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Foi um dia fora do comum. A 4 de junho, o Presseurop organizou o seu primeiro Fórum no Parlamento Europeu, em Bruxelas. Habitualmente dispersa entre Paris, Roma, Varsóvia, Madrid e Lisboa, toda a equipa se deslocou à capital da UE para participar no evento e conhecer os nossos leitores. Cada um dos dez jornalistas do Presseurop ficou com uma imagem, uma sensação ou uma ideia deste dia. O vídeo do primeiro debate já está disponível. Os do segundo e terceiro debates estarão disponíveis brevemente. Em busca de um avançopor Maciej Zglinicki A boa notícia é que, hoje, a desintegração da UE é improvável. Mas também há más notícias. Recessão ou, na melhor das hipóteses, pouco crescimento, desemprego crescente, escalada do descontentamento social, egoísmo dos Estados-membros, um enorme défice democrático e a ausência de uma visão partilhada do futuro – esta é a imagem da UE que emerge do Fórum Presseurop. Não há dúvida de que a União chegou a uma encruzilhada e ninguém sabe o que acontecerá a seguir. Segundo a eurodeputada Danuta Hübner, o pior da crise já passou, não é necessária uma revolução e os cidadãos dos países endividados do Sul, cansados das medidas drásticas de austeridade, deveriam – tal como fez a Polónia em 1989 – cerrar os dentes e aceitar as reformas dolorosas para que os seus países voltem ao caminho do crescimento rápido. O problema é que as recomendações vindas de Bruxelas e da troika (FMI-UE-BCE) se resumem, basicamente, a satisfazer as exigências dos mercados. "Menos mercados, mais pessoas", "parem de destruir as empresas espanholas", apela o leitor Spanishengeneer. As suas palavras foram repetidas pelo vice-presidente do Parlamento Europeu, Miguel Angel Martínez Martínez, que sublinhou a necessidade de reconstruir o modelo social europeu, o Estado-Providência e a confiança social. Sem isso, diz ele, o projeto europeu não resistirá ao teste do tempo. O eurodeputado português Rui Tavares ironizou o débil estado da democracia europeia dizendo que "ao contrário da Índia, há apenas duas castas na UE: funcionários e banqueiros". E quanto aos cidadãos europeus? Sobrecarregados com os problemas do dia a dia, sem emprego e sem o apoio dos seus próprios governos, levantam a voz para protestarem nas ruas das cidades da Europa. As eleições para o Parlamento Europeu do próximo ano são a última oportunidade para o povo tomar o assunto nas suas mãos e moldar uma UE que sirva melhor os seus interesses. O relógio já está em contagem decrescente e resta-nos menos tempo do que possa parecer. Presseurop… stresseurop, losteurop, I love EuropeSe tivesse de resumir em algumas palavras o meu estado de espírito durante o nosso primeiro Fórum Presseurop, em Bruxelas, citaria uma das nossas convidadas, a jornalista italiana Adriana Cerretelli (Il Sole 24 Ore): "Quando se é líder de um Estado europeu, tem de se estar aberto a outras opiniões". Quando se é líder de uma imprensa europeia na vanguarda do multilinguismo e do cosmopolitismo, como o Presseurop, devemos estar abertos aos outros. Foi isso que tentámos provar durante a nossa jornada-maratona. Os debates (crise, cidadania, federalismo, etc.), abertos aos participantes mais ou menos eurocéticos, tiveram o mérito de sair do politicamente correto, do cliché segundo o qual tudo corre bem, muito enterrado na consciência do homo europeus. A UE não é um monumento moldado no mármore pelos pais fundadores, mas um cadinho extraordinário dos nossos desejos, medos, frustrações, que cresce constantemente. Em 1986, a Roménia, ao contrário do que hoje acontece, não conhecia a palavra "europeu", nem "antieuropeu"! O Dicionário de Neologismos (da Academia da República Socialista da Roménia!) recebido em 1986, durante as Olimpíadas nacionais da língua e da literatura, preside ao meu escritório parisiense, lembrando o facto de que nunca sabemos para onde estamos a ir. O Presseurop é um barómetro das frustrações, mas também das realizações europeias. Se conseguimos levar a cabo esta experiência de Bruxelas, é porque somos capazes, convosco, leitores, de fazer muito mais. Forum.frpor Emmanuelle Morau Na manhã do nosso fórum, Bruxelas amanheceu cinzenta. Sobre a capital europeia não paravam de se acumular nuvens. A notícia tinha chegado na véspera, durante o primeiro gole de cerveja belga: não haveria intérpretes [por razões técnicas ligadas à difusão dos debates]. Por isso, todos os debates seriam em inglês. Em vez de me sentir tocada pelo espírito de equipa europeu nos meus primeiros passos pelo covil da democracia a 27, senti fremir a minha fibra patriótica. Como é possível que, no momento em que ribomba a crise, se privilegie a língua do BCE em detrimento do nobre dialeto das deliberações do Tribunal Europeu de Justiça? Porquê, numa altura em que o Presidente Hollande faz uma cópia europeia muito mais conveniente em relação ao discurso retórico do aprendiz Cameron, ceder aos ventos de Stratford-up-on-Avon em vez de à doce música de Gif-sur-Yvette? Outros camaradas francófonos e francófilos tiraram uma conclusão radical da situação: não participariam, se não fosse possível falar francês naquela mesa. Informada – em francês – da situação, surpreendi-me a achar tal atitude um pouco tacanha. E, de repente, soaram como um zumbido dentro da minha cabeça as discussões parisienses sobre se o inglês na universidade é yes ou no. No final do dia, o sol estava de volta. E nas minhas orelhas ressoava um outro refrão. O dos leitores vindos da Grécia, de Espanha, de Portugal e de França para trocarem ideias, procurarem soluções, expressarem pontos de vista e, finalmente, demonstrarem que o inglês não era apenas a língua de Frankfurt mas que podia também exprimir a raiva e o desacordo. Bruxelas, cidade do Presseuroppor Martina Buláková Mal tive tempo de abrir o meu livro e já o comboio tinha atravessado a paisagem entre a França e a Bélgica a uma velocidade alucinante. De repente, a calma de domingo na estação do Midi acalmou-me. Os ferroviários belgas estão em greve há uma semana? A cidade adormecida abre os braços, oferece-me um sopro do ar fresco do campo e uma cerveja numa esplanada ensolarada. Tudo parece mover-se em câmara lenta, como num sonho. Ninguém tem pressa. E, no entanto, há muita agitação. Bruxelas é a cidade da Europa com maior concentração de jornalistas, ouvi dizer. Já não me lembro em que língua porque, em Bruxelas, falam-se todas as línguas. Francês, flamengo, inglês, italiano, eslovaco, português. É a cidade do Presseurop! Digo para mim mesma e não sou a única a pensá-lo: "Porque não mudamos a redação para Bruxelas? Isto é muito agradável", diz a minha colega romena que, no bar do Parlamento Europeu, conversa com um dos seus compatriotas para tentar perceber o que faz Lady Ashton, a mulher invisível da diplomacia europeia. Vimos de todos os cantos da Europa mas em Bruxelas não somos estrangeiros porque, de qualquer maneira, aqui toda a gente é expatriada. A esta cacofonia sonora da Europa juntam-se as vozes fortes dos jovens turcos que protestam na praça do Luxemburgo. O que reivindicam? A liberdade de imprensa e o derrube de Erdogan. Apoio-os calmamente, antes de voltar a apanhar o comboio e a história de um livro inacabado. Frente a frente com a austeridadepor Charlie Hamilton No conforto da bolha de Bruxelas, é difícil ter noção do que uma taxa de desemprego juvenil de 58% representa verdadeiramente. É nesta penosa situação que se encontra atualmente a Grécia, segundo as últimas estimativas. Poder fornecer uma ideia clara da realidade ao Parlamento Europeu foi uma das principais realizações do Fórum Presseurop. Apesar de surgirem constantemente artigos, fotografias e reportagens que relatam em pormenor a situação desesperada na qual se encontram os desempregados gregos, a realidade só se torna visível quando se olha diretamente nos seus olhos. Portanto, o facto de ouvir um leitor grego do Presseurop, Constantinos Papadakis, a contar à deputada alemã Gabriele Zimmer e a outros, baseando-se na sua própria experiência, a forma como a austeridade destruiu o seu país teve uma enorme importância. A UE tem gasto milhares de milhões de euros