertada pela precisão do contorno e sua simetria. Os dois objetos encontrados, quando juntos, assemelhavam-se a um pequeno sofá. O assento é um contorno extremamente preciso que se funde com as paredes dos braços e com o encosto! É impossível que tenha sido feito sem o uso de maquinaria motorizada de alta velocidade e com técnicas modernas de mecânica não convencional.
Conclusão
Em termos de um entendimento mais amplo do nível de tecnologia empregado pelos antigos construtores das pirâmides, as implicações dessas descobertas são tremendas. Não só estamos diante de fortes evidências que parecem nos ter escapado durante décadas, e que oferecem indícios adicionais que provam que os antigos egípcios estavam bem avançados, mas também temos oportunidade de reanalisar tudo de uma perspectiva diferente. Entender como algo é feito abre uma dimensão diferente na tentativa de determinar porque foi feito. A precisão nestes artefatos é irrefutável. Até mesmo se ignorarmos a pergunta de como eles foram produzidos, estaremos ainda face à questão do porque tal precisão foi necessária.
Ainda que possamos admitir que máquinas avançadas realmente tenham sido empregadas, fica a pergunta: onde estão as máquinas? No entanto, devemos considerar seriamente o fato que máquinas são ferramentas e que nenhuma ferramenta foi encontrada para explicar qualquer teoria sobre como as mais de 80 pirâmides foram construídas ou caixas de granitos foram cortadas. Até mesmo se aceitássemos a noção de que ferramentas de cobre são capazes de produzir esses artefatos incríveis, os poucos instrumentos de cobre descobertos não representam nem de longe o número de tais ferramentas que teriam sido usadas nos canteiros de obras das pirâmides.
Apesar de opiniões diferentes, tecnicamente existem poucas dúvidas de que subestimamos seriamente as capacitações dos antigos construtores das pirâmides. A interpretação e o entendimento de um nível de tecnologia de uma civilização não depende da preservação de um registro escrito de toda a técnica que eles tenham desenvolvido. Os fatos básicos de nossa sociedade nem sempre merecem elogios e uma pedra mural-testamento geralmente é erigida para transmitir uma mensagem ideológica e não a técnica empregada para entalhá-la. Até hoje, registros da tecnologia desenvolvidos pela nossa moderna civilização permanecem em mídia vulnerável e poderiam deixar de existir em caso de grandes catástrofes, tais como uma guerra nuclear ou uma nova idade do gelo. Por conseguinte, depois de vários milhares de anos, uma interpretação dos métodos usados por um artesão poderia ser mais precisa do que uma interpretação do seu idioma. O idioma da ciência e da tecnologia não tem a mesma liberdade da fala. Assim, embora as ferramentas e máquinas não tenham sobrevivido milhares de anos após seu uso, nós temos que assumir, por análise objetiva da evidência, que elas existiram.
* Christopher P. Dunn, engenheiro mecânico e escritor inglês e americano que mora nos Estados Unidos desde 1969, especialista em máquinas e ferramentas mecânicas. Trabalhou em quase todos os níveis de produção de alta tecnologia, da construção à operação de lasers industriais de grande potência, e chegou ao posto de Engenheiro de Projetos e Gerente de Processos a Laser de uma empresa aeroespacial norte-americana, da qual, atualmente é o gerente tecnologico.
 
Notas
1. Materia publicada originalmente em Inglês pelo The Global Education Project
2. Tradução livre e resumida do texto original.


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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Platini


 


Numa entrevista ao "Le Figaro", o actual presidente da UEFA e um dos maiores génios de sempre do futebol mumdial, Michel Platini, mostra-se fortemente contrário à introdução de meios de certificação de lances através de vídeo, como elemento complementar da arbitragem.
Para Platini, a televisão matou a arbitragem, mas não será ela que a vai salvar. A sua única proposta é a generalização do uso de mais dois fiscais por jogo, colocados junto às balizas.
Tendo a concordar. O uso de meios tecnológicos "cortaria" o ritmo de jogo e, além do mais, exigiria um arsenal de câmaras e estruturas difícil de sustentar e de generalizar. O futebol terá de continuar a ser humano. Como o erro.

Previsões


 

Há dias, o jornal "Le Figaro" trazia a notícia de que o representante consular da França no Dubai enviara a Paris, precisamente na véspera do anúncio do estado de colapso da economia daquele emirado, uma comunicação altamente optimista sobre a "saúde" das finanças do território, em chocante contraste com a realidade que viria a emergir 24 horas depois. O diplomata terá sido "chamado à pedra".

Para um profissional do mesmo ramo, não é uma boa notícia ver uma informação diplomática, certa ou errada, expedida sob confidencialidade, aparecer na praça pública. Porquê? Porque uma generalização dessa transparência acabaria por nos inibir a todos de dizermos às nossas autoridades o que pensamos, com grande e exposta franqueza, por vezes apoiados em dados confidenciais, citando fontes que querem permanecer discretas e fazendo comentários apreciativos sobre personalidades que devem manter-se restritos a um escasso número de leitores especializados. Sei que pode parecer "corporativo" estar a dizer isto, mas a avaliação sobre se erramos ou acertamos deve competir apenas aos nossos ministérios. Caso contrário, a diplomacia desaparece...

