segunda-feira, 23 de junho de 2014

Alerta Total

 

 

Lula sabota por fora, mas Aécio ainda tem esperanças de que Henrique Meirelles seja seu vice

Posted: 21 Jun 2014 06:47 AM PDT


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

A principal definição da campanha eleitoral de 2014 é costurada nos bastidores econômicos. Aécio Neves tem esperanças de que Henrique Meirelles aceite ser candidato a vice em sua chapa. Filiado ao governista PSD, comandado pelo volúvel Gilberto Kassab, o ex-presidente do Banco Central e atualmente presidente do conselho da J&F (a holdind que comanda o famoso Friboi) ainda avalia se fecha com Aécio ou se arrisca a disputar o Senado por São Paulo.

Tudo mundo sabe que o maior sonho político de Henrique Meirelles é ser Presidente da República. Posicionado como vice de Aécio, que tem chances de ganhar de Dilma, Meirelles fica na boca do gol. Além disso, Meirelles daria um troco pessoal a Dilma Rousseff – que vetou o nome dele para continuar na Presidência do Banco Central do Brasil. A vingança tardia de Meirelles pode custar muito caro ao PT. A definição pode sair na semana que vem.

Aécio é um candidato à procura de um vice, urgentemente. Sabe que, se errar na escalação, compromete suas chances de eleição, mesmo com as fragilidades de Dilma Rousseff. A opção tucana, por enquanto, é pelo nome de Meirelles. Não pelo que ele tenha de voto ou popularidade. Mas pelo poder de articulação dele com o mercado internacional. A lógica é simplória: as eleições brasileiras são decididas de fora para dentro, pelos poderes globalitários que nos controlam. O resto é conversa para boi dormir.

Quem mais pressiona contra tal aliança de Meirelles com Aécio é Luiz Inácio Lula da Silva. Classificado de "traição", tal acordo selaria, definitivamente, o rompimento do mercado financeiro com os petistas. A pressão para ter Meirelles no time dos tucanos vem de fora. A Oligarquia Financeira Transnacional deseja que a economia brasileira volte a operar como nos tempos de FHC e na primeira gestão de Lula. Por isso, já garantiu, em favor de um eventual governo do PSDB, a presença de Armínio Fraga como formulador econômico.

Armínio Fraga terá o cargo econômico que quiser, Ministro da Fazenda ou Presidente do Banco Central do Brasil, caso Aécio Neves consiga vencer Dilma Rousseff na eleição presidencial. Ex-presidente do Banco Central na gestão FHC, como formulador das diretrizes econômicas da campanha de Aécio, o economista Armínio vai focar no crescimento - o ponto frágil da desgovernança petista. Na visão de Fraga, é preciso reposicionar a economia brasileira, para diminuir a incerteza, criando condições para que a economia invista nas pessoas e, por consequência, no crescimento.

Sem dúvida



Xingou ou não?



Seis por meia Dúzia?



Direito e Justiça em Foco



Domingo, o advogado criminalista Mauro Otávio Nacif fala do tema "Prescrição e Nulidade", no programa Direito e Justiça em Foco, apresentado pelo desembargador Laercio Laurelli, na Rede Gospel.

Doações ao Alerta Total

Os leitores, amigos e admiradores que quiserem colaborar financeiramente conosco poderão fazê-lo de várias formas, com qualquer quantia, e com uma periodicidade compatível com suas possibilidades.

Nos botões do lado direito deste site, temos as seguintes opções:

I) Depósito em Conta Corrente no Banco do Brasil. Agência 4209-9, C/C: 9042-5, em favor de Jorge Serrão.

OBS) Valores até R$ 9.999,00 não precisam identificar quem faz o depósito; R$ 10 mil ou mais, sim.

II) Depósito no sistema PagSeguro, da UOL, utilizando-se diferentes formas (débito automático ou cartão de crédito).

III) Depósito no sistema PayPal, para doações feitas no Brasil ou no exterior.
                           
Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.
 
O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.
<!--[if !supportLineBreakNewLine]-->
<!--[endif]-->
 
A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 21 de Junho de 2014.

Petrobras ameaça tirar o sofá da sala?

Posted: 21 Jun 2014 06:14 AM PDT


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por João Vinhosa
 
Segundo uma antiga fábula, certo marido, um corno assumido, resolveu reagir energicamente ao tomar conhecimento que sua mulher transava com seus amantes no sofá da sala de sua própria casa. Depois de muito pensar, o marido solucionou o problema que tanto o atormentava: tirou o sofá da sala.
 
Essa singela introdução serve sob medida para nos remeter à situação criada pela Petrobras, ao pretender tirar do ar o site www.maracutaiasnapetrobras.com, cujos principais objetivos são: 1 – dar maior transparência às "falcatruas federais" levadas a efeito em desfavor da Petrobras; 2 – impedir que sejam esquecidos "os crimes de lesa pátria que aniquilaram a credibilidade da Petrobras".
 
A constatação da ameaça feita pela Petrobras foi materializada em mensagem encaminhada ao cidadão que registrou o site, Ivo Lúcio Marcelino. Em tal mensagem, encontra-se salientado que, pelo fato de o nome "petrobras" ter sido utilizado sem a devida autorização, o cancelamento do domínio em questão deve ser solicitado ao órgão competente, sob pena de serem tomadas as medidas jurídicas cabíveis. Nada foi falado sobre o termo "maracutaias". Nem mesmo foi levantado qualquer suspeita sobre a veracidade das maracutaias divulgadas pelo site.
 
Na condição de autor de diversos textos reproduzidos no site, venho manifestar minha indignação com o fato de a Petrobras (trazendo à lembrança o corno da fábula) se preocupar apenas com o seu próprio nome, e não com as consistentes denúncias que motivaram o termo "maracutaias" na denominação do site.
 
É de se destacar que minhas diversas denúncias dizem respeito à Gemini – espúria sociedade feita pela Petrobras com uma transnacional para produzir e comercializar Gás Natural Liquefeito. Arquitetada no período em que Dilma Rousseff acumulava os cargos de Ministra de Minas e Energia e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, a Gemini é um perfeito exemplo de como deixam a maior empresa brasileira nas garras de sócios, que podem espoliá-la a seu bel prazer.
 
A propósito, entre os documentos disponíveis no site a respeito da Gemini, se destacam: cinco cartas por mim protocoladas para Dilma Rousseff; denúncia por mim feita à Polícia Federal; denúncia por mim feita ao Ministério Público Federal; íntegra do Acordo de Quotistas da Gemini que deixou a Petrobras refém de sua sócia na Gemini.
 
O que é mais preocupante, no entanto, são os dois procedimentos antagônicos da Petrobras: por um lado, ela é zelosa com sua marca a ponto de aventar o uso de "medidas jurídicas" contra quem só deseja que a empresa não seja espoliada; por outro lado, ela se omite de maneira inadmissível diante de acusações contundentes contra sua alta administração.
 
Um retrato fiel da indiferença da Petrobras com acusações contra sua alta administração pode ser visto na série de vídeos "Saia do armário, Dilma!", cujos links se seguem
 
https://www.youtube.com/watch?v=Mch9yUu6aGs  ("SAIA DO ARMÁRIO, DILMA!" – PARTE 1)
https://www.youtube.com/watch?v=5H6MIj-ytAg ("SAIA DO ARMÁRIO, DILMA!" – PARTE 2)
https://www.youtube.com/watch?v=302F6USwq7s  ("SAIA DO ARMÁRIO, DILMA!" – PARTE 3)
 
 
João Vinhosa é Engenheiro.

Banco: O Grande Parasita

Posted: 21 Jun 2014 06:11 AM PDT


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira
 
Um banco não passa de um prestador de serviços.
 
Toda pessoa necessita de uma conta corrente bancária.
 