na luta contra a crise da dívida, mas encontra-se perante um desafio ainda maior que não pode ser resolvido apenas com dinheiro: a relação que mantém com os cidadãos europeus. A citação, que fez manchete, do deputado espanhol Miguel Angel Martínez Martínez, vice-presidente da Assembleia Parlamentar Paritária ACP-EU, em que este qualifica a troika de "odiosa" teve um enorme impacto, tal como a declaração de Zimmer, segundo a qual se o desemprego juvenil não for controlado assinalará o fim da UE. A mensagem fundamental transmitida por todos os participantes do edifício Spinelli foi que a crise está a galvanizar a opinião pública e a afastar as pessoas do espírito de coesão da UE. O desemprego não para de crescer na Grécia e em toda a Europa, fazendo com que o objetivo de unidade europeia seja cada vez menos alcançável. Não há motivos para preocupaçãoEstava um pouco ansioso na véspera do fórum, porque era a primeira vez que organizávamos um evento deste género, não sabendo ao certo o que esperar. Seria demasiado educado ao ponto de não permitir qualquer confronto real de ideias, dado o ambiente institucional do Parlamento Europeu? Ou, pelo contrário, atingiria um nível irascível, com discursos inflamados sobre as visões conflituosas da Europa, como tem sido frequente desde que a crise piorou? E quanto aos nossos leitores convidados? Será que se iriam sentir confortáveis por sentar-se junto aos vice-presidentes do Parlamento Europeu e alguns nomes sonantes do corpo de imprensa da UE? No lugar deles, não me sentiria muito surpreendido se a minha voz vacilasse ao tentar expressar o meu ponto de vista. Mas as minhas preocupações revelaram-se infundadas. Os debates começaram num tom cordial, mas assertivo, o mesmo que costuma acontecer na secção de comentários do sítio Internet do Presseurop, e nunca descarrilou. Houve momentos de total contraste entre os oradores, mas nunca rancor. Os nossos leitores contribuíram com algumas das visões mais interessantes e não tiveram problemas em enfrentar os seus célebres oponentes. O que demonstra uma vez mais que os cidadãos europeus deviam poder expressar-se com mais frequência. Os monstros e os homenspor Katja Petrovic Ia conhecer pela primeira vez "o monstro de Bruxelas, e , de facto, ao ver o Parlamento Europeu, tive a sensação de que ia ser devorada. Como durante uma visita à Sagrada Família, em Barcelona, pensava na humildade dos caracóis outrora elogiada pelo poeta do diário Francis Ponge. Para onde quer que vá, o caracol leva sempre a sua casca para poder entrar nela a qualquer altura. No entanto, o monstro também merece o meu respeito, porque é preciso muita coragem para querer quebrar fronteiras e assumir um projeto que necessita de forças que ultrapassam de longe o poder de um só indivíduo. Assim sendo, os cidadãos europeus, nas eleições europeias do próximo ano, não votarão em candidatos específicos, mas em grandes listas, cada uma composta por partidos de esquerda, de direita ou liberais. O que deverá complicar ainda mais a campanha eleitoral. Como é que a União Europeia em crise conseguirá cativar o cidadão? A resposta que me foi dada por Doris Pack, a presidente da Comissão da Cultura e da Educação do Parlamento, pareceu pertinente: "A União Europeia não se passa apenas em Bruxelas, mas onde todas as pessoas se encontram. Precisa portanto de embaixadores do mundo da cultura e da sociedade civil que lutam pela causa europeia: realizadores, escritores, professores, eleitos locais". De repente, o monstro de Bruxelas tinha um rosto simpático. É sempre bom saber que no interior da fortaleza de Bruxelas se encontram pessoas que não perdem o contacto com o mundo exterior. Que entrem os leitores!por Judith Sinnige No dia 4 de junho, seis leitores do Presseurop debateram cara a cara com deputados europeus e jornalistas. Foi um encontro inabitual, podendo mesmo dizer-se que se trata de um acontecimento inédito. Apesar de o "jornalismo participativo", ou o "jornalismo cidadão", começar a ganhar cada vez mais importância no jornalismo online, os encontros em tempo real são raros. Foi graças a esses leitores, e a centenas de outros que comentam os nossos artigos, que o nosso site se tornou um verdadeiro "fórum" sobre a atualidade europeia e o futuro da UE. Esses leitores, que se "escondem" por trás de pseudónimos como "spanishengineer" ou "continental drift", deixam reações veementes, por vezes provocadoras, alimentam o debate e promovem este espaço de troca de opiniões. É exatamente este o objetivo do Presseurop, desde a sua criação em 2009. Apesar de permanecerem invisíveis por trás dos seus computadores, iPads ou outros equipamentos, esses leitores representam um elemento chave do Presseurop. O sucesso dos debates e das intervenções dos nossos leitores no dia 4 de junho – apesar de a maioria nunca ter falado em frente a um público antes e não ter o inglês como língua materna – mostraram a necessidade de estabelecer um diálogo direto entre os cidadãos e os jornalistas de um lado, e os políticos europeus do outro. Este fórum "live" [ao vivo] também mostra que os cidadãos europeus têm um enorme desejo de comunicar, que os meios de comunicação tradicionais ou online não podem satisfazer por si só. Estes últimos desempenham um papel fundamental mas não podem substituir os encontros cara a cara. Esperemos portanto que este fórum seja o primeiro de muitos, quer sejam organizados pelo Presseurop ou por outros! Um dia na Casa da Europapor Cristina Pombo Um nervoso miudinho apoderou-se de mim logo pela manhã. E não era para menos: ia conhecer o palco da democracia europeia e alguns dos seus atores, os eurodeputados. Ia também conhecer os leitores mais fiéis, aqueles que alimentam as páginas do Presseurop com discussões apaixonadas, e alguns dos jornalistas cujos artigos tornam este projeto realidade. Para mim, que diariamente leio, escrevo e respiro Europa, não é coisa pouca. À saída do táxi, na praça do Luxemburgo, em Bruxelas, os meus olhos voltaram-se para aquele edifício envidraçado onde se tomam decisões vitais para o futuro deste continente, infelizmente, demasiado desalinhado. E foi precisamente para falar do futuro da Europa, da austeridade, do papel das instituições europeias e de cidadania da União que o Presseurop ali nos juntou a todos. Para debater a Europa, as suas fragilidades e fortalezas, a um ano das eleições europeias de 2014. O objetivo é claro e foi, a meu ver, conseguido: promover um debate que rompa com as barreiras dos Estados e se transforme num debate pan-europeu, fundamental para o esclarecimento dos cidadãos da União. E foi neste ponto que as opiniões dos intervenientes nos três debates do Fórum Presseurop convergiram – é preciso fornecer as ferramentas aos cidadãos da Europa para que exerçam o seu dever cívico nas eleições de 2014. Para que saibam em quem estão a votar, o que podem esperar da Europa e o que esta espera deles. Algumas das frases escutadas durante os debates ecoaram noite dentro na minha cabeça. Palavras que refletem os receios e expectativas dos que se juntaram a nós para resgatar, ainda que por breves horas, o espírito de uma União que não merece morrer. Concordo plenamente com a eurodeputada Gabriele Zimmer quando disse que "se não houver futuro para as novas gerações, se elas sentirem que a UE não é a sua casa, será o fim". É preciso evitá-lo a todo o custo. Um conto europeupor Sergio Cebrián Comprei para o meu filho, na livraria do Parlamento Europeu, um bonito livro chamado "Little europeans" [pequenos europeus]. Que bom, pensei, educar os pequenos europeus a aprenderem a sê-lo, longe de preconceitos. Abri a página dedicada a Espanha. Segundo o livro, as meninas espanholas cantam e dançam depois da meia-noite. Que pais tão irresponsáveis! Claro, voltamos ao mesmo…, mais uma vez, pensei. Se Bruxelas, o coração de uma Europa "unida na sua diversidade", continua a ser o reino do preconceito, estamos mal encaminhados. Será fruto de um velho cliché histórico e cultural? Fruto de uma má política de marketing? O corolário de um fracasso macroeconómico? Um manifesto destino biológico e genético? Ou uma inapelável realidade? No meio das minhas inúteis