Este episódio fez-me recordar um outro, ocorrido nos anos 90, com uma representação portuguesa num determinado país. Por razões que se prendiam com as funções que eu então ocupava, lia com alguma particular atenção a evolução da respectiva situação política, interessando-me pela relação interna das suas forças político-partidárias, porque da sua resultante futura em termos de governo dependeriam certas decisões que eram relevantes para nós.

Um dia chegou daquela Embaixada um bem argumentado "telegrama" (expressão que usamos para qualificar as nossas comunicações) de avaliação da situação política interna, que apontava para uma insofismável vitória da esquerda nas eleições que aí iriam ter lugar dentro de alguns tempos.

Passou mais de um mês e caiu à minha frente um novo telegrama onde, sem se fazer a mínima referência ao anterior, o subscritor afirmava precisamente o contrário do que antes havia dito. Alguns dos argumentos anteriormente utilizados para apontar a plausibilidade de uma vitória da esquerda apareciam agora "reciclados" em suporte da sua nova tese: a direita ia ganhar, por todo um conjunto de "sólidas" razões. A contradição com o telegrama anterior era óbvia e flagrante, mas o nosso homem nem sequer se preocupou em justificar a sua mudança de opinião, que, aliás, contrariava o que o "The Economist" e o "Le Monde" previam.

Fiquei à espera dessa coisa temível para a diplomacia que são os factos. Uma semana e pouco depois, a esquerda ganhou as eleições nesse país, por grande margem. Pedi para me trazerem o telegrama de comentário da nossa Embaixada. Lá estava o que eu já presumia: o nosso homem não resistiu e escreveu: "como tive ocasião de reportar a Vexa através do meu X (número do primeiro telegrama), a esquerda saiu vencedora...". Se acaso tivesse sido a direita a ganhar, o telegrama mencionado teria sido o Y (o segundo telegrama) e o nosso diplomata, que se havia "sangrado em saúde" com a emissão de duas comunicações de sentido contrário, continuaria confortável. Só que, por vezes, por um azar dos Távoras que ocorre a este género de vivaços, há quem leia tudo... O homem já se reformou, sosseguem os curiosos!

Mensagem do dia - Consciência

Consciência

Não se deixe afetar por sentimentos e emoções momentâneas. Sempre há um espaço entre estímulo e resposta. Procure, nesse espaço, responder criativamente e construtivamente. Não permita que suas ações voltem como um bumerangue na forma de desapontamento. Os princípios básicos da vida são eternos, nunca mudam. Princípios como gentileza, respeito, honestidade, integridade, empatia, compaixão. Por trás desses princípios está o mestre: a consciência. Consciência é a calma, pequena e pacífica voz interior. Ela nos ensina que o fim e os meios são inseparáveis.
 
BK Surendran, Thoughtful and Truthful Living, The World Renewal, July, 2005

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

CLARA FERREIRA ALVES: Leiam este artigo do "Expresso"

Finalmente, alguém que escreve na comunicação social aquilo que muitos sentem todos os dias...

CLARA FERREIRA ALVES  (artigo demolidor)


Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.

Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.

Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.

A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.

Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto  final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por todos?

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?

Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?

Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?

As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.

E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu?

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?

O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.

Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças  em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.


Este é o maior fracasso da democracia portuguesa


                                                                      Clara  Ferreira  Alves - "Expresso"

Sedes


Uma noite, creio que em meados de 1973, numas instalações da rua Viriato que eram então ocupadas pela SEDES - esse clube de reflexão político-económica, de matriz liberal, que o marcelismo deixou criar e que ainda hoje subsiste -, assisti a uma palestra de Francisco de Sá Carneiro. Recordo-me de o ver chegar ao hall, muito sereno e sério, de gabardine preta, com uma postura erecta que disfarçava a sua pequena estatura. Já não me recordo do tema da charla, mas seguramente tinha a ver com a temática das liberdades, tocada no tom reformista que era o seu.
No final, com a sala apinhada, houve perguntas. Recordo que Marcelo Rebelo de Sousa fez uma. Sucedeu-lhe um outro jovem, que eu não conhecia, muito articulado, que colocou uma daquelas falsas perguntas que disfarçam a vontade de fazer uma outra intervenção. Perguntei quem era, a um amigo que me acompanhava: "É um católico do Técnico. Dizem que é muito esperto. Chama-se António Guterres".
Duas décadas mais tarde, eu e esse amigo integraríamos os dois governos em que António Guterres foi primeiro-ministro.

Torre portuguesa

 Francisco Seixas da Costa Eu não queria acreditar, mas um industrial português de metalomecânica explicou-me, há dias, que Portugal é o maior fabricante de porta-chaves e outras miniaturas da Torre Eiffel que estão à venda em Paris.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Não se corrigindo os erros, Portugal vai perder competitividade

 

No início de Novembro de 2009, o novo Governo apresentou o seu programa no Parlamento. Iremos analisar alguns pontos sobre transportes, assunto que se inicia na página 22 do referido documento.Sobre o Portugal Logístico é dito ?concluir a ambiciosa rede de plataformas logísticas concebida e lançada pelo XVII Governo Constitucional; ii) promover a localização das actividades produtivas junto das

PSD vai lançar comissão de inquérito à Fundação das Comunicações Móveis

Esta comissão já devia ter sido pedida há anos!!!