Os bancos estatais deveriam oferecer contas correntes cobrando apenas o custo administrativo das mesmas, bem como pelos demais serviços bancários.
 
Não é função do governo conceder empréstimos de curto ou médio prazo porque esta é uma  operação que pode ser feita pela iniciativa privada.
 
Um banqueiro privado é apenas um comerciante a quem se concede o direito de captar depósitos do público.
 
É justo que cobre o que quiser pela prestação de seus serviços de manutenção de contas correntes, emissão e administração de cartões de crédito, etc.
 
Também é justo que cobre o juro que quiser pelo empréstimo de seu próprio dinheiro.
 
Pode igualmente fazê-lo com o dinheiro do público que captou em depósitos a prazo, remunerados.
 
Mas emprestar dinheiro de terceiros depositado em contas correntes à vista é imoral e deve ser proibido pelo governo.
 
A situação atual é equiparável a do parasita que vive às custas do hospedeiro.
 
 
Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Quem tem pressa?

Posted: 21 Jun 2014 06:10 AM PDT


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Roberto Gotaç
 
O Sociólogo Herbert José de Souza, o Betinho, falecido em 2007, figura lendária, com agitada história de vida, notabilizou-se por ter coordenado, durante a década de 90 do século passado, o projeto "Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida", do qual o PT se apropriou quando assumiu o poder, dando-lhe a denominação de "fome zero", hoje extinto.
 
O propósito  de Betinho era aliviar o estado de abandono pelo poder público e de fome endêmica de milhões de brasileiros que viviam (e ainda vivem!) excluídos da sociedade, seres humanos marginalizados e, de uma forma ou de outra, direta ou indiretamente, usurpados pelos poderes constituídos.
 
É de sua autoria a frase que simbolizou a dinâmica da sua ação humanitária: "Quem tem fome, tem pressa". 
 
Por outro lado, foi  com absoluta surpresa que se assistiu pela televisão ao Ministro do STF, Luís Roberto Barroso, indicado há pouco mais de um ano pelo governo do PT, ora sorteado para substituir Joaquim Barbosa na relatoria do mensalão, afirmar que pretendia acelerar ao máximo o andamento das demandas dos condenados e presos em decorrência do processo, que solicitavam a revisão de regimes prisionais de modo a permitir-lhes trabalhar fora da cadeia, complementando que "quem está preso tem pressa".
 
A analogia com a frase do sociólogo, pretendida pelo Ministro, é, no entanto, das mais infelizes, pois os que estão agora presos, ao contrário daqueles aos quais Betinho se referia não são seres famintos nem usurpados pelos poderes constituídos mas bem alimentados usurpadores dos mesmos.
 
Por outro lado, será que em algum momento se lembrou Sua Excelência dos milhares de encarcerados, que, por lentidão da mesma justiça da qual agora é integrante na sua mais alta instância, permanecem indevidamente presos, naturalmente apressados, congestionando o nosso quase falido sistema prisional?
 
E dos que ficam largados, sem pressa, nos pisos das emergências, sem atendimento, no contexto de um sistema de saúde moribundo por não poder contar, entre outros,  com os recursos que foram desviados pelos hoje apressados condenados, segundo o Ministro, artífices do mensalão?
 
E dos cidadãos que, Brasil afora, estão com o direito de ir e vir prejudicado, estes também com muita pressa.
 
É, Ministro, existe muita gente com pressa no país.
 
Será que a atenção aos condenados ora demonstrada encaixa-se numa prioridade justa? Parece que não.
 
Na verdade, a repentina comiseração demonstrada é desalentadora.
 
 
Paulo Roberto Gotaç é Capitão de Mar e Guerra, reformado.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

duas ou três coisas

A "branca"

Posted: 19 Jun 2014 04:36 PM PDT

Vi há dias uma fotografia do dr. Fernando Nogueira, presidente da fundação BCP. E recordei alguém que, depois de saído da liderança do PSD, vai para vinte anos, se remeteu a uma discreta vida profissional, abandonando por completo a vida política.
 
Conheci-o pessoalmente em Londres, no início dos anos 90, ao tempo em que desempenhava as funções de ministro da Defesa e era uma das figuras mais marcantes do universo social-democrata. Numa das suas passagens pela capital britânica, coube-me aconpanhá-lo ao aeroporto, onde havíamos reservado, como era da praxe, uma sala na respetiva área VIP, destinada a passageiros ilustres. Lá chegados, e após termos ultrapassado as barreiras de segurança, sempre invocando o nome da embaixada, dirigimo-nos ao balcão de atendimento.
 
Com o ministro ao meu lado, informei quem eu era, indicando que estava a acompanhar o ministro português da Defesa. A funcionária inquiriu qual era o nome do ministro. Foi nesse instante que tive una "branca" e o nome de Fernando Nogueira se me varreu por completo da memória. Fosse o cansaço ou a noite mal dormida, a verdade é que o nome não me ocorria. O meu embaraço era total. O ministro já olhava para mim, intrigado, e a funcionária aguardava a minha resposta.
 
- Desculpe! A reserva da assistência foi feita pela embaixada de Portugal, já lhe disse que se trata do ministro da Defesa, por que diabo precisa também do nome?
 
A senhora mirava-me, surpreendida com a duvidosa racionalidade da minha reação. E o ministro também:
 
- Porque lhe não diz o meu nome?
 
Tentando ganhar tempo, avancei então com uma "criativa" justificação, completamente tonta e até pesporrente:
 
- Senhor ministro: esta gente tem de perceber que deve funcionar com base na informação que é essencial. Imagine que era um nome chinês! Que interesse é que ela tinha em ouvir uns sons estranhos numa língua ainda mais estranha? Basta-lhes a embaixada e o título da pessoa!
 
O peso deste meu imaginativo argumentário de ocasião estava a começar a esgotar-se. E, na crescente atrapalhação, fui-me inclinando sobre o balcão, tentando ler, ao contrário, a folha que a funcionária tinha diante de si, com todas as reservas dos compartimentos da zona VIP. Por sorte, consegui descortinar a palavra "Portugal" numa das linhas. Então, com grande "autoridade", estendi o indicador e apontei-lhe a linha:
 
- Look! It's there!
 
- Mr. "Nóguêra"?
 
- That's right!
 
Ao meu lado, o ministro Fernando Nogueira, um homem cordialíssimo e de sereno sorriso, devia estar intimamente a pensar como é bizarra essa espécie profissional que são os diplomatas.
 
Nunca tive oportunidade de lhe revelar este episódio. Quando isso acontecer, acho que vai achar graça.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

T.Const. clarifica a dúvida do passos

 

Foto com 18.000 mil homens tirada em 1918

 



  Dados da Foto
Base de Ombro: 150 metros
Braço Direito: 340 metros
Parte mais larga do braço segurando tocha: 12 1 / 2 m eet
Polegar direito: 35 metros
Parte mais espessa do corpo: 29 pés
Mão esquerda comprimento: 30 pés
Face: 60 pés
Nariz: 21 pés
Longest Spike pedaço de cabeça: 70 pés
Tocha e chama combinado: 980 metros
Número de homens na chama da tocha: 12.000
Número de homens na tocha: 2.800
Número de homens no braço direito: 1.200
Número de homens no corpo, cabeça e equilíbrio da figura apenas: 2.000


Total de homens: 18.000



 

 

 

Notícia- parece incrível não é?