cavilações aquecidas pelo sol da praça do Luxemburgo, a réplica humana que Bruxelas consegue dar ao frio e envidraçado gigantismo do edifício do Parlamento Europeu, lembrei-me de que no vestíbulo daquele prédio estava montado um stand para anunciar um ato que também ali teria lugar, naquele mesmo dia: a promoção de uma campanha publicitária de algo chamado Marca Espanha, quase um neologismo enquanto fórmula banal e repetitiva usada pelas instâncias oficiais para recuperar a imagem do país. Sim, o Governo espanhol estava a fazer uma ação para convencer eurodeputados e transeuntes de Bruxelas sobre as excelências do seu país como destino seguro de investimentos e solvência económica. A situação pareceu-me profundamente paradoxal. Continuava a perguntar-me: começava no livrinho e acabava naquela ação o grande mal-entendido europeu? Nos enormes corredores aeroportuários do edifício, um ritmo frenético de idas e vindas, por momentos, fazia esquecer o atual marasmo europeu. Nesse mesmo dia, convidámos eurodeputados, jornalistas, peritos e os nossos leitores. É neles que penso. Se se trata de criar um demos europeu, e o edifício que nos acolheu pretende representá-lo, ali estava o povo a falar, diretamente e cara a cara com os seus representantes. E senti que o meu trabalho, apesar de tudo, era útil. |
sexta-feira, 14 de junho de 2013
O nosso dia especial
Dia de Portugal
Francisco Seixas da Costa
Vem aí mais um Dia de Portugal. Infelizmente, não vou poder aceitar o convite para estar presente na cerimónia em Elvas, experimentando a minha nova e curiosa qualidade de membro do corpo diplomático em Portugal, enquanto diretor executivo do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa. O avião que me trará do Brasil não chegará a horas que me possibilitem a deslocação a Elvas. Todos os anos, olho sempre com alguma curiosidade para a lista dos condecorados no Dez de Junho. Por ela confirmo juízos sobre pessoas cuja ação meritória o país entendeu finalmente dever reconhecer publicamente (lá figura um nome que, como embaixador, eu próprio já havia proposto por mais de uma vez), aprendo a respeitar nomes de compatriotas que se distinguiram em domínios às vezes insuspeitados e encontro, aqui ou ali, escolhas que me parecem francamente deslocadas, num juízo de aquilatação relativa. Outros, nomeadamente os que tomam essas decisões, pensarão de forma oposta à minha, claro. É da natureza destas coisas nunca serem totalmente consensuais, embora o bom senso recomende que devam sempre tender a sê-lo. Há precisamente uma década, também eu subi ao palanque para receber, das mãos do chefe do Estado, a mais elevada comenda a que qualquer servidor público pode ambicionar, atribuída por razões então divulgadas, que me não cabe a mim julgar ou agora reiterar. Digo isto para que se compreenda que o que a seguir vou dizer não pretende vantagens em causa própria. Ao longo dos anos, um pouco como acontece com os militares, havia-se criado a regra de distinguir, no Dia de Portugal, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, um embaixador de Portugal que, por uma carreira distinta ou por ações diplomáticas "valerosas" (como disse o poeta que marca o dia), se houvesse destacado na execução dessas suas funções públicas. Era um testemunho de reconhecimento do Estado em domínios de soberania que, pela sua seletividade e raridade, funcionava, entre nós, como uma espécie de "benchmark" de mérito (embora, também aqui e uma vez mais, a doutrina por vezes se dividisse quanto à justeza da escolha feita). E era um gesto que, do mesmo modo, não deixava de ter algum significado perante os nossos pares estrangeiros, bem como face aos países onde estávamos ou iríamos ser acreditados. Os outros Estados, onde estas coisas também se praticam, frequentemente em moldes similares, sabem bem interpretar o que significava terem, como representante diplomático português, um embaixador titular da mais elevada condecoração do seu país. Agora, de há uns tempos para cá, ou é desatenção minha ou desapareceram embaixadores nas listas dos condecorados no Dia de Portugal. Não quero fazer disto uma polémica, mas, com esta realidade, pode criar-se a impressão de que a função diplomática terá decaído nas tabelas de apreciação dos poderes públicos. Se assim fosse, isso seria de uma imensa injustiça e motivo de grande estranheza. É que, com ênfase, regularidade e de uma forma que não quero crer ser apenas retórica, quer o chefe da diplomacia quer o chefe de Estado têm vindo a destacar o importante e cada vez mais difícil trabalho que, em particular nos últimos anos, é discretamente realizado pela carreira diplomática portuguesa, na tentativa de salvaguarda do prestígio e dos interesses do país na ordem internacional. Assim, só posso deduzir que, não devendo essa perceção negativa corresponder à realidade, haverá novos critérios, seguramente ponderosos mas que, para mim, não são nada evidentes. |
Imigração: A Suíça fecha-se
El País, Madrid – O voto a favor de um endurecimento do direito de asilo, a 9 de junho, é o primeiro de uma série de referendos sobre o acolhimento de estrangeiros. Tradicionalmente aberta aos imigrantes, a Confederação poderá, por pressão da crise, redefinir a sua identidade e fechar-se sobre si própria. Ver mais. |
Espaço Schengen: Novas fronteiras
Dilema Veche, Bucareste – Após meses de impasse, os Estados-membros e o Parlamento Europeu chegaram a acordo sobre a introdução de novas fronteiras internas no espaço de livre circulação. Isto é progresso?, pergunta um jornalista romeno. Ver mais. |
Regresso
Francisco Seixas da Costa
Gostei muito de regressar ao Brasil, ainda que por escassíssimos dias, transformando-me numa espécie nova do "português-de-torna-viagem". Vim ao Ceará, cuja comunidade luso-brasileira teve a imensa simpatia de se lembrar de mim, para um prémio anual que atribui. Um gesto e um convite que me confirmaram que os tempos em que por aqui trabalhei não foram em vão. As relações entre o Brasil e Portugal têm ciclos muito distintos entre si. Ao tempo em que chefiei a embaixada portuguesa em Brasília, a grande vaga de entusiasmo pelo investimento português no Brasil já se tinha atenuado um pouco. As primeiras desilusões faziam-se então sentir, alguns investimentos passavam por uma reconversão ou redimensionamento, muitas PME's testavam ainda a sua aventura num mercado que tem caraterísticas muito peculiares e uma cultura administrativa que não é óbvia para quem vem da Europa. Ao tempo, a tibieza do investimento brasileiro em Portugal continuava a ser a regra do jogo, embora alguns novos sinais positivos fossem já evidentes, que aliás vieram a confirmar-se no futuro. O comércio bilateral chegou a crescer a olhos vistos, mas o escasso valor acrescentado e a natureza dos fluxos tornava as taxas de crescimento mais espampanantes do que aquilo que era o seu real impacto sobre as respetivas balanças comerciais. O turismo comportava-se bem: compensando a redução da vaga portuguesa para o Nordeste, que, confesso, sempre interpretei como conjuntural, o Brasil passou a descobrir Portugal como destino, num ritmo ajudado pela TAP e pelo comportamento do real face ao euro. Esses eram também os tempos de uma forte vaga migratória brasileira para Portugal, gerida pelos governos de Lisboa com uma assinalável abertura. Nem sempre o Brasil entendeu bem que era inviável para nós - um país do tamanho de Pernambuco e com a população do Paraná - abrir, por completo, as portas da legalização a todos os brasileiros que nos procurassem. Mesmo assim, cerca de 120 mil brasileiros andavam então, legal ou ilegalmente, por Portugal (em percentagem, face à população portuguesa, era a mesma coisa que tivessem vindo para o Brasil, em escassos anos, bem mais de 2 milhões de portugueses!). Aliás, os portugueses que, nesses tempos, procuravam o Brasil também se defrontavam com restrições à sua fixação, nomeadamente ao reconhecimento das suas qualificações. É da lógica das coisas que cada Estado procure acautelar os seus interesses nacionais, apenas se exigindo que isso seja feito com transparência e sentido de reciprocidade, desligados de qualquer deve-e-haver histórico.