O PSD vai lançar uma comissão de inquérito com o objectivo de investigar a Fundação das Comunicações Móveis (FCM) que foi criada pelo governo de José Sócrates para gerir o financiamento estatal ao Programa Magalhães, que entrega portáteis às crianças em idade escolar, noticia hoje o “Diário de Notícias”. O jornal soube - junto de fonte parlamentar não identificada - que a comissão de inquérito será lançada amanhã no Porto pelo líder parlamentar do PSD, José Pedro Aguiar-Branco.
“O PSD vê a fundação como um ‘saco azul’ para o Governo escapar à fiscalização do Tribunal de Contas sobre este investimento público”, escreve o DN. Entre outras críticas, o PSD contesta o facto de o computador Magalhães, da JP Sá Couto, ter sido adjudicado a esta empresa sem a realização de um concurso público. A falta de concurso na adjudicação do Magalhães à empresa JP Sá Couto foi até alvo de análise pela Comissão Europeia, mas até ao momento não se conhecem desenvolvimentos nesta "investigação", recorda o DN.  Este tema já tinha sido lançado no final da anterior legislatura, no debate sobre o Estado da Nação, quando o então presidente do grupo parlamentar do PSD, Paulo Rangel, levantou a questão de o Governo ter "montado um esquema ilegal" para atribuir o negócio do computador Magalhães à empresa JP Sá Couto, recorda o DN.
Nessa altura Rangel acusou Sócrates de ter criado uma fundação-fantasma e pseudo-privada. "É privada, mas recebe fundos públicos e é o Estado quem nomeia os seus administradores, que são assessores de Mário Lino [então ministro das Obras Públicas]", disse na altura Paulo Rangel. " [A FCM] funciona como um 'saco azul', com milhões de euros atribuídos sem controlo", disse Rangel nessa altura.
“Estas acusações levaram, na mesma altura, o Ministério das Obras Públicas e as três operadoras de comunicações - TMN, Optimus e Vodafone - a garantirem, num comunicado conjunto, que as verbas transferidas pelo Estado para a Fundação serviram para cobrir os custos incorridos pelas operadoras com a execução do programa e-escolas”, recorda o DN. Com a criação de uma comissão de inquérito para a investigação deste caso, o PSD deixa claro que não vai deixar cair as acusações. Para evitar novas polémicas em torno do Magalhães, o Governo vai, entretanto, abrir um concurso público para escolher o portátil que será distribuído este ano lectivo às crianças do primeiro ciclo. O novo portátil irá chegar a 100 mil crianças até meados do próximo ano e as condições deverão ser as mesmas: equipamento gratuito para as crianças de menor rendimento, pagando as restantes 20 ou 50 euros conforme o escalão do agregado familiar. PUBLICO.

Copenhaga Prostitutas oferecem sexo grátis na cimeira.

Prostitutas dinamarquesas anunciaram hoje que vão oferecer "sexo grátis" aos participantes na cimeira da ONU sobre alterações climáticas, em Copenhaga, em protesto contra a atitude da câmara local de desincentivar o recurso ao sexo pago por parte dos conferencistas. A informação foi avançada pelo jornal "The Copenhagen Post", que escreve que a autarquia local apelou a uma centena de hotéis da cidade para que não facilitem o encontro entre hóspedes e prostitutas, tendo ainda, em parceria com as entidades não-governamentais, distribuído panfletos em que se pode ler: "Seja responsável. Não compre sexo". A iniciativa autárquica não agradou a uma associação que defende os direitos das trabalhadoras de sexo dinamarquesas.

Cartão vale sexo

Como forma de protesto contra o que dizem ser "pura discriminação", algumas prostitutas anunciaram que vão oferecer sexo grátis aos participantes na cimeira de Copenhaga, onde a partir de segunda-feira a comunidade internacional vai tentar chegar a consenso sobre um novo acordo climático pós-Quioto, cuja vigência expira em 2012. "Todos os delegados da cimeira que pretenderem sexo grátis devem apenas levar um dos cartões que receberão após a apresentação de um pedido no nosso site, bem como a credencial da conferência", explicou Susanne Moeller, uma das responsáveis da associação, que representa cerca de 80 mulheres.

Prostituição não é crime

A responsável associativa referiu que a promoção é válida durante toda a cimeira e acusa a presidente da câmara de Copenhaga, Ritt Bjerregaard, de estar a abusar da sua posição ao impedir que as prostitutas realizem o seu trabalho, que não é crime na Dinamarca desde 1999. A autarca refuta as acusações e contrapõe que tem "o direito de decidir qual a imagem que a cidade deve passar durante o evento internacional". "Não esperamos que muitos delegados aceitem esta oferta, apenas queremos protestar contra o que consideramos ser uma clara discriminação", afirmou, por sua vez, Susanne Moeller.

Expresso.pt