 

 

 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

duas ou três coisas

 

A cidade proibida

Posted: 04 Jun 2014 04:53 PM PDT

Lembro, como se fosse hoje, as imagens televisivas. Ceausescu está na varanda do edifício da presidência, em Bucareste. À sua frente, espalha-se uma grande e organizada manifestação de apoio, a tentar contrariar os ventos com que as "democracias populares" estavam, por essa época, a ser definitivamente varridas das História europeia. Engorrado para o inverno, o ditador romeno saúda, com um sorriso plástico, a multidão oficiosa que o aplaude, quando, de repente, se começam a ouvir longínquas vozes de protesto, vindas de outros manifestantes algures na praça. Nota-se que Ceausescu fica atónito por aquela contestação inédita, que "não pode" estar a acontecer, num regime como era o seu. A câmara não nos mostra essas pessoas, não faço ideia se se saberá o que lhes aconteceu. Mas, para sempre, passei a ligar a atitude daquela gente, um punhado de pessoas num ambiente altamente hostil, sujeitos à repressão mais selvática, à verdadeira definição da coragem cívica.
 
Veio-me isto à memória ontem, quando revi a imagem patética daquele cidadão chinês, de saco plástico na mão, que, há 25 anos, na praça de Tiananmen, se colocou em frente dos tanques militares, protestando contra o esmagar da tentativa de liberdade, prestes a iniciar-se. Seria interessante saber o que terá dito aos militares, os mesmos que, curiosamente, travaram o tanque para o não atropelar, minutos antes de reprimirem barbaramente milhares de pessoas. Nunca se soube quem foi esse herói, se ainda é vivo, depois de afastado por amigos, se acaso escapou à razia feita mesmo às portas da "cidade proibida". E que continuou a sê-lo.    

"Granta"

Posted: 04 Jun 2014 12:45 PM PDT

A "Granta" é uma revista/livro que descobri há muitos anos, creio que quando vivi em Londres. Apelativa pelo grafismo elegante, embora sóbrio, incorpora quase sempre um interessante e pretendido "new writing", muitas vezes com autores muito pouco conhecidos, ao lado de nomes consagrados, misturando a ficção com outros registos. Comprei, ocasionalmente, algumas das edições temáticas, às vezes em alfarrabistas, que vou lendo a espaços - porque a "Granta" é uma publicação que se lê sem pressas. É uma revista para se ir lendo.
 
Há meses, vi que a "Granta" ia publicar uma edição em português (a "Granta" tem outras edições, além da original inglesa, sendo que a francesa, talvez não por acaso, nunca existiu), sob a batuta culta e de bom gosto de Carlos Vaz Marques, figura que só conheço dos "media", mas que verifico ser sempre garantia de qualidade em tudo aquilo em "que se mete". A "Granta" portuguesa é igualmente excelente. E acho magnífico que, num tempo de crise, haja coragem para avançar com este tipo de iniciativas. Leiam o seu nº 3 "Casa". Eu já comecei a ler.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

SEXALESCENTES



SEXALESCENTES

Se estivermos atentos, podemos notar que está surgindo uma nova faixa social, a das pessoas que estão em torno dos sessenta/setenta anos de idade, os sexalescentes- é a geração que rejeita a palavra "sexagenário", porque simplesmente não está nos seus planos deixar-se envelhecer.

Trata-se de uma verdadeira novidade demográfica - parecida com a que, em meados do século XX, se deu com aconsciência da idade da adolescência, que deu identidade a uma massa de jovens oprimidos em corpos desenvolvidos, que até então não sabiam onde meter-se nem como vestir-se.

Este novo grupo humano, que hoje ronda os sessenta/setenta, teve uma vida razoavelmente satisfatória.

São homens e mulheres independentes, que trabalham há muitos anos e que conseguiram mudar o significado tétrico que tantos autores deram, durante décadas, ao conceito de trabalho. Que procuraram e encontraram há muito a atividade de que mais gostavam e que com ela ganharam a vida.

Talvez seja por isso que se sentem realizados... Alguns nem sonham em aposentar-se. E os que já se aposentaram gozam plenamente cada dia sem medo do ócio ou solidão. 

Desfrutam a situação, porque depois de anos de trabalho, criação dos filhos, preocupações, fracassos e sucessos, sabe bem olhar para o mar sem pensar em mais nada, ou seguir o voo de um pássaro da janela de um 5.º andar...

Neste universo de pessoas saudáveis, curiosas e ativas, a mulher tem um papel destacado. Traz décadas de experiência de fazer a sua vontade, quando as suas mães só podiam obedecer, e de ocupar lugares na sociedade que as suas mães nem tinham sonhado ocupar.

Esta mulher sexalescente sobreviveu à bebedeira de poder que lhe deu o feminismo dos anos 60. Naqueles momentos da sua juventude em que eram tantas as mudanças, parou e refletiu sobre o que na realidade queria.

Algumas optaram por viver sozinhas, outras fizeram carreiras que sempre tinham sido exclusivamente para homens, outras escolheram ter filhos, outras não, foram jornalistas, atletas, juízas, médicas,psicóloga sexóloga , diplomatas... Mas cada uma fez o que quis : reconheçamos que não foi fácil, e no entanto continuam a fazê-lo todos os dias.

Algumas coisas podem dar-se por adquiridas.

Por exemplo, não são pessoas que estejam paradas no tempo: a geração dos "sessenta/tenta", homens e mulheres, lida com o computador como se o tivesse feito toda a vida. Escrevem aos filhos que estão longe e até se esquecem do velho telefone para contatar os amigos - mandam e-mails com as suas notícias, ideias e vivências.

De uma maneira geral estão satisfeitos com o seu estado civil e quando não estão, não se conformam e procuram mudá-lo. Raramente se desfazem em prantos sentimentais.
Ao contrário dos jovens, os sexalescentes conhecem e pesam todos os riscos.

Ninguém se põe a chorar quando perde: apenas reflete, toma nota, e parte para outra... 

Os homens não invejam a aparência das jovens estrelas do desporto, ou dos que ostentam um terno Armani, nem as mulheres sonham em ter as formas perfeitas de um modelo. Em vez disso, conhecem a importância de um olhar cúmplice, de uma frase inteligente ou de um sorriso iluminado pela experiência.

Hoje, as pessoas na década dos sessenta/setenta, como tem sido seu costume ao longo da sua vida, estão estreando uma idade que não tem nome. 

Antes seriam velhos e agora já não o são. Hoje estão de boa saúde, física e mental, recordam a juventude mas sem nostalgias parvas, porque a juventude, ela própria, também está cheia de nostalgias e de problemas.

Celebram o sol em cada manhã e sorriem para si próprios...Talvez por alguma secreta razão que só sabem e saberão os que chegam aos 60/70 no século XXI

(Tita Teixeira)

 


  

 

 