A relação bilateral vive, assim, e naturalmente, um tempo diferente. O qual, em certos domínios, poderá ter de aguardar por melhores dias, o que coloca novos problemas e, por isso mesmo, exige respostas criativas. Estou confiante em que, com o tempo, as soluções acabarão por surgir, tanto mais que as diplomacias portuguesa e brasileira dispõem hoje, respetivamente em Brasília e em Lisboa, de dois embaixadores de uma rara qualidade. Mesmo se a melhor diplomacia não consegue resolver tudo, se não tem condições para superar certas idiossincrasias e os correlativos impactos, tenho a certeza que ela se constituirá sempre como um suporte seguro para a preservação da dose necessária de realismo. Porque estou convicto que os interesses comuns, a prazo, apontam no mesmo sentido, qualquer que seja a perceção que disso possam ter as atuais lideranças em ambos os países. |
Facas
Francisco Seixas da Costa
Estar em Nova Iorque, como embaixador, aquando dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, tornou-me testemunha de um agravamento súbito das regras de segurança que passaram a vigorar em toda a sociedade americana e que logo se espalharam pelo mundo. Em particular, assisti à compreensível histeria que passou a marcar as viagens aéreas, dando origem ao modelo, mais ou menos generalizado, que hoje vigora e que transformou a generalidade dos aeroportos em locais desagradáveis, morosos e fatigantes. (Uma curiosidade: três décadas antes do 11 de setembro, nos anos 70, recordo-me que o "shuttle" aéreo entre Washington e Nova Iorque funcionava da seguinte forma: colocávamos a bagagem num balcão, recebíamos uma senha para a recuperar mais tarde, davam-nos uma outra senha numerada para embarcar, os lugares não eram marcados e pagava-se o bilhete às hospedeiras já a bordo, durante a viagem. Controlo de segurança era um conceito desconhecido. Aqui sim, pode aplicar-se com propriedade a expressão "bons tempos".) Ontem, ao viajar na TAP entre Lisboa e Fortaleza, dei por mim a refletir sobre o facto dos talheres da refeição serem todos de metal. E a recordar que, aqui há uns anos, no serviço de bordo de muitas companhias aéreas, mesmo em primeira classe e classe executiva, só havia, durante muito tempo, facas de plástico, mesmo já em épocas anteriores ao 11 de setembro. O curioso é que essa medida de "segurança" coexistia com o uso corrente de garfos metálicos e de copos, bem como de pequenas garrafas de vidro, instrumentos que, no caso de uma ação violenta, seriam tanto ou mais perigosos que as facas. Sendo que os riscos não parece terem diminuído, já me tenho perguntado por que raio de lógica, nesses tempos, as facas eram de plástico e sã hoje de sólido metal. Que mudança de critério terá tido lugar na cabeça dos especialistas? E, já agora, qual é a razão pela qual, ainda hoje, não nos permitem viajar com uma navalha ou um canivete mas, logo de seguida, nos põem à disposição facas metálicas? Não se veja no que acabo de escrever uma qualquer defesa do regresso às sinistras facas de plástico, aliás inusáveis em bifes e com as quais tive "acidentes" gastronómicos que só quero esquecer. Mas devo reconhecer que, tendo hoje direito no voo a uma faca operacional à mão, só os meus bons instintos (e o bom senso) me impediram de a utilizar para ameaçar um bando de energúmenos, exprimindo-se numa conhecida fala ibérica, que arengaram e gargalharam alto durante as mais de sete horas da viagem, não deixando descansar quem o consegue fazer em aviões ou quem, como é o meu caso, não conseguindo dormir, quer simplesmente ler, trabalhar e que ninguém o aborreça. |
Espanha: Um Prémio do Cidadão Europeu que não agrada a todos
Logo após o Parlamento Europeu ter atribuído à Plataforma dos Afetados pelas Hipotecas (PAH) espanhola o Prémio do Cidadão Europeu 2013, rebentou a polémica em Espanha, realça El Mundo: deputados europeus do Partido Popular espanhol (PP, no Governo em Madrid) exprimiram a sua "indignação" perante esta decisão e pediram ao júri do prémio para fazer marcha atrás. Entre as iniciativas da PAH figuram, de facto, os "escraches", protestos realizados à porta das residências dos eleitos espanhóis, que os eurodeputados do PP qualificaram de violentos e contrários aos valores defendidos pelo Parlamento Europeu. A candidatura da PAH foi apresentada por eurodeputados espanhóis dos grupos da Esquerda Unificada Europeia (EUE/NGL) e dos Verdes europeus (Verdes/ALE) e selecionada entre 41 outras candidaturas provenientes de 21 países europeus. O prémio, criado em 2008, pretende reconhecer "o trabalho de pessoas ou organizações que lutam pelos valores europeus", mas, para o editorialista Salvador Sostres, a PAH está muito longe desses valores:
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A esquizofrenia económica e mediática do Governo
Domingos Amaral
Qualquer estudante de Economia sabe que a psicologia dos povos é tão ou mais importante para a economia do que as decisões reais dos governos. Desde Keynes até aos pensadores das expectativas racionais, todos estão de acordo que os "estados de alma" de um povo, o seu optimismo e pessimismo, a sua esperança ou a sua descrença no futuro, podem determinar o andamento da economia. Não é pois de estranhar que os Governos tentem, com os seus discursos, influenciar a psicologia de um país. Por vezes com avisos, como o de Cavaco, com o célebre "gato por lebre"; ou o de Barroso, com o não menos célebre "o país está de tanga". Por outras, há uma intenção clara dos políticos de tentar inverter as expectativas, passar do pessimismo ao optimismo. Foi isso que vez Vítor Gaspar, quando há uns dias atrás proclamou bem alto: "este é o momento do investimento"! Porém, estes discursos psicológicos têm de ser coerentes. Se o discurso visa "arrefecer" a economia, tem de se ser consistente durante uns tempos. Se, pelo contrário, o discurso visa "reanimar" a economia, não se pode dar boas notícias à segunda-feira e más notícias à sexta. Ora, é precisamente essa coerência que não vejo neste Governo. Tão depressa Passos diz que "as condições de financiamento estão a melhorar", como diz que "o desemprego vai continuar a aumentar". Num dia fala-se em "voltar a crescer", passados dois dias fala-se em "cortes substanciais nos salários e nas pensões". De manhã acorda-se a dizer que há "sinais muito positivos na receita fiscal", e à tarde decide-se não pagar os subsídios de férias porque "não há dinheiro". Esta permanente montanha-russa de boas e más notícias mostra bem o descontrole comunicacional do Governo. Como acreditar que "este é o momento do investimento" quando se anuncia ao mesmo tempo profundos "cortes nas pensões e nos salários"? Como acreditar que há "sinais encorajadores" quando o desemprego bate recordes todos os meses? Cada semana que passa fico mais convencido que este Governo teve um ataque agudo de esquizofrenia económica, é um Governo bipolar, que anda a deixar os portugueses à beira de um ataque de nervos. E as coisas não parecem estar a melhorar. Há dois dias, por exemplo, Passos Coelho zurziu no FMI por este ter feito umas críticas à União Europeia, e Cavaco chegou a pedir a saída do FMI da "troika". Porém, apenas um dia depois, o Governo confirmou que vai levar à prática todas as medidas que o FMI propôs para cortar na despesa. Em que é que ficamos? Então o FMI é duvidoso, mas fazemos o que ele manda? É natural que o país ande confundido. Nestes altos e baixos permanentes, vivemos entre crenças que duram uns dias e depressões que duram umas semanas. Como os infelizes pais de um filho esquizofrénico, estamos esgotados e sem saber em quem acreditar. |
Dez sonhos para o dez de junho
Francisco Seixas da Costa
O nosso problema nacional visto por dez portugueses, nos quais tive o gosto de ser incluído. |
Grécia: “Querela após golpe na odisseia grega”
O relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) que dá conta de "erros enormes" na elaboração do plano de resgate da Grécia, em 2010, e na restruturação da dívida, em 2012, provocou "uma guerra entre os credores" do país, escreve o jornal Ta Nea, um dia depois de o documento ter sido revelado. Com efeito, a Comissão Europeia manifestou o seu "desacordo fundamental" em relação ao FMI, enquanto o Governo alemão lembrou que as condições do plano de resgate foram as certas. Por seu lado, escreve o diário de Atenas, Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu, recusou admitir que o BCE tenha cometido erros: "é muito difícil fazer julgamentos sobre o que se passou há quatro anos", declarou, a 6 de junho. |
Portugal: “Polémica com o relatório do FMI é vista no Governo como arma negocial”
O PSD, o partido no poder, e o Governo português mostram-se surpreendidos com o relatório em que o Fundo Monetário Internacional reconhece que cometeu erros no resgate à Grécia, escreve o Diário Económico. Embora não tenha sido reconhecido oficialmente, o Governo português considera que o documento dá mais espaço de manobra a Portugal em futuras negociações com a troika FMI-UE-BCE, escreve o jornal de economia. No mês passado, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho anunciou que poderia ser forçado a pedir à troika mais flexibilidade para as metas do défice em 2014, o que poderá acontecer durante a próxima avaliação que será feita a Portugal, em julho. |
"Eles" (os funcionários públicos) são uma parte de "nós"
• José Pacheco Pereira, "Eles" (os funcionários públicos) são uma parte de "nós" [hoje no Público]:
‘O que se passa com a função pública é relevante para todos nós, como método, como sinal, e, infelizmente, como imoralidade social, rompendo um contrato social que é suposto ser o tecido da nossa sociedade em democracia, em que existem diferenças e diferenciações aceitáveis e outras inaceitáveis.