segunda-feira, 2 de junho de 2014

A Revelação do Segredo de Coimbra

Atualização de estado
De Mário Araújo Ribeiro
A Revelação do Segredo de Coimbra
Em Coimbra há um segredo muito bem guardado.
Alguém tinha de correr o risco de "dar com a língua nos dentes" e revelar a "marosca".
Assumo a responsabilidade de anunciar a todos os "coimbrinhas" , futricas ou doutores, que no dia 25 de Abril de 2014 abriu ao trânsito a A13, uma nova auto-estrada, que liga Coimbra (Ceira/Ponte da Portela) a Almalaguês (Condeixa A13-1), Miranda, Penela, Ansião,(Castelo Branco/Pombal) Alvaiázere, Tomar, Entroncamento, Abrantes …Lisboa.
O governo não a inaugurou, a cidade (e a região) não festejou, a comunicação social nacional não noticiou e a local concedeu breves palavras em locais de pouca visibilidade…
Os autarcas fazem de conta que desconhecem a existência desta nova auto-estrada…
Os condutores que circulam em Coimbra são orientados por várias placas de sinalética rodoviária a indicar a A1, Lisboa – Porto.
Nenhuma sinalética indica a A13, a auto-estrada que múltiplos interesses querem sem trânsito.
Entre Coimbra e Tomar (Castelo Branco), a antiga estrada nacional continua a captar trânsito ligeiro e pesado. Os condutores correm riscos rodoviários e assumem custos com perdas ineficazes de tempo.
Há perguntas que exigem respostas …
A quem interessa este segredo de Coimbra?
Quem lucra com o desconhecimento dos condutores?
A A13 (Entroncamento, Tomar, Coimbra) faz parte das parcerias público-privadas (PPP) lançadas pelo Governo do Engº Sócrates, no tempo em que que "havia" dinheiro para todo o betão que conseguíssemos construir. No tempo em que betoneira era sinónimo de fábrica de notas e obra pública símbolo de progresso "socialista", com direito a dividendos eleitorais…
A ideia governamental dominante assentava em princípios simples de gestão: políticos demagogos e irresponsáveis decidem, fazem a festa e lançam os foguetes, uns chico-espertos lucram centenas de milhões, e quem vier a seguir que pague a conta, com os impostos dos eleitores, que, acríticos, aplaudem o despesismo…
A A13, com as suas notáveis obras de engenharia, com pontes, "pernaltas", de grande altura, foi construída. Faltam, ainda, a ligação a Viseu e o troço de Entroncamento a Santarém…
Os interesses, financeiros e de obras públicas, proprietários desta PPP, sabem que receberão, com juros e lucros provavelmente excessivos, o dinheiro que os portugueses irão pagar com trabalho, suor e lágrimas.
Estes interesses de "mercado" receberão o seu dinheiro, incluindo lucros e juros decorrentes dos contractos, escrupulosamente legais, produzidos em negociatas acordadas no segredo dos gabinetes.
Estão-se nas tintas para o facto de haver trânsito ou não a circular.
O Estado pagará sempre a conta, entenda-se, nós, os portugueses, pagaremos sempre a factura.
Qualquer empresário, que abra um qualquer negócio, divulgará o acontecimento, fará publicidade e tentará atrair clientes.
Na A13 os "empresários investidores" não actuam assim. Sabem que os seus interesses estão garantidos…
Se não houver clientes (condutores a circular…) tanto melhor: menos reclamações, menor exigência e redução dos custos de conservação, maiores lucros …
A manutenção do Segredo de Coimbra é uma acção de eficiência na rentabilização dos capitais "investidos".
Não interessa agora discutir se a A13 era uma necessidade imperiosa ou se deveria ter sido de outra maneira, a não ser para prevenir disparates e irresponsabilidades futuras…
A A13 é uma realidade.
Importa agora fazer com que muitas viaturas utilizem esta infra-estrutura e que a A13 seja um factor de desenvolvimento regional.
Exige-se, às autarquias e á empresa Estradas de Portugal, sinalética a facilitar a vida aos condutores.
Ao Governo pede-se a inteligência de baixar o preço das portagens para atrair o trânsito que continua a degradar e sobrecarregar as antigas estradas nacionais e municipais.
É absurdo que o Estado pague a A13, tenha ou não trânsito, e continue, também, a custear a conservação de estradas degradadas por viaturas que, devido a custos excessivos de portagens, evitam a auto-estrada.
Jaime Ramos
Médico

Significado da palavra P.O.R.T.U.G.A.L

 

A imaginação deste povo é um caso sério!!!


FABULOSA INTERPRETAÇÃO 



Descobriu-se agora o significado da palavra P.O.R.T.U.G.A.L.:
 
País Onde Roubar, Tirar, Usurpar, Gamar e Aldrabar, é Legal !!!!

 

 

 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Os oligopólios de intermediação comercial e financeira prejudicam produção e consumo.

BEGIN:VCARD
VERSION:2.1
N:xisto;rui
FN:rui xisto
ADR;WORK:;;;;;;Portugal
LABEL;WORK:Portugal
ADR;HOME;CHARSET=utf-8;ENCODING=QUOTED-PRINTABLE:;;;Deserto da margem sul (segundo M=C3=A1rio Lino).;;;Portugal
LABEL;HOME;CHARSET=utf-8;ENCODING=QUOTED-PRINTABLE:Deserto da margem sul (segundo M=C3=A1rio Lino).=0D=0APortugal
X-WAB-GENDER:2
URL;HOME:http://ruixisto3112.wordpress.com/
BDAY:19041231

EMAIL;PREF;INTERNET:rui.xisto@gmail.com
REV:20140527T110230Z
END:VCARD

"Não basta medir a inflação, temos de ver como se gera, e quem a gera. Não é particularmente complexo comparar quanto vale no mercado atacadista o ácido ascórbico, a popular vitamina C, com o que pagamos na farmácia.", escreve Ladislau Dowbor, professor na PUC-SP, mestre em Economia Social e doutor em Ciências Econômicas.

Eis o artigo.

Cadeia produtiva e apropriação dos resultados

A visão que herdamos é que o lucro se gera na empresa, que paga aos trabalhadores menos do que o valor obtido. Isto sem dúvida é verdadeiro, quer chamemos o valor obtido de lucro, de mais valia, ou de maneira mais neutra de excedente. Não há muito a acrescentar neste debate. O que queremos aqui focar é como este lucro se desloca na cadeia produtiva. É cada vez menos o produtor que se apropria do resultado do valor agregado de um determinado produto, e cada vez mais o intermediário. Gera-se um tipo de mais valia sistêmica que pode ser muito mais poderoso que os mecanismos tradicionais de exploração nas unidades de produção. [1]

O gráfico abaixo mostra como se forma a cadeia de preços de um produto, o café, à medida que avançamos na cadeia produtiva, desde a produção do grão pelo agricultor, até o momento em que é transformado no café que tomamos.



Ou seja, a evolução do preço da porta da fazenda em Uganda, à porta do bar no Reino Unido, desde os 14 centavos de dólar pagos a quem produziu o café até o equivalente de 42 dólares que pagamos no bar. Extraído do excelente estudo internacional sobre a aplicação de ciência e tecnologia à economia agrícola, nos dá a dimensão do problema, para um produto bem familiar [2].

É bom seguir a evolução das colunas, que representam o valor obtido em cada etapa: porta da fazenda, comercialização primária , colocado no porto em Mombasa, colocado em Felixstowe no Reino Unido, custo do produto após processamento na fábrica, preço na prateleira do supermercado, e finalmente o preço sob forma de café para consumo. Veja-se antes de tudo a participação ridícula do produtor de café, que arca com o grosso do trabalho.

Ao pegarmos as cinco primeiras etapas, vemos que para o conjunto dos agentes econômicos que podem ser considerados produtivos(produtor, serviço comercial primário, transporte, processamento) a participação no valor que o consumidor final paga ainda é muito pequena.

O imenso salto se dá no preço na gôndola do supermercado, os Walmart ou equivalentes em qualquer país. E outro salto se dá quando é servido sob forma de café. O gráfico fala por si. E os valores nas pontas, 14 centavos e 42 dólares, dão uma ideia da deformação da lógica de remuneração dos fatores e dos agentes econômicos.

Não há nada de muito novo nisto, todos sabemos do peso dos atravessadores, conceito inventado justamente para dar uma conotação negativa aos intermediários dos processos produtivos que ganham não ajudando, mas colocando gargalos, ou pedágios, sobre o ciclo produtivo. Mas o que queremos levantar aqui, é que há um desequilíbrio muito forte entre os esforços que dedicamos ao estudo e divulgação da variação de preços no tempo, essencialmente a inflação, e o pouco que estudamos sobre a variação de preços dentro das cadeias produtivas.

O impacto econômico deste processo é simples: do lado do produtor, o lucro é insuficiente para desenvolver, ampliar ou aperfeiçoar a produção, e em consequência a oferta não se expande. Do lado do consumidor, o preço é muito elevado, o que faz com que o consumo também seja limitado. Quem ganha é o intermediário, com margens muito elevadas sobre um fluxo relativamente pequeno de produto.