É porque o Governo quer esconder as inaceitáveis que assume agora uma espécie de igualitarismo para os imbecis, proclamando-se de uma rasoira igualitária que serve para violar contratos e garantias, direitos e condições, em nome de um "dinheiro" que não há nestes casos e que parece haver sempre nos outros.
Alguém disse esta semana, e bem, que nunca ouviu o Governo responder que "não havia dinheiro" para as PPP, nem para os contratos swap, nem para a banca, só para os trabalhadores e para os reformados.
É por isso que o que o Governo está a fazer aos funcionários públicos tem um significado social muito mais vasto do que as peculiaridades do seu estatuto social e profissional.
E o invólucro de uma pseudo-"reforma do Estado" é apenas a expressão orwelliana para mais um corte cego nos serviços públicos, sem nexo, sem consistência, nem sustentação, sem sequer corresponder a qualquer poupança estrutural, porque os custos das coisas mal feitas são muito maiores do que a poupança orçamental obtida a curto prazo.
Um dos aspectos mais inaceitáveis deste processo é o grau de dolo e fraude em que ele é feito.
Repito-me, mas este é um dos aspectos mais repulsivos da actual governação.
Todos os governantes juraram várias vezes, há dois anos, e há dois meses, que nunca haveria despedimentos na função pública, nunca haveria "mobilidade especial" para os professores, e que apenas quem quiser sair teria abertas as portas a "rescisões amigáveis".
O que ofende mais a consciência comum é que as mesmas pessoas que usaram o "nunca", várias vezes e em contextos que não permitiam a ambiguidade, estão hoje na vanguarda de piruetas verbais mais obscenas para se desdizerem, parecendo aliás muito pouco preocupados com o valor da sua palavra.
Quando se justificaram, no passado próximo, muitas medidas de cortes salariais na função pública com o argumento de que podiam ser mais gravosas para os funcionários públicos, visto que eles tinham "a garantia do emprego", o que se estava a fazer era mentir a todos, como método de actuação.
O mesmo dolo foi a "mobilidade especial" e agora a "requalificação" que não são mais do que classificações enganosas em burocratês para os despedimentos.
O despedimento de funcionários públicos estava inscrito no código genético desta governação desde o primeiro dia. Escrevi-o na altura com absoluta certeza de que iria ser assim. E foi.’
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Slovenia: “Dois anos de prisão para Janez Janša, em nome do povo”
A 5 de junho, o antigo primeiro-ministro esloveno Janez Janša, que governou nos períodos entre 2004 e 2008 e entre 2012 e 2013, foi condenado a dois anos de prisão por um tribunal de Liubliana, por corrupção relacionada com a compra, pelo Estado, de equipamento militar à empresa finlandesa Patria, em 2006. O general Tone Krkovič e o empresário Ivan Črnkovič também foram condenados a penas de prisão de 22 meses. Os três homens têm de pagar ainda uma multa de €37 mil. Os seus advogados de defesa já disseram que vão recorrer da sentença. O Dnevnik escreve que o tribunal considerou uma circunstância agravante aquilo que o juiz Klajnšek descreveu como a incapacidade do trio para condenar as suas próprias ações e o abuso do seu poder, o que prejudicou a reputação do país. |
Guerra comercial UE-China: Europeus, revejam a vossa posição senão...
Uma pratica que não é só chinesa, mas angolana, brasileira, norte-americana, etc…
China Daily, Pequim – Na sequência da iniciativa da Comissão Europeia de taxar as importações de painéis solares chineses, Pequim decidiu lançar uma investigação sobre as condições dos vinhos europeus que importa. E se os 27 não entenderem a mensagem, outras medidas de retaliação se seguirão, adverte o jornal oficial chinês. Ver mais. |
quinta-feira, 6 de junho de 2013
O problema do meu nome Domingos
Domingos Amaral
É um dos pequenos tormentos da minha vida, o meu nome. Nunca consegui bem perceber porquê, mas há imensa gente que não consegue fixar o meu primeiro nome, Domingos. O problema não está no Amaral, o segundo nome. Esse todos o conseguem dizer. É um nome aberto, sonante, expansivo, e não confunde ninguém. O problema está no primeiro nome, Domingos, que tanta gente troca. Ainda há dias, recebi pelo correio para aí a centésima carta destinada ao...Diogo Amaral. Quer dizer, a carta era destinada para mim, para o escritor e jornalista e economista. Mas não para mim, como Domingos. É algo que me persegue desde pequeno. Já a minha professora de música, a minha querida Salomé (que nome fantástico para uma professora de música!), me trocava o nome. Tinha eu quatro ou cinco anos, e ela dizia "então Diogo, pode cantar o dó-ré-mi?" E eu encolhia os ombros e, antes de me atirar à cantoria, lá resmungava: "não sou Diogo, sou Domingos". É evidente que a maior parte das confusões se gera porque o meu pai se chama Diogo. Daí que, concluem as pessoas, é evidente que eu me chamo também Diogo. É uma confusão compreensível, há imensos rapazes que têm o mesmo nome do pai. Mas, se as pessoas pensam que é a única confusão, estão enganadas. Há umas semanas atrás, num encontro no Chapitô, fui apresentado como o escritor...Ricardo Amaral! Ricardo? Porquê Ricardo? Não é que eu não goste do nome, que gosto. E até tenho um bom amigo chamado Ricardo, mas não consegui perceber a ligação. Onde está a conexão secreta entre mim e o nome Ricardo? Não há, na árvore geneológica dos meus Amarais, nenhum Ricardo! E também não conheço nenhum famoso, nenhuma celebridade chamada Ricardo Amaral! E já que falamos em celebridades, diga-se que o actor Diogo Amaral também tem a sua quota de responsabilidade nesta questão do meu nome. É que já me aconteceu chamarem-me Diogo Amaral porque pensavam que eu era o actor e escritor... Foi uma espécie de 2 em 1, um Diogo e um Domingos acabavam sendo um único Diogo. Diga-se, para que fique escrito, que o Diogo Amaral não é da minha família, não temos qualquer relação de parentesco, mas pelos vistos estamos irmanados para a eternidade! Só que as confusões não ficam por aqui. Aqui há uns tempos, uma revista social fez uma reportagem comigo e chamou-me...Gonçalo Amaral! Sim, Gonçalo. Quem terá sido o inspirador de mais esta trapalhada? Na época, falava-se muito de um inspector da PJ que investigou o caso Maddie, e que se chamava Gonçalo Amaral. Terei sido confundido com ele? Enfim, é por estas e por outras que já pensei em alterar ligeiramente o meu nome. Em vez de Domingos Amaral usaria um nome de guerra mais moderninho, tipo "DF Amaral", uma coisa assim a modos que a meio caminho entre a JK Rowling e o MC Hammer. Infelizmente, tenho a sensação que já deve existir um DJ qualquer com um nome parecido, por isso é melhor ficar quieto. |
Reino Unido: “O ultimato de Osborne aos ministros: cortem agora ou o pior está para vir"
O ministro das Finanças britânico, George Osborne, avisou os ministros do Governo que recusam reduzir as despesas que os seus departamentos seriam castigados com cortes mais importantes caso continuassem a negociar até ao último minuto na esperança de obter um melhor acordo, anuncia The Independent. "O ministro das Finanças deverá anunciar dentro de três semanas cortes no valor de 11500 milhões de libras (13460 milhões de euros) para o ano financeiro 2015-2016", mas por enquanto foram apenas aprovados 2500 milhões de libras (2930 milhões de euros) de cortes, adianta o diário.
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Roménia: “Gigi Becali, condenado a três anos de prisão no caso ‘Mala’”
O Supremo Tribunal de Cassação e Justiça condenou Gigi Becali a 3 anos de prisão por corrupção, no dia 4 de junho. O deputado (Partido Nacional Liberal, no poder) e proprietário do clube de futebol Steaua Bucareste foi nomeadamente acusado de ter pago 1,7 milhões de euros para manipular um jogo entre duas equipas de Cluj, a favor do Steaua. A direção nacional anticorrupção pede que "o montante em questão seja apreendido e entregue ao Estado", realça o Jurnalul national. Previamente condenado por corrupção em abril/maio, Becali garante que "a sua condenação prejudica o país porque o Steaua Bucareste corre o risco de ser excluído da Liga dos Campeões". |
Comissão Europeia : Quem é que ainda ouve Bruxelas?
El País, Madrid – Desde há anos que a Comissão apresenta repetidas recomendações aos Estados-Membros sobre as reformas a pôr em prática, para manter a economia à tona de água. Mas as capitais dos Estados preferem obedecer às pressões dos mercados e às disposições dos planos de salvamento, minando assim a autoridade e a credibilidade do executivo europeu. Ver mais. |
terça-feira, 4 de junho de 2013
Polónia
Francisco Seixas da Costa
Por razões que seria fastidioso explicar, mas que se prendem essencialmente com a leitura que faço dos equilíbrios desejáveis no seio da União europeia e da Europa - que são coisas um pouco distintas - fui sempre um apologista da entrada da Polónia nas instituições comunitárias. Aculturei essa perceção com António Guterres, cuja determinação europeísta cedo soube marcar o rumo oficial português perante o processo de alargamento. Cheguei algumas horas a Varsóvia, para encontros profissionais, no quadro da minha nova vida de "ex-aposentado" - para recuperar a feliz designação que me foi atribuída por um comentador deste blogue. Já aqui não vinha há uma década. Entre 1995 e 2003, visitei várias vezes a Polónia, sempre em trabalho, acompanhando António Guterres e o presidente Jorge Sampaio, mas igualmente para proferir conferências (duas vezes no magnífico Instituto europeu de Natolin, outra a convite de antigo MNE Bronislaw Geremek, para falar a jovens polacos, no âmbito da Fundação Jean Monnet, a que presidia) ou a chefiar missões bilaterais. Também no âmbito da OSCE me desloquei a Varsóvia, ido de Viena. (O meu amigo e ex-jornalista do "Expresso" Luís Tibério espalhava aos quatro ventos que, durante anos, quando me tentava telefonar, eu estava sempre na Polónia....). Tive e tenho excelentes amigos polacos, na política como na diplomacia, todos tributários de uma cultura marcada por tempos muito difíceis, exigentes e frequentemente bem trágicos. E por uma magnífica capacidade de saber "dar a volta por cima" às coisas. De cada vez que volto à Polónia fico surpreendido com a vitalidade deste país, com o seu crescimento, com a sua vontade de se afirmar como um poder sólido no contexto europeu. Conheço as linhas dominantes do pensamento estratégico que por aqui se cultiva, as preocupações com a evolução recente da Rússia, mas, igualmente, o cuidado posto no processo político que se desenvolve em dois vizinhos complexos: a Ucrânia e a Bielorrússia. E, naturalmente, é sempre importante acompanhar o sentido do diálogo entre Varsóvia e Berlim, bem como os vários capítulos da particular relação da Polónia com os Estados Unidos, agora que a França passou a contar menos na sua política de alianças. Um país não escolhe os seus vizinhos, pelo que há que perceber que, muitas das vezes, a sua liberdade para selecionar os seus amigos está ligada aos imperativos ditados por essa mesma vizinhança. E a Polónia contemporânea sabe bem perante quem tem uma dívida de gratidão, seja na ajuda à sua libertação da tutela soviética, seja, mais tarde, na sua integração europeia, com a liberdade e o progresso que daí lhe adveio. Há semanas, num debate em Lisboa comemorativo do dia da Europa, contei uma história que me foi relatada, um dia, por um amigo polaco, nascido em Varsóvia, no final da guerra. A capital polaca era então uma montanha de escombros. Esse meu amigo cresceu nesse ambiente, que estava, no tocante a Berlim, muito bem retratado no impressionante filme de Rosselini cuja projeção tinha antecedido as nossas intervenções (de Viriato Soromenho Marques, de José António Pinto Ribeiro e de mim próprio, para além de representantes das embaixadas francesa e alemã em Portugal). Um dia, os pais desse meu amigo, então com cinco ou seis anos, levaram-no a Cracóvia. Era e é uma belíssima cidade, felizmente poupada pelas destruições da guerra, que fica próxima do campo de concentração de Auschwitz. Para esse amigo, então muito jovem, a surpresa foi imensa: no seu imaginário de criança, habituado à "paisagem" de Varsóvia, todas as cidades eram ruínas. Ora, afinal, havia cidades onde as casas estavam de pé, onde a guerra não parecia ter passado. Na minha intervenção no debate, procurei explicar que nós, em Portugal, durante a segunda guerra mundial, vivíamos como que "em Cracóvia", pelo que nunca poderemos entender verdadeiramente a Europa se não soubermos estar à altura das preocupações de quantos experimentaram um mundo bem mais dramático, feito de guerra, de morte, de ocupação, seguido de um totalitarismo violento, reciclado por ondas repressivas, que se prolongou por décadas. Não é, assim, de estranhar que esse países valorizem o desenvolvimento que entretanto obtiveram, à custa de imensos sacrifícios e renúncias. E que tudo isso molde a sua idiosincrasia nacional. Nota: as belas casas que se vêm na imagem, na clássica praça Rynek, são reproduções feitas com base em documentos e desenhos anteriores à segunda Guerra mundial, um trabalho que só ficou concluído em 1962. Depois do conflito, a praça era apenas um amontoado de pedras e ruínas. |
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Ex-Jugoslávia: “Tribunal de Haia liberta Stanišić e Simatović”
A 30 de maio, o Tribunal Internacional Penal para a ex-Jugoslávia absolveu Jovica Stanišić, antigo chefe da Segurança do Estado, e Franko Simatović, antigo comandante-chefe das unidades especiais de polícia. O tribunal afirmou que aqueles dois pilares do regime de Slobodan Milošević "não participaram numa empresa criminosa comum" com os sérvios da Croácia e da Bósnia-Herzegovina entre 1991 e 1995, explica o Politika. O diário acrescenta que o TIPJ concluiu, em particular, que as provas não eram suficientes para que a ação de Stanišić e Simatović ao lado das forças sérvias da Croácia em Vokovar, em 1991, demonstre "a existência de uma intenção de contribuir para a realização de um pretendido objetivo comum de crimes". A 29 de maio, o TIPJ tinha condenado seis oficiais croatas por crimes na Bósnia. |
Declaração de inveja
Francisco Seixas da Costa
Agora sim! Encafuado por algumas horas num "lounge" do aeroporto de Charles de Gaulle, esperando um avião para leste, e ao olhar, lá fora, o belo sol parisiense, revelo a minha assumida inveja pelo que deverá ser o ambiente, a alguns quilómetros daqui, no Jardin du Luxembourg. Só posso desejar que os meus amigos de Paris aproveitem o que por aí vier de verão, depois de todos estarmos a atravessar o longo inverno do nosso descontentamento. Em Portugal, finalmente!, parece que já há sol, talvez porque a "troika" ainda não consegue controlar isso. Ou talvez seja, como diria a Simone, o nosso "sol de inverno". |
Ex-Jugoslávia: Croácia responsável por crimes na guerra da Bósnia
111 anos de prisão no total, para seis antigos responsáveis políticos e militares dos croatas da Bósnia. No dia 29 de maio, foram considerados culpados de terem elaborado, entre 1992 e 1994, um plano para expulsar os muçulmanos e criado Herzég Bosna, uma entidade croata na Bósnia-Herzegovina desenhada segundo as fronteiras de 1939 e que deveria ter sido anexada à Croácia. O Tribunal Penal para a ex-Jugoslávia condenou uma "empresa criminal", anuncia o Novi list em primeira página. O diário de Rijeka realça que "a Croácia foi considerada culpada de agressão na Bósnia-Herzegovina", pelo facto de o veredicto também envolver o antigo Presidente Franjo Tudjman, o seu antigo ministro da Defesa Gojko Šušak, e o general Janko Bobetko. Após este veredicto, estima o Novi list,