O controle do ciclo econômico

De onde vem este poder do intermediário de travar o processo para maximizar o seu lucro? Um outro gráfico do mesmo estudo ilustra bem a situação do pequeno produtor e do consumidor final frente ao "gargalo" dos grandes intermediários. O título do gráfico é "a concentração do mercado oferece menos oportunidades para os agricultores de pequena escala". Trata-se aqui essencialmente de entender a dificuldade da agricultura em pequena escala, mas o argumento é válido para um leque muito amplo de atividades produtivas.

O sentido geral do gráfico, é que a ampla base na parte de baixo, representando os agricultores é constituída por muitos produtores (mais de quatro milhões no Brasil), dispersos e portanto com pouca força. Forma-se depois um gargalo logo acima ao nível dos traders (comercialização primária), e o gargalo se afina mais ainda no nível dos processadores do produto, e se mantém muito concentrado no nível dos retalhistas. No nível dos consumidores, a ampulheta se abre novamente de maneira radical, pois são milhões os consumidores, sem nenhuma força individual para influenciar os preços. Quando perguntamos, nos consumidores do produto final, porque o preço subiu, nos dizem que o produto "está vindo mais caro". Vindo mais caro de onde?

A importância deste tipo de estudos, que apenas ocasionalmente aparecem em alguns casos extremos, é que mostram onde surge efetivamente a inflação (é o momento de "salto" radical do preço), e por tanto onde se trava também o desenvolvimento dos processos produtivos. Temos hoje inúmeras instituições que fazem um seguimento muito detalhado da inflação, inclusive porque é importante para o reajuste de aluguéis, de salários e assim por diante. Mas a análise sobre de onde vem a mudança do nível geral de preços busca os setores que se destacam, por exemplo os alimentos, e não as variações de preços dentro de cada cadeia produtiva.

Praticamente ninguém estuda onde o preço está sendo aumentado, em que elo da cadeia produtiva. Os dois gráficos que apresentamos acima são muito raros, e em todo caso nem sistemáticos nem regulares no sentido de formar uma imagem da evolução no tempo. E no entanto todos os dados da composição de custos de cada produto existem, pois uma empresa precisa deles para definir o preço final de venda. O que é necessário é fazermos um tipo de engenharia reversa, tomando um produto final, por exemplo um medicamento, e ver a evolução dos custos em cada nível de transformação e intermediação.

Isto permitiria, por exemplo, deixar mais claro o custo da intermediação financeira nos processos produtivos., outro tipo de gargalo que encarece muito o produto final e reduz a produtividade da cadeia. Permitiria também estimular investimentos complementares nas áreas do gargalo, de forma a diversificar a oferta e reduzir o efeito de cartelização (monopsônios ou oligopsônios no jargão econômico). Seria um instrumento poderoso para o CADE identificar pontos de incidência para políticas antitruste e de defesa de mecanismos de mercado. E melhoraria a relação de força dos produtores frente aos intermediários, relação cada vez mais desequilibrada.

O que não podemos continuar a manter, é esta situação em que todos sabemos do entrave que representam os atravessadores de diversos tipos para a dinamização da produção e do consumo, mas não se produz nenhuma informação adequada sobre como se constrói o preço final de cada produto. Não basta medir a inflação, temos de ver como se gera, e quem a gera. Não é particularmente complexo comparar quanto vale no mercado atacadista o ácido ascórbico, a popular vitamina C, com o que pagamos na farmácia.

Em termos de dinamização do processo produtivo em geral, trata-se de identificar os gargalos que geram lucros extraordinários sem agregação de valor correspondente. São os elos da cadeia produtiva que inflam os preços e travam a expansão do ciclo produtivo. Com cada vez menos grandes intermediários atravessando as principais cadeias produtivas, trazer um pouco de luz para a compreensão da formação da cadeia de preços seria fundamental. 

Olhar a cadeia de preços nos leva portanto a identificar o gargalo, onde efetivamente se faz o dinheiro, onde se acumulam os lucros sem comum medida com o esforço produtivo ou contribuição econômica. É o universo dos commodity traders. Um dossiê divulgado pela Reuters, insuspeita de antipatia com sistemas especulativos, e organizado por Joshua Schneyer, ajuda a entender o processo.

"Para o pequeno clube de companhias que comercializam alimentos, combustíveis e metais que fazem o mundo funcionar. a última década tem sido sensacional. Estimulado pela subida do Brasil, da China e da Índia e outras economias em rápida expansão, o boom de commodities globais turbinou os lucros nas maiores empresas de intermediação. Formam um grupo fechado, cujos membros pouco regulados estão frequentemente baseados em paraísos fiscais como a Suíça. Juntos, valem mais de um trilhão de dólares em entradas anuais e controlam mais da metade das commodities livremente comercializadas. As cinco maiores renderam $629 bilhões no ano passado (2010), logo abaixo das cinco maiores corporações financeiras e mais do que as vendas agregadas dos principais players de tecnologia ou telecomunicações. Muitas acumulam posições especulativas valendo bilhões em matérias primas, ou estocam commodities em depósitos ou super-tanqueiros durante períodos de oferta fraca." [3]

Como trabalham com bens físicos, os esforços atuais de regulação da especulação financeira não os atingem, o que significa que ninguém os regula. "Fora da área de commodities, muitos destes gigantes silenciosos, corretores dos bens básicos do mundo, são pouco conhecidos. O controle que exercem está se expandindo. As grandes firmas de trading são proprietárias de um número crescente de minas que produzem muitas das nossas commodities, dos navios e dos dutos que as carregam, bem como dos depósitos, silos e portos onde são estocados. Onde as suas conexões e informação interna – os mercados de commodities são basicamente livres das restrições de insider-trading – as empresas de trading se tornaram mediadoras de poder, especialmente nas economias em fase de rápido desenvolvimento da Ásia, América Latina e África."

A visão que temos, em grande parte devida aos comentários desinformados ou interessados da imprensa econômica, é que as flutuações de preços da commodities resultam das variações da oferta e da demanda. Ou seja, mecanismos de mercado. Na realidade, não se pode imaginar que uma commodity com níveis tão amplos e equilibrados de produção e consumo como o petróleo sofram variações entre 17 e 148 dólares o barril em poucos anos. É um comércio que lida com bens que são vitais para a economia mundial, mas cujos preços e fluxos resultam essencialmente de mecanismos de especulação econômica e de poder político.

O fato maior, aqui, é que um conjunto de produtos que constituem o sangue da economia, como alimentos, minérios e energia, não são regulados nem por regras, nem por mecanismos de mercado, e muito menos por qualquer sistema de planejamento que pense os problemas de esgotamento de recursos ou de impactos ambientais.

A regulação formal, por leis, acordos e semelhantes não se dá antes de tudo porque se trata de um mercado mundial, e não há governo mundial. Os países individualmente não têm como enfrentar o processo. Quando a Argentina quis restringir as exportações de grãos para priorizar a alimentação da própria população, caiu o mundo em cima dela, como se a produção de alimentos não devesse satisfazer as necessidades alimentares. O caos gerado pode ser visto em números simples: o planeta produz 2 bilhões de toneladas de grãos por ano, o que equivale a cerca de um quilo por dia e por habitante, e temos um bilhão de pessoas passando fome. Temos aqui um vazio regulatório, onde as grandes corporações da intermediação navegam livremente.

O segundo fator de caos é a oligopolização do sistema. Na prática, além das cinco operadoras principais, poucas são as que têm importância sistêmica. Isto significa que estas corporações têm como definir os preços e manipular a oferta de maneira organizada. Chamam isto de "mercado" na imprensa, mas não se trata de mercado no sentido econômico, de livre jogo de oferta e procura. Na ausência de concorrência efetiva, os mecanismos de manipulação tornam-se prática corrente.