O Jutarnji list, por sua vez, salienta a "preocupação em Zagreb" e a "ira em Mostar", a "capital" dos croatas da Bósnia. Mas o diário de Zagreb relembra que "os crimes cometidos pelo HVO (exército dos croatas da Bósnia-Herzegovina) eram do conhecimento público", e que a "guerra entre os croatas e os bósnios foi travada militarmente, logisticamente e sobretudo politicamente, a partir de Zagreb". Mas acrescenta que "o veredicto do tribunal de Haia levanta duas questões importantes":
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MECANISMOS DE MANIPULAÇÃO QUE FUNCIONAM
JPP
1. Escolher designações habilidosas para realidades negativas. Passarei pela rama esta muito significativa manipulação, porque já falei dela várias vezes. A regra propagandística é que quem manda nas palavras, manda nas cabeças. Por isso, o confronto fez-se pelo doubletalk. O exemplo típico é passar a falar de "poupanças" em vez de "cortes", e o mais ofensivo da decência é chamar "Plano de Requalificação da Administração Pública" a um plano de despedimentos, puro e simples, sem disfarces. O comunicado do Conselho de Estado reproduz também este tipo de linguagem orwelliana. 2. Ocultar o que corre mal no presente com anúncios futuros do que vai correr bem. Um exemplo típico é a última declaração do ministro das Finanças, numa altura em que se conhecem mais uma vez maus resultados da execução orçamental. Bastou ele acenar com medidas de incentivo fiscal ao investimento, em abstracto positivas, no concreto, pouco eficazes, para servirem de mecanismo de ocultação das dificuldades de execução orçamental. E como o "gatilho" (o nosso ministro pensa em inglês) dessas medidas é apresentada com a coreografia verbal da novidade e a encenação do ministro "inimigo" ao lado, estão garantidos alguns editoriais e comentários positivos. Tivemos já, há umas semanas, algo de semelhante, com o plano de "fomento industrial", aliás um remake de vários outros anúncios entretanto esquecidos. O problema é que o Governo já percebeu que tem que utilizar uma linguagem de "viragem para o crescimento", mas as medidas mais significativas em curso e com efeitos imediatos são cortes no rendimento das pessoas e famílias. Não deveria o real ser tido em conta, face ao virtual? Deveria se não fosse a cenoura da novidade. 3. Escolher metas do futuro manipulando o seu significado para obter resultados propagandísticos no presente. O melhor exemplo é a história do "pós-troika" para que colaboraram recentemente Portas e o Presidente da República. Portas fez um tardio e pouco convincente arroubo nacionalista contra "eles", os homens da troika, justificando a sua aceitação de medidas de austeridade gravosas com a necessidade de os ver pelas costas em 2014. O Presidente fez pior: usou o "pós-troika" para minimizar o caos governativo do presente em nome de uma inevitabilidade da mesma política para o futuro. Pretendeu alargar a base de sustentação do seu discurso no 25 de Abril, consciente, mesmo que não o diga, de que ele lhe tolheu a margem de manobra. Mas o Conselho de Estado teve os efeitos contrários ao que pretendia. O que ambos, Portas, o Presidente, somados a Gaspar-Passos o actual tandem governativo, pretendem é obter dois resultados inerentemente contraditórios: festejar a saída da troika como uma grande vitória governativa e depois garantir que tudo continua na mesma sem a troika. 4. Concentrar a atenção nas medidas que vão cair e fazer passar, por distracção, outras bem mais gravosas. Um exemplo típico foi a intervenção de Paulo Portas sobre o "cisma grisalho". Portas concentrou-se naquilo a que chamou "TSU dos reformados" - designação que ele próprio criou com a habilidade de autor de soundbytes para, com a embasbaquice normal da comunicação social, facilitar a concentração de atenção num nome -, deixando deliberadamente na obscuridade todo um outro conjunto de medidas contra os reformados e pensionistas, muito mais gravosos do que aquele que recusava. O resto é o habitual: toda a gente passou a falar apenas das peripécias da "TSU dos reformados", e esqueceu as outras. 5. Deixar fluídos todos os anúncios de medidas, para criar habituação e poder recuar numas que geraram mais controvérsia e avançar noutras que ficaram distraídas. Já fiz uma vez esta pergunta e repito-a: alguém sabe, do pacote dos 4 mil milhões, o que é que está decidido, o que é que está "aberto", o que é uma "hipótese de trabalho", o que é para discutir na concertação social, o que foi anunciado e deixado cair, que medidas são efectivamente para valer? Não se sabe, nem o Governo sabe. Sabe as que deseja, mas hesita em função das pressões da opinião pública, do medo do Tribunal Constitucional, do receio dos efeitos na UGT, nas suas clientelas. Por isso temos navegação tão à vista que o navio parece estar encalhado. Não está, porque, nos interstícios, as medidas que são mais fáceis do ponto de vista administrativo, dependem de despachos, e não precisam ir à Assembleia ou ao Presidente, vão sendo tomadas. São todas do mesmo tipo: retiram direitos, salários, horários, condições de trabalho. 6. Fazer fugas de informação de medidas draconianas e violentas de austeridade, para depois vir-se gabar de que as evitou. Um exemplo típico são as conferências de imprensa em que se valoriza determinadas medidas dizendo que elas permitem evitar outras muito piores, de que se fizeram fugas deliberadas. Joga-se com o medo, e com as expectativas negativas, para manipular as pessoas de que afinal, perdendo muito, sempre estão a ganhar alguma coisa. A comunicação social participa no jogo. 7. Manipular o efeito de novidade nos media para dar a entender que o Governo mudou. O melhor exemplo é a utilização do novo ministro das relações públicas e marketing do Governo - no passado chamar-se-ia ministro da Propaganda -, Poiares Maduro, cujas intervenções se caracterizam até agora pela repetição vezes sem conta da palavra "consenso" e depois, nas questões cruciais, a repetir o mais estafado discurso governamental. Veja-se o que disse, contrariando todo o mais elementar bom senso e as evidências públicas, sobre não haverem divergências no Governo entre Portas e Passos, ou entre a ala do "crescimento" e a ala do "rigor orçamental". Ou, numa manipulação da ignorância mediática, de que eventos como as duas declarações sucessivas de Passos e Portas são "normais" em governos de coligação. O único caso, vagamente comparável, é o do par Cameron-Clegg, mas este tipo de eventos não são normais em nenhuma circunstância. O que seria normal é que a seguir a uma declaração com a que Portas fez, ou este pedisse a demissão ou fosse demitido. Esqueci-me de dizer que eles no intervalo da propaganda, são todos "institucionalistas". 8. Acentuar as expectativas negativas nas próximas eleições autárquicas, para obter ganhos de causa se os resultados não forem tão maus como isso. As eleições autárquicas reflectem a situação política nacional, mas são das eleições mais afectadas pelo contexto local, ou pelas personalidades escolhidas. O PSD terá sem dúvida maus resultados eleitorais pela reacção contra o Governo, contra Passos e Gaspar e o ex-ministro Relvas. Terá também péssimos resultados por apresentar maus candidatos às eleições em muitos concelhos, em particular os mais importantes. Nesses duplicará os factores negativos da reacção contra o Governo, com candidatos envolvidos em polémicas desnecessárias ou escolhidos apenas pelas conveniências do aparelho. Mas também é verdade que em muitos sítios, em que o voto é mais exigente, o PS apresenta também candidatos muito maus, vindos como os do PSD dos equilíbrios aparelhísticos e do pagamento de favores internos ao grupo de Seguro. Por isso, não é líquido que não haja um efeito de minimização dos estragos que permita transformar resultados medíocres em resultados razoáveis, logo, no actual contexto, numa "vitória", jogando com expectativas muito negativas. A comunicação social, com a habitual servidão aos lugares-comuns, ajuda ao baixar tanto as expectativas que qualquer resultado que não seja uma catástrofe nuclear possa ser visto como bom. Há muito mais, mas fica para outra vez. |
Ainda os Balcãs
Francisco Seixas da Costa
Um dia, contei neste blogue o seguinte episódio: Foi há menos de 10 anos, em Sarajevo, a martirizada capital da Bósnia-Herzegovina. Era um jantar a que estava presente, como convidado e amigo do nosso representante diplomático, um membro do governo daquele país. O equilíbrio político na Bósnia-Herzegovina, um país resultante da fragmentação da antiga Jugoslávia, é muito difícil, dado que, do executivo, fazem obrigatoriamente parte representantes de três diferentes etnias, com um complexo historial de conflito entre si: bósnios, croatas e sérvios. Não quero recordar a qual dos grupos étnicos pertencia o convidado local dessa noite. O jantar tinha um caráter relativamente informal, no jardim da residência. Como não podia deixar de ser, a conversa cedo derivou para a política. A certa altura, veio-me à memória que numa das minhas visitas a Sarajevo, nos anos 90, tinha conhecido um membro do governo da Bósnia-Herzegovina, pertencente a uma dessas minorias. Era um homem agradável e cordial, com quem eu havia criado uma forte relação de simpatia. Voltaria a encontrá-lo mais tarde, por duas vezes, na Grécia, onde ambos tínhamos ido a convite pessoal de Georgios Papandreou, atual primeiro-ministro, de quem éramos amigos. Perguntei por esse antigo ministro da Bósnia-Herzegovina. Notei que o nosso convidado ficou um pouco embaraçado, mas respondeu: - Está na Haia. Ao meu lado, uma pessoa menos dada a interpretar, com a rapidez da nossa profissão, este tipo de informações, perguntou: - Como embaixador? Não sei se fui eu que me adiantei ou se foi o ministro que esclareceu que "estar na Haia" significava estar detido sob ordem do Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia, que julga os crimes de guerra e que tem sede na capital dos Países Baixos. Como dois diplomatas portugueses presentes bem se lembrarão, mudámos logo de conversa... |
O fim das teimosias
Francisco Seixas da Costa
Lembram-se dos tempos em que, numa tertúlia de amigos, num bar ou num café, debatíamos longamente se era mesmo aquela atriz girota quem entrava como personagem secundária num certo filme, se o escritor fulano era ou não equatoriano de nascimento, qual era o nome do secretário de Estado que tinha substituído um outro num determinado governo, as palavras exatas da última estrofe daquela canção, se uma citação estava precisa ou não? O tira-teimas só se fazia mais tarde, quando alguém obtinha a prova irrefutável da razão que lhe assistia. Dou por mim numa mesa da "Gomes", em Vila Real, na minha adolescência, com o Albano Tamegão e o Guilherme Sanches, a desunharmo-nos em torno do nome certo da capital de uma ilhota do Pacífico ou daquela canção secundária dos Beatles. Numa tarde, na "sala verde" do ISCSPU, procurei, durante quase uma hora, com o Manuel Dinis e o Alexandre Chaves, recordar a designação de uma tasca de bons petiscos, lá para o Norte, em lugares que só o nosso comum exílio no Sul chamava à conversa. Atrasava-nos a entrada ao serviço na Caixa, depois do almoço, no Calhariz, encostados à montra da "Bijou", a teima, com o Murta e o Aldeia, em torno de quem tinha provocado um certo penalti ou se tinha sido o Oliveira Duarte ou o Nóbrega quem entrara para a ponta esquerda, na segunda parte de um certo jogo da seleção, em substituição do Simões. Lembro-me de discussões, com o António Franco e o Miguel Lobo Antunes, na parada da EPAM, sobre quem fazia parte de uma velha lista associativa ou o cargo exato de um ministro desse antigamente, procurando encher aquela vida fardada de verde, na insuperável estupidez dos dias de tropa. Levavam tempos infindos os debates no "Montecarlo", com o António Quelhas ou o Zé Carlos Serras Gago, à volta de uma expressão exata usada pelo Poulantzas ou pelo Daniel Guérin num determinado livro. Ainda me vêm à memória teimosias acaloradas, nos jantares no Trópico, em Luanda, com o Fernando Andresen e o Zé Guilherme Stichini Vilela, com os meios para provar quem afinal tinha razão numa caturreira qualquer (embora eu tivesse levado para lá a minha "Encyclopaedia Britannica") a milhares de quilómetros de distância. E, para sempre, ficaram-me madrugadas longas no "Procópio", onde, também a propósito de um facto ou de um nome, cruzávamos vários bitaites, com a memória de elefante do Nuno Brederode ou o gosto pela trívia do António Dias a ganharem quase sempre a partida. Onde isso vai! Falava deste assunto ontem, ao jantar, com amigos eslovenos e letões, nos arredores de Podgorica, capital do Montenegro, na varanda da um restaurante sobre o Morača, o rio de onde tinham saído as trutas que nos serviam, regadas a um sucedâneo vinícola local. É muito melhor assim? Claro que é! Mas que esses tempos de grandes e teimosas discussões tinham a sua graça, lá isso tinham... |
Dinamarca: “Negociantes de canábis querem pagar impostos”
Numa altura em que o município de Copenhaga propõe legalizar a venda de canábis, "99% dos vendedores" querem pagar impostos sobre a sua atividade, garante ao Politiken um dos principais negociantes. Isso permitiria aos vendedores da capital, cuja atividade atinge os mil milhões de euros em volume de negócios, serem considerados comerciantes normais. Mas, para o ministro da Justiça, Morten Bødskov, que afirmou que o crime organizado controla os vendedores do bairro de Christiania, "qualquer resposta à proposta de legalização da canábis tem três letras: N-Ã-O". |
Alemanha: As fronteiras da política de imigração
Die Zeit, Hamburgo – A Itália é acusada de ter dado dinheiro a migrantes africanos para estes partirem para a Alemanha. Um escândalo? Não, considera o jornal "Die Zeit": é a consequência de uma política que consiste em fechar os olhos ao drama dos refugiados e em transferir a responsabilidade para outros países. Ver mais. |
Polónia: “Crise atinge as pessoas”
"Pobreza, desemprego, salários baixos, mau humor – este é o preço que estamos a pagar pelo [abrandamento da economia]", escreve o Rzeczpospolita. O diário conservador compara a situação económica do país no primeiro trimestre deste ano com o mesmo período de 2009, quando a Polónia foi atingida pela primeira onda da crise global. Apesar do PIB em 2013 ter crescido 0,5% comparado com os 0,4% no mesmo período, há quatro anos, o desemprego está mais alto (11,3%, comparado com os 8,3% de 2009) e a subida de salários quase parou (2,6% agora, comparado com os 6,8% de então). Mas apesar do Governo da Plataforma Cívica continuar a perder apoio popular, as perspetivas de que inicie as reformas necessárias são muito poucas. |
sexta-feira, 31 de maio de 2013
A Suécia em questão (1/2): Os motins de Husby, um retumbante fracasso
Aftonbladet, Estocolmo – As revoltas que deflagraram por estes dias nos arredores de Estocolmo mostram que a integração de inúmeros imigrantes que moram naquele país nunca aconteceu. Em causa está a falta de vontade política do Governo para agir nas questões da educação e do emprego. Ver mais. |
Suécia: “Husby une-se contra a violência”
Enquanto os tumultos continuam presentes em Husby, um bairro popular de Estocolmo: pais e representantes de associações protestaram no dia 22 de maio contra o vandalismo dos jovens e a violência da polícia. Várias dezenas de carros e uma esquadra de polícia foram incendiados, e os tumultos estenderam-se a outros bairros da capital. O acontecimento relançou o debate sobre a integração dos imigrantes e sobre o modelo social sueco. Como explica um habitante de Husby no Svenska Dagbladet,
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