Um terceiro fator, é o segredo. As empresas gozam de pouca visibilidade mundial, apenas especialistas acompanham o que acontece neste pequeno clube. E ninguém tem autoridade formal para exigir os dados neste espaço mundial. As poucas ações legais movidas contra as práticas – que seriam ilegais em qualquer país que tenha regulação contra manipulação do mercado, inclusive no Brasil – são resolvidas com os chamados"settlements out-of-court", acertos compensatórios sem que a empresa precise reconhecer a culpa. No estudo sobre os 22 bilhões de dólares da fortuna de Charles Koch, a Forbes cita o comentário de um ex-lobista da empresa: "A ideia é, porque abrir os livros para o mundo?" O resultado são imensas fortunas nas mãos de quem não produziu riqueza nenhuma, mas cobra pedágio sobre todas as transações significativas.

O estudo detalha os principais grupos mundiais, nomes frequentemente pouco conhecidos, ainda que sejam players fundamentais da economia global:

VITOL, fundada em 1996, sediada em Rotterdam e Genebra, negociou US$195 bilhões em 2010. Intermedeia petróleo, gás, carvão, metais, açúcar. "Navegam tão perto quanto podem do limite da legalidade" comenta um analista que pede anonimato. Forneceram clandestinamente combustível para os rebeldes da Líbia, o que lhes vale hoje uma posição de força. (Richard Mably). Informações mais recentes indicam faturamento de US$ 313 bilhões em 2012, e controle pelo grupo americano Blackstone, de Nova York.

GLENCORE, fundada em 1974 por Marc Rich, um dos fundadores do sistema de pedágio mundial sobre commodities. Sediada também na Suiça, lida com metais, minerais, energia, produtos agrícolas. Negociou 145 bilhões em 2010. Rich foi processado nos EUA, mas recebeu o perdão do presidente Clinton. O sul-africano Ivan Glasenberg . (Clara Ferreira Marques) Em 2012 o faturamento teria sido de US$ 150 bilhões.

CARGILL, fundada em 1865, empresa familiar, vendas de US$108 bilhões em 2010, ramo de grãos, sementes, sal, fertilizantes, metais, energia. Uma cultura de confidencialidade e agressividade, com campanhas publicitárias para criar uma imagem amigável. Busca dominar novos mercados de plástico reciclável e produtos de baixo teor calórico para Kraft, Nestle e Coca-Cola. Quando o governo da Ucrânia buscou privilegiar o consumo interno de grãos pela população, Cargill, junto com as também americanas Bunge e ADM, "se puseram de acordo para realizar um esforço de relações públicas com o objetivo de criar um problema político para o governo da Ucrânia", o que exigiria "recrutar fazendeiros para que tomem um papel ativo". Só se soube porque as instruções para o embaixador americano foram vazadas pela Wikileaks.

ADM, ex-Archer Daniels Midland, fundada em 1902, comercializa grãos, sementes, cacau, no valor de US$81 bilhões em 2010. "Entra milho de um lado, sai lucro do outro". Como companhia sediada nos EUA, tem sido submetida a numerosos processos de manipulação de preços e crimes ambientais, mas regularmente transformados em acordos financeiros (settlements). A folha corrida da empresa pode ser vista em ADM settlements no Google. (Karl Plume)

GUNVOR, fundada em 1997 pelo sueco Tornqvist e pelo russo Timchenko, sediada em Genebra, negocia em petróleo, carvão, gas. empresa fortemente alavancada pelo poder político russo. A empresa dá uma ideia da rapidez com que se ganha dinheiro nesta área: atingiu US$80 bilhões em 2011, contra US$5 bilhões em 2004. As relações políticas são essenciais neste ramo.

TRAFIGURA, outra empresa sediada em Genebra onde o sigilo bancário permite tanto evasão fiscal como fontes não declaradas de recursos, negocia petróleo, US$ 79 bilhões em 2010. Fundada em 1993 por Marc Rich, que escapou da prisão nos EUA ao migrar para Europa. Ilegalidades numerosas não impediram a expansão da empresa que se tornou a terceira maior empresa independente na intermediação de petróleo, e segunda na área de metais. Trabalha muito com storage, dispondo de enorme infraestrutura para estocar as commodities e alavancar preços. (Dmitry Zhdannikov e Ikuko Kurahone). Em 2012 o faturamento teria sido de US$124 bilhões. Em 2013 Trafigura comprou o porto do Sudeste em Itaguaí, em parceria com o fundo de investimentos Mubadala Development.[4]

MERCURIA, fundada em 2004, muito nova mas já uma das cinco maiores traders de energia, faturou US$ 75 bilhões em 2011. Sede naturalmente em Genebra. A empresa é dona de minas e campos de petróleo em numerosos países. Levantaram o seu capital a partir de Jankielewicz e Smolokowski, J S Group, que devem a sua fortuna à intermediação de petróleo russo para a Polônia. (Christopher Johnson)

NOBLE GROUP, trabalha com açucar, carvão e petróleo e grãos. Faturou US$57 bilhões em 2010. Foi fundado em 1986 pelo britânico Richard Elman, sediada em Cingapura, outro paraíso fiscal, com forte perfil de intermediação de commodities com a China e Hong Kong. (Luke Pachymuthu)

LOUIS DREYFUS, empresa familiar antiga (1851) hoje nas mãos de Margarita Louis-Dreyfus, pega tudo desde trigo a suco de laranja, no valor da ordem de US$46 bilhões (2010), a proprietária diz que é para manter o nome da família, e do Olympique de Marseille. Tudo an empresa é segredo. (Gus Trompiz, Jean-François Rosnoblet)

BUNGE, fundada pelo holandês Johann Bunge em 1818, negocia US$46 bilhões (2010) em grãos, oleaginosas, açúcar, grande intermediário do agronegócio do Brasil e da Argentina para alimentação de porcos e outros animais na China. O CEO é o brasileiro Alberto Weisser. Processada por 300 milhões de dólares de evasão fiscal na Argentina. Maior processador mundial de oleaginosas. Faturamento em 2012 de US$50 bilhões. Muito forte no Brasil.

WILMAR INTERNATIONAL, fundada em 1991, sede em Cingapura (outro paraíso fiscal), negocia USA $30 bilhões em 2010, dirigida por Kuok Khoon Hong, 20% do mercado da soja na China, integração vertical de toda cadeia produtiva, do plantio à comercialização final, passando por refino, engarrafamento, transporte etc. Muito peso no óleo de palma. Fortalecendo posição no mercado de açúcar no Brasil. (Harry Suhartono e Naveen Thakral)

ARCADIA, fundada em 1988 pela Mitsui japonesa, é propriedade de John Fredriksen, negocia o que a Reutersestima serem US$29 bilhões (2010) em petróleo. Processada por manipulação de preços de petróleo em 2008, estocando gigantescas quantidades de produto para criar aparência de crise de abastecimento e lucrar no mercado de derivativos. Fredriksen abandonou a nacionalidade norueguesa em 2006, pela de Chipre, onde se paga menos impostos. Wikileaks e Reuters divulgaram manipulações políticas no Yemen e na Nigéria.

O que vemos neste levantamento? Primeiro, evidentemente, o imenso poder de um número tão restrito de grupos que controlam o sangue da economia mundial, sob forma de grãos, petróleo, minérios, energia, sistemas de transporte, com a infraestrutura correspondente financeira e o gigantesco sistema especulativo complementar dos derivativos. Não se trata de "mercado" no sentido de livre mercado cada um concorrendo para servir melhor, e sim de sistemas de pedágio onde os usuários finais das commodities têm pouco a dizer, e os países de origem em geral menos ainda.

Importante também é constatarmos a preferência destes grupos por estarem sediado em paraísos fiscais. Interessante constatar que ganham dinheiro intermediando o que em geral não produzem, manipulam os preços para que paguemos mais caro – este preço nós consumidores finais vamos encontrar embutido ou incorporado nos produtos de prateleira – e são suficientemente internacionais para se beneficiarem dos paraísos fiscais onde não pagam impostos. De certa maneira, é lucro líquido.

Constatamos igualmente a que ponto grande parte destes grupos são recentes. Há algumas muito antigas como aCargill ou a Bunge, mas mesmo elas se reconverteram para processos especulativos em gigantesca escala. De forma geral, boas relações, um fortíssimo apoio político e militar quando necessário, permitem saltos como por exemplo da Guvnor que passa de um faturamento de US$5 bilhões a 80 bilhões em 7 anos. Estamos aqui assistindo a um processo muito atual de oligopolização do sistema de acesso às matérias primas essenciais do planeta.

Constata-se igualmente um deslocamento geopolítico significativo, com forte expansão da presença russa e em particular chinesa, podendo-se dizer que há de forma geral um peso crescente da Ásia. Mas os novos atores entram ao que tudo indica na lógica tradicional de comportamento especulativo, de manipulação de mercados e de truculência política, ajudando a conformar um poder encastelado de acesso às matérias primas que alimentam as cadeias produtivas de praticamente todas as áreas econômicas.

Fato importante, tudo indica que estes grandes grupos mundiais estão simplesmente acima de qualquer sistema jurídico. As sua dimensão transnacional lhes permite de migrar a sua sede legal conforme as pressões. Todas elas têm problemas com a lei, mas quando são condenadas, com raras exceções com o encarceramento de três executivos da ADM em 1993, resolvem com os chamados settlements, acordos que lhes permitem pagar uma determinada soma para não precisarem reconhecer a culpa. Colocar o nome de qualquer empresa destas junto comsettlements no Google nos dá acesso imediato à ficha corrida do grupo.

Os grandes sistemas de intermediação em geral não têm muito interesse nos produtos em si. Estão interessados essencialmente nas flutuações de mercado no tempo e no espaço, inclusive na provocação e aproveitamento destas flutuações. Ou seja, a dimensão financeira das suas atividades é essencial. Os mecanismos de suporte de que dispõem consistem essencialmente nos paraísos fiscais, nos derivativos e em particular os mercados de futuros.

A existência dos paraísos fiscais é essencial neste processo, ao assegurar que todas e qualquer atividade econômica, legal ou ilegal, tenha um espaço um espaço de extraterritorialidade planetária, ou seja, possa migrar para um limbo jurídico com nomes fictícios, sem prestar contas a ninguém, e reintroduzirem-se nos processos legais em diversos países sem risco. Já abordamos este mecanismo em outro estudo, vamos aqui apenas relembrar o que nos ajuda a situar os processos da intermediação comercial. [5]

Com a crise financeira iniciada em 2008, aumentaram radicalmente as pressões para controlar os sistemas especulativos mundiais, e o tema dos paraísos fiscais e da ilegalidade/opacidade dos fluxos entrou inclusive em sucessivas reuniões do G20. Com isto foram aparecendo os dados. No essencial, temos a pesquisa coordenada porJames Henry, para a Tax Justice Network, onde se constatou que o estoque de recursos financeiros em paraísos fiscais, frutos de evasão fiscal, lavagem de dinheiro de drogas, de venda não declarada de armas ou de corrupção, atingem entre 21 e 32 trilhões de dólares, para um PIB da ordem de 70 trilhões, ou seja, algo entre um terço e metade do PIB mundial. A pesquisa, insuspeita na sua origem e metodologia, causou um choque planetário, pois não se tinha ideia das dimensões do fenômeno. O Brasil tem estimados 520 bi de dólares em paraísos fiscais. [6]

O Economist complementou esta pesquisa com um dossiê que indagava basicamente onde estão 20 trilhões de dólares, e identificando as principais praças financeiras que gerem estes recursos: o Estado americano de Delaware, Miami e Londres. As ilhas paradisíacas, portanto, servem de localização legal, e de proteção em termos de jurisdição, fiscalidade e informação, mas a gestão é realizada pelos grandes bancos que conhecemos nas praças financeiras acima, basicamente os 28 grupos financeiros como "sistemicamente significativos", como Barclays, HSBC, Goldman&Sachs, UBS e assim por diante. [7]

A terceira grande fonte de dados é o ICIJ, International Consortium of Investigative Journalists, que recebeu um manancial de informações internas nos paraísos fiscais, tendo recentemente começado a divulgar os nomes, valores das contas e assim por diante. Os dados das diversas fontes coincidem e se reforçam. [8]

Trata-se de um gigantesco dreno que permite que os ciclos financeiros fiquem ao abrigo das investigações. Em excelente e breve resumo de Kofi Annan sobre as ilegalidades praticadas por corporações transnacionais na África, em particular o "transfer mispricing", preços fictícios artificialmente baixos nas exportações de matérias primas africanas, para pagar menos impostos. A venda a preços fictícios é feita a empresas do mesmo grupo situadas em paraíso fiscal, para depois ser revendida a preço cheio no mercado internacional. Assim, o mispricing junto com o sistema de paraísos fiscais e de empresas laranja custa $38 bilhões de dólares anuais ao continente, mais do que a soma das ajudas e investimentos externos. O sistema é planetário. [9]

O sistema de derivativos coroa o processo. É importante constatar que o volume de transações especulativas é incomparavelmente superior ao volume de transações reais. O petróleo de navio tipicamente mudará de mãos dezenas de vezes durante um dia, negociado por grupos que não têm o mínimo interesse no petróleo, e sim no jogo sobre variações de preços. Os derivativos emitidos na segunda metade de 2012 eram da ordem de 633 trilhões de dólares, nove vezes o PIB mundial total. [10]

Isto atinge diretamente tanto produtores como consumidores de commodities, ao gerar uma imensa instabilidade nos preços nas duas pontas. A especulação lucra justamente nesta instabilidade. Tomemos um país que depende da exportação de grãos para importar o petróleo de que necessita. Precisa ter certas garantias de poder abastecer o seu mercado interno. O mercado de futuros, segmento dos derivativos, lhe garante um preço determinado de venda dos seus grãos, o mesmo ocorrendo com opções de compra sobre o petróleo. Teoricamente, na origem, disto gera mais segurança nas duas pontas. Na realidade, quanto mais instável o "mercado" e voláteis os preços, mais os produtores e consumidores nas pontas têm de recorrer aos mercados de futuros, e mais os preços dependem de comportamentos de intermediários. Para os intermediários, as flutuações são um fator de lucro, e permitem-lhes cobrar pedágios cada vez mais elevados sobre a produção e consumo, sem precisar produzir nada. [11]

É importante mencionar que Wall Street e outros centros de especulação sempre buscaram justificações acadêmicas para estes desmandos. Grande parte da fama da Milton Friedmannse deve à aura de respeitabilidade científica que as suas opiniões conferiam às atividades especulativas. Esta ponte entre as grandes instituições científicas e o mundo da especulação encontra-se por exemplo descrita pelo New York Times, que cita uma série de professores de universidades financiados pelos grupos financeiros, inclusive o grupo Trafigura visto acima, e cujos trabalhos recebem ampla divulgação na mídia em geral, indo ao ponto de sustentar, em reuniões com o Senado, que as atividades especulativas ajudam a estabilizar os preços. [12]

A concentração da riqueza mundial acumulada

Estamos acostumados a nos centrar sobre a concentração da renda. Mais significativo para analisar o impacto dos processos acima, é analisar a riqueza acumulada. A pesquisa do Crédit Suisse levantou a quem pertencem 223 trilhões de dólares de patrimônio, e constatam por exemplo que 69,3% dos adultos do mundo (na base da pirâmide, mais pobres), possuem apenas 3,3% do patrimônio. Quem recebe salário médio ou baixo paga comida e transporte, quem tem alta renda compra casas para alugar, ações que rendem etc., o que leva a uma concentração da riqueza acumulada incomparavelmente superior à da renda.

Enquanto tipicamente o Gini que mede a concentração de renda está na faixa de 0,30 a 0,45 (e 0,50 no Brasil), a concentração da riqueza se situa no mundo em torno de 0,80, desigualdade incomparavelmente maior. Esta metodologia é muito importante, e apenas recentemente está sendo mais divulgada e incluída nas análises. Elaborada pelo grupo financeiro suíço Crédit Suisse, a pesquisa é insuspeita de antipatia para com os ricos. 
[13]

A leitura da pirâmide é simples. No topo, por exemplo, adultos que têm mais de um milhão de dólares são 29 milhões de pessoas, 0,6% do total de adultos no planeta. Somando a riqueza de que dispõem, são 87,5 trilhões de dólares, o que representa 39,3% dos 223 trilhões da riqueza avaliada. É importante para a nossa análise, que as grandes fortunas desta parte de cima da pirâmide não são propriamente produtores, e sim gente que lida com papéis: Segundo o relatório suiço, "o portfólio de riqueza dos indivíduos tende a ser similar, dominado por capital financeiro e, em particular, por ações em empresas cotadas em bolsa negociadas nos mercados internacionais."

Particularmente interessante para nós aqui, é naturalmente o topo da pirâmide, cujo detalhe mostra a extrema concentração no nível dos ultra ricos. Estamos falando aqui de 84.500 pessoas com fortunas pessoais acima de 50 milhões de dólares. A dominação dos centros tradicionais de riqueza é esmagadora: 47% destes indivíduos estão na América do Norte, e 26% na Europa. Ou seja, 73%, praticamente três quartos das grandes fortunas acumuladas no mundo estão no chamado "Norte", alimentadas por sistemas de intermediação financeira e comercial que reproduzem a concentração planetária de riqueza. O Brasil participa, neste conjunto de 84.500 ultra ricos, com 1500 indivíduos em 2012.

No estudo mencionado do WIDER da Universidade das Nações Unidas, o Brasil aparece como sétimo país com distribuição de renda mais desigual [14]. É importante aqui resgatar também a análise de James Henry do relatório para a TJN visto acima, de que grande parte da riqueza dos muito ricos não é suficientemente contabilizada por estar em paraísos fiscais, o leva à subestimação geral da concentração.

Implicações

O eixo essencial da mudança é o deslocamento do lucro e do poder econômico e financeiro dos produtores, os capitalistas no sentido do século fabril passado, para intermediários, cobradores de pedágio de diversos tipos. A dominação passa para intermediários financeiros, intermediários de commodities, e intermediários de sistemas de comunicação. Voltando à análise da rede mundial de controle corporativo elaborada pelo Instituto Federal Suíço de Pesquisa Tecnológica, torna-se mais evidente o mecanismo pelo qual, entre os 147 grupos que controlam 40% do mundo corporativo, há tal predominância de grupos financeiros, da ordem de 75%.

Esta visão desloca naturalmente o raciocínio sobre a estrutura do poder corporativo.Uma coisa é o faturamento de cada grupo. Outra dimensão nos vem do cálculo de controle em rede, a partir de cada grupo, sobre um conjunto de outras atividades por meio de controle financeiro e acionário. Na pesquisa do ETH, resulta que ao incluirmos o controle, por tanto as formas indiretas que determinado grupo tem de influenciar o uso de recursos de outros grupos, a concentração de poder é dez vezes superior ao que faria supor o simples faturamento de cada grupo.

"Encontramos que apenas 737 dos principais atores acumulam 80% do controle sobre o valor de todas as empresas transnacionais… Isto significa que o controle em rede é distribuído de maneira muito mais desigual do que a riqueza. Em particular, os atores no topo detêm um controle dez vezes maior do que o que poderia se esperar baseado na sua riqueza." [15]

ETH – Maiores grupos em termos de controle corporativo mundial

Na listagem acima, os autores da pesquisa colocaram os 50 maiores grupos mundiais. No código NACE que categoriza a área de atuação, os números que começam com 65, 66 e 67 correspondem a grupos financeiros. [16]

Na discussão dos resultados, os pesquisadores sugerem a erosão que isto significa para os mecanismos de competição de mercado. O poder dos intermediários tornou-se planetário, são poucos grupos sistemicamente significativos, e a manipulação de preços torna-se perfeitamente factível. No conjunto, não se trata mais de avaliar apenas o impacto da concentração de riquezas em poucas mãos na sua dimensão ética, e sim de entender o grau de erosão dos mecanismos de mercado que se imaginava que gerassem equilíbrios através da concorrência. Estamos evoluindo para o que em outros trabalhos temos chamado de "economia de pedágio", onde os maiores prejudicados são os produtores de um lado, e os consumidores de outro.

Na medida em que o sistema de formação de preços, em um conjunto de áreas estratégicas, passa a obedecer a manipulações especulativas induzidas, em detrimento de mecanismos tradicionais de oferta e procura, torna-se importante adotar a análise estatística das cadeias de preços, pois os dados irão refletir onde efetivamente se dão as alterações, tanto em termos de lucros excessivos por quem não produz, como em termos de núcleos geradores de inflação e de movimentos pro-cíclicos que desequilibram a economia mundial e travam as capacidades de organização econômica a nível das nações.

NOTAS
1 - Ladislau Dowbor é professor titular da PUC-SP nas áreas de economia e administração, e consultor de várias agências da ONU. Livros e estudos disponíveis em 
http://dowbor.org - Contato: ladislau@dowbor.org
2 - IAASTD – Agriculture at a Crossroad - International Assessment of Agricultural Science and Technology for Development – UNDP, UNEP, WHO, UNESCO, New York, 2009.
3 - Joshua Schneyer - Commodity Traders: the Trillion Dollars Club.
4 - Carta Capital, 9 de outubro de 2013, p. 33.
5 - Os Caminhos da Corrupção: uma visão sistêmica, Economia Global e Gestão/Global Economics and Management Review – Nº 3/2013, Vol. XVII, Dez. 2012, ISSN 0873-7444.
6 - Tax Justice Network, The Price of off-shore revisited - Os dados sobre o Brasil estão no Appendix III, (1) p. 23 
7 - The Missing $20 trillion: special report on offshore finance - The Economist, February 16th 2013, Editorial, p. 13
8 - Confira aqui os dados do International Consortium of Investigative Journalists.
9 - Kofi Annan, G20: how global tax reform could transform Africa's fortunes – september – 2013.
10 - The over-the-counter (OTC) derivatives market shrank slightly in the second half of 2012. The notional principal of outstanding contracts fell by 1% to $633 trillion, BIS Quarterly Review, June 2013, International banking and financial market developments – p. 19
11 - BIS Quarterly Review, June 2013, p.3. Um vídeo didático de 7 minutos no YouTube ajuda a entender o mecanismo.
12 - David Kocieniewski, New York Times, 27/12/2013. Resenha do artigo, em português, na Carta Maior.
13 -Crédit Suisse Global Wealth Report – 2012 - O World Institute for Development Economics Research da Universidade das Nações Unidas conclui que no mundo, estima-se que os 2% mais ricos são donos de mais da metade da riqueza total. James B. Davies, Personal Wealth from a Global Perspective.
14 - A tabela completa de concentração de riqueza por país, da mesma fonte, pode também ser consultada aqui.
15 - This means that network control is much more unequally distributed than wealth. In particular, the top ranked actors hold a control ten times bigger than what could be expected based on their wealth.(p.6) -
http://arxiv.org/pdf/1107.5728.pdf
16 - S. Vitali, J.B Glattfelder and S. Battiston – The Network, of Global Corporate Control - Chair of Systems Design, ETH Zurich – corresponding author sbattiston@ethz.ch
 – Full text available in arXiv (pre-publishing), and published by PloS One in October, 26th 2011. – Na tabela, a Lehman Brothers tem direito a um comentário a parte pela debacle sofrida em 2007.

 

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/526948-os-oligopolios-de-intermediacao-comercial-e-financeira-prejudicam-producao-e-